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agosto 28, 2003Queima! Queima!Apesar das más línguas, já levantaram o homem e ele está pronto para queimar no próximo sábado. anotado por Rafael - 08:59 PM
agosto 27, 2003quaaaase esqueciSaiu texto meu no Burburinho! É sobre os 20 anos de Love & Rockets, um dos melhores quadrinhos da década de 80. Não conhece? Marcou bob. anotado por Rafael - 10:41 PM
agosto 25, 2003só cascaCom a estréia de American Splendor nas telas norte-americanas, vai-se ouvir muito sobre Harvey Pekar, que uma vez aposentado, terá sua chance de aumentar fontes de renda escrevendo as resenhas que sempre escreveu para mais lugares. Harvey, por exemplo, não gostou de Mason & Dixon, o último romance de Thomas Pynchon; eu queria é saber o que ele acha do recém-lançado Kindgom of Fear, de Hunter S. Thompson. Para a Salon, sem Nixon por perto para malhar, Thompson tem pouco a dizer sobre nossos tempos. anotado por Rafael - 03:51 AM
agosto 24, 2003agosto 20, 2003eddie campbellAlec: How to be an Artist, de Eddie Campbell. Vai lá e lê. anotado por Rafael - 03:24 AM
agosto 13, 2003rua dos artistas e arredoresConhecer uma cidade andando pelas suas ruas é mole; no entanto, tenho desenvolvido uma tese de que não é preciso saber mais do que o nome das ruas para entender uma cidade (ou um bairro). Num momento memorável, Millôr Fernandes critica o puxa-saquismo onomástico que se apropria das denominações naturais dos logradouros (Rua do Passa-chapéu, Lagoa dos Macacos, Morro do Nariz do Costinha) batizando um endereço como Rua General Brigadeiro Almirante. Vila Madalena, em São Paulo, não seria Vila Madalena se não tivesse uma rua chamada Harmonia, uma chamada Girassol e Uma Wisard -- wisard com esse, evidentemente. Aqui a presença de uma rua Euclides, um supermercado Andrônico e um café chamado Beckett -- onde, presume-se, os clientes esperam infindavelmente pela conta -- denunciam o ambiente intelectual dos arredores. E não é surpresa constatar que, conforme dizia a Anna, na rua do telégrafo todo mundo parece ter virado o fio... * * * "Os cachorros acham que são seres humanos, os gatos acham que são deuses" * * * Resultado parcial de menos de 2 horas de buquinagem: Gravity's Rainbow, The Crying of Lot 49 e Slow Learner, de Thomas Pynchon; Fear and Loathing on Campaign Trail '72 e Hell's Angels, de Hunter S. Thompson; Advertisements for myself, Norman Mailer; The Pump House Gang, Tom Wolfe; Unto the Sons e The Kingdon and the Power, Gay Talese; Tantrum, de Jules Feiffer; How to be an artist, Eddie Campbell; Little Annie Fanny volume I, de Elder & Kurtzman; Jaka's Story, de Sim e Gherard e Concrete Short Stories, de Paul Chadwick. Estrago. * * * Dip me in chocolate and throw me to the lesbians! * * * Arnoldão Shwarzenegger (republicano) e Larry Flynt (democrata) concorrendo ao governo da Califórnia hão de reviver os melhores tempos de campanha eleitoral daquele estado. Tempos em que Jello Biafra prometia fazer do nariz vermelho de palhaço parte do uniforme oficial dos funcionários públicos; tempos em que Timothy Leary atravessava o país para gravar um jingle de campanha com Jimi Hendrix, antes de fugir do país -- mas quem acabava se elegendo era mesmo... Ronald Reagan. Tudo isso passou, é meio folclórico e divertido à distância, sobretudo do ponto de vista de um contingente eleitoral que já empossou (repetidamente) César Maia, Maluf, Brizola, Carlos Lacerda e todos os de sempre. Quem sabe Arnoldão não solte um hasta la vista, caso perca a eleição, ou Larry Flynt prometa legalizar não a maconha, mas a prostituição; isso sem falar na tal atriz pornô, a Mary Carey, que quer tornar lap dances dedutíveis do imposto de renda -- a política, assim, fica bem mais divertida do que com os profissionais. Peraí, o que estou dizendo?! Eles elegeram Reagan duas vezes! E Nixon, outras duas! -- e a gente, também não elegeu o Rogerio Cardoso vereador? E ele não fez um bom mandato? * * * Não importa quantas pessoas eu veja, não mudo de opinião. Chinelo de dedos e jeans é jeeeeeeeeca, jeca, jeca, jeca e ponto final. Poucos calçados abertos caem bem com jeans, mesmo aqueles apertadinhos. Falou Raphael Dior... anotado por Rafael - 01:02 AM
agosto 05, 2003eu e millôrEssa além de comemorar o primeiro aniversário Na Cara do Gol, também serve para celebrar o octogésimo ano de Millôr Fernandes, que, como se sabe, nasceu em 1923, apesar de por distração familiar só ter sido registrado em certidão no ano seguinte. Eu tenho uma história em comum com o Millôr. Pois bem, corria o ano da graça de 1996 e o encerramento de um festival de teatro na cidade, o qual nem sei se existe mais, teria por apoteose a apresentação da peça Nowhere Man, de Gerald Thomas, no espaço do CCBB na sexta e no sábado, e da montagem de Zé Celso Martinez para As Bacantes, de Eurípedes, no sábado e no domingo, num armazém do cais do porto. Narra a história que esteve presente assistindo à tal peça, na sessão de sábado, o compositor Caetano Veloso, devidamente localizado pelo elenco durante o primeiro ato. Em algum momento do segundo ato, ele foi arrastado para o palco por uma das atrizes, tendo sido em seguida desnudado em grupo, fato que se converteu simultaneamente na manchete das edições de segunda-feira d'O Globo, Jornal do Brasil, Folha de São Paulo e Estado de São Paulo. No domingo seguinte, Millôr Fernandes guardou a última nota da seção Así pasan los dias, da página semanal que mantinha no jornal carioca O Dia, intitulada: ![]() Para declarar que: ![]() ![]() A foto a qual Millôr se referia, já publicada algumas vezes antes nessa mesma página semanal, era essa aqui: ![]() Gozações à parte, um dado singelo fez meu ouvido estalar ao ler a nota: José Celso havia incorporado "no mesmo domingo"... Como assim no mesmo domingo? O estraçalhamento do Caetano não ocorrera numa noite de sábado? De que sorte de máquina do tempo dispunha Zé Celso para ler no sábado das notícias do domingo? Percebendo o trunfo que tinha em mãos, enviei a seguinte carta à redação de O Dia, aos cuidados etc.: Prezado Millôr Leitor fiel de sua página dominical deste periódico, me senti no direto de dirimir uma dúvida oriunda exatamente da desgustação do artigo de 14/7. Naquele -- precisamente no item 7 de Así pasan los dias -- o autor nos afirma que o tal "estraçalhamento" em que Caetano foi envolvido era, na verdade, um plágio descarado do diretor da peça, Zé Celso Corrêa, de uma foto publicada na semana anterior. Acontece que a tal peça, ou antes, a apresentação que ganhou as manchetes dos jornais, teve início às 18:00 horas do sábado, 6 de julho, portanto, véspera do dia em que foi publicada a tal foto. Assim sendo, indaguei-me, quais ardilosos artifícios teria o tresvairado diretor utilizado para saber, de véspera, o que seria publicado no jornal. Dessa dúvida brotaram algumas hipóteses: 1) O diretor já tinha visto a mesma foto, publicada em domingos anteriores naquela mesma página, e tão impressionado tinha ficado que decidira incluí-la em sua mais bombástica montagem. De acordo com essa hipótese, o diretor não precisaria ter lido o "Millôr" de 7/7. 2) Zé Celso, sabendo que algumas bancas da Zona Sul recebem O Dia de domingo sábado à tardinha despachou, quando do início da representação, um dos sátiros de seu séquito, a galope para a banca mais próxima. O sátiro trincou seus cascos de bode contra o asfalto carioca esburacado pelo César Maia e foi ligeiro o suficiente para chegar antes do segundo ato, dando tempo para que o diretor tivesse a brilhante idéia, ainda que plágio, de desnudar o Caetano. 3) Zé Celso nem leu o jornal daquele domingo nem o de nenhum outro domingo, e nem precisaria ter lido, porque fôra testemunha de todo o ocorrido com o guru do Meyer. Quem vocês acham que tirou a foto, afinal? Caso alguma das três hipóteses acima levantadas (sem a ajuda da polícia de Maceió) explique o que realmente ocorreu, ou mesmo que todas tenham passado ao longo da verdade, gostaria que meu guru dominical esclarecesse, para fins de registro, como é que o diretor das bacantes sabia o que iria aparecer no "Millôr" de véspera. O tempo passou, o tempo voou; coisa de um mês depois recebo uma cartinha curiosa -- o remetente tinha sido omitido. Abro e dentro dela, o seguinte cartão escrito à mão (clique para ver a imagem ampliada): ![]() Agora vocês já sabem porque eu não deixo falarem mal do José Celso perto de mim... anotado por Rafael - 03:30 PM
ivan lessa sobre aldir blanc[O texto que se segue, a introdução do livro Um Cara Bacana na Décima Nona (Aldir Blanc, editora Record, 1996), deve ser considerado em sua raridade ímpar por 3 motivos: é um texto de Ivan Lessa, que não prima nem pela produtividade, nem pela memória de seus escritos ("livro é coisa de pobre"); é um texto de Ivan Lessa elogiando -- muito! -- alguém, mesmo que, para isso, tenha que detonar uma meia dúzia, mas enfim; é um texto de Ivan Lessa falando sobre seu processo criativo e seus parâmetros literários, mistérios quase tão insondáveis quanto o alfabeto rúnico. Vamos a ele:] Tem que ser muito escroto para apresentar livro de Aldir Blanc com título de Um cara bacana e não fazer jogo de palavra dizendo que o Aldir é um cara bacana (Prazer, Ivan Lessa, seu criado). O Aldir não é um cara bacana. O Aldir é um bom sacana. O bom sacana, ao contrário do mau sacana, a gente não quer que ele vá logo se enfiar numa troncha. O bom sacana a gente fica observando na moita, por cima da cerveja, para saber qual é a dele. Sacana, pé-de-cana na bandeira americana, conforme dizíamos, com muita propriedade, quando éramos todos do jardim da infância. (Ou será que era pede -- do verbo pedir -- cana? O Aldir, como eu dizia, é esse tipo de bom sacana que bota a gente nesse esquema. Você parte para um bolero com ele, ou foxtrote, e o bom sacana acaba conduzindo a pouca-vergonha. He leads, conforme dizem esse não-brasileiros que me cercam.) Mas eu estou divagando, quase parando. Outro efeito Aldir sobre minha pessoa, esta minh'alma fernanda. O que eu quero dizer é o seguinte: alma encantadora das ruas é o cacete! Cronista do cotidiano é os tinflas! A vida como ela é é a mãe! Quem falou em Ponte Preta tá com a mão amarela e riquiqui pão-de-ló, macaquinho sobe e desce, um, dois, três, não aparece! O Aldir é normal. Normal acima de tudo. Aldir, o Normal -- um personagem para o Robert Crumb ou o Jaguar desenharem. Tudo isso que vocês vão ter o prazer de encontrar nessa páginas é normal. Eu não sou normal. Se eu fosse normal, estaria comprando o jornal de manhã e lendo ou o Aldir ou as coisas que o Aldir vai bolar, como se fosse a coisa mais normal do mundo. Se eu fosse normal, chegava na loja de discos e perguntava se já tinham o último CD do Aldir. Se eu fosse normal, volta e meia estaria no boteco da esquina com o Aldir falando e bolando sacanagem. Pra fazer qualquer desses troços, eu tenho que pedir, na cidade onde moro, licença de importação. Vocês aí, com sorte, com tudo em cima e mal sabem, hem? Quando eu era garoto, e achava que um dia, talvez, pudesse ir e escrever umas coisinhas, nunca me preocupei muito com o que iria dizer. Minha cisma era o som da coisa, a embocadura. Eça, Machadinho, Tolstói, Proust, Joyce, Fitzgerald, essas bobagens todas saíram na urina. Eu queria escrever como o Jorge Veiga cantava e brecava. O Pernambuco aparecia de pára-quedas, era meu irmão, jamais viraria contra mim aquele canhão. O Caricaturista do Samba foi minha única influência literária. Impressionei mais de um subliterato paulista com essa conversa. Hoje em dia, que estou maduro e distante (aquele mamãozão lááá em cima), entendo melhor essas coisas: eu queria escrever feito o Aldir. Vou mais longe -- embora não arrede o pé desta que acabou sendo a minha cidade -- e digo que eu queria ser o Aldir, morando onde o Aldir mora, vivendo o que o Aldir vive. Seria justo, eu mereço -- e entendam isso como quiserem. No entanto, eu gostaria de deixa ro recinto numa nota (lá maior) poético-literária. Aldir é um Waldir. Waldir-Ícaro que voou muito próximo ao astro-rei. O W duas gaivotas com suas asas se tocando no vôo desesperado rumo à escandalosa luz solar. Voaste perto demais do sol, Waldir! Tuas asas se derreteram como o rímel da bailarina ao ter a notícia da morte do filho natural e -- cataplau! -- se esborracharam no solo como dois crioulos pequetitinhos caindo do andaime. Do alto do panteão dos Waldires -- Amaral, Azevedo, Calmon --, Aldir, desalado, a tudo observa e toma notas para suas matérias, que podem ser primas entre si ou bordões e bordoadas. Que beleza! Aldir é, além do mais, branco como um francês avec des papiers. Parece até a fraternidade do Krystof Kieslowski, polaco e morto, por sinal. [Se você nunca ouviu falar em Aldir Blanc, e em tendo ouvido, não consegue enumerar motivos para tanta admiração do Ivan Lessa, não se desespere! Em mais um serviço de utilidade pública Na Cara do Gol, aqui vai de amostra um soneto composto em alexandrinos prenhe de intenso tom lírico:] Bandalhismo Meu coração tem butiquins imundos, Perdigoto, cascata, tosse, escarro, Como os pobres otários da Central, Mais amarelo que arroz de forno, anotado por Rafael - 01:43 PM
Drummond traduz beatlesObladi, obladá Desmond tem um carrinho na Praça do Mercado. Obladi, obladá, a vida continua: olá, Desmond toma o ônibus, vai à joalheria, (Coro) Olha Desmond feliz na Praça do Mercado. (Coro) (Coro) [O texto acima é a tradução proposta por Carlos Drummond de Andrade para a música dos Beatles, e foi republicado na edição especial de 30 anos da revista Realidade, pela editora Abril, em 1999. Notar como a historinha tem um tom mezzo nostálgico, mezzo interiorano muito semelhante ao de A Banda, de Chico Buarque. Jampa, Enio e demais beatlemaníacos: conheciam essa?] anotado por Rafael - 12:52 PM
partiuComo nas próximas semanas não vai rolar a mesma abundância costumeira de notas -- a palavra aqui é ausência -- e por causa do primeiro aniversário deste blog, no vindouro dia 17, achei por bem fazer uma seleção supimpa que servisse como um até logo comemorativo. Até daqui a pouco. anotado por Rafael - 12:40 PM
agosto 01, 2003R.I.Pax, CrepaxGuido Crepax morreu aos 70 anos. Depois de Hugo Pratt, enfim Corto Maltese vai poder ter um encontro romântico com Valentina. Crepax desenha as mais belas nádegas das histórias em quadrinhos. E olha que eu entendo de histórias em quadinhos. (Wolinski) anotado por Rafael - 01:41 PM
bluesSe o universo poético do blues pudesse ser sintetizado numa única frase, seria algo como: “Oh, Senhor, estou triste e só desde que ela me deixou, amaldiçoe aquela vadia.” (Artur Dapieve) anotado por Rafael - 01:35 PM
informação pode ser divertidaContinuam desestimulantes os blogs dos colunistas d'O Globo; pouco atualizados e flutuando sem assunto -- não sabem como usar a internet, depois dizem que o meio não serve pra isso ou não é adaptado praquilo... A colunista de ciência, por exemplo, veio falar do movimento The Brights, que já foi identificado em blogs há mais de um mês. Como era de se esperar, Cristina de Luca e Gravatá, os da área de tecnologia, obtêm os melhores resultados, e Arnaldo Bloch tira do bolso sacadas interessantes apesar da linha meu-umbigo-é-meu-mundo. Não adianta, nada como as práticas corporativas engessadas para matar a inovação e a criatividade. Por outro lado, a editoria de ciência está imperdível: como se fosse pouco a Red Bull dar asas para voar sobre o Canal da Mancha, pode-se descobrir que nos menores frascos é que se concentram as melhores essências e que talvez a melhor maneira de seu filho parar de fazer xixi na cama seja usando um aparelho dentário. anotado por Rafael - 01:33 PM
marti riera e mancha gráficaTrecho da historieta "Claudia", de Marti Riera, pertencente à safra de quadrinhistas espanhóis pós-Franco que apareceu nas páginas da El Víbora ao longo da década de 80, e foi publicada no Brasil principalmente pela Animal. Marti fazia uma série chama O Taxista, com roteiro barra-pesada (como todos os ofídios da El Víbora) na linha Taxi Driver (só que situada em Barcelona) e desenhos com parentesco em Chester Gould e Charles Burns. ![]() Em 1993 houve uma exposição no Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro reunindo os peçonhentos espanhóis, de cujo catálogo reproduzi e traduzi esta página; foi a contracapa do terceiro número de um fanzine que fiz há vários anos (quase ninguém leu): ![]() A capa era o esboço de um perfil do Ranxerox feito pelo Liberatore e retocado por mim -- como se o desenho dele, mesmo um rabisco rápido, precisasse de retoques... ![]() O desenho na capa do segundo número é meu, com arte-final de um amigo que também bolou gentilmente o logotipo. Notam-se entre os quadrinhos o boneco símbolo do Anima Mundi daquele ano, Zé do Caixão, Cerebus, Ed Mort e Sig, o mascote do Pasquim. ![]() A capa do quatro é um desenho do Quino, presente no álbum Gente en su Sitio, Ediciones de la Flor. anotado por Rafael - 09:01 AM
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Lonely Planet Luis Eduardo me encheu tanto o saco que conseguiu um link só para a página dele aqui. Cataplum!
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