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outubro 31, 2003quero ser jules feiffer -- ivJá está no ar minha mais nova coluna no Sobrecarga, novamente sobre Jules Feiffer, agora centrada em The Great Comic Book Heroes, o ensaio que ele escreveu em 1965 e a Fantagraphics acabou de relançar. anotado por Rafael - 02:11 PM
Você não precisa viver as histórias que escreve para se colocar como personagem. Do mesmo modo, você pode contar as histórias que vive mesmo que não se coloque como personagem nas histórias. (Fabio Moon) ![]() anotado por Rafael - 09:46 AM
phantasticoAlbum Geographico do Rio de Janeiro, 1926: fotos do morro da Babylonia, do valle de São Clemente, da "Perola da Guanabara" (Paquetá), da lagôa Rodrigo de Freitas, do antigo "Palacio de S. Christovam", na Quinta da Boa Vista, uma vista do Pão de Assucar, da garganta de Humaytá e da praia da Gavea (hoje, de São Conrado) no então Districto Federal. Dica da Milene. anotado por Rafael - 09:42 AM
outubro 30, 2003quero ser jules feiffer -- iiiQuando se despediu das tiras em quadrinhos, em 1999, após mais de 40 anos na mesma série que abriu as páginas do NY Times para um cartunista, Jules Feiffer fez uma série na qual dialogava com a bailarina, marca registrada e personagem desde os primeiros tempos de tira, entre a justificativa e a despedida. Como de costume não poupou nem a si mesmo do próprio humor: ![]() anotado por Rafael - 01:34 PM
outubro 29, 2003baratinhasHoje a reportagem principal do caderno Carro Etc. do Globo é sobre as corridas automobilísticas do Circuito da Gávea, inauguradas há 70 anos no Rio de Janeiro e curiosamente, ausentes do livro Carnaval no Fogo, de Ruy Castro. Mais difícil para mim do que conceber uma Ipanema onde prédios eram minoria, o ambiente sambístico da Praça Onze ou Copacabana com pouco trânsito, só mesmo imaginar uma corrida de baratinhas que acontecia nas ruas principais da cidade, mesmo que num bairro então distante. Corrida de carro na ainda hoje perigosa Avenida Niemeyer? Subida pelo morro Dois Irmãos e contorno por um pequeno assentamento onde hoje se espalha infindavelmente a Rocinha? Aliás, morro Dois Irmãos sem túnel embaixo e sem Rocinha em cima? Chegada na Marquês de Sâo Vicente, rente a onde hoje é a PUC? Ultrapassagens no canal do Leblon, onde outro dia caiu um carro? História uma ova; ficção científica, isso sim... anotado por Rafael - 09:07 AM
um a menosO presidente Sarney disse que escrever é um ato de grande sofrimento para ele. Sem dúvida, mas é a literatura quem grita de dor. Lisandro manda avisar: a literatura agradece, penhorada. anotado por Rafael - 08:56 AM
estamos definitivamente bem servidosOpiniões de Millôr Fernandes sobre alguns dos últimos Presidentes da república, colhidas em recente edição da Carta Capital: Getúlio Vargas: Juscelino Kubitschek: Jânio Quadros: João Goulart: FHC: Lula: anotado por Rafael - 06:44 AM
outubro 28, 2003lá vem elaVendo a Daniela Cicarelli ocupar novamente os outdoors, inevitável me voltar à cabeça aquele conto do Veríssimo no qual ele diz que tal mulher era tão gostosa que só com as coxas dela havia matéria prima para fazer outra mulher, das pequenas. Daniela Cicarelli tem matéria prima para assim umas dez mulheres. O Dapieve até se declarou... anotado por Rafael - 06:37 PM
teoria da conspiraçãoEduf se prepara para sair da Fraude e começar um projeto novo. Mas não se preocupem, que a Fraude continua. A Fraude sempre continua. anotado por Rafael - 07:18 AM
outubro 27, 2003ah simMinha coluna no Sobrecarga foi atualizada sexta-feira passada. Dessa vez o assunto são os relançamentos de Jules Feiffer, particularmente a comic strip novel Tantrum. anotado por Rafael - 11:36 AM
ecos do fim de semanaFabio Rossi esteve por aqui e eu achava que já tinha conhecido todas as facetas de sua personalidade depois que o vi apavorado diante de um pernilongo, os talheres salvos numa mão, o copo de cerveja na outra, quando tive a chance de ouvir o seguinte comentário, depois de um deslumbrante passeio na Floresta da Tijuca em roteiro delineado pela Sue: -- Deveria haver um imposto nacional para a preservação do Rio de Janeiro. Os cariocas deveriam ser proibidos de trabalhar, seriam pagos com esse imposto só para cuidar da cidade. Impedir que esses prédios feios sejam construídos, que ocupem a cidade toda. -- E a especulação imobiliária?, perguntei, provocando seu lado mais liberal. Ele explodiu: -- O capitalismo não serve para o Rio de Janeiro! Serve para qualquer outra cidade do Brasil, mas não aqui! Aqui deveria ter um imposto! Há testemunhas. Sóbrias, inclusive. Se bem que, de acordo com sua namorada, se você quer convencer o Fabio de alguma coisa, basta trazer ele para o Rio e dar-lhe um prossecco... No cair do sol, acrescento eu.
Quem também nos honrou com a presença foi O Maestro, no ensolarado primeiro domingo do verão. Adiantou o relógio, fez sol na primavera, significa que já estamos no verão carioca. Mozart confessou que não almeja a posição de comentarista de futebol, mas que gostaria definitivamente de comentar a arbitragem, de esperar aquele lance claro em que o atacante está pelo menos dois metros à frente do último homem para defender que ele não estava impedido. Depois me contou como Kafka ria ao ler trechos de A Metamorfose para seus amigos, vendo um exercício de humor exagerado onde seus graves críticos literários enxergam altas elucubrações de uma alma atormentada. Certas pessoas são definitivamente acometidas pela falta de humor. Felizmente, os wunderbloggers não estão entre elas. anotado por Rafael - 06:56 AM
outubro 24, 2003Mais new journalismFiquei desalentado quando soube pelo Ruy Goiaba da morte de George Plimpton. Nem conhecia muito de seus escritos, mas o cara me parecia gente fina toda vida. Para quem não sabe, George é aquele coroa grisalho que dá vários depoimentos no documentário When We Were Kings, sobre a luta de Muhammad Ali contra o outro George, o Foreman, no Zaire. O coroa com jeito britânico, que o outro, com jeito de judeu brigão do Brooklin, é o Norman Mailer. Plimpton foi fundo no chamado jornalismo de imersão, técnica em que o repórter é levado a praticar o esporte de seu assunto para melhor incorporar o personagem. É assim como que um Actor's Studio do jornalismo, estilo levado à excelência, entre outros, por Plimpton e Gay Talese. Puxei esse assunto só para dizer que encontrei ontem, raridade, uma edição de The Bogey Man, e que outro dia o Inagaki arrumou o endereço do famoso perfil de Frank Sinatra feito por Talese para a Esquire. anotado por Rafael - 04:33 PM
outubro 23, 2003fwfrFour Word Film Review é o melhor repositório de críticas e resenhas cinematográficas da internet, e se você acha que é preciso mais do que quatro palavras em inglês para descrever Caçadores da Arca Perdida, veja que exemplo de concisão: Heroic archaeologist battles Nazis. Ou ainda: Ark burns Nazis down. Sobre o filme catástrofe Titanic, pode-se dizer algo mais eloquente que A piece of ship? Pode-se ser mais explícito do que She floats. He don't? Precisa de mais alguma coisa do que Breasts save Titanic bore para mostrar onde está a graça do filme? Sinceramente, existe maneira mais simples de explicar Agarre-me se for Capaz, do que DiCaprio does Mr. Ripley? Já deu para notar o infinito cura-tédio que é este banco de dados. O que eu não sabia é que o Lisandro mandou várias contribuições para lá, a mais espirituosa das quais, resenhando The Brown Bunny: Movie and Chloe suck... anotado por Rafael - 08:23 AM
no tempoCronologia mundial da História da História em quadrinhos até 1968. anotado por Rafael - 08:21 AM
outubro 22, 2003mangaComeça amanhã o I Seminário Internacional sobre o Mangá da UniSantos. anotado por Rafael - 01:55 PM
quero ser jules feiffer - iiNeste trecho de The Great Comic Book Heroes, Jules Feiffer explica o que se passa na cabeça de um adolescente que, depois de muito ler, deseja se tornar um quadrinhista: To me these men [Alex Raymond, Will Eisner, Milton Caniff, Hal Foster] were heroes. The world they lived in as I saw it in those years of idolatry, was a world in wich a person was blessedly in control of his own existence: wrote what he wanted to write, drew it the way he wanted to draw it -- and was, by definition, brilliant. And thus, loved by millions. It was a logical extension of my own world -- except the results were a lote better. Instead of being little and consequentely ridiculed for staying in the house all day and drawing pictures, one was big, and consequentely canonized for staying in the house all day and drawing pictures. Instead of havingo no friends because one stayed in the house all day and drew pictures, onde grew up and had millions of friends because one stayed in the house all day and drew pictures. Instead of being small and skinny with no muscles and no power because one stayed in the house all day and drew pictures, one grew up to be less small, less skinny, still perhaps with no muscles, but with lots of power: a friend of Presidents and board chairmen; an intimate of movie stars and ball players -- all because one stayed in the house all day and drew pictures. (Para comprar The Great Comic Book Heroes, procure por Feiffer na loja da Fantagraphics) anotado por Rafael - 11:10 AM
quero ser jules feiffer -- iNo álbum Tantrum, lá pelas tantas, o adulto transformado em bebê de 2 anos Leo tenta pegar uma banana de um garoto de 4 anos e toma uma surra. Em vingança, aproxima-se dele e promete dar-lhe uma lição, contando tudo o que sabe: 1. Tire os diplomas mas não acredite no que te ensinam (Para comprar Tantrum, procure por Feiffer na loja da Fantagraphics) anotado por Rafael - 10:57 AM
outubro 21, 2003linda, linda, linda![]() ...como não aparecia nas telas desde, pelo menos, Zorro. anotado por Rafael - 04:36 PM
outubro 20, 2003é nós na fita, mano!Já tá no ar, para gáudio e delírio gerais, o projeto Paralelos. Eeeeeeeeeita que tamo ficando importaaaaaaaaantes! Diálogo real que aconteceu de verdade: A pequena traição cometida na feira foi a compra de um livrinho sobre a Vila Madalena, em plena celebração do lançamento do projeto Paralelos. A editora Relume Dumará mantem há anos uma série com exatamente o mesmo perfil, sobre o Rio de Janeiro; agora vem a Boitempo registrar a mitologia urbana paulistana, com Adoniran (infelizmente o único volume ausente na banca) abrindo as portas para o Brás, Democracia Corintiana, Semana de 22 e outras quimeras da terra da garoa. Para completar a festa, quinta feira passada foi ao ar minha primeira coluna no Sobrecarga, centrada no segundo volume da série League of Extraordinary Gentlemen. Teoricamente, deve ser semanal e sempre sobre quadrinhos; vamos ver se eu consigo manter o pique. anotado por Rafael - 01:15 PM
outubro 17, 2003mais placas do brasilUma das entradas que mais gerou pitacos e links entusiásticos foi a indicação do livro e da página do Brasil das Placas. Assim, ao deleite dos fãs da ortografia de beira de estrada, aqui vão mais algumas amostras:
anotado por Rafael - 05:15 PM
mela 2006Deu no Boechat: anotado por Rafael - 05:07 PM
um chinês no espaço foto: ReutersApesar de todas as declarações do ufanismo totalitarista, todos os sorrisos artificiais, todo o caráter político com que o feito foi conduzido (o nome do foguete era Grande Marcha...), é preciso ser muito rastaquera para não se deslumbrar com a suavidade do homem flutuando no espaço, retirado de seu eterno referencial e levado a contemplar a Terra de longe... anotado por Rafael - 05:04 PM
outubro 15, 2003fellini cartunista
Pouca gente sabe, mas antes de ser cineasta, antes mesmo do circo, o que Fellini gostava mesmo era de desenhar. Chegou a escrever histórias de Flash Gordon, sem assinar, para os jornais italianos nos anos anteriores a alguém ter o desatino de lhe emprestar uma câmera, na frente da qual ele colocou rinocerontes, elefantes, xeques, saltimbancos, mendigos, mulheres deslumbrantes e o Marcelo Mastroianni. Tipos assim -- o último desenho é a Cabíria, e o primeiro, talvez de Anita Ekberg -- eram rascunhados e definidos visualmente no papel, num hábito que Fellini levou para o resto da vida de diretor. Há quase dez anos vi alguns desses originais numa exposição de storyboards na Casa França Brasil. Pegando carona no festival de cinema recém- encerrado inaugurou outra, no Centro Cultural da Justiça Federal. anotado por Rafael - 11:16 AM
outubro 14, 2003hunter VIII -- esclarecendoCecília pergunta se eu acho que o Hunter Thompson tomava aquelas drogas todas mesmo para escrever. A resposta é sim e não. Explico. Segundo a esposa dele, Sandra Down, Fear and Loathing in Las Vegas foi escrito no quarto do porão da casa de Woody Creek à base de Dexedrina e bourbon. É de se supor que a mesma mistura -- álcool e estimulantes -- tenha turbinado todos os textos anteriores a esse (Hell's Angels e todas as reportagens, inclusive as que constam em The Great Shark Hunt). A partir de Campaign Trail, Thompson adiciona cocaína à mistura, ao que consta, permanecendo até hoje. O problema é que não se pode alinhar Hunter com Aldous Huxley ou Allen Ginsberg, ou mesmo com o que Thimoty Leary estava fazendo academicamente... Estes usavam suas experiências psicodélicas como base para criação artística, pesquisa científica ou filosofia, enquanto para Thompson engolir LSD não era muito diferente do que era para um motoqueiro dos Hell's Angels: escapismo, alienação, onda. Não era algo orientado, e ele inclusive chega a criticar esse comportamento no primeiro livro. Ou seja, não é correto dizer que Hunter Thompson tomava drogas para escrever: ele as ingeria o tempo inteiro, e eventualmente, tinha um prazo jornalístico a ser cumprido... Outra coisa: eu não li "tudo do Hunter Thompson, do Gay Talese, do Truman Capote, do Norman Mailer". Eu li tudo que é relevante de Hunter Thompson, li muito do que há de importante na parte não-ficcional de Norman Mailer (se bem que ele mentia tanto que é difícil discernir), li apenas A Mulher do Próximo do Gay Talese, e do Truman Capote, para não dizer que eu não li nada, li o primeiro terço de A Sangue Frio, na tradução do Ivan Lessa. Tem mais uma coisa que eu li: um livro chamado The Muhammad Ali Reader, com uma coleção de reportagens sobre o pugilista escrita por todos os bambas: Talese, Thompson, Mailer, Tom Wolfe (como você esqueceu dele?, justo quem eu mais li...), George Plympton, A.J. Liebling, Joyce Carol Oates, etc. anotado por Rafael - 09:46 AM
fora da minha casa!Atores de TV entram na casa das pessoas sem pedir licença, passam a fazer parte da família. Por isso o público quer saber detalhes de sua vida pessoal. Se eles têm o direito de explorar comercialmente a fama, não deveriam entender o direito que o público, que os admira, tem de saber detalhes de sua vida? anotado por Rafael - 09:38 AM
mickey meuNemo Nox enquadra o império Disney na questão do copyright. Para quem não sabe, o Mickey Mouse já deveria ter caído em domínio público há anos, o que só não aconteceu devido à manobras dos advogados da companhia. Eu gosto de pensar que o dia em que isso acontecer, aquelas camisetas pintadas à mão com o Mickey fumando um cigarrinho, fáceis de achar em Porto Seguro e Trancoso, não poderão render mais um processo por pirataria a seus autores -- apenas por apologia ao uso de drogas. anotado por Rafael - 09:36 AM
outubro 13, 2003lux multipass![]() Essa guria tem umas imagens classe; agora, isso aqui excede. ![]() Para os de memória fraca: era Twisted Sisters, precisamente. anotado por Rafael - 11:04 AM
Ram rulezAo que parece, os blogs estão se tornando opções melhores de opinão do que a mídia. Mas mesmo nos blogs, a maioria do pensamento é repetitivo e reciclado, como o do meu blog aqui. Sempre batendo nas mesmas teclinhas. Mas, ao menos, eu rio à beça vendo o mundo acontecer. Uma coisa que eu aprendi é a ler coisas diferentes do que penso, sem querer ficar respondendo. Isso leva tempo. Mas acho que é muito melhor tentar encontrar o porque de certas idéias, inclusive as suas próprias, do que virar contador de feijão. Ram, em mais um momento lapidar. anotado por Rafael - 10:57 AM
12 de outubroQuerida mamãe, de presente de dia das crianças eu quero aprender a voar com a Intrépida Trupe, balançar num daqueles trapézios e fazer um pas de deux com aquela acrobata (bailarina?, atriz?, mímica?) do saiote roxo de Sonhos de Einstein. anotado por Rafael - 10:56 AM
outubro 10, 2003Livro é coisa de pobreAcho que descobri o que tanto me atrai em Hunter Thompson e Ivan Lessa: o fato deles não escreverem, de se recusarem, conscientemente ou não, a escrever. Ivan Lessa em, por baixo, 35 anos de produção jornalística, teve apenas 2 livros finos publicados, à sua revelia, é bom que se lembre. Thompson, depois que se tornou a celebridade dos jornalistas cobrindo as prévias do partido Democrata em 1972, nunca mais deu-se ao trabalho de escrever um livro coerente, pensado do começo ao fim: tudo o que saiu são ajuntamentos de notas, trechos de novelas nunca concluídas, colunas para a imprensa, picadinhos jornalísticos. Isso para não mencionar que, apesar de ter sido enviado ao Vietnã em 1975; ao Zaire em 1974 cobrir o confronto Ali-Foreman; trabalhado um ano no O'Farrel Theater entre outras coisinhas menores, não produziu meia dúzia de reportagens sobre tudo aquilo. Dizia Assis Chateaubriand que comprar um jornal com dinheiro qualquer portuguesinho compra, o difícil era comprar sem, como ele fizera. Difícil é ter fama de bom escritor sem escrever. anotado por Rafael - 09:36 AM
quase quaseFolheando um livro de charges sobre os primeiros anos do governo Sarney, 85-87, me toquei de uma coisa impressionante. Por um fio, o Brasil quase foi governado pelos filhos de dois dos mais controversos políticos brasileiros, nominalmente: Roseane Sarney e Luís Eduardo Magalhães. E se não me falha a memória, nos dois casos com a aprovação e o gosto da população. Derrubaram a primeira as provas encontradas pela Polícia Federal na casa de seu (ex-)marido, e o segundo, um infarte inesperado (qual infarte é esperado?) nos respectivos momentos de maior popularidade: LEM era presidente da Câmara aprovado pela imprensa, com ótimo trânsito político e apenas esperava a indicação para a candidatura à presidência e dar continuidade ao "projeto de 20 anos" de Sérgio Motta e companhia, outro que morreu, aliás. Roseane liderava as pesquisas eleitorais, começando a abrir folga em relação ao segundo candidato, também oposição ao governo. Qualidades pessoais de ambos à parte, é impossível pensar neles sem associá-los às eternas oligarquias que tanto atraso impingiram ao nosso país, e repito: estivemos a um pio de termos um dos dois como presidente. E tem gente que ainda se assusta com Lula... anotado por Rafael - 09:36 AM
outubro 08, 2003Por aí...
2) A revista Cruzeiro, onde despontaram os talentos de Nelson Rodrigues, David Nasser, Millôr Fernandes, Rachel de Queiroz, Péricles, Carlos Estevão, Alceu Pena e tantos nomes da imprensa brasileira ganhou sua versão virtual pelo Memória Viva -- agora pode-se navegar por dentro dela como se fosse uma revista virtual lançada ontem. 3) É chato reconhecer certas coisa, mas a verdade é que a Eva tem razão... Já dizia o Inagaki, pensar, enlouquece; amar, emburrece... 4) Foi bom enquanto durou. Isso é o que importa. Espero que a despedida tenha sido a altura -- Lisandro Gaertner anotado por Rafael - 01:49 PM
outubro 06, 2003TODO MUNDO LÁ![]() No final de semana de 17-18-19 de outubro rola a terceira edição carioca da Primavera dos Livros no armazém 5 do Cais do Porto. Estamos falando de uma feira tal como a Bienal do Livro, porém de dimensões que permitem & convidam a um contato mais próximo entre público, autores & editores. Se só der para aparecer um dia, dê um pulo no sábado para conferir o lançamento do Projeto Paralelos, que pretende mapear, desvelar e integrar os criadores da nova produção literária, com foco no Rio de Janeiro, esquentando os tamborins para o lançamento da revista Paralelos, com edição programada para o ano que vem pela editora Casa da Palavra. Serão 3 volumes: contos, crônicas & ensaios e poesia. Então, meu chapa, se tu gosta desse lance de juntar as letrinhas, manda uma amostra pra lá. ![]() A programação é a seguinte: mesa redonda à partir de 17h30 com Augusto Sales (Revista Paralelos, editor da Falaê!), Beatriz Resende (UFRJ / editora Aeroplano), Joca Terron (editora Ciência do Acidente), Marcelino Freire (Ateliê Editorial), Maria Alzira Brum Lemos (Doutora em Comunicação), Paloma Vidal (7Letras) e Paula Foschia; leitura de textos à partir das 19h, com Alessandra Archer, Cecilia Giannetti, Crib Tanaka, João Paulo Cuenca, Jorge Rocha, Maira Parula, Mara Coradello e Paloma Vidal, show com JP Cuenca e Cecília Giannetti depois das 20h e daí pra frente a festa come solta com DJs. anotado por Rafael - 05:13 PM
outubro 05, 2003Rio de Jano![]() Eu ia escrever um texto longo e provocativo sobre como o Festival do Rio deixou de ser um local para agremiação de interssados por cinema e tornou-se uma tourada para fanáticos que decoram todos os ingresso via internet, esgotando sessões às vezes com uma semana de antecedência e abolindo alguns dos últimos bons hábitos no ritual de ir ao cinema -- pegar um pouco de fila, assistir aos treilers, ver o que as pessoas saindo da sessão anterior comentam -- isso porque conversar durante a projeção (sobretudo com celular) já é comportamento habitual em qualquer sala. Mas desisti de destilar a bílis ao ter comparecido à exibição de dois documentários sobre quadrinhos neste sábado. O primeiro chama-se Cartas da Mãe, é uma combinação de cenas ilustrando a leitura de cartas que o Henfil escreveu para sua mãe -- no fundo, todo o povo brasileiro, ou melhor, o povo leitor da revista Istoé, onde as cartas saíam -- ao longo de 10 anos com depoimentos de amigos com quem conviveu (inclusive o atual presidente da república) e animações de seus personagens. Além do deleite em ver Zeferino, Graúna e Fradim vivos em movimento, há o mérito de se ter conseguido fazer algo original sobre Henfil. O segundo, motivo da minha presença, chama-se Rio de Jano e acompanha o período de 40 dias em que o cartunista francês Jano morou no Rio de Janeiro, no bairro de Santa Teresa, e suas andanças pela cidade à captura de cenas que traduzissem a cidade de São Sebastião para um álbum idealizado por dois dos organizadores da Bienal Internacional de Quadrinhos, Roberto Ribeiro e Emmanuelle Landi. O documentário foi feito por Eduardo Souza Lima, Anna Azevedo e Renata Baldi, que acompanharam o cartunista em suas andanças e arrancaram-lhe ótimas declarações. É curioso como dá samba a mistura na tela de desenhos, de rabiscos sendo feitos e imagens reais, tendo-se na memória o quão pouco esse recurso foi usado (Eu quero Voltar para casa, Crumb, American Splendor...). Especialmente notável ver como Jano se inspirou nos paisagistas do século XIX, como Debret, para compor suas imagens, como se integrou ao ritmo da cidade, aprendendo a falar português aos poucos, e o tipo de observação clínica que só europeu em visita é capaz de fazer: "apesar de morarem numa cidade grande, os moradores daqui são legais". O projeto foi totalmente bolado aqui no Brasil em cima dos ábuns que Jano já produzira, o Carnet D'Afrique e Paname, sobre Paris, embora tivesse sido vendido também para seu editor francês, Albin Michel. Meu primeiro contato com esse álbum se deu em ocasião de viagem, o que me deixou ainda mais deslumbrado com a riqueza das aquarelas, pela distância do lar, e acabou gerando um artigo derramado, no qual creio só ter cometido dois erros: ter achado que a edição nacional veio depois da estrangeira, quando foi exatamente o contrário, e tê-lo acusado de certo populismo ao glamourizar a pobreza em pranchas demais; no documentário fica perfeitamente claro que não era esse seu ponto de vista. Apesar de tanto, recebi elogios do próprio editor do álbum, que já esgotou a primeira edição, e promete uma terceira fornada para o final do ano. Aliás, o projeto de colocar desenhistas para retratarem cidades brasileiras não finda com o Rio de Jano: o próximo lançamento será Curitiba, por César Lobo, seguindo-se Belo Horizonte pelo catalão Miguelanxo Prado, enquanto Marcelo Gaú fará os retratos de Salvador. anotado por Rafael - 01:13 PM
hunter VII -- consideraçõesTerminada a leitura de Fear and Loathing: On Campaign Trail '72, há que se registrar uma perceptível sensação de ter saído de quem sabe o melhor livro de Thompson, certamente seu melhor livro de reportagens -- The Great Shark Hunt é bom para ver o estilo em construção, evoluindo, tendo idéias e angariando assuntos de interesse. Campaign Trail já é maduro e se destaca entre os 3 livros de Hunter S. Thomspon que valem à pena ser lidos. O que é particularmente estranho, posto que este seja o único não concebido como um livro desde o princípio; ao contrário, ser resultado de uma coleção de reportagens publicadas ao longo de um ano. São conhecidas as condições de finalização do texto, típicas de Thompson, aliás: trancado num quarto de hotel consumindo horrores em serviço de quarto, ingerindo doses contínuas de mescalina, uísque Cold Turkey ou Jack Daniel's e fumando cigarro com piteira diante de uma máquina de escrever ao lado de pilhas de exemplares da Rolling Stone totalmente recortados, empilhando as laudas continuamente datilografadas e revisadas à base de anfetamina, até a exaustão -- quando o editor enviava alguém com um gravador para ouvir o resto da história e depois a fita era literalmente transcrita. Na loucura de cumprir prazos -- Hunter deve ter sido o pior repórter do mundo nesse sentido -- enviava rascunhos ao invés do texto pronto (diz a lenda que o falado estilo gonzo teria nascido num parto ocasional desses), enchia linguiça descaradamente descrevendo ondo tinha ido comprar cigarro ou cerveja, à guisa de lide, para completar os malditos não sei quantos mil caracteres pedidos, isso sem falar nas digressões quase sempre mais interessantes do que o assunto principal, que simplesmente impediam a manutenção de uma linha de pensamento única e linear. Campaign Trail é um diário de campanha eleitoral que ultrapassa todas as fronteiras e definições de um, com exposição da mecânica dos bastidores, perfil dos candidatos, alguns furos de reportagens e toda sorte de boato, tudo analisado sob o ponto de vista do impacto eleitoral. Boa parte da diversão consiste em perceber as variações do humor de Hunter ao longo do tempo (o aborrecimento em se mudar para Washington, a raiva de Nixon, o desespero com a larga margem de votos a um mês da votação). O resultado é desigual, desconjuntado, multifacetado, ainda mais do que Hell's Angels, que se também não tem o mérito de ter sido planejado de uma vez só ao menos guarda a coerência de uma grande pesquisa de campo na mistura bem dosada de estatísticas, depoimentos, considerações, análises sociológicas e observações argutas. Se em Hell's Angels pode-se sentir a ameaça do prazo final chegando à medida em que o fim do livro se aproxima, em Campaign Trail essa ameaça acontece a cada capítulo, é um livro escrito sob influência da adrenalina. Fear and Loathing ins Las Vegas é outro papo, por ser uma não-reportagem, o relato do que não aconteceu, do que aconteceu e acontecia porque ele não conseguia cumprir os prazos. Se for para ler só um, leia esse. * * * Há um ou dois anos atrás o termo gonzo dava crias como coelhos na internet: o Eduf tocava a Fraude, com uma seção só sobre Gonzologia; havia textos novos da Irmandade Raul Duke; a Cecília Giannetti fazia o blog Notas Gonzo; Arthur Veríssimo se auto-denominava repórter-gonzo da Trip; alguns remanescentes do CardosOnline reivindicavam o rótulo para si e por aí à fora. Até texto traduzido do Ralph Steadman apareceu na imprensa. Eu, que à época tinha lido a edição nacional Las Vegas na Cabeça, gostei do papo e coloquei link para essa galera, apesra de me perguntar quantos ali tinham lido efetivamente o cara que criou esse estilo -- já que a tal edição é difícil pra burro de se encontrar em sebos -- dada a intimidade que demonstravam com HST. Hoje, depois de conhecer a suma da literatura gonzo, é mole dizer direitinho quem conhecia o que. E é impressionante como a resposta bate com a minha impressão primeira. anotado por Rafael - 12:28 PM
outubro 02, 2003JAMBALAYA JAZZ![]() Quase me vieram lágrimas ao ler a notícia do segundo Festival Jambalaya Jazz no jornal -- ano passado decidi meio em cima da hora assistir ao zydeko e aos metais da New Birth Brass Band e acabei esbarrando no Ricky Goodwin, do Blog0news, em plena Fundição Progresso, que contou direitinho a apoteose do encerramento: todo mundo saindo pelas ruas da Lapa atrás da banda, que não deixou ninguém a vê-la passar (até vendedor de amendoim e camelô entraram no bolo). Como não poderia deixar de ser, o fechamento foi When the Saints Go Marchin' in. Os organizadores prometem repetir o arrastão sonoro da Brass Band esse ano no calçadão e na Praça Tiradentes, o que me deixa meio cético, porque esse tipo de festa não pode ser planejada, tem que ser espontânea & inesperada... Se bem que não vai ser preciso muito para esse povo que inventou o carnaval enfiar carne seca no jambalayo fazendo do jazz de New Orleans na beira da praia um autêntico... Mardi Gras. O que aconteceu... anotado por Rafael - 03:54 PM
pixoteA população do Rio de Janeiro já não aguenta mais ver seu patrimônio sendo friamente assaltado pelo garotinho. anotado por Rafael - 03:49 PM
outubro 01, 2003Metrô e George Pérez1) Até que enfim! Êta ficha presa da peste para não cair! 2) Na década de 80 se notabilizou a publicação de um tipo de história envolvendo personagens de duas editoras, Marvel e a DC, em conflitos de proporção épica produzidos por equipes de roteirista e desenhista de primeira linha. Tudo começou com Super-Homem versus Homem-Aranha (bisada anos depois), depois teve Batman versus Hulk e até X-Men versus Novos Titãs, dois super-grupos na crista do sucesso entre adolescentes. O maior desses confrontos, que nunca chegou a sair do papel por desentendimento editorial, envolveria todos os principais personagens nos dois super-grupos mais importantes das respectivas editoras: Os Vingadores e a Liga da Justiça. Todo mundo queria ver o pau comendo solto entre Thor, Ajax o marciano, Capitão América, Lanterna Verde, Homem de Ferro, Flash e quem mais houvesse nas páginas de uma mesma revista... ![]() Pois eu soube que essa história vai sair! E desenhada pelo mestre George Pérez, conhecido pela capacidade de desenhar sempre um personagem a mais no fundo dos quadrinhos -- responsável pela mini-série Crise nas infinitas Terras, onde virtualmente todos os personagens da DC apareciam! Um pôster com todos os membros da história já foi feito, com direito a múltiplos uniformes para as vítimas da criatividade féchom dos ilustradores. Quem está acompanhando as notícias de perto é o Mikhail Askhalsa. anotado por Rafael - 03:47 PM
citaçõesSe tem algo que me apraz nesse negócio de blogar é o ato de sair vasculhando pelos arquivos e notas por aí e trazer tiradas deles para cá. Começo com esse desabafo do Kazi: O fato é: não recebo mais nada (e-mails, bilhetes, jornais, revistas) sem erros feios de português. A constatação é a seguinte: ninguém mais, tirante alguns revisores realmente bons, sabe falar a língua. A norma culta está morta e sepultada. Sei lá. Dureza é ter de pedir a alguém para explicar: Mas o que você quis dizer com…
Não consigo decidir o que me parece pior: confundir arte com entretenimento ou achar que toda obra de arte deve trazer embutida a possibilidade de redenção ou, pior ainda, algum sentido edificante intrínseco. Criadores em geral são, por princípio, moralistas, mas faz parte da natureza paradoxal de sua atividade evitar ao máximo a armadilha de ser moralizante. É por isso que o subtexto é tão importante, principalmente nas artes narrativas (literatura, cinema etc.), que por sua própria natureza exigem a presença de uma certa ambigüidade para que possam funcionar. Subtexto não é uma moral da história, e muito menos uma mensagem. Subtexto é aquilo que o autor diz, mas não mostra. Aquilo que o autor mostra, mas não descreve. Aquilo que o autor descreve, mas não explica. O subtexto é o vácuo que cria a tensão necessária para a narrativa operar seus truques (ou sua mágica, se quisermos ser românticos). Mas certo, deixa isso pra lá.
anotado por Rafael - 03:29 PM
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abril 2005
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Lonely Planet Luis Eduardo me encheu tanto o saco que conseguiu um link só para a página dele aqui. Cataplum!
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