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novembro 28, 2003Richard Corben![]() Quando os franceses da Métal Hurlant desembarcaram na América através da Heavy Metal, poucos americanos se equiparavam a eles em arrojo visual. Dentre eles, egresso do underground e do terror, Richard Corben. anotado por Rafael - 02:10 PM
Gustavo de AlmeidaSe você mora no Rio, não vai demorar muito em esbarrar no Gustavo de Almeida. Eu mesmo esbarrei nele através de 3 amigos diferentes. A primeira foi numa festa, ele estava contando umas histórias surreais de quando era repórter policial num jornal sensacionalista; a última, num dos primordiais encontros que deram origem ao que seria o projeto Paralelos. Ele pulou fora logo de cara, eu, vários meses depois, e nesse meio tempo descobri que ele tinha um blog. A bem da verdade, eu já conhecia o jeitão do Gustavo escrever através da extinta Falaê!, em particular a inacreditável seção Te Vejo Como um Amigo, onde colecionavam-se narrativas acerca daquele tipo de terrível desilusão amorosa masculina que acontece quando a frase que nomeia a seção era usada pela pretendida para cortar as declarações românticas do candidato a Cyrano de Bergerac. Aliás, minto: a última vez que esbarrei no Gustavo de Almeida foi no lançamento do livro comemorativo de 50 anos do Zico. Como falava eu, a descoberta do blog foi das mais saborosas. Gustavo é um grande cronista, tem um olho e um jeito de contar as banalidades do cotidiano cheio de hipérboles e analogias inesperadas, romantismo barato, humor corrosivo, grosseria de torcedor de futebol, comentários espirituosos e referências culturais pop, destilado num ritmo delicioso de se ler. Recentemente, por causa de uma hérnia na coluna, Gustavo passou dois meses se recuperando e de dieta em casa, o que fez bem para sua saúde e mal para seu moral. O melhor é que nem precisa contextualizar cada excerto, o que vem bem a calhar com minha falta de saco nessa semana. Confiram as pepitas encontradas no Tem, Mas Acabou e parabenizem-no pela melhora: "Aí o âncora, Juca Kfouri, mandava uma espécie de vinheta pessoal dele: "Me irritou muito, tudo isso – e olhem que eu sequer pisei em um tolete. Vejo como problema sem solução. Talvez se convencermos os donos de cachorro a levarem seus bosteiros ao meio-fio, mas é muito difícil. Não querem nem "É claro que, após três meses longe das pizzas e do álcool, minha expectativa era de que o resultado desse meu exame fosse o de um igual a de um atleta de decatlo. Qual o quê. Meu colesterol está em 130mg, e embaixo uma notinha alerta: “desejável abaixo de 116mg”. Puta que o pariu. Pelo jeito, antes da dieta eu estava à beira de um infarto do miocárdio e não sabia. "Enfim, é bom viver respirando bem, sem a pele estourada, sem o estômago ardendo, sem o fígado chiando, sem pontadas estranhas, sem problemas no sono, com tudo em cima (tirando, é claro, a dor na coluna e na perna direita). Mas preciso ir a um psicólogo para que ele me explique o que é esse sonho recorrente no qual eu caminho incólume por lindos campos de orégano." "Conheço gente assim. Um amigo meu, jornalista também, volta e meia reclamava que eu sumia. Aí eu aparecia para a gente tomar um chope, e o cara passava quase que a noite inteira fazendo e recebendo telefonemas para dezenas de pessoas combinando onde iria passar a noite – mas que catzo, ele já estava passando a noite ali: ao celular." "Celular nos acostumou também a outra coisa: ninguém marca porra nenhuma com antecedência. “Ah, a gente liga para ele de lá”, ou “Ah, vamos indo, depois ligamos pro celular dela no caminho e marcamos encontro”. Aí neguinho te liga do Maracanã de um Flamengo x Cabofriense em um sábado chuvoso, em que você alugou “Berlim Alexanderplatz” e ainda está vendo a primeira das 16 partes. Quer valer que se não tivesse celular tanto o emissor quanto o receptor teriam combinado antes?" "Agora, nada mais PVC do que aquilo que eu continuo tentando perder: a barriga. Meu amigo Marlos Mendes vive me dando uma explicação darwiniana, dizendo que é consequencia da evolução – o homem acumularia gordura e "Ficamos combinados assim: me enternecerei sempre com os caras que fogem de Cuba, tudo bem, usando recursos extremos. Mas antes, tranquem os malandros em uma sala, sozinhos, com um pedaço de veludo. Se alisarem o veludo antes de 15 minutos, é porque fugiram de Cuba por frescura." Acho especialmente valiosa essa descrição que ele faz da primeira ressonância magnética: - É, não tem jeito, vou ter que pedir uma ressonância magnética. Isso aqui é uma seleção das melhores pizzas do Rio, publicada no dia da pizza. Prestem atenção no final: 2- Capricciosa (só porque falam, eu nunca comi). anotado por Rafael - 08:01 AM
books to the people, right onBora ler aê, galera. Eu baixei Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas e os contos do Salinger. Tem Hemingway, Orwell, Kerouac e até Thompson: Fear and Loathing in Las Vegas e Hell's Angels -- agora ninguém mais tem desculpa de não ler. Ou tem, não saber inglês, não ter acesso a internet, não conseguir ler na tela... (dica da Barbara) anotado por Rafael - 07:40 AM
tetê, teteretêO douto e preclaro Tiago Teixeira está blogando de casa nova. anotado por Rafael - 07:38 AM
novembro 27, 2003arrá urrúMeme da semana: após cantar o parabéns para o fulano, nas festinhas mais animadas tem sempre um corinho puxando a seguinte estrofe: O rio inunda Ô fulano eu vou Comer sua torta! anotado por Rafael - 03:40 PM
novembro 26, 2003cadernos de viagem![]() Cadernos de Viagem, nem vou falar muito que é para vocês usarem seu tempo passeando dentro da página, especialmente na enorme exposição virtual sobre cidades em quadrinhos. Prometido para dezembro o caderno de Miguelanxo Prado sobre Belo Horizonte e segunda edição do álbum de Jano, sobre o qual já falei. ![]() Enquanto Prado retratou a querela mineira, Jano foi todo rubro-negro: ![]() Estão em produção os ábuns sobre Curitiba, por César Lobo e Salvador, por Marcelo Quintanilha Gaú. anotado por Rafael - 08:13 AM
cena abertaJampa tem razão -- eu não canso de dar razão ao Jampa. Cena Aberta é um programa ótimo. Inovador: apesar de estarmos acostumados com metalinguagem e interferências entre realidade e ficção na Tv há 20 anos, de Ernesto Varella a Tv Pirata -- isso para não mencionar as exceções, desde muito antes, do seriado do Batman à retórica do Chacrinha. No entanto, não é comum que se exponham as vísceras da produção televisiva assim quase sem o menor pudor; ao contrário do cinema, que já aprendeu a transformar essa "lição de anatomia" em fração de mercado, com seus making offs, documentários sobre a realização de filmes, fofocas sobre os bastidores da filmagem e assim por diante. A televisão sempre foi mais reservada nos seus segredos, e mesmo um programa como o Video Show era mais centrado em culto à celebridade e memorabilia do que na exposição da carpintaria sobre a qual se monta o palco -- por isso o valor de ver atores mastigando um sotaque, aprendendo a cavalgar ou bailar uma dança típica (mesmo que você fique com a séria impressão de que nem tudo ali foi espontâneo, que o Lázaro Ramos Não me lembro de ter visto nada nesse nível em televisão; em quadrinhos, lembrei-me direto do que Art Spiegelman fez antes de Maus. Ted Rall acertou uma bela bola dentro quando disse que Maus foi a primeira narrativa linear, apesar dos flashbacks, de Spiegelman -- tudo que ele havia feito antes fora metalinguagem, auto-referência, desconstrução, análise ou pura brincadeira com os elementos e a mecânica dos quadrinhos, sem a preocupação necessária de contar uma história. Sem todo esse treinamento, Maus não seria a obra-prima que é, onde Spiegelman dá uma aula de uso das possibilidades narrativas de uma história em quadrinhos. Cena Aberta está um degrau abaixo; não pretende explicar como se elabora um roteiro a partir de um conto, nem como se dirige um especial, mas é um avanço inegável ao ajudar a despir o rei. Para falar de televisão, utilizei quadrinhos e até pintura. Se alguém souber de uma pós-graduação que misture todos os conhecimentos visuais, me avise que sou candidato a PhD desde já... Com tese sobre a presença de Hitchcok, Scorsese, mangá, Corto Maltese e Dashiell Hammet no quadrinho de Frank Miller. anotado por Rafael - 08:03 AM
não vai à praiaDr. Shadenfreude ensina como lidar com intelectuais, numa cortesia do Eduf. anotado por Rafael - 07:59 AM
50 toquesCrib Tanaka manda avisar: para comemorar 1 ano do blog eraOdito, Marcelino Freire está organizando o Primeiro, Único e Último Concurso de Microcontos Brasileiros. Para participar, o internauta deve enviar, até o dia primeiro de dezembro de 2003, um único microconto, de no máximo 50 toques (sem contar título e espaços), para (e somente) o e-mail eraodito@uol.com.br. Não vale participar quem já publicou livro; cada pessoa deve enviar apenas um microconto. Diz ainda que "dia 5 de dezembro, em um bar fuleiro da Vila Madalena, serão escolhidos por escritores amigos (e já devidamente embriagados) as 10 melhores obrinhas enviadas. Os escolhidos ganharão livros (dos amigos Só 50 toques? Marcelino tá de brincadeira... anotado por Rafael - 07:57 AM
novembro 25, 2003tesouraReunidos em vídeo pelo Arquivo Nacional, chegam finalmente ao público trechos dos filmes brasileiros censurados pelo regime militar. Hora boa de ver o que era truculência autoritária, o que era coerência a um critério moral, e o que era justa crítica estética, ainda que talvez investida de um poder grande demais... O episódio mais famoso da censura cinematográfica dessa época talvez seja o da Laranja Mecânica: na impossibilidade de mutilar a película cortando cenas, optou-se por espalhar manchinhas pretas sobre as imagens, que ficavam dançando na tela, correndo atrás das imagens a ser evitadas... anotado por Rafael - 09:21 AM
träsel e o aluguelEu adoro quando o Marcelo Träsel recebe o cabôclo reclamador: Nada como ter um contato mais íntimo com a realidade depois de anos vivendo em bem-refrigerados bastiões da elite classe-média alta branca nacional. Descobre-se, por exemplo, o que significa "liberalização". Funciona mais ou menos da seguinte maneira: quando você arranja um emprego, não tem a carteira assinada. Precisa ou dar notas de uma empresa de papel, ou fazer um contrato de experiência com outra empresa chapa-branca de recursos humanos. Não tem direito a férias, nem a 13º e pode ser chutado a qualquer minuto, sem aviso prévio. A isto se chama "liberalizar o mercado de trabalho". Com o dinheirinho suado no bolso, resolve, digamos, alugar um apartamento. Vai à imobiliária, onde lhe pedem a Carteira de Trabalho assinada [pela empresa em que efetivamente trabalha, não pela terceirizadora, claro], os três últimos contracheques, comprovante de residência, RG, CPF e uma ficha cadastral que inclui até as cores das cuecas usadas no dia. Além disso, dois fiadores com um imóvel cada, ou um com dois imóveis, mas os imóveis devem ficar no Rio Grande do Sul - não importa que tenha outro em Santa Catarina - e não podem ser o único imóvel do fiador, caso em que fica difícil vendê-lo judicialmente, além do que, é preciso ir aos registros de imóveis retirar as matrículas atualizadas das propriedades, provando assim que ainda pertencem aos donos. E é claro que os fiadores precisam apresentar comprovação de renda e todos os demais acessórios. Com toda esta documentação, você tem o privilégio de ter o crédito verificado no Serasa e SPC e seu cadastro avaliado por burocratas, que fatalmente pedirão sua declaração ao IR e/ou extrato que mostre a movimentação bancária - porque, afinal, não tem como provar que trabalha mesmo na empresa em que trabalha e o telefone do seu chefe não adianta. Os valores expressos nas declarações de renda, por mais altos que sejam, não neutralizam a falha em qualquer formalidade burocrática. A imobiliária acaba conhecendo melhor seus clientes do que qualquer órgão do governo e fica com toda informação necessária para diminuir o risco a praticamente zero. A isto os empresários chamam "arriscar-se no mercado O mundo realmente tem sorte em ter se livrado da ameaça do comunismo, com sua burocracia arrogante e sociedade de controle, onde o populacho não tinha direito civil algum. Ah, as benesses da economia de mercado. Nos comentários ainda rolou o seguinte: E é bom lembrar que todas essas exigências são imposições legais - logo, são culpa do GOVERNO, não das imobiliárias. Nos EUA não existe tanta burocracia, mas em vários estados (o Texas é um deles) o landlord tem direito legal de entrar na casa do inquilino depois do segundo atraso no pagamento, e botar todo mundo na rua com a ajuda do polícia. Escolhe. anotado por Rafael - 09:20 AM
novembro 24, 2003the pump house gang- Fessôra, o que é melhor do que Tom Wolfe? - Tom Wolfe escrevendo sobre as figuraças da década de 60, Joãozinho. - E o que é melhor do que Tom Wolfe escrevendo sobre as figuraças da década de 60, fessôra? - Ah, Joãozinho, só Tom Wolfe escrevendo sobre as figuraças da década de 60 em inglês, no original. E com ilustrações do autor. anotado por Rafael - 07:29 AM
rio botequim 2003Saiu o resultado da eleição, para a alegria do Alexandre... ![]() anotado por Rafael - 07:23 AM
neurônios em fúriaÉ um equívoco acreditar que a boa Literatura só é possível se lançar mão de experimentalismos ilegíveis, floreios intelectuais, frases rebuscadas ou engajamento sócio-político. Acredito piamente que o aumento dos índices de leitura no Brasil não se dará sem uma renovação no nosso quadro de escritores e uma multiplicação dos gêneros escritos em nossa língua. Enquanto Luís Eduardo Matta chama atenção para um aspecto esquecido, quando não mal visto, na relação da literatura com o mercado, Daniel Pellizzari divaga sobre os caminhos da, perdão!, nova literatura: Com a ascensão abrutalhada e fascinante da narrativa audiovisual no último século, a literatura perdeu evidência e saiu do posto privilegiado em que sempre estivera, de forma narrativa primária. O que para muitos escritores pode parecer terrível, tenebroso - como de fato o é, mas não completamente - a mim parece um convite à maior liberdade, ao completo abandono à imaginação. Ninguém está olhando. Ei, não estou falando do realismo (...). Depois de dois séculos de domínio, este me parece um tanto exausto, tendo como única salvação a narrativa fragmentada. Não creio que precisamos de mais denúncia social estéril, mas sim da transcendência que denuncia a mediocridade. A melhor maneira de fazê-lo, a meu ver, é integrando todos os elementos possíveis em uma nova literatura de imaginação, da mesma forma que as tão desprezadas histórias em quadrinhos. Não esqueça de ler também o Apêndice sem utilidade alguma e o Epílogo desútil. anotado por Rafael - 07:21 AM
novembro 21, 2003ao que interessaGeorge W. Bush causando tumulto na Inglaterra, ALCA sendo debatida na Flórida, atentados terroristas na Turquia, continuam caindo soldados americanos no Iraque, Lula assistindo filme junto com o pessoal de Casseta e Planeta, Parreira flexionando os músculos da sua teimosia, Operação Condor sendo abatida em pleno vôo, a reforma ministerial que não sai, Michael Jackson indo em cana, uspianos e olavettes em pugilato aberto na USP, dia da Bandeira, feriado de Zumbi, casal de adolescentes esfaqueado... presta-se atenção e noticia-se tudo, tudo, menos o que importa. E não é porque aconteceu no final de semana passado que não vale mais. Se ninguém vai falar, falo eu. Afinal, certas verdades tem que ser ditas: ![]()
(E ainda dizem que anjos não tem sexo...) anotado por Rafael - 11:37 AM
Encontra-se no Sobrecarga minha coluna desta semana, comemorando os dez anos de aniversário da 2a. Bienal Internacional de Hq. Ai que saudades daqueles dias inesquecíveis, em que eu pude amealhar não um autógrafo, mas um sketch, feito pelo Michelangelo dos quadrinhos: Gaetano Liberatore! anotado por Rafael - 11:25 AM
só para registrarSaindo da Lapa, mostrei-lhes a estátua de Ghandi sobre a praça de mesmo nome, na Cinelândia. Comentário único do Alexandre: ![]() -- Nossa, parece com o Smeagol. anotado por Rafael - 11:20 AM
ao parMadame voluptuosa querendo demonstrar profundo saber é um problema. A profundidade do discurso sempre fica menor do que a do decote. Ela, ali, deitando falação sobre Dostoiévski, e você, só pensando em doispeitóvskis... ![]() anotado por Rafael - 11:11 AM
novembro 20, 2003teseTeses também podem ser apresentadas sob forma de quadrinhos. Clica nesse aí para ler a página inteira: ![]() Veio daqui. Dia desse digitalizo o obituário que o Art Spiegelman fez para o Charles Schulz e ponho aqui. Não ficção também cabe em quadrinhos. anotado por Rafael - 11:17 AM
novembro 19, 2003Richard feynman![]() Esses dias recebi por email um anexo deveras inusitado: um capítulo inteiro de um livro, digitalizado e convertido a PDF, circulando livre, leve e solto pela rede. Era parte das memórias de Richard Feynman, um dos físicos de maior renome do século XX, participante da equipe que desenvolveu a bomba atômica e um dos solucionadores do desastre da nave espacial Challenger, em 1986. Basta dizer que Feynman foi um dos ícones escolhidos pela Apple para integrar a coleção de pôsteres Think Different, espécie de afirmação de princípios da empresa. ![]() Se o livro mantiver o humor, a espirituosidade e a argúcia observativa do capítulo que li por pelo menos dois terços de sua extensão, será um dos melhores que me passou pelas mãos. Richard Feynman é fora-de-série no modo como descreve os eventos e empilha os acontecimentos (não há encadeamente, simplesmente os fatos vão se sucedendo, como se o cara estivesse contando a vida, o que, de fato, aconteceu: pelo que soube, o livro -- Surely You're Joking, Mr. Feynman! -- foi a adaptação de um escritor a partir de vários depoimentos colhidos em fita. Vamos ao tal capítulo. Para fins de contexto, estamos em algum lugar na década de 50. Feynman começa contando que certa feita, tinha ouvido de um carona que ele deveria visitar a América do Sul. Como ele não sabia a língua local, decide, pela estatística, aprender espanhol. No dia da primeira aula, vê uma Ao chegar no Brasil, é recepcionado com o anúncio da sua escala Recife-Rio sendo cancelada, e recebido pelo padrasto do grande físico brasileiro César Lattes (seu contato no Rio de Janeiro), sua esposa e um amigo, que lhe recomendam: "por que você não relaxa -- você está no Brasil!" Sem alternativa, Feynman acaba ficando em Recife até o próximo vôo, onde acha tempo para uma cena inesperada: um carro caído num buraco exatamente do seu tamanho. Os operários não tinha colocado nenhum tipo de aviso de retorno, por conta da obra. Primeira observação de Feynman sobre o Brasil: "quando nós cavamos um buraco, colocamos todo tipo de sinal de retorno e luz piscando ao redor. Aqui, eles cavam o buraco, e quando o dia Ao encontrar Lattes enfim, no Rio, Feynman precisa agendar o horário em que dará as aulas, de manhã ou de tarde. Cesar Lattes lhe afirma que os estudantes preferem de tarde. "Então marcaremos de tarde", raciocina Feynman. Lattes retruca, "mas a praia é melhor de tarde, então por que você não dá as aulas de manhã para poder aproveitá-la à tarde?". Feynman começa a entrar em parafuso: "mas você disse que os estudantes preferiam de tarde", apenas para receber o golpe final, "não se preocupe com isso. Faça o que é mais conveniente para você! Aproveite a praia de tarde". A segunda observação de Feynman merece inscrição noutro ladrilho, já se arrependendo da loira penumática: Então eu aprendi que deveria ver a vida de um modo diferente do que o de onde eu vim. Primeiro, eles não estavam na mesma afobação que eu. Segundo, se é melhor para você, não importa! Se eu tivesse aprendido essa ![]() Quando começa a dar aulas, ele nota que não entendia o português que os alunos falavam, e o mais interesante era que, por mais errada que fosse a pronúncia e a gramática deles, entendiam seu inglês. Richard é convidado, Armado da papelada, o físico se manda para a Academia e põe-se a escutar, junto com a platéia. O primeiro palestrante, um químico, levanta-se e dá sua palestra... em inglês! Mas um inglês com uma pronúncia tão ruim que Feynman não entende patavinas, embora todo mundo ao redor entenda, porque, segundo ele, todos tenham a mesma pronúncia ruim. Para sua completa estupefação, o segundo palestrante se levanta, caminha para o palco e fala... em inglês também! Quando chega sua vez, Richard pede desculpas e diz que não tinha percebido que a língua da Academia era inglês, que tinha preparado a apresentação em português e que ia dar a palestra em português. Depois dele, o próximo Problemas de língua à parte, Richard Feynman conta ter se afeiçoado muito à terra e, depois das 6 semanas da primeira viagem, volta para um perído de 10 meses, a ministrar palestras, sob contrato da Universidade do Rio, que, segundo ele, não lhe pagou até hoje... Feynman se hospeda dessa vez no hotel Miramar, na praia de Copacabana -- como 99% dos turistas tradicionais -- e após uma viagem pequena, decobre que seus pertences haviam sido mudados para um quarto no corredor perto da A grande virada dessa estadia acontece quando um conhecido da embaixada dos EuA, sabendo que ele gostava de samba e queria conhecer mais sobre aquela música, o leva para conhecer um regional, que ensaiava no apartamento dele apartamento toda semana. Feynman vai tomando contato com as propriedades de cada instrumento típico: "One had a tamburine called pandeiro, and another had a small guitar...I kept hearing the beat of a drum somewhere, but there was no drum!...I figured out it was the tambourine, which the guy was playing in a complicated way". ![]() Bem informado, Richard Feynman observa que, no Brasil, "eles não lançam discos novos ou músicas novas o ano todo, eles lançam tudo de uma vez no Carnaval" e descobre que o porteiro do hotel era compositor numa escola de Richard ficare tão chateado, se sentindo tão mal, que passa a praticar o baticum o tempo todo: leva a frigideira para passear na praia e fica batucando sem parar, onde vai, leva a frigideira para batucar. Um dia, quase sem perceber, o resultado vem: o líder da banda escolhe alguns músicos e os coloca num carro, para irem até um lugar perto de uma ladeira, onde iriam tocar (Chapéu Mangueira, no Leme? Uma subida da Avenida Niemeyer, Um dia, o líder da escola de samba leva a turma para praticar enquanto anda, já pensando no desfile carnavalesco. Sem perder o ritmo, vai conduzindo a banda para fora do canteiro de obras, entrando "numa rua que tinha bonde e carros" (ninguém menos do que própria Avenida Nossa Senhora de Copacabana!) e, em seguida, na direção da Avenida Atlântica. Feynman entra em pânico: "Jesus! Ele não pediu permissão, não falou com a polícia, não fez nada. Ele apenas decidiu que a gente vai sair na rua!". É quando ele, mais uma vez, exercita seu magnífico poder de observação dos fenômenos, registrando excelente exemplo da caordicidade no sabor brasileiro: todo mundo na rua se assanhou. Voluntários da platéia levantaram um cordão de isolamento com uma corda em torno da banda. Pessoas nas janelas, todo mundo queria ouvir, era muito excitante! Um policial viu o que estava acontecendo e começou a desviar o tráfico. "Tudo era informal. Ninguém fez preparação nenhuma, mas funcionou bem... os pedestres se acumularam e o transito engarrafou, mas estavamos indo muito bem! Nós andamos pela rua, as esquinas, e por toda a maldita Copacabana, aleatoriamente!". Dee Hock gostaria de ouvir essa. Feynman permite-se um pequeno momento de emoção ao narrar como tinha gostado de assistir ao samba na viagem anterior ao Brasil, junto com um grupo de observadores, e que, dessa vez, ao ver a bateria parar numa praça em No dia do desfile de carnaval, o garçom do hotel, no jantar, foi convidá-lo para assistir a um desfile na praia, e meio sem jeito, Richard Feynman pede desculpas, dizendo que não poderia comparecer. Tinha um último ensaio com a banda, dessa vez fantasiado, e nao queria decepcionar o garçom insistente. Feynman dirige-se ao local combinado, onde é levado a se vestir com uma fantasia, e a banda sai desfilando enquanto toca, como antes, pela Avenida Atlântica, em meio a centenas de espectadores. Lá pelas tantas, no meio do desfile, ele ouve a voz do garçom a gritar, do meio da turba: "O PROFESSOR!" Só então Feynman identifica que ele estava participando do próprio desfile ao qual fora para assistir momentos antes... Sua última observação é a de que ![]() O capítulo termina com Richard Feynman dando uma pichada feia, merecida, nos métodos de ensino de física brasileiros, completamente baseados na decoreba e sem a necessária compreensão dos conceitos a que se referiam. Moral da história 1: e tem gente que não acha graça em física. E você que tinha raiva do seu professor.
anotado por Rafael - 07:07 AM
wunder, wunder, wunder!Dando seguimento às atividades expansionistas, os wunderblogs fagocitaram dois dessa vez: Pró-tensão, do César Miranda e o Daniel Pellizzari, que eu prefiro citar pelo dono porque os blogs dele tem uns nomes muito complicados, que além disso mudam a toda hora... Com isso eu sepulto de vez a pseudo-campanha de entrada nos Wunderblogs, que nunca chegou a decolar. A bem da verdade, eu já sabia -- pensem naquele torcedor da geral, desdentado e com amisa do Flamengo, segurando um Hohohoho. anotado por Rafael - 06:36 AM
novembro 18, 2003depois, falam que sou eu...Nota publicada na coluna Gente Boa de ontem, com grifo meu: Dono do Castelo das Pedras, central do funk na comunidade de Rio das Pedras, Geiso Turkes está impressionado com a quantidade de turistas estrangeiros que tem freqüentado sua casa aos domingos. Ele diz que agências de viagem estão aproveitando a fama de pacífica da favela para recomendar os bailes aos gringos que vêm ao Brasil atrás de programas antropológicos. anotado por Rafael - 11:27 AM
Duas efeméridesDuas efemérides não podem ser ignoradas: os 10 anos da revista Caras e a revelação de segredos de alcova do ex-ministro Delfim Netto à revista IstoÉDinheiro. Seria injustiça dizer que Caras ocupou a preferência das cadeiras de barbeiro com o fim da Manchete, pelo peso simbólico que ela passou a ter nas colunas de opinião. Nenhum alvo é mais fácil de ser atacado pela esquerda festiva, nenhuma publicação deu tanto a cara a tapa antes; para onde mais Denilma Bulhões posaria com a toalha com que costumava chicotear o marido? Qual outro semanário alcançaria tal excelência na retórica de falar sem obrigatoriamente dizer? Em que outro país tal edição faria tanto sucesso? Pois alcançar dez anos de publicação num período economicamente nem tão conturbado não seria tão expressivo se o número comemorativo não viesse com suas quase 500 páginas pesando quase um quilograma, tipo de publicação que se encontra numa Vogue americana, numa FHM inglesa mas que no Brasil, deixa eu ver, assim, nunca existiu. Quem se lembrar de alguma que valha o naipe, avise, porque minha memória não recorda nada nem de perto semelhante a tamanha imponência. Como disseram aí, "numa época em que o jornalismo está financeiramente quebrado, a festa de Caras dá o que pensar". Com sua carteira de anunciantes arrebentando de tão cheia, não é de se espantar o surgimento de cópias como IstoÉGente, Quem Acontece e outros bichos muito loucos. A entrevista de Delfim Netto deve ter sido suscitada pela recente publicação do livro do Elio Gaspari, que ao evitar o envio de cópias antecipadas para a imprensa, provoca essa série de "explicações ao que está escrito ali", ainda longe de se encerrar. Delfim foi o cidadão civil mais poderoso do Brasil por quase uma década, o que mais vezes apareceu na capa da Veja e o maior fornecedor de matéria-prima para humoristas, sobretudo caricaturistas de seu período. Pelo menos dois livros, se não me engano, fazem referência a ele no título, O Dia em que Comeram o Ministro, no qual Fausto Wolff narra como o arrocho econômico levou os populares a um acesso de canibalismo, e O Quiabo Comunista, no qual Carlos Eduardo Novaes goza o fato dele ter atribuído a inflação ao aumento do preço do quiabo, convertendo o legume em elemento subversivo... Assim como a fita da assinatura do AI-5, ou as declarações de Geisel apoiando a tortura, esse tipo de entrevista serve para acabar com os panos quentes revisionistas geralmente utilizados na relativisação de atitudes históricas. Tá lá a canetada que deu origem à Transamazônica. Tá lá o esquema de manipulação utilizado para reduzir os índices da inflação. Tá lá a confissão de Delfim Netto, que confessa como foi "oportunista" ao aproveitar o terror do AI-5 para baixar, sem ouvir "um pio de reclamação", um pacote econômico que deitou regras sobre mercado de capitais e sistema financeiro. Curioso comprovar que, apesar de ter livrado o país politicamente do controle marxista, o período dos generais foi pródigo em interferências do governo na economia, por exemplo, ao manter a Perobras fechada a parcerias a despeito dos alertas do ministro francês Giscard d’Estaing, em 1973, na véspera da formação da Opep, mostrando que o receituário liberal para as finanças não soube ser seguido. Roberto Campos foi um que ajudou a criar estatais neste período. Ou seja, além de ter se estendido mais do que o necessário até o retorno para a democracia, o período militar ainda manteve a economia brasileira fechada por tempo demais que o saudável. anotado por Rafael - 10:25 AM
novembro 14, 2003Adorei te conhecerOs Wunderbloggers são realmente um lordes. Se você acha que eles estão fazendo um tipo ou interpretando um personagem, não sabe o quanto está enganado. (Lisandro Gaertner) A principal vantagem do homem sobre os animais superiores é sua capacidade de esquecer. (Mozart)
Paula, eu e Adaílton Persegonha conversando numa mesa de canto, no comecinho da noite; Mozart mesmerizando a roda do Bruno, Bernardo, Anna e do Polzonoff com sua filosofia etílica; Augusto Sales expondo idéias do projeto Paralelos para o Alexandre Soares Silva; Paula Foschia recebendo convidados e Claudio Lampert distribuindo autógrafos a três por quatro; Luis Eduardo Matta e Lisandro exercendo o esporte predileto, quando da minha ausência: me difamar; Mariana Newlands conversando comigo sobre as neuroses do Ivan Lessa; Lisandro envolvendo em seu novo plano de domínio mundial sucessivamente o LEM e o Mozart... Ainda encontrei um ex-colega de colégio, que baixou ali por ser amigo do Lampert, provando que no Rio de Janeiro só existem mesmo umas 40 pessoas (segundo a última contagem). Aguardo os relatos do evento paulistano, embora duvide que consiga ser mais agitado... :)
anotado por Rafael - 01:00 PM
O gancho para minha coluna dessa semana no Sobrecarga foi a presença de reedições de Ronin e Asilo Arkham nas bancas, para falar um pouco da explosão dos quadrinhos na década de 80. Faz quinze anos! anotado por Rafael - 12:52 PM
novembro 13, 2003de pedra a vidraça![]() Uma das instituições do mundo corporativo é a pelada de quarta à noite, porque é onde se cria a ilusão de que todo mundo é igual dentro da empresa, a despeito dos cargos terem nomes diferente, como "presidente" e "auxilar administrativo". Rolou o caroço, são dois times e o que conta em campo é só a habilidade com a pelota; peão pode dar esporro no chefe se ele estiver querendo comandar demais o time. Ao fim, todo mundo sai satisfeito: o andar de cima, por ter cumprido a taxa semanal daquilo que o erreagá chama de integração; o andar de baixo, por guardar a secreta satisfação de, no futuro, ao cruzar com um diretor, sorrir ao lembrar que já meteu muito bico naquelas canelas. Ao lançar um livro de ficção, o Polzonoff pede caga na pelada semanal, passando de pedra a vidraça: ele, que fez notoriedade com crítica literária, dá chance aos operadores de xerox de lhe enfiarem bicos nas canelas. Alô você que já foi alvo das críticas dele! Hoje não é quarta, é quinta, mas tem caroço rolando na Lapa! anotado por Rafael - 01:32 PM
novembro 12, 2003acerola & laranjinhaExibido o último episódio de Cidade dos Homens, ontem na Globo, dá para tecer alguns comentários sobre a, como nosso cacoete de enlatado nos ensinou a chamar, segunda temporada da série. Acho que o seriado conseguiu superar o grande desafio de qualquer seriado, qual seja o de ultrapassar seu mote inicial, expandindo seu universo ficcional. No caso de Cidade dos Homens, o risco era limitar-se ao mundinho do conflito morro-asfalto, da dinâmica do tráfico e como ela afeta a comunidade, do binômio humor & criatividade como tábua de salvação para a carestia. Conseguiu ao escolher a praia como principal pano de fundo, já que ela se tornou praticamente o último refúgio do proverbial "encontro de classes" que sempre caracterizou o Rio de Janeiro. O Maracanã há muito não tem público suficiente para motivar esse encontro, e enquanto houver Eurico Miranda numa diretoria e um time carioca na segundona, o futebol não será o mesmo espetáculo do povo -- povo aqui no sentido de toda a população, sem qualquer conotação demagógica -- que o tornou o esporte mais querido do país; e o Carnaval, desde a ascenção dos desfiles na Apoteose, transformou-se numa competição ambulante de musicais da Broadway aditivados (sim, ainda há congraçamento nos blocos de rua, mas nestes a frequência é caracterizada mais pela tradição do que pelo universalismo). De modo que restou a praia como exemplo de local, programa, hábito de encontro entre pobres e ricos no Rio, a escolha ideal para situar os acontecimentos (o morro era o habitat original; o baile funk foi utilizado em uma história e Brasília, em outra, fora de contexto). ![]() É meio chato dizer, mas é inegável que dona Kátia Lund e seu Fernando Meirelles pisaram na bola, e dessa vez feio, ao retratarem o encontro entre pobres e ricos, entre negros e brancos, alternando o erro entre os estereótipos mais banais e a culpa de classe média: em todos os casais interraciais, o negro era sempre o homem e a mulher, a branca; em todas as situações envolvendo "gente do morro" e "do asfalto", era sempre o último a cometer os piores delitos -- é o playboy parafinado quem rouba o joguinho eletrônico da loja (no episódio dos japoneses), são os riquinhos donos de pitbulls que puxam briga com a molecada do morro (no episódio passado na praia), a título de retratação, porque um deles havia sido cortado, numa onda, por um surfista do morro, dias antes -- insulto ao mesmo tempo comum e grave entre a turma do surfe, aliás. Ou seja, a classe média é má, é covarde e rouba, o pessoal da favela é honesto e gente boa, pobre mas limpinho. Apesar dos conflitos que acontecem, vários casais rico-pobre se formam a toda hora, repetindo mais um clichê da sociologia nacional, o de que as nossas diferenças acabam no quarto, em cima da cama (tão clichê que virou letra de música breganeja). Quando rompem o estereótipo, é para colocar todas as garotas da série tomando a iniciativa em encontros amorosos, seja na praia, seja no shopping; sejam ricas, sejam pobres. Alguém já viu isso acontecer, assim como regra? O ponto alto dessas pisadas na bola deu-se na história passada na praia, quando a menina de condomínio, depois de ficar com o Laranjinha, resolve levá-lo para casa e apresentar aos pais. Laranjinha fica com um pé atrás, primeiro porque acha que seria barrado na portaria, segundo porque tem dúvidas sobre como seria recebido pela família da menina. Ela responde: "que isso, meu pai vai te adorar, ele é antropólogo", ao que ele diz que não iria servir de atração, vira as costas e vai embora. Involuntariamente ou não, acabou sendo retratada a maneira exata como grande parte da classe média vê o pessoal da favela: de maneira alegórica, simbólica, diferente: a meio caminho entre o experimento de laboratório e o freakshow -- nunca como a um igual, seres humanos, simplesmente gente. Ao ver o seriado, não me saía da cabeça o ensaio Radical Chic, o trecho em que Tom Wolfe descreve como os novos ricos de Manhattan lidavam com os Panteras Negras em suas festas. Não é à toa que músicos como Marcelo D2 ou Seu Jorge sejam convidados e apareçam em tantos lugares da zona sul... Só que eles não sabem dos riscos que correm em brincar de bamboozled, alertados pelo Spike Lee. Além da linguagem, dessa vez adequada na medida certa (as gírias não impedem que se entendam alguns diálogos, como no filme Cidade de Deus), o grande trunfo dessa temporada foram as caracterizações de Acerola e Laranjinha. Quando os pintaram, no ano passado, como uma reencarnação de Oscarito e Grande Otelo, como símbolos típicos do Brasil, achei deveras exagerado; agora estou convencido de que são personagens fortes e bem definidos o suficiente para carregarem sozinhos qualquer história. Acerola é o estóico, o que vai buscar a bola no mato depois de isolar na pelada, é o que se entrega à polícia para livrar a cara do amigo inocente preso, é o que mantém a coreografia no baile funk quando todo mundo só quer pegar uma mina; é o colega leal, meio medroso e desajeitado (diria melhor: tosco) que está sempre querendo rebocar uma nêga pro canto -- mas nunca consegue, e nem por isso vira um sujeito amargo; basta a singeleza de uma pipa voando na laje para que o sorriso lhe volte ao rosto. Laranjinha é o dionisíaco, que defende os amigos mesmo quando estão errados, que transpira charme em tudo o que faz, ao chamar seu bico como entregador de pranchas de surfe reformadas de Little Orange Delivery, ou ao roubar um celular no calçadão só para ligar para a namorada e depois devolver para a dona. É quase um romântico. Os dois têm potencial para serem desenvolvidos em projetos de maior fôlego, inclusive em outras áreas -- é possível que dêem bons contos ou novelas. Nos EuA, já teriam um desenho animado com seu nome. anotado por Rafael - 08:46 AM
vizinhoE para quem ainda não sabe, o camarada MaGioZal já está atendendo na porta ali do lado. anotado por Rafael - 07:03 AM
esclarecimento iiAlguém pode estranhar a alta frequência recente de notas sobre os Wunderblogs por aqui; não há por que. Sempre rolou, mais do que respeito ou gosto, uma admiração mútua e creio que o motivo maior disso foi o fato deles, e eu, termos sabido separar o sujeito do criação, a opinião do opinador, nunca havendo conflito em disparidade de ponto de vista. Considero essa uma característica básica para o convívio, e ainda que pareça óbvia, nem sempre é universalmente compreendida. Na última semana, por exemplo, o cartunista Jaguar apareceu em duas entradas Na Cara do Gol. Na primeira, falava eu das tiras dos Chopniks, certamente um dos quadrinhos mais engraçados e representativos de uma época que já houve neste país; na segunda, mostrava seu papel na demolição da carreira de cantor de Wilson Simonal. Ter sido o responsável pela segunda não o impediu de tê-lo sido também pela primeira. Bom comportamento e talento não precisam andar de mãos dadas; parece óbvio, mas como eu disse, isso nem sempre é recordado. anotado por Rafael - 07:02 AM
esclarecimento iNão faço mais parte do Conselho Editorial do projeto Paralelos. Continuo como colaborador eventual, a convite dos editores. Diferenças de ponto de vista em relação à orientações editoriais motivaram minha decisão. anotado por Rafael - 06:46 AM
novembro 11, 2003Grandes momentos dos comentários de blogsDando seqüência à imortal série Grandes Momentos dos Comentários de Blogs, esse diálogo na linha não cutuca com vara curta que a onça é feroz, direto do Bricabraque: Posted by Leo Caldi at novembro 7, 2003 10:15 PM
Beijos, Posted by Elesbão at novembro 10, 2003 01:12 AM Com o qual Elesbão mostra-se duro concorrente ao prêmio de maior finesse da semana, ao lado do Sergio Faria, e me inspira a fazer dessa a semana temática da etiqueta nos blogs. Para padrinho, será convidado o Ivan Lessa. anotado por Rafael - 09:52 AM
ê povinho bundaPescado da coluna Gente Boa de hoje, n'O Globo: Tufi Duek, dono da Forum, que lançou camisetas com apenas uma palavra, apresentou o ranking das preferidas. Foram vendidos R$ 300 mil em camisetas. É boa fonte para entender o brasileiro. As preferidas foram as palavras de vaguidade existencial: “Fé” em primeiro, “Esperança” em segundo. A menos vendida era a única que convocava ao esforço físico. Quase ninguém comprou a camiseta onde estava escrito “Luta”. Comentário único: se tivessem produzido o modelo sugerido pelo Ruy Goiaba e pelo Marco Aurélio, os número seriam outros... anotado por Rafael - 09:45 AM
Demorou mas foi atualizada minha coluna no Sobrecarga. Dessa vez, sobre a proximidade do último número de Cerebus, o 300, a maior odisséia de todos os tempos nos quadrinhos, a qual irá ser encerrada com a morte do personagem título (pelo menos é o que se promete desde 1979...). anotado por Rafael - 06:50 AM
novembro 10, 2003concorrência deslealNo recente aniversário de dois anos do Pura Goiaba, tive de concordar com a observação de que às vezes disputar com o Ruy é covardia. A bem da verdade, todos o wunderblogs resolveram tirar seus coelhos das cartolas nos últimos dias; comecemos com o próprio bloguista Goiabal: Descobri que o sundae-bomba que eu tomara numa lanchonete de Cidade Jardim estava tendo efeito imediato e devastador antes mesmo que eu chegasse em casa. Parei o carro na frente da então Sala Cinemateca e me dirigi à bilheteira. "Boa tarde", disse a moça. "O senhor veio ver o filme da mostra?" "Não, senhora. Vim só dar uma cagadinha. Onde é o banheiro?" "Ah, não. As pessoas vêm aqui para assistir às cagadinhas dos diretores, não para fazer as suas próprias. Terei de lhe cobrar o quádruplo do preço do ingresso." "Minha senhora", eu disse, entredentes, com o melhor argumento que a cólica me permitia, "não sou cineasta, mas sou um artista conceitual e performático. Vou expor na Bienal minha obra no banheiro da Cinemateca, dando a vocês os devidos créditos. Não se pode barrar a arte que vem das entranhas." Comovida, a bilheteira assentiu -e foi assim que contribuí para a produção cultural da mostra. E a Bienal nem sentiu falta das minhas esculturas. O estreiante Radamanto faz jus à camisa não perdoando bola limpa na pequena área: Depois do par-ou-ímpar, escolhia sempre “campo”. Nunca entendi quem escolhia “bola”. Assim também prefiro que o Glorioso jogue em casa. Ouvir minha torcida gritando “timinho” para o Corinthians me deu uma satisfação maligna, como de uma criança observando a aranha chupar a mosca. Sempre ouvi o Zico dizer que o pior castigo para adversário violento era ir lá e fazer três, quatro, cinco gols; era um artista, um criador preocupado com a beleza de suas jogadas, e sabia o quanto essa consciência estética se mostrava eficaz na busca do gol (tempos depois comentaristas sem noção defenderiam a separação entre eleza e eficiência no futebol, como se fossem auto-excludentes, e não o contrário, complementares). Lembrei dele quando li esse soneto do Alexandre Soares Silva. Notem as rimas e os decassílabos: Sou insultado por uns dez mujiques – Neste mundo alguém tem que ser, ué. Como old boy e old chap!!! Seu mané!!!” (Além, talvez, de discutir Matrix), Poderia citar ainda o Felipe falando sobre ficar em casa, ou o de Polli comentando sobre a unidade das religiões, ou as considerações sobre a culpa e a imortalidade do Mozart, ou mesmo La Rochefoucauld na sala de bate papo do Fabio... Depois dessas, a vontade é de pedir substituição e me dedicar exclusivamente aos desenhos... anotado por Rafael - 10:34 AM
catarro reduxNa Rússia tiraram 12 caras do fundo de uma mina e foi uma festa. Outro dia eu tirei do fundo de uma mina e ela ficou puta. Sergio Faria, com a finesse de sempre, mostrando que não desaprendeu. anotado por Rafael - 10:19 AM
Com a palavra, sua excelênciaVi uma charge fora-de-série do Aroeira n'O Dia de sábado, que não encontrei de jeito nenhum na internet hoje, nem no Charge OnLine. Apesar de colocarem na primeira página, disputando espaço com traficante e atriz-e-modelo, charge não tem a mesma importância da coluna de opinião estúpida ou da notícia que de tarde embrulha peixe. Como não encontrei, vou narrar a charge agora, iniciando uma modalidade Na Cara do Gol de tradução exclusiva. Era assim: um enorme baseado com olhinhos e bracinhos, qual personagem Disney, sendo entrevistado por um microfone. Na parte de cima, balões chamavam o seguinte diálogo: -- Seu "cannabis", é verdade que o senhor fez apologia às modelos e atrizes? O diálogo continuava, mas para mim foi suficiente. O melhor comentário que li até agora. Em tempo: 100 anos de Ary Barroso, 90 de Vinicius de Moraes, a morte da Rachel de Queiroz e a imprensa só acha espaço para pseudo-escândalo de auto-promoção. anotado por Rafael - 10:17 AM
novembro 07, 2003lomographiaTá rolando uma exposição de lomografia na Urca. O camarada Augusto Sales é um dos expositores e deu a melhor (e a única, pelo que procurei) explicação do que seja isso para você que não sabia -- que nem eu. anotado por Rafael - 08:12 AM
gonzo.com.brTá rolando redondo o novo empreendimento do Eduf, a revista eletrônica Gonzo, cuja linha editorial lembra, assumidamente, a Fraude dos primeiros tempos -- leia-se: quando todo o conteúdo era feito pelo Eduf. Didaticamente, ele colocou no ar um texto, requentado da Fraude, explicando o que é jornalismo gonzo pros mais desatentos. Eu, que nunca tentei antes, arrisco aqui uma definição sobre jornalismo gonzo: é aquele tipo de jornalismo onde o assunto da reportagem (a fonte dos proverbiais "o que, quando, onde, por que, como") disputa o foco da redação com a própria feitura da reportagem, desde a definição de pauta até o colocar das idéias no papel -- sem deixar de levar em conta que, numa reportagem gonzo, é comum o não cumprimento do último estágio, qual seja o de redigir o texto final. Para ficar num rótulo banal, é uma espécie de meta-jornalismo. Outras coisinhas importantes a frisar: numa reportagem gonzo, nem sempre a pauta precisa ser bizarra: pode ser um assunto absolutamente comum, abordado sob ótica alterada. E o humor presente na reportagem não é um fim, mas um efeito colateral e involuntário da narrativa. Ou seja, pode ser engraçado de se ler, mas não necessariamente o foi ter vivido aquilo. anotado por Rafael - 08:09 AM
novembro 06, 2003imperdívelO grande meme dessa semana: Pelezinho Voador. (Eu sei que a idéia não é nova e que até existem fóruns onde o pessoal fazem variações infinitas em Fotoxope de uma imagem, mas a bicicleta é altamente infecciosa) anotado por Rafael - 12:10 PM
wilson simonalQue tipo de lembrança uma olhada de esguelha nas bancas pode trazer. Você corre o olho pelas chamadas de capa, descobre que Wilson Simoninha foi o entrevistado da última Playboy e constata que a chamada escolhida para a capa é um eco que julgava encerrado: "Meu pai não foi dedo-duro!" Wilson Simonal ficou quase 30 anos fora da imprensa e agora parece não querer mais sair de suas páginas, assombrando-as qual cão dos Baskervilles. Eu achava que ele já estava livre de tudo isso, desde aquele show... No primeiro semestre de 2001 aconteceu no Canecão a primeira apresentação de gala dos filhos de Simonal, Max de Castro e Wilson Simoninha, com direito a notícia em jornal anunciando a boa nova e consagração da crítica. Fui conferir, e o que vi superou por completo as expectativas: lá pelas tantas, Simoninha interrompeu a sequência tremendamente animada de músicas, assumiu um ar grave, disse que faria uma homenagem a uma pessoa muito importante, e cantou Tributo a Martin Luther King. As luzes se apagaram, deixando o público apenas na presença das imagens (e do som) em arquivo de Simonal, projetadas nos dois telões. Uma exposição longa e intensa o suficiente para envolver emocionalmente o público, varrendo de sua memória qualquer ruído de informação... Depois de quase três décadas ausente de qualquer retrospectiva musical na televisão, achei que enfim Simonal tinha se livrado do ostracismo artístico e registrei minhas impressões nesta notinha de uma seção chamada Peristálticas, que a gente fazia na época: NINGUÉM SABE O DURO QUE EU DEI O que mais me agradou, finda a redação, foi o título que escolhi, pinçado de uma estrofe famosa de um sucesso do Simonal, portanto uma referência na linha vara curta. O tom era duro e acusativo e pretendia reacender o quebra-pau sobre o nome do Simonal, que sabe dessa vez esclarecendo o que nunca fora evidente. Pelo menos Millôr Fernandes, que recebia aquelas notinhas, se manifestou: O caso do Simonal é mais complexo do que simples deduragem da esquerda - que inúmeras vezes foi mais dedoduro do que a direita. Em 1970 Wilson Simonal era um dos cantores mais populares do Brasil -- leia-se aqui reger o Maracanãzinho inteiro cantando Meu Limão, Meu Limoeiro -- e garoto propaganda da Shell quando viajou ao México, acompanhando a seleção brasileira como um amuleto de sorte ambulante para a Copa do Mundo. Segundo Nelson Motta no livro Noites Tropicais, quando voltou ao país, Simonal descobriu um desfalque em sua empresa e, ao invés de acionar um advogado ou investigador, chamou um capanga amigo seu do DOPS para "exemplar um auxiliar", no melhor estilo das vendetas mafiosas. A notícia chegou à imprensa e em 1972 O Pasquim publicou uma reportagem acusando o cantor de delatar subversivos à ditadura, e em seguida, iniciou o que Simonal chamou uma campanha de perseguição covarde, o começo do que seriam 30 anos de esquecimento. Curioso, certa vez dei um pulo na biblioteca do CCBB para conferir a coleção completa d'O Pasquim que lá está, e o que encontrei foram edições e mais edições em série onde pelo menos meia página é ocupada por um cartum, quase sempre jocoso, onde se prega o indelével rótulo de dedo-duro nele. Sua queda aos infernos foi dramatizada por Millôr Fernandes numa peça de 1981, onde o personagem Beto "só não é o Simonal por causa do nome", segundo L.F. Veríssimo. A perda de reconhecimento popular e a manipulação da opinião pública que o fizeram relegado a shows em cafofos de quinta categoria, retratadas por Millôr na peça, foram apontados na imprensa como motivos para o alcoolismo que o cantor teria desenvolvido nos anos que se seguiram. Meados de 2000, começaram a brotar nos jornais notas sobre seu estado de saúde precário, após sobreviver a uma crise de cirrose hepática, a mesma que acabaria tomando sua vida, pouco depois. Seu drama particular, associado ao lançamento dos elogiados primeiros discos de seus filhos Max de Castro e Simoninha, era uma pauta boa demais para não ser explorada pelos abutres da mídia. Houve tempo para dar uma entrevista canto-do-cisne, onde falava tudo o que ficara preso em sua garganta nos decênios anteriores, e logo depois, faleceu. Nessa época, em lance de absurdo explicado apenas pelo desespero, a esposa do cantor estava empenhada em obter junto à justiça federal um documento atestando que Simonal não fora dedo-duro do período militar -- como se algum governo fosse manter um registro oficial de delatores, como se fosse viável emitir tal sorte de documento... Dois anos depois, li na TelescÓpica a notícia que a Comissão Nacional de Direitos Humanos do Conselho Federal da OAB concluiu que Wilson Simonal era "inocente da acusação de ter agido como alcagüete da polícia política". Antes dessa conclusão sair, sua biografia já passava por um período de reabilitação, como costuma acontecer na proximidade da morte, cujo desfecho Simonal não viveu para testemunhar. Durante o enterro, muitos de seus desafetos relativizaram seus pontos de vista em função de perspectivas históricas e políticas nas declarações que fizeram. No entanto, na entrevista que concedeu à revista Bundas após o lançamento de Noites Cariocas, Nelson Motta entrou num bate-boca com Ziraldo exatamente sobre a figura de Simonal; Nelson defendia que Simonal fosse o chamado "apolítico", mas Ziraldo não arredou pé da argumentação que eram tempos diferentes, de um lado contra o outro. Pesados todos os dados, sempre me soou impróprio que gente como Ziraldo e Jaguar, cujo trabalho vive de exposição pública e reconhecimento autoral, tenham escolhido para alguém na mesma condição deles, um cantor, o pior de todos os castigos: o esquecimento. O mesmo esquecimento do qual a imprensa tentou se redimir, tardiamente demais. Em tudo quanto foi obituário, reproduziram-se as palavras do Jaguar, que já confessara veladamente ter "ajudado a destruir a carreira de um cantor", e sem as quais é impossível encerrar qualquer texto sobre a história de Wilson Simonal: "Foi um impulso meu. Ele era tido como dedo-duro. Não fui investigar nem vou fazer pesquisa para livrar a barra dele. Não tenho arrependimento nenhum." anotado por Rafael - 10:01 AM
novembro 04, 2003fausto wolffMais engraçado do que descobrir que que o inimigo do imperialismo Fausto Wolff tem uma página na rede, onde o uso de termos estrangeiros é banido (casa do sítio ao invés de homepage, sítio no lugar de site) é cavucar um pouco e encontrar uma crônica do Polzonoff por lá. A gente brinca e tal, mas não esquece que debaixo das camadas de ressentimento que cobrem o articulista do Pasquim21 existe, mais do que um romancista elogiado, um dos mais interessantes jornalistas que esse país viu. Quem leu O Dia em que Comeram o Ministro ou ABC de Fausto Wolff sabe disso. anotado por Rafael - 12:42 PM
modeloA citação do mês eu peguei lá no Blog0news: Vamos continuar tentando prestigiar a família americana, para que fique mais parecida com os Waltons e menos parecida com os Simpsons. anotado por Rafael - 12:33 PM
novembro 03, 2003chopniksTira desenvolvida por Jaguar e Ivan Lessa para o lançamento da cerveja Skol, se minhas fontes estão corretas, em mil novecentos e sessenta e qualquer coisa (minhas fontes estão uma porcaria, isso sim), para os principais jornais cariocas -- JotaBê e O Globo. Depois o patrocínio acabou e a dupla levou os personagens para O Pasquim, onde eles podiam sentar no bar que queriam e beber a cerveja que melhor lhes aprouvesse. Muitos tipo ali realmente existiam, eram companhia de praia e de papo, embora Ivan Lessa pedisse para não incluir o nome dele por vergonha. As histórias longas estão entre as mais engraçadas da produção nacional; as curtas criaram ditos imortais, como esse aí debaixo, atribuído ao Paulo Francis. Clica na figura para ler as tiras, e perdoa a digitalização capenga. Até outro dia a única menção do Google a "chopniks" vinha desta página; não tentei de novo. Alguém aí tem uma coleção competa do Pasquim para digitalizar, tratar e relançar em álbum de luxo? ![]() anotado por Rafael - 10:08 AM
o império se expandeSUDERJ informa: Radamanto, o flagelo de Sodoma, o homem das mil identidades, passou a encarnar as cores do universo Wunderblogs. Dizem as más línguas que eles estão preenchendo as últimas vagas e que o Radamanto teria se aproveitado de uma recém-inaugurada política de cotas para minorias desprivilegiadas, mas eu duvido, ainda que, por via das dúvidas, já considere mandar minha ficha de inscrição, alegando parentesco distante no Uzbequistão. Só tenho motivos para temer um pouco o estranho processo seletivo deles; ao que consta, Radamanto teria vencido os demais concorrentes numa dança das cadeiras -- roubando, mas venceu mesmo assim. Nacaradogol.wunderblogs.com... Já pensaram? Até que não soa mal... anotado por Rafael - 09:49 AM
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Lonely Planet Luis Eduardo me encheu tanto o saco que conseguiu um link só para a página dele aqui. Cataplum!
O Polzonoff EfE Dê ErrE Blógico Lucida Lancis Suspiros de Salvador A-Esse-Esse Vertigem Blog0news Rafa
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