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junho 30, 2003Oito livros para entender o novo jornalismo: mesmo que eu tenha sérias divergências com a lista, não me furto a indicar porque é uma que eu sempre quis fazer. Praticamente o único título acima de controvérsia seja A Sangue Frio, de Truman Capote. Dos precursores, citam-se os Johns Reed e Hersey, como inúmeros outros poderiam ser citados; criativamente, o próprio autor lembra de Euclides da Cunha em Os Sertões, provando que é difícil traçar exatamente onde ocorreu pela primeira vez a cruza entre o respeito aos dados da pesquisa jornalística e as borboletas entre os parágrafos da literatura. Gay Talese, Norman Mailer e Tom Wolfe são indispensáveis, mas eu escolheria respectivamente A Mulher do Próximo, uma das mais extensas e profundas narrativas jornalísticas já perpetradas; Os Degraus do Pentágono (onde também há a original narrativa em terceira pessoa referindo-se ao próprio escritor como um personagem, tal como no citado A Luta) ou Miami e o Cerco de Chicago, ambos precursores e igualmente representativos no estilo e Décadas Púrpuras, a melhor coletânea de new journalism já publicada. Ao invés de elencar Chatô, de Fernando Morais, dispensável tentativa de estabelecer um correlato nacional (valeria a pena tentar fazer uma lista inteira só de nacionais, isso sim), ficaria com Fear and Loathing in Las Vegas, de Hunter S. Thompson, caindo para a vertente gonzo do jornalismo literário. E assim, meio sem querer, acabo de elaborar minha lista... anotado por - 12:34 PM
Blog 'n' Roll all nightHoje tem Blog'n'Roll na AllTv, primeiro programa televisivo sobre blogs e música em iniciativa de Rodrigo Rodrigues e meus caros Enio Martins e Jean Boechat. No primeiro programa, participação do ex-mutante não-X-men Sérgio Dias Baptista. Estréia às 20h00 na AllTv. Mais notícias no blog do programa.
anotado por - 12:31 PM
esquizofrenia não é hipocrisia"Sendo assim, os yippies provieram dos hippies, ex-hippies, diggers, bikers, desistentes de universidades e hipsters vindos do sul. Formaram uma comunidade de várias espécies, pois os seus princípios eram simples -- todos, obviamente, devem ter a possibilidade de fazer (não há jeito de evitar as três palavras seguintes) sua própria coisa, contanto que não prejudique ninguém ao fazê-lo -- eles ainda iriam aprender que a sociedade se constrói à custa do prejuízo de muitas pessoas sobre outras tantas, a eterna discussão sendo apenas em tôrno de quem causa o prejuízo. Eles não entenderam necessariamente o quanto sua simples presença feria tantos bons cidadãos no âmago do coração -- os hippies e provavelmente os yippies não avaliaram bem a profundidade da esquizofrenia sobre a qual a sociedade está construída. Chamamos a isso de hipocrisia, mas é esquizofrenia, uma modesta vida de rancho com draconianas aventuras militares; uma terra de igual oportunidade onde uma cultura branca esmaga uma cultura negra; uma comunidade horizontal de amor cristão e uma hierarquia vertical de igrejas -- a cruz foi bem desenhada; uma terra de família, uma terra de cios ilícitos; uma política de princípios, uma política de propriedade; uma nação de higiene mental com filmes e uma televisão que fazem lembrar um chiqueiro mental; patriotas com aversão à obscenidade que poluem seus rios; cidadãos com aversão ao controle do governo que não suportam uma situação que não seja controlada." (Excerto de Miami e o Cerco de Chicago, de Norman Mailer) anotado por - 12:29 PM
junho 27, 2003CidadesChicago é a grande cidade americana. Nova York é uma das capitais do mundo. Los Angeles pe uma constelação de plástico. São Francisco é uma senhora. Boston tornou-se a Reforma Urbana. Philadelphia, Baltimore e Washington piscam como diamantes baços no smog da megalópolis Oriental. New Orleans é o bairro francês ultrapassado, sem nada de extraordinário. Detroit é uma cidade de um só ramo de comércio. Pittisburgh perdeu seu triângulo dourado. St. Louis tornou-se o arco dourado da corporação, e as noites em Kansas City fecham cedo. A cota de depleção do petróleo faz de Dallas e Houston nada mais do que um tabuleiro de damas para esse tipo de jogo. Entretanto, Chicago é uma grande cidade americana. Talvez seja a última das grandes cidades americanas. Esta é a introdução da segunda parte de Miami e o Cerco de Chicago, de Norman Mailer. Exercício para aspirantes a escritores: reescrever o texto acima para capitais brasileiras, ou para cidade de um só estado. Tanto mais difícil quanto menos tiver viajado o candidato. Gostaria de ler as tentativas. anotado por - 05:10 PM
hulk esmagaEm determinada edição de 1962, a revista Esquire listou em sua capa retratos das personalidades que mais influenciavam a juventude norte-americana da época. Em meio a Kennedy, Luther King e Cassius Clay, dois rostos se destacavam por serem personagens fictícios: o Homem-Aranha e o incrível Hulk. Stan Lee acertara definitivamente o alvo ao definir a nova linha de heróis da Marvel.
Dos anos 60, veio o espião russo infiltrado que detona, às escondidas, a bomba G, os testes militares no desenvolvimento de uma arma secreta e o espectro da bomba atômica, observável sobretudo em X-Men; das narrativas clássicas, Stan tomou emprestado um general tonitroante e autoritário e sua doce filha, a fazer-lhe contraponto, e futuramente, apaixonar-se pelo homem proibido, além da dualidade civilização/barbárie de Jeckyl & Hyde; e como elemento novo, a proposta de um super-herói algo irracional, bruto, descontrolado e incompreendido (a incompreensão seria exemplarmente explorada no Homem-Aranha), mesmo que não exatamente mau, diferente dos modelos de comportamento vigentes, inspirado no Frankenstein-Karloff. Dissecando assim, parece óbvio que o Hulk faria sucesso, mas o fato é que raras são as vezes em não se cai no caricatural com uma fórmula assim. ![]() Numa história típica do Hulk (lembrar que os roteiristas tinham que parir uma dessas por mês) haveria uma cena meio filosófica de solidão no deserto, para onde Hulk tinha fugido do exército, uma de relacionamento conturbado entre o doutor Banner e a filha do general Ross, bastante pancadaria, encarando vários adversários ao mesmo tempo, e o clímax se daria quando ele ficasse furioso, o que aumentava sua força, executando um feito improvável -- para seus padrões, é claro: uma vez, chegou a mergulhar e destruir toda a ligação entre a base de uma ilha e o fundo do oceano e empurrar aquele novo recife flutuante, nadando, em direção ao continente. Essa história típica acabava com um aforisma acaciano sobre a dificuldade dos "diferentes" se enquadrarem entre os demais, sobre a violência ou a guerra. Nada tão sofisticado ou filosófico como o Surfista Prateado, mas o suficiente para conquistar o coração de hippies & drop-outs, que o viam como a um igual. Eventualmente poderia-se explorar um tema marginal como os fundamentos do sistema penal/carcerário (o Hulk quase sempre se refugiava em desertos, a fugir da perseguição do exército) ou associá-lo a outros super-heróis (os Vingadores), mas o que motivava os leitores eram mesmo os sopapos distribuídos à mancheia combinados à obtusidade mental do Hulk. Ater-se a esses elementos, com a devida adaptação temporal -- vão ler engenharia genética onde lia-se pesquisa atômica, vão transformar a filha do General Ross de uma mocinha indefesa numa mulher ousada e independente, talvez cientista -- seria o suficiente para fazer um bom filme, computação gráfica ou não, mas há a obrigação tácita de incluir elementos das histórias mais recentes, para capturar o interesse do público leitor (um erro de marketing, a meu ver), então o destaque dado ao pai de Banner, cuja repressão na infância teria incubado o Id verde: não é exagero usar a terminologia psiquiátrica, quando se sabe que o limite do botequim não será ultrapassado. Essas são as expectativas em respeito ao filme, vejamos se eles não fizeram lambança -- de novo. anotado por - 04:00 PM
junho 26, 2003Elzie C. Segar![]() Originalmente Thimble Theater, depois nomeada segundo seu mais ilustre personagem -- um marujo de cara amassada --, em criação de Segar, um dos mais inovadores cartunistas do começo do século XX. anotado por - 03:59 PM
CarteiradaDeu no Jornal do Brasil de hoje: Uma deusa foi contrariada à entrada de um elegante prédio do Leblon, anteontem. Ela chegou ao edifício anunciando a intenção de visitar seu "novo apartamento", mas o porteiro cortou-lhe o caminho: É aquela velha história. Sabe com quem está falando. Meu nome é Zé Pequeno. E assim por diante. Golpe de galão, patromônio nacional. Felizmente ainda existem os Severinos por aqui. Nunca me esqueço de quando fui ao Teatro Carlos Gomes ver uma montagem de Otto Lara Resende ou Bonitinha mas Ordinária, diretor conferindo a fila comprida, atrasaram o início para a platéia se acomodar. O baleiro anunciava, "olha o drops, olha a pastilha, o espetáculo dura duas horas - duas horas sem balinha não dá". Quando faltava pouca gente para entrar, foi confabular com o vendedor de cigarros, também de tabuleiro à cintura. Compararam os respectivos porta-níqueis, impressionados com a quantidade de moedas ajuntadas até o momento. Um deles não se agüentou: - Esse pessoal leva moeda quando sai com mulher. Eu, quando saio com mulher, não levo moeda, não! Nessa cidade, não adianta você ser bacana, sair de carrão ou acompanhar uma baita mulher gostosa; isso não vai te impedir de ser esculhambado por um zé mané qualquer na primeira e estúpida chance. anotado por - 03:53 PM
junho 23, 2003DITOS POPULARES TRADICIONAISInventados pelo Protensão e surrupiados para cá, com exemplos de aplicações práticas: - Esquentar a geléia ("Eu já tava lá esquentando a geléia quando ela chegou") anotado por - 10:30 AM
Pekar linksNa rede: American Splendor, o filme e Harvey Pekar, com direito a blog! ![]() anotado por - 10:27 AM
Nãããããoooooo!!!!Medo, pânico e terror: soube nesse final de semana que na ordem de dois terços do espaço e contratados do caderno de cultura da Tribuna da Imprensa foram cortados. Aceite-se que a Tribuna da Imprensa, hoje, seja apenas aquele jornal fininho onde o Hélio Fernandes pode escrever o que quiser -- ainda assim sua equipe cultural era maior do que, por exemplo, a do Caderno B do JotaBê, onde todo mundo escreve como colaborador ou frila, e abrindo espaço para adivinhem o quê. E parece que será periódico. anotado por - 10:26 AM
um tapete atrapalha muita genteImagine a cena. O nono andar da conhecida loja Macy's, departamento de tapetes, no meio de uma tarde calma como qualquer outra. Subitamente, cerca de duzentas pessoas surgem de todos os lados e se reúnem em torno de um dos tapetes, examinando o artigo em exposição. O vendedor, sem entender bem o que está acontecendo, resolve interpelar um ou outro membro do grupo. De todos, ouve a mesma resposta, que vivem juntos num armazém nos arredores da cidade e estão decidindo se compram ou não o tapete. Cerca de dez minutos depois, todos vão embora, tão ordeiramente como entraram. (do PPP) Soberbo exemplo de smart mob, ou mais precisamente, e-mob, já que a multidão foi convocada por email e não telefone celular em ação pública apolítica e rápida. Deu na Wired e teve repercussão ecoada à vontade por aí. Para que serve? Qual o sentido? Onde querem chegar? Se você sente vontade de fazer qualquer dessas perguntas, é porque evidentemente não está em sintonia com o ato. Embora o uso de email tenha facilitado imensamente a comunicação ao reunir uma grande massa em curto intervalo de tempo, esse tipo de ação já é usada há algum tempo: as bicicleatas em protesto contra o mau uso de transportes individuais em San Francisco (Critical Mass) e a invasão dos Papai-Noéis bêbados em vésperas de Natal, provocando uma anoelarquia (santarchy) nas ruas, capitaneadas por grupos como a Sociedade Cacofônica e o Laughing Squid. anotado por - 10:24 AM
junho 20, 2003junho 19, 2003hip hip hurraÉ assim: você levanta para pegar aquela estupidamente na geladeira, e quando volta, lá está Saturno sentado no sofá, em frente à televisão, com aquele sorrisinho no rosto de "nem parece que já faz 7 anos, hein velhão?" -- e a melhor coisa nessa hora é oferecer um cerveja para el também. Como se as finais do Estadual, os play-offs da NBA, de quatro em quatro anos um jogo decisivo do Brasil na Copa, festas juninas e o solstício de inverno rondando a vizinhança não fossem suficientes para confundir as datas e quase esquecer o inevitável tributo à contabilidade de mais uma primavera, um inverno, um verão e sobretudo mais um espetacular outono azul anil, da qualidade que só existe no céu da Guanabara. Tinha esquecido anotado por - 04:37 PM
junho 18, 2003lógica subjetivaPara cada número inteiro positivo, existe um correspondente negativo; então, a soma de todos os números inteiros é igual a zero: 1 - 1 + 2 - 2 + 3 - 3 + 4 - 4 + 5 - 5 ... = Mas podemos calcular de uma forma diferente, usando parênteses: 1 - 1 + 2 - 2 + 3 - 3 + 4 - 4 + 5 - 5 ... = Ou ainda, se iniciarmos a série com um inteiro negativo: - 1 + 1 - 2 + 2 - 3 + 3 - 4 + 4 - 5 + 5 ... = Logo, a resposta da pergunta "qual a soma de todos os inteiros?" é: depende anotado por - 09:44 AM
Leticia dá um exemplo do que seja a organização anglo-saxã contando sobre os preparativos de seu casamento. anotado por - 09:40 AM
junho 16, 2003o havaí é aquiFaze o hype e deita-te na cama. anotado por - 04:13 PM
76![]() "Juro que não faço esforço nenhum para não ser influenciado, só deixo me influenciar o que eu quero. Tem uma frase de Thomas Mann que me tocou profundamente. Ele disse: ninguém pode sofrer influência daquilo que lhe é estranho, que lhe é alheio. Você só vai se influenciar por uma coisa que você já tem dentro de si e que talvez você não soubesse que ia se revelar." anotado por - 04:11 PM
Manifesto NômadeLiberte-se do átomo. Não tenho muita certeza quanto ao Negroponte, mas uma ele deu dentro: entre o átomo e o bit, fique com o bit. Trabalhe com a mente, não com a mão, e que o fruto do seu trabalho seja digital. (Texto original do Tom-B, correndo o risco de se perder nas prateleiras empoeiradas da internet.) anotado por - 09:29 AM
junho 13, 2003Balanço da Conta-Cultura: o que foi, o que sobrou -- por Daniel Piza e Fritjof Capra (dica preciosa da Anna) anotado por - 02:04 PM
beleuzaDuas universidades alemãs tentam responder o que é beleza e o que é atraente num rosto masculino e feminino. Vale a pena ler tanto a metodologia quanto os resultados (se você souber alemão, pode ler o relatório completo), especialmente as partes sobre o rosto humano médio, as características de rostos belos, atração pelo virtual e percepção social do que é bonito. Outra curiosidade é prestar atenção aos endereços e ver como o alemão é uma língua ruim para organizar diretórios... anotado por - 10:44 AM
DJ Dolores y Orchestra Santa MassaHelder Aragão, o DJ Dolores da Orchestra Santa Massa, também tem seu blog, mais propriamente um diário de viagem e criação da banda. Até hoje me arrependo de não ter assistido ao show deles num finado festival que acontecia anualmente no MAM, preterido em nome de um grupo o qual fiz questão de esquecer. Felizmente o Sol continuou ardendo e a Terra, girando, de sorte que pude assisti-los em total fúria e esplendor no Teatro Rival. Por conta de uma amiga em comum, tive a chance de bater um papo comprido com o Helder. Ele contou que desenhava quadrinhos, chegando a viver apenas disso em determinado período dos anos 80, e depois foi trabalhar com design -- são deles as capas de alguns discos do mangue-bit e, sempre interessado em tecnologia, acabou caindo para o lado musical dos samplers e sintetizadores eletrônicos, sendo o compositor de trilhas sonoras de alguns filmes da recente safra. Lembro que a conversa passou por Hunter S. Thompson, quando ele me abriu os olhos para Ralph Steadman, que vai ganhar uma nota quando eu terminar de ler I, Leonardo. Dois trechos do diário: "Quando falo de tecnologia nem sempre estou me referindo a tecnologia digital, de ponta... mas, por exemplo, a rabeca de Maciel é um produto de tecnologia pois foi preciso muito tempo de civilização para desenvolver esse instrumento com sua acústica específica, sus posibilidades de tons, os aspectos ergométricos... E as músicas que Maciel faz não seriam possíveis de existir através de um sintetizador. A rabeca dele tem suas próprias características e pode gerar uma estética peculiar, única, se manuseada por um "cientista" da música." "O próximo disco da santa massa vai se chamar Azougue!. Já estamos tocando esse tema nos shows e tem sido um sucesso. Azougue! A idéia veio de uma conversa com Maciel quando ele nos contou que nas sambadas pelo interior a galera bebe um drinque violento feito à base de cachaça com pólvora. Eu já tinha ouvido falar dessa história mas achava que era invenção, um exagero dos matutos. Pois bem, é pura verdade e a receita é a seguinte: Pegue um copo com cachaça, esprema um limão, misture bem e adicione pólvora ao seu gosto. Dizem que é um ligante poderoso mas eu mesmo prefiro não experimentar." anotado por - 10:41 AM
junho 12, 200312 de junho(Vou pedir uma força ao grande figura Camões, que hoje é dia dos namorados! Então feliz dia dos namorados para todos os namorados, namoradas, namorados de namorados e namoradas de namoradas e a todos os sem namorados, que também são filhos de Deus, ora essa.) Conversação doméstica afeiçoa, Se despois, porventura, vos magoa Não são isto que falo conjecturas, Metido tenho a mão na consciência, * * * Busque Amor novas artes, novo engenho, Olhai de que esperanças me mantenho! Mas, conquanto não pode haver desgosto Que dias há que n'alma me tem posto * * * Doce contentamento já passado, Quem cuidou que se visse neste estado Fortuna minha foi, cruel e dura, Nem se engane nenhu'a criatura, * * * Enquanto quis Fortuna que tivesse Porém, temendo Amor que aviso desse Ó vós que Amor obriga a ser sujeitos verdades puras são, e não defeitos... * * * (Camões também curtia uma loirinha:) Lindo e sutil trançado, que ficaste Aquelas tranças d'ouro, que ligaste, Lindo trançado, em minhas mãos te vejo, E se não for contente meu desejo, * * * (Kelly Key se inspirou nesse para compor o Baba baby:) Já não sinto, Senhora, os desenganos A mágoa choro só, só choro os danos Dobrada glória dá qualquer vingança, mas eu de vossos males e esquivança, * * * Porque quereis, Senhora, que ofereça Sabei que, enfim, por muito que vos peça, Assi que a paga igual de minhas dores, E se o valor de vossos servidores * * * (Esse é de arrepiar:) Quem vê, Senhora, claro e manifesto Este me parecia preço honesto; Assi que a vida e alma e esperança Porque é tamanha bem aventurança anotado por - 09:37 AM
junho 11, 2003Panorama do AterroRio, 4 de maio de 2003, 11 da manhã. Panorama do Aterro do Flamengo, visto do oitavo andar do Hotel Glória. [...] Um exemplo sem paralelo de urbanismo utópico, um vislumbre de uma cidade ideal tentando ser um microuniverso. Tem tudo ali - uma marina, um museu, um aeroporto, um parque, áreas de lazer, grandes prédios comerciais, uma base militar e a natureza exuberante. É tão absolutamente perfeito que parece algo saído do Sim City, Le Corbusier Special Edition. (do Bernardo) anotado por - 01:23 PM
Ontem- Tem um coroa ali no fundo tomando uma sopa com uma cara muito boa. Vou lá perguntar a ele de que é a sopa. Tava ali o corpo estendido no chão, no meio do cruzamento. Do botequim em frente, a antena do quarteirão, vieram as primeiras notas de ceticismo: "joga uma bombinha que ele levanta". Eis que o indigente não mexia um cabelinho, rua tranquila e tal, a ansiedade foi crescendo -- e se algum carro sai varado do túnel e passa direto? Dois -- tem sempre um santo, dizia meu professor de Dinâmica -- frequentadores enfim largaram suas tulipas e caminharam até o homem, posicionando-se em em cada extremidade. O mais de lá levantou um braço, pedindo para o motorista dar um tempo. Levantaram-no como se levanta um sofá velho e carregaram até o poste da esquina, tirando da rua. Ali o depositaram prosaicamente, e voltaram para o bar. Sem que ele demonstrasse reação. anotado por - 01:21 PM
steal this post ou como ganhar um búfalo grátis![]() Free speech is the right to shout "theater" in a crowded fire (Provérbio yippie) Steal this Book (1971) é um dos textos mais famosos, e como qualquer outro da contra-cultura, menos lidos; se você nunca ouviu falar, ao menos já deve ter lido alguma paráfrase numa manchete jornalística ou título de artigo -- só para ficar na mais recente, o nome do disco novo do System of a Down é Steal this Album! O livro foi escrito por Abbie Hoffman, à época já autor de Revolution for the Hell of It e Woodstock Nation, ativista político e baderneiro notório a partir da segunda metade da década de 60 por ter causado um fuzuê na Bolsa de valores de Nova Iorque ao jogar notas de um dólar sobre os pregoeiros, organizar as manifestações de rua durante a convenção do partido Democrata em Chicago (narradas no livro Miami e o Cerco de Chicago, de Norman Mailer) e pela tentativa de levitação do Congresso com poder da mente, durante a marcha de Washington, passeata detalhadamente contada também por Mailer em Os Degraus do Pentágono. Foi um dos processados no célebre julgamento dos 7 de Chicago, junto com Jerry Rubin e outros Yippies (de YIP, Youth International Party) e fichado no FBI. Suicidou-se em 1989. Steal this Book é um manifesto que incita seus leitores à ação, a começar pelo próprio imperativo do título. Quem ataca o texto à procura de embasamento teórico ou procurando incrementar seu arsenal de argumentos se decepciona, já que quase tudo se constitui em indicações práticas de como sobreviver na "Amerika", o país então governado por Richard Nixon e em pleno curso de guerra no Vietnam. É difícil encontrar algum trecho mais extenso ou prolixo, e a leitura atenta prova que o legado da contra-cultura deixou brechas abertas, tendo sido mais efetivo em direções não tão óbvias à época. À luz da história não é complicado notar essas brechas, e assinalá-las numa margem de livro virtual. O livro divide-se quase simetricamente em 3 capítulos. O primeiro, Survive!, ensina fundamentalmente como conseguir de graça transporte, comida, educação, tratamento de saúde e até drogas -- era impressionante a proliferação de universidades livres e hopsitais comunitários na Amerika hippie (algumas delas funcionando até hoje, como a Haigh Ashbury Free Clinic), assim como a abundância de bens produzidos, um verdadeiro convite à vagabundagem. O segundo capítulo, Fight!, "separa revolucionários de foras-da-lei. O propósito desta parte não é ferrar o sistema, mas destruí-lo. As armas são escolhidas cuidadosamente". É onde se concentram práticas terroristas, técnicas de guerrilha urbana, o escambau. A terceira parte, Liberate!, não passa de uma lista elaborada em 4 cidades cobrindo os itens mostrados no primeiro capítulo. Se você conseguir passar por cima da retórica de guerrilheiro de Hoffman, pode encontrar pensamentos contraditórios ao discurso suicida e convertido de ícones da guerrilha: "The duty of a revolutionary is to make love and that means staying alive and free"; "Smoking dope and hanging up Che's picture is no more a commitment than drinking milk and collecting postage stamps." É curioso ver Hoffman torcendo o nariz para as facilidades do consumismo enquanto passa mais da metade do tempo escrevendo assim: um bom manual pode ser comprado em qualquer livraria, um par de luvas pode ser obtida em qualquer loja de ferragens, um litro de gasolina pode ser comprado em qualquer supermercado...Como foi muito bem explicado no ensaio A Década do Eu por Tom Wolfe, pela primeira vez na história dos EuA tal fora a prosperidade econômica que permitiu não só o investir em auto-aprimoramento de indivíduos não-pertencentes às altas classes sociais como gerou excedentes para manter dependentes no sistema produtivo. Abbie estava ciente disso: Really horning in on this chapter will put you on Free-loader Street life, 'cause with all the money in Amerika, the only thing you'll have trouble getting is poor. It's easy to get on welfare that anyone who is broke and doesn't have a regular relief check coming in is nothing but a goddamn lazy bum! É possível perceber que ele estava atento a cada faceta das tranformações de seu tempo, sabendo capitalizá-las em nome da sua causa revolucionária, como o Poder Jovem e o não-conformismo: The entire youth culture, everyone who smiles secretly when President Agnew and General Mitchell refer to the growing number of "hot-headed revolutionaries", all the folks who hope the Cong wins, who cheer the Tupamaros on, who want to exchange secret handshakes with the Greek resistance movement, who say "It's about time" when the pigs get gunned down in the black community, all of us have an obligation to support the underground. They are the vanguard of our revolution and in a sense this book is dedicated to their courage. In fact, even J. Edgar Freako [J. Edgar Hoover, chefe do FBI] admits that our culture is our chief defense. To infiltrate the youth culture means becoming one of us. Ou valendo-se do mitológico charme de foras-da-lei, papel que assumia a ser fichado na polícia: The underground would be meaningless without the building of a massive community with corresponding political goals. People above ground demonstrate their love for fugitives by continuing and intensifying their own commitment. Hoffman apela ao sentimento comum expondo motivos de revolta, e subsequente levante, que afetassem o cidadão médio: Wages paid to delivery boys, sales clerks, shippers, cashiers and the like are so insulting that stealing really is a way of maintaining self-respect. As the repression increases so will the underground-deadly groups of stoned Sobretudo a citação final aos Tupamaros é típica e usada ainda hoje, seja nos Usually when you ask somebody in college why they are there, they'll tell you it's to get an education. The truth of it is, they are there to get the degree so that they can get ahead in the rat race. Too many college radicals are two-timing punks. The only reason you should be in college is to destroy it. Um dos segredos de seu estilo é o humor com que desmoraliza seus adversários, a começar pelo apelido usado para insultar a polícia ("pigs"): "Remembering that today's pig is tomorrow's bacon". Aqui e ali vislumbram-se pistas de uma ideologia ("Don't let the pigs separate our culture from our politics"), e até um conhecimento superior ("Use the Culture as ocean to swim in. Treat it with care"), ainda que seja óbvio que ele não se aprofundou no conhecimento teórico, privilegiando a ação; trocando O Capital de Marx pelo diário de motocicleta de Che Guevara e o guia de guerrilha de Mao. Mas é o humor mesmo quem dá o tom, não poupando nem mesmo as providenciais refeições grátis dos Hare Krishna: Hari Krishna is the freest high going if you can get into it and dig cereal and of course, [chanting and] more chanting. A incitação à rebeldia não raro, e para ser franco, bem frequentemente, incorre em incentivar atos criminosos ou terroristas; há dicas de luta corporal, manipulação de armas, receitas de bombas caseiras e guerrilha urbana: Avoid fighting in close quarters. You run less risk by throwing an object than by personally delivering the blow with a weapon you hold in your hand. We suppose this is what pigs refer to as "duty fighting." All revolutionaries fight dirt in the eyes of the oppressors. [...] Mayor Daley says the Yippies squirted hair spray and used golf balls with spikes in them against his innocent blue boys. ... We say: all power to the dirty fighters! Além de métodos pouco ortodoxos de fazer dinheiro -- literalmente: até sobre Put a number 14 brass washer in a newspaper vending machine and take out all the papers. Stand around the corner or go into the local bar and sell them. You often get tipped. Don't do this with underground papers. Remember they're your brothers and sisters. Unquestionably one of the best deals going is becoming a minister in the Universal Life Church. They will send you absolutely free, bona fide ordination papers. These entitle you to all sorts of discounts and tax exemptions. Right now, sit down and write to Universal Life Church Inc. Além de maneiras alternativas para conseguir um cronômetro... ...ou criar animais de estimação: Snakes can be caught in any wooded area and they make great pets. You can collect insects pretty easy. Ants are unbelievable to watch. You can make a simple 3/4 inch wide glass case about a foot high, fill it with sand and start an ant colony. Não há como passar em branco pelo notável conhecimento do autor sobre comunicação de massa, poder da mídia, propaganda e marketing político, hoje primeiras lições em qualquer cartilha de candidato a deputado estadual, mas à época ainda coisa de iniciados: em 1960 atribuiu-se a derrota de Nixon à boa aparência de Kennedy no debate televisivo. Abbie Hoffman já estava a par do conhecimento necessário para transmitir a sua mensagem da maneira mais direta e incisiva possível, fosse numa aparição televisiva, fosse numa passeata, fosse numa coletiva de imprensa: Everything about a successful press conference must be dramatic, from the announcements and phone calls to the statements themselves. Nothing creates a worse image than four or five men in business suits sitting behind a table and talking in a calm manner at a fashionable hotel. [...] Don't stiffen up before the press. Make the statement as short and to the point as possible. Don't read from notes, look directly into the camera. [...] The question period should be even more dramatic. Use the questioner's first name when answering a question. This adds an air of informality and networks are more apt to use an answer directed personally to one of their newsmen. Express your emotional feelings. Be funny, get angry, be sad or ecstatic. If you cannot convey that you are deeply excited or troubled or outraged about what you are saying, how do you expect it of others who are watching a little image box in their living room? Remember, you are advertising a new way of life to people. Watch TV commercials. See how they are able to convey everything they need to be effective in such a short time and limited space. At the same tune you're mocking the shit they are pushing, steal their techniques. One of the best forms of free communication is painting messages on a blank wall. The message must be short and bold. You want to be able to paint it on before the pigs come and yet have it large enough so that people can see it at a distance. Cans of spray paint that you can pick up at any hardware store work best. Pick spots that have lot of traffic. Exclamation points are good for emphasis. If you are writing the same message, make a stencil. Observe como ele estava atento e ajustava o tom para reuniões preparatórias de manifestações urbanas: In street fighting, every soldier should think like a general. Workshops should be organized right after an action to discuss the strength and weaknesses of techniques and strategies used. Avoid political bullshit at such raps. Regard them as military sessions. Persons not versed in the tactics of revolution usually have nothing worthwhile to say about the politics of revolution. Abbie ressalta a importância e poder da comunicação de massa: The political theoreticians who do not recognize the flag and the importance of the culture it represents are ostriches who are ignorant of basic human nature. Throughout history people have fought for religion, life-style, land, a flag (nation), because they were ordered to, for fortune, because they were attacked or for the hell of it. If you don't think the flag is important, ask the hardhats. Guerrilla TV is the vanguard of the communications revolution, rather than the avant-garde cellophane light shows and the weekend conferences. One pirate picture on the sets in Amerika's living rooms is worth a thousand wasted words. A complete understanding of the use of media is necessary to create the publicity needed to get the word out. Numbers of people are only one of the many factors in an effective demonstration. The timing, choice of target and tactics to be employed are equally important. There have been demonstrations of 400,000 that are hardly remembered and demonstrations of a few dozen that were remarkably effective. Often the critical element involved is the theater. Those who say a demonstration should be concerned with education rather than theater don't understand either and will never organize a successful demonstration, or for that matter, a successful revolution. Publicity includes everything from buttons and leaflets to press conferences. You should be in Às vezes soa profético; ao falar de mídia independente, parece usar o discurso do retorno às vozes individuais que fez sucesso na explosão dos blogs: If you don't like the news, why not go out and make your own? Creating free media depends to a large extent on your imagination and ability to follow through on ideas. A importância de se formar uma rede de informações era explícita: The underground would be meaningless without the building of a massive community with corresponding political goals. E se não havia celular para fazer uma smart mob ou BBS para trocar idéia, ia-se de mesa telefônica: Xerox ainda era relativamente caro e restrito, os mimeógrafos reinavam, mas o trecho em que ele fala sobre direito autoral parece redigido por um mentor da liberdade digital: Nothing in the underground press is copyrighted, so you can reprint an interesting article from another paper. It's customary to indicate what paper printed it first, or news service it was sent out by. Any underground paper has permission to reprint hunks of this book. Tem mais: se você pensa que os métodos de se livrar de correspondência não-solicitada (spam) de hoje são grosseiros, veja isso: Those ridiculous free introductory or subscription type letters that you get in the mail often have a postage-guaranteed return postcard for your convenience. The next one you get, paste it on a brick and drop it in the mailbox. The company is required by law to pay the postage. You can also get rid of all your garbage this way. E lembra daquele movimento para entupir a Casa Branca de ligações telefônicas contra a invasão do Iraque em determinada hora de certo dia? As técnicas de entupimento de caixa postal (overflow) com mensagens inúteis por hackers podem te sido inspiradas aqui: There are lots of things you can send banks, draft boards and corporations that contribute to pollution via the mails. It is possible to also have things delivered. Have a hearse and flowers sent to the chief of police. We know someone who had a truckload of cement dumped in the driveway of her boss under the fib that the driveway was going to be repaved. Ao conjunto de macaquices e esculhambações feitas durante o julgamento de Chicago (similares às armações de Larry Flynt em O Povo contra Larry Flynt), que volta e meia só tinham esse intuito mesmo -- esculhambar geral -- sem benefício próprio, e volta e meia com prejuízo para ele, Hoffman chamou monkey warfare, assim como a um dos mais memoráveis capítulos do livro, onde está a gênese do terrorismo poético de Hakim Bey, e do culture jamming: Another good bit is to rent a safe deposit box (only about $7.00 a year) in a bank using a phony name. That usually only need a signature and don't ask for identification. When you get a box, deposit a good size dead fish inside the deposit box, close it up and return it to its proper niche. From then on, forget about it. Now think about it, in a few months there is going to be a hell-of-a-smell from your small investment. It's going to be almost impossible to trace and besides, they can never open the box without your permission. Since you don't exist, they'll have no alternative but to move away. [...] If you get caught, tell them you inherited the fish from your grandmother and it has sentimental value. Remember, January is Alien Registration Month, so don't forget to fill out an Na peça Os Órfãos de Jânio, é descrita uma ação em conjunto da qual uma personagem teria tomado parte onde várias pessoas dão descarga ao mesmo tempo para entupir o sistema de esgoto. Millôr Fernandes deve ter lido esse trecho: A great national campaign can be promoted that asks people to protest the presidential election farces on Inauguration Day. When a president says "So help me God," rush in and flush the toilet. A successful Flush for God campaign can really screw up the water system. By getting masses of people to use electricity, phones or water at a given time, you can fuck up some not-so-public utility. The whole problem is getting the word out. [...] Five thousand people calling up Washington, D.C. at 3:00 PM on a Friday (one of the busiest hours) ties up the major trunk lines and really puts a cramp in the government's style of carrying on. [...] If you call a government official, ask some questions like "How many kids did you kill today?" or "What kind of liquor do Congressmen drink?" or offer to take Teddy Kennedy for a ride. A woman can cause some real excitement by calling a Congressman's office and screaming "Tell that bastard he forgot to meet Irene at the motel this afternoon." Mas o meu esquema preferido é sem dúvida o do bufalo grátis: Every year the National Park Service gives away surplus elks in order to keep the herds under its jurisdiction from outgrowing the amount of available land for grazing. Write to: Superintendent, Yellowstone National Park, Yellowstone, Wyoming 83020. You must be prepared to pay the freight charges for shipping the animal and guarantee that you can provide enough grazing land to keep the big fellow happy. Under the same arrangement the government will send you a Free Buffalo. Write to: Office of Information, Department of the Interior, Washington, D.C. 20420. So many people have written them recently demanding their Free Buffalo, that they called a press conference to publicly attack the Yippies for creating chaos in the government. Don't take any buffalo shit from these petty bureaucrats, demand the real thing. Demand your Free Buffalo. Embora fique a má impressão de que os ativistas e hippies só leram as partes em que ele ensina a fazer bombas caseiras, shoplifting e como dormir em parques públicos, o tempo mostrou que uma pequena parcela da irreverência da contra-cultura finalmente infiltrou-se no domínio público, o que se por um lado serviu como porta de saída para a sobrevivência de alguns ideais da contra-cultura fora de seus habitats naturais, por outro funcionou que foi uma beleza para esvaziar os aspectos mais transformadores do movimento. anotado por - 01:20 PM
junho 10, 2003beleza americana
Harvey Pekar primeiro gostava de ler histórias sobre músicos de blues e jazz, gostava tanto que começou a ouvir os discos compostos por aqueles artistas. Seu gosto musical acabou aprofundando-se, e Harvey passou a fazer resenhas críticas para diversas revistas, nas horas vagas de seu emprego como arquivista de um hospital, função que exerce até hoje (a de crítico; do hospital, acho que se aposentou). Escrever roteiros para quadrinhos foi o próximo passo, já que ele não sabia desenhar, e desde o começo dos anos 70 Pekar vem repetindo a mágica de transformar as chatíssimas histórias de sua irritantemente monótona vida pessoal em contos ilustrados pelo amigo R.Crumb, Joe Sacco, Drew Friedman e muitos outros -- o Laerte chegou a publicar uma ou duas dessas na extinta Piratas do Tietê. Turrão, verborrágico, criador de casos, é impressionante como Harvey Pekar caracteriza um bom personagem de quadrinhos -- e mais não seria se deixasse mais espaço para os desenhos. Só posso imaginá-lo encarnado na pele do mala Paul Giamatti. É complicado explicar a graça de histórias tão banais, as quais muitas vezes não passam de duas cabeças conversando durante uma viagem de ônibus. Quando tem uma novidade, é o cheiro de pão fresco ou um jornal do vizinho surrupiado, e olhe lá. Pekar chegou ao requinte de escrever a história-onde-menos-acontece-alguma-coisa dos quadrinhos, a imbatível Descascando e comendo uma tangerina (é isso mesmo que você está imaginando). Allan Sieber conta que quando está chateado, vai ler American Splendor para lembrar o que é deprimente de verdade. A iluminação pela chatice; a verdade pela da monotonia; o mundo dentro de um umbigo. Aprendiz de budista devia ser obrigado a ler Harvey Pekar para saber o que é esse tal de Vazio. anotado por - 12:21 PM
Preto no BrancoO q pode ser pior q o, digamos assim, ambiente acadêmico? Professores antas, colegas malas, meu Deus. ![]() Pra quê R. Crumb, Daniel Clowes e Tex Avery quando se tem Allan Sieber? Eu já disse que nas duas vezes em que fui obrigado a assistir um curta dele antes da sessão principal, o desenho animado era incomparavelmente melhor do que o filme? Eu já disse que, para o Haroldinho, o Sieber é um Didi Mocó hardcore? Que tem mini-álbuns com os cartuns dele publicados pela Tonto? Que ele publica uma tira especialmente feita para a internet lá, Preto no Branco? Em tempo anotado por - 12:13 PM
junho 07, 2003na Agenda- Está rolando o Festival de Teatro de Bonecos de Belo Horizonte. - Domingo, se não houver chuvas nem trovoadas, será a tão postergada e duvidosa Rio Parade. Mas minha atenção vai estar concentrada em outro lugar. E tem mais: ![]() Vim para cá achando que ia participar de uma passeata em prol da paz e acabei nesta festa doida ![]() É difícil encontrar no Rio um evento de e-music que tenha feeling e realmente pregue a ideologia do ritmo, que é a democracia. (Mariana Aurélia, designer) ![]() Cerca de 900 policiais foram designados para garantir a segurança da festa, que contou com o apoio de 15 batalhões da PM. Mas houve quem reclamasse justamente do policiamento excessivo. - O consumo de entorpecentes ficou prejudicado - protestou o estudante Igor Souza, 22. Prato cheio pros humoristas. anotado por - 01:38 PM
União da Ilha do GovernadorÉ Hoje A minha alegria atravessou o mar Será? Acredito... anotado por - 01:32 PM
junho 06, 2003SalgueiroPeguei um Ita no norte Explode coração, na maior felicidade É no balanço das ondas... eu vou Nota: Esse foi o samba-enredo de 1993 do G.R.E.S. Salgueiro, e instantaneamente transformou-se em grito de guerra de 10 entre 10 torcidas. Um amostra do impacto causado pela sua apresentação na Sapucaí pode ser vista aqui. O tema eram os imigrantes nordestinos que por via marítima, vinham trabalhar no Rio; curiosamente, o único estado presente na letra da música não é do Nordeste, mas da região Norte. anotado por - 09:08 AM
junho 05, 2003![]() League of Extraordinary Gentlemen, segundo volume, por Alan Moore e Kevin O'Neill. Da esquerda para a direita: Capitão Nemo (de 20.000 léguas submarinas), Mr. Hyde (de O Médico e o Monstro), Ms. Wilhelmina Murray (de Drácula), Allan Quartermain (d'as minas do Rei Salomão) e Campion Bond (um antepassado do 007?). Vai virar filme. anotado por - 09:40 AM
trocando o óleoAh, então não eram as armas de destruição em massa? Nem a florescente ameaça terrorista? Nem o duro fardo de derrubar um ditador sanguinário levando as benesses da democracia capitalista ao povo do Oriente Médio? Quer dizer que a invasão do Iraque foi mesmo é por causa do petróleo, seu Paul Wolfowitz? anotado por - 09:25 AM
PortelaFoi Um Rio Que Passou Em Minha Vida Se um dia Adendo: depois de ler um certo conto do Veríssimo, nunca mais escutei essa música do mesmo jeito. Era sobre uma feijoada seguida de pagode organizada por um grupo fictício de bambas, entre os quais um tal de Nelson Porém, que ganhou esse apelido por estar ao lado do Paulinho da Viola quando ele compunha a tal música. Diz que o Paulinho empacou no primeiro "porém" e nada de sair dali, quando o Nelson, num rasgo de inspiração, sugeriu: "ai, porém", fornecendo o estalo de Vieira que o da Viola precisava para terminar a letra. A parceria nunca foi creditada e eu nunca mais consegui escutar essa letra sem pensar na triste figura do Nelson Porém. anotado por - 09:24 AM
junho 04, 2003Vegans, veggies e veggersMozart falando sobre vegetarianos me lembra de um papo que tive no começo do ano com o Alexandre. Afirmava eu que, assim como nos partidos políticos, existem diversos tipos de vegetarianos, em função das restrições que se impõem; desde que se limitam a não comer carne vermelha até os 100% vegans, que não admitem proteínas nem de ovo, passando pelos que aboliram também o frango, comendo apenas peixe. Eu, no caso, exemplificava o tipo de vegetariano menos radical que há: o que come carne. Graças a ele consegui descrever aquela cena de ação na rodovia de maneira mais sintética: animal animal, animal! E tem mais: anotado por - 02:04 PM
Gibis da idade da pedraDica de inestimável valor do Mario AV: primórdios dos quadrinhos, de rabiscos pré-medievais a Elzie Segar, criador do Popeye. anotado por - 02:02 PM
Loteria do popDante Gabriel marca mais pontos na loteria da cultura pop, traçando os ramos da genealogia do original: Não sabia que Enki Bilal ia filmar sua hq, A Mulher Enigma. Linda Hardy no papel de Jill Bioskop. Bilal foi o inventor da pílula vermelha, que era capaz de reconstruir sua vida. A Já com Moebius, o inimigo do Major Grubert chamava-se Jerry Cornelius/Lewis Carnelian. Também a Garagem Hermética é uma referência, mas os jornalistas nada sabem. Eu não quero falar de Matrix, prefiro falar de Tycho Moon (Segredos da Eternidade, neste país), também dirigido pelo Bilal, e muito bom. E os jornaleiros também só viram no Quinto Elemento gracinhas sobre Star Wars. Pena, tudo aquilo era transposição do clima da Metal Hurlant/Heavy Metal das melhores sagas de sci-fi da hq européia. Estou a ler A Espada Mágica, da antiga Francisco Alves, com capa muito feia, mas traz aventuras de Elric, o guerreiro albino de Melnibone. Comprei há um par de anos e nunca tive tempo e paciência para encarar. O autor de Elric, Michael Moorcock, fiquei sabendo, tinha um personagem chamado Jerry Cornelius, e isso fecha o círculo das referências cifradas. Evidentemente essa nota tem que sair sem hyperlinks ou figuras; procurar as fontes faz parte do jogo -- se não é o próprio jogo. Então deixa eu marcar um pedra difícil: Elric o guerreiro também serviu de idéia para Dave Sim criar Elrod the Albino, em amálgama com o Foghorn Leghorn, o popular Frangolino. anotado por - 02:01 PM
Vila IsabelPalpite infeliz Quem é você, que não sabe o que diz? Fazer poemas lá na Vila é um brinquedo A Vila é uma cidade independente anotado por - 09:22 AM
junho 03, 2003José Carlos Neves republicou meus textos O Canto de Cisne dos Super Heróis e Do Inferno, com Amor em sua página Alan Moore, Senhor do Caos, sobre o mago e roteirista de quadrinhos barbudão de Northampton. O primeiro versa sobre as invencionices de Moore para salvar o esgotado gênero dos super-heróis com League of Extraordinary Gentleman e America's Best Comics; o segundo disseca a série From Hell, sobre os assassinatos de Jack o Estripador. anotado por - 05:00 PM
Lerê LerêÉ preferível sofrer durante oito ou nove horas no escritório e poder esquecer que ele existe quando sair pela porta da rua, do que trabalhar num ambiente ótimo, cheio de bate-papos estimulantes e gente legal, mas ter de fazer isso 15 horas por dia. Motivação é ter dois zeros a mais no contracheque, o resto é encheção de saco. Sim, sou daqueles que pendurariam este tipo de coisa no escritório. anotado por - 02:35 PM
Essa é para comemorar: graças ao novo Estatuto do Torcedor, passam a ser públicas as súmulas dos jogos do Campeonato Brasileiro -- e para os torcedores do Botafogo e do Palmeiras não ficarem tristes, a lei também vale para os jogos da série B. Além de conhecer as garatujas com que os jogadores assinam sua entrada em campo, qualquer arquibaldo e geraldino terá acesso às anotações do árbitro sobre contratempos e discussões, digitalizadas direto do papel, o que deve enriquecer ainda mais o folclore do futebol. As primeiras súmulas já podem ser conferidas aqui. anotado por - 02:34 PM
MangueiraMundo de Zinco Aquele mundo de zinco que é Mangueira Mangueira fica pertinho do céu Exaltação à mangueira Mangueira teu cenário é uma beleza Chegou Mangueira teu passado de glória anotado por - 02:33 PM
junho 02, 2003Eugênio Hirsch![]() Autor da capa e projeto gráfico de vários livros na fase áurea da Editora do Autor. anotado por - 11:36 AM
o rei do exotismo musicalEsta galeria de instrumentos musicais bizarros poderia estar exposta neste museu de instrumentos musicais, sediado em lindo prédio art-nouveau, onde se ouvem os sons de cada instrumento num fone a medida que o visitante se aproxima da vitrine onde está exposto. Estranhei a ausência do berimbau, um must na identificação exótico-musical brasileira -- da galeria virtual e do museu. Quem já viu um berimbau solitário com etiqueta de companhia aérea rodando em esteira de bagagens de aeroporto, sabe. Está no mesmo nível da gaita de foles ou do didjeridoo. E pensar que os Beatles quase chegaram a gravar com um! (Ah, a dica foi do Nemo Nox) anotado por - 11:30 AM
Paul Wolfowitz, Deputy Defence Secretary dos EuA, assume em entrevista à Vanity Fair que aquele papo de armas de destruição em massa eram só uma desculpa boa para mandar pirão no Iraque: "For bureaucratic reasons we settled on one issue, weapons of mass destruction, because it was the one reason everyone could agree on." Já o Pentágono se apressou em dizer que a citação saiu fora de contexto, tendo sido distorcida pelo repórter. anotado por - 11:19 AM
Recados:: Polzonoff muda de casa virtual, agora em domínio próprio.com.br, enquanto prepara a mudança dos átomos. Mais um que, junto com o recém-migrado Mario AV, adere às facilidades do Movable Type. Aos amigos, anotado por - 11:18 AM
junho 01, 2003Continua sendoRio de Janeiro -- também -- para os cariocas, ou: desconto nas atrações da cidade se comprovar moradia e identidade: é o projeto Carioquinha, valendo em todo mês de junho. Tá com saudade do Rio, Patricia? Então dá só uma olhada nisso aqui: RJ Sinfonia, e tenta não chorar. anotado por - 05:59 PM
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Lonely Planet Luis Eduardo me encheu tanto o saco que conseguiu um link só para a página dele aqui. Cataplum!
O Polzonoff EfE Dê ErrE Blógico Lucida Lancis Suspiros de Salvador A-Esse-Esse Vertigem Blog0news Rafa
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