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janeiro 30, 2004concreto no sobrecargaNa coluna desta semana do SoBReCaRga, o título mais jocoso que bolei para escrever sobre Concreto. ![]() anotado por - 08:19 AM
ConfissõesDisse que a amiga do outro era maluquinha, que tivera depressão e tentara o suicídio duas vezes. Dei um desconto ao recordar que ele que desconfiava até de mulher com tatuagem um pouco maior do que uma borboleta na omoplata, registrei e mexi as pedras de gelo no meu copo. Dali a pouco ela chega: loira, alta, sem dúvida bonita, e um pouco exibida; nos olhos, abatia-se a mesma sombra que caíra sobre os da Luciana Vendramini naquele ensaio. Fomos apresentados. Ela foi pegar um kir e me contou como respondeu à gracinha que o drink recebera no balcão: "É legal sim, mas faz mal se tomar junto com o remédio para a próstata". Quando sentou perto e pousou a flute na mesinha de centro, eu vi. As. Duas. Marcas. Brancas. No. Pulso. Esquerdo. Fiquei completamente transtornado quando o taxista contou sua história. Passara seis meses desempregado até arrumar aquele carro; fazia ponto noturno no aeroporto e não raro dava a sorte de pagar a féria do dia com uma corrida até a Barra. Não deu a entender, mas eu percebi que ele estivera desesperado a ponto de topar a semi-escravidão das diárias de táxi. Estava gostando tanto do trabalho que parara de tomar os calmantes e os remédios contra estresse. Foi o único cara que eu conheci que se acalmava no trânsito pesado... anotado por - 08:15 AM
meu nome é zé pequeno!Está reaberta a temporada de glorificação dos marginais. Beira-Mar, fica esperto que a qualquer hora tu voltas para Bangu I, ar-condicionado e celular na faixa. Para que fique claro: eu gostei de Cidade de Deus achei o filme tremendamente bem realizado, mas uma coisa é excelência cinematográfica, outra coisa é apoiar criminoso. Mais informações, desconte os exageros e medite sobre esse texto: Bandidos e Letrados. E esse aqui também. anotado por - 08:01 AM
encrencabilizandoSim, estou me associando à campanha nacional contra os verbos que acabam em "ilizar". Se nada for feito, daqui a pouco eles serão mais numerosos do que os terminados simplesmente em "ar". Todos os dias os maus tradutores de livros de marketing e administração disponibilizam mais e mais termos infelizes, que imediatamente são operacionalizados pela mídia, reinicializando palavras que já existiam e eram perfeitamente claras e eufônicas. (uma dica do PPP) anotado por - 07:59 AM
o dedo do diaEntre 95 e 98 eu lia semanalmente a página do Millôr Fernandes no jornal O Dia, quando aproveitei para tomar contato com as manhas editoriais e de diagramação do periódico. Essa reportagem sobre "o gesto que você faria para o piloto americano" era o tipo de coisa que você só encontraria naquele jornal. anotado por - 07:58 AM
janeiro 27, 2004A batalha dos biscoitos, um case studyNos últimos anos, o frequentador assíduo das praias cariocas se deparou com uma nova opção de alimentação, ainda que seu sabor e aparência sejam bastante conhecidos. O popular biscoito de polvilho Globo, desde sempre monopolista no mercado dos biscoitos de praia -- categoria que inaugurou, aliás --, ganhou um concorrente: o biscoito Extra. Tendo em vista a nova opção de consumo, o controle de qualidade Na Cara do Gol saiu a campo para, com a rigorosa metodologia e os rígidos padrões que o caracterizam, realizar um test drive, em serviço de interesse público comparando os biscoitos Globo e Extra. ![]() Pontos de Venda e Makert Share Ambos são vendidos pelos mesmos ambulantes, não sendo incomum que um mesmo ambulante ofereça as duas marcas ao consumidor. O incomum é encontrar esse vendedor, já que todos eles são autônomos e demonstram conhecer o gosto do cliente pela presença exclusiva da marca que escolhem. Dentre estes, atestou-se estatisticamente que, para cada 13 vendedores na areia, apenas um carregava somente biscoitos Extra, enquanto os restantes portavam biscoitos Globo, o que representa um market share de aproximadamente 7%. Tal proporção parece exagerada, mas é típica de distribuições de mercado divididos entre duas marcas, quando há desnível de valor embutido entre elas, tal como a divisão de hardware que há entre microcomputadores Apple e Intel/Microsoft. O preço do pacote de biscoitos Globo e Extra é exatamente o mesmo, donde se conclui que não está ocorrendo tentativa de conquista de mercado por dumping, embora o oligopólio possa sugerir uma proposta de cartel. O frequentador praiano não deve se espantar se o preço dos pacotes, notadamente caracterizado por ser a menor (ou a segunda menor) nota em circulação, independente de qual seja a moeda corrente, subir vertiginosamente nos próximos meses. ![]() Branding e público-alvo O uso de cores básicas e quentes cria uma relação forte com o verão, além de facilitar a identificação dos sabores; a simplicidade na composição gráfica dos rótulos e na escolha dos nomes permite a rápida memorização das marcas, mesmo por crianças. Como ir à praia é uma atividade para toda a vida, e como não há contra-indicações de alimentação para nenhum dos dois biscoitos (conforme indica a composição, a seguir) os dois players investem assim, na fidelização de um mercado potencial com décadas à frente. A construção dos rótulos também obedece a um mesmo padrão, com apresentação da marca na frente e informações técnicas no verso, inclusive composição, valores nutricionais e dados do fabricante -- é possivel descobrir, por exemplo, que o biscoito Globo é produzido pela Panificação Mandarino em pleno centro da cidade, na Rua do Senado, o que certamente facilita sua distribuição para a zona sul, em comparação com a fábrica do biscoito Extra, em Olaria. ![]() Sabores, composição e paladar É no paladar que os biscoitos de diferenciam. O biscoito Globo é leve e delicado (ao contrário de seus sucedâneos de padaria) dissolve quando em contato com a boca, assim que a primeira trinca se rompe, deixando um suave paladar de polvilho peneirado no palato; quando misturado com mate, forma uma papa consistente sem ser pesada, onde o que agrada é o contraste da neutralidade do polvilho seco com o travo da folha de mate. Já o biscoito Extra é mais crocante e aerado, consumindo mais tempo para que seus resíduos se dissolvam na boca. É igualmente agradável de se mastigar, ainda que deixe menos vestígios nas papilas, e estes sejam mais amargos do que o agradável. A menos da apresentação em forma de toro, grosseira ainda que lúdica, ambos constituem perfeitos quitutes para qualquer reunião social, tendo-se registrado inclusive a presença na cidade em certos coquetéis de inauguração mais descolados. ![]() (*) Outro uso muito frequente para o pacote do biscoito Globo é o de invólucro para o coquetel molotov de urina, mormente aplicável no Maracanã. anotado por - 07:05 AM
janeiro 26, 2004santa de casa![]() Parece que tá pronto o curta da Toscographics onde o Jaguar e o Fausto Wolff são personagens. Já falei sobre ele há um milênio, quando estava em pré-produção (o curta, não eu). O roteiro é baseado numa crônica de Aldir Blanc, o cronista mais suburbano do Rio de Janeiro (incluindo Nelson Rodrigues? Incluindo), presente no livro Um Cara Legal na 19a. -- se tiver saco depois transcrevo pra cá. Para quem não tiver o livro ou quiser ler o que eu falei quando soube que o curta ia ser feito, vai uma historinha do Fausto Wolff que eu já vi o Jaguar contar mais de uma vez, retirada de uma entrevista antiga: Foi uma maratona, que a Brahma inventou. Os participantes iam do Jardim de Alah até a praça General Osório, parando em determinados bares, em que havia fiscais anotando o que bebiam, ganhava quem tomasse mais chopes até o ponto de chegada. Eu apostei no Fausto Wolff e ele já me chega de porre. Fui reclamar e ele: “Calma, eu tinha que fazer o esquente”. Fausto tomou uns 40, 50, chopes, não lembro mais, e tirou em segundo lugar. O vencedor foi um crioulo, mas na hora de receber ele caiu no choro, disse que não merecia o prêmio, revelando que não era um, e sim dois negões. O cara contou que correu com outro cara muito parecido com ele. Então depois que saíam de um bar, trocavam de camisa, e foram revezando-se até o final da maratona... anotado por - 12:15 PM
mushroom mushroomBadger Badger Badger Badger Badger Badger Mushroom mushroom Argh snake snake snake ooh it's a snake (Tão achando que eu vou ficar com essa porra ecoando na cabeça sozinho? Reclamem com ele) anotado por - 12:09 PM
pré datadosGenial a coleção de bilhetes que o pessoal anexa em pré-datados, avisando a data. Existe um nome específico para esse tipo de impresso? Grande lembrança do Maron. anotado por - 12:08 PM
janeiro 23, 2004frank MillerQuando eu falar sobre narrativa em quadrinhos, é mais ou menos isso que eu tenho em mente:
anotado por - 12:23 PM
jack b. quick + Hqs![]() Jack B. Quick é o melhor personagem que leio em quadrinhos nos últimos anos. Jack B. Quick é um garoto-gênio cujos experimentos científicos sacodem a modorrenta rotina redneck de Queerwater Creek, cidade caipira no interior dos EuA de onde os Waltons (ou a família Buscapé) poderiam ter saído, onde o Gótico Americano poderia ter sido pintado. Já vi o gênero ser descrito como ficção científica sobre um fundo americana, mas é muito engraçado para ser rotulado assim. A história publicada no último número de Tomorrow Stories (#3) é espetacular. Jack B. Quick ganha um gato de presente da mãe e resolve pôr à prova a teoria de que os gatos caem sempre com as pernas para baixo: ele o faz passando manteiga nas costas do gato, afinal, todo pão amanteigado cai sempre com a manteiga para baixo. O resultado é, sem ter lado certo para cair, o gato começa a flutuar, e a subir cada vez mais, já que o rabo acaba funcionando como uma hélice ao girar. Jack B. Quick fica apavorado de levar uma bronca da sua mãe, porque todos os animais de estimação que ele ganhara antes foram vítimas de suas experiências, e corre para casa, na tentativa de improvisar uma clonagem a partir dos bigodes do gato. No caminho, descobre que num dos ranchos vizinhos os porcos estavam começando a pegar em armas e se vestir como humanos desde o bombardeio de radiação do último experimento. Como ele não tem todos os ingredientes necessários para a clonagem, erra na dose de xampu e acaba produzindo uma enorme ninhada de gatos. O problema * * * Outra coisa é que parece estar dando a louca nos desenhistas. Tem uma edição especial do caubói Tex por aí com lápis do Manfred Sommer, e quem fez os lay outs da mini-série Cage, sainda na revista Marvel Max, é ninguém menos do que Richard Corben. anotado por - 12:00 PM
saco de gatos1. Netinho pode produzir filme sobre a vida de Wilson Simonal. 2. Semana que vem estréia na cidade o filme Rio de Jano, sobre o qual já cansei de falar. As animações e o site foram feitos pelo estúdio do Allan Sieber. 3. Leia esse conto do Nelson da Praia. 4. Nei Lopes também tem um blog. O nome dele voltou a ser ventilado por agora por causa da música Andaraí ("No tempo em que Dondon jogava no Andaraí..."), tema da novela das 8. 5. Animação com A Metamorfose de Kafka, desenhada por Peter Kuper. Essas transposições de quadrinhos para a tela parecem uma mistura de cinema mudo com os antigos "desenhos desanimados" da Marvel, mas o traço de Peter Kuper vale a ida. Dica da Ana. 6. No ar, coluna nova no SoBReCarGa: Frank Miller essencial, sobre os anos de formação desenhando e roteirizando o Demolidor, ora sendo republicados. Imperdível. Ainda lá: o dia em que o Super-Homem e Muhamad Ali saíram feio no braço. anotado por - 07:32 AM
janeiro 20, 2004sebastiãoEnquanto Araribóia não chega e está todo mundo na praia, vamos de São Paulo 450 anos: São, São Paulo quanta dor. São oito milhões de habitantes, Aglomerada solidão, São, São Paulo, Salvai-nos por caridade, A família protegida, São, São Paulo, Santo Antonio foi demitido, O país todo de férias, São, São Paulo,
anotado por - 03:08 PM
no arJá está no site da Radio Agência meu texto sobre os 100 anos de Lamartine Babo que o Enio havia pedido. Teria ficado com mais vergonha de fazer um texto assim, pesquisando dados e reescrevendo a eu modo, se não tivesse descoberto que o artigo da Bravo! foi feito do mesmo jeito. Acabei bastante satisfeito com a forma final, particularmente com as referências que enxertei. anotado por - 02:59 PM
tintin na terceira idade![]() Tintim também faz 75 anos em 2004. Herói e símbolo nacional da Bélgica, onde fica uma das sedes da Comunidade Européia, lançaram até a moeda de um euro comemorativa com a efígie dele. anotado por - 09:56 AM
chegaram!Urrú: chegaram ontem, pelo correio, os dois exemplares que havia pedido à Livros do Mal: O Livro das Cousas que Acontecem, do Daniel Pellizzari e Húmus, de Paulo Bullar. Quando escrevi a crítica de Ovelhas que Voam se Perdem no Céu, primeiro livro de Pellizzari, ele me alertou, "vai logo ler o Cousas que é um bichano mais parelho - se não em qualidade, ao menos em temática e técnica". Isso faz quase um ano, graças também ao mole que dei na Primavera dos Livros. Como o primeiro, o livro parece cheio de animais; cada um ilustra um conto. Veremos; agora é contigo, mojo. Bullar eu resolvi arriscar, de novo por causa dos animais na temática. anotado por - 09:52 AM
janeiro 19, 2004lá e cáAugusto Sales manda avisar: resenha do livro O Cabotino no Idéias do JotaBê. Não tenho certeza da afirmação que "a tarefa de criar celebridades há muito transferiu-se da imprensa para os meios audiovisuais, dada a perda da centralidade do livro no mundo contemporâneo.", tendo em vista as aparições daquela autora que costuma falar de saia justa, e de seu correlato mais jovem, aquela cheia de consoantes no sobrenome. Outro trecho me chamou a atenção: "Imaginar que alguém decide escrever um livro porque o escritor possui estatuto de celebridade não é sinal de cabotinismo, mas de pura e simples estupidez. Salvo engano, Juscelino Kubitschek foi o último presidente que presenteou intelectuais com a concessão de cartórios. Os atuais donos do poder não pensam em convidar escritores nem mesmo para redigir cartas." Bem, o presidente Lula convidou Gilberto Gil para ser ministro da cultura. E, como se sabe, o Brasil é o país onde Luana Piovani é formadora de opinião, Jô Soares é exemplo de "homem inteligente" e Gilberto Gil é intelectual. Nunca é demais lembrar que o autor da resenha, João Cezar de Castro Rocha, apresenta-se como coordenador geral da Pós-graduação em Letras da Uerj, e que a classe acadêmica é das mais fustigadas no livro do Polzonoff. anotado por - 12:15 PM
armas de destruição em massaAtenção para a seguinte notícia que recebi por email, semana passada: At New York's Kennedy airport today, an individual later discovered to be a public school teacher was arrested trying to board a flight while in possession of a ruler, a protractor, a setsquare, a slide rule, and a calculator. At a morning press conference, Attorney General John Ashcroft said he believes the man is a member of the notorious Al-gebra movement. He is being charged by the FBI with carrying weapons of math instruction. "Al-gebra is a fearsome cult," Ashcroft said. "They desire average solutions by means and extremes, and sometimes go off on tangents in a search of absolute value. They use secret code names like 'x' and 'y' and refer to themselves as 'unknowns', but we have determined they belong to a common denominator of the axis of medieval with coordinates in every country. "As the Greek philanderer Isosceles used to say, there are 3 sides to every triangle," Ashcroft declared. When asked to comment on the arrest, President Bush said, "If God had wanted us to have better weapons of math instruction, He would have given us more fingers and toes. I am gratified that our government has given us a sine that it is intent of protracting us from these math-dogs who are willing to disintegrate us with calculus disregard. Murky statisticians love to inflict plane on every sphere of influence, the President said, adding: "Under the circumferences, we must differentiate their root, make our point, and draw the line." President Bush warned, "These weapons of math instruction have the potential to decimal everything in their math on a scalene never before seen unless we become exponents of a Higher Power and begin to factor in random facts of vertex." Attorney General Ashcroft said, "As our Great Leader would say, 'Read my ellipse. Here is one principle I am uncertain of: though they continue to multiply, their days are numbered as the hypotenuse tightens around their necks. anotado por - 11:51 AM
janeiro 18, 2004na casa de nocaParticipo de uma lista de discussão que segue a risca aquele preceito do "levantou a cabeça. leva pedrada. Não levantou, leva também". Nenhum assunto novo dura mais do que duas mensagens sem ser violentamente esculhambado, normalmente da maneira mais ridícula. Na última vez em que a correção política passou por ali, foi posta a correr a pedradas e o comedimento foi abandonado nu numa rua sinistra do centro da cidade, à noite. Não costumo reproduzir citações dessa lista, mas duas entradas recentes merecem. Coloquei um link para contextualizar: >> Declaração reproduzida no caderno "D" de "O Dia" de ontem, > Sobre Marcelo D2 e tutti quanti, pergunto aos amigos da lista: vocês E vocês, achando que o Alexandre era mau... anotado por - 02:21 PM
janeiro 16, 2004ivan viu a uvaSou fã dos bloggers. Cansado da mesmice do relato e da interpretação de coisas e acontecimentos, passei a acompanhar o que meus semelhantes que não deixaram o Brasil acham disso e daquilo. Mesmo nos mais chatinhos, há sempre um quê de novidade, de experiência, de solene desprezo a jornalismo com ou sem diploma obrigatório. É raro encontrar mágoa ou forçada tentativa de originalidade. O blogger – falar nisso: inventem uma tradução decente para o termo, gente – me lembra o Bloco do Eu-Sozinho de antigos carnavais. Eles estão afim de se divertirem e ao passante esclarecido. Ponto. Como o Gatsby, de Scott Fitzgerald, são gerados da concepção platônica de si mesmos (epa!). Não citarei nenhum, que é para aparentar exclusividade em minhas leituras eletrônicas, mas tenho um punhado que acompanho com mais interesse do que nossos três jornais e meio e uma revista semanal. Uma vez a cada 18 meses ele também elogia alguma coisa. Ivan Lessa gosta dos blogueiros brasileiros. Atualização: já a Lucia Guimarães parece ser do time Blog: não li e não gostei: O blog tornou-se o trenzinho eléctrico do ego. É um brinquedo elaborado, auto-indulgente e interessa acima de tudo a quem aperta os botões ou batuca o teclado numa incontinência verbal sem precedente. Assim como os couch potatos obesos que povoam as salas de estar contemporâneas são consumidores vicários do narcisismo alheio pela TV, os blogaditos anotado por - 03:09 PM
elogiosCertos elogios seriam melhor que não fossem feitos, pelo que têm de ofensivos. Louvar um político por ser honesto, por exemplo, é enxergar valor no que deveria ser um pressuposto básico de qualquer ocupante de cargo público, admitindo assim o completo vácuo dos demais valores. Comemorar redução de analfabetismo ou mortalidade é assumir o tamanho do próprio anotado por - 03:06 PM
esclarecimento desnecessárioLevei uma chamada da Ana Veras nos pitacos pela lerdeza que foram as entradas nessa semana, fundamentalmente indicações de links e citações. Explico, explico: nesse começo de ano todo mundo veio me pedir um texto; além da coluna semanal no SoBReCaRga (hoje tem: Tale of One Bad Rat, vejam que bela ilustração ali embaixo), eu estava devendo uma resenha do livro da Paloma Vidal para o Paralelos, e o Enio Martins quis um artigo sobre Lamartine Babo para a Radio Agência -- nenhum desses está no ar, avisarei à medida em que forem. Isso para não falar no especial 450 anos de São Paulo, sobre o qual estou indeciso sobre o que escrever e nas ilustrações, mas isso é para um futuro menos próximo. ![]() anotado por - 03:05 PM
janeiro 15, 2004quem vemConheci o César em agosto do ano passado, e desde então imediatamente cataloguei-o como um dos melhores papos que conheci. Pernambucano, acho que ele foi com a minha cara quando comecei a falar de Recife com certo conhecimento, e citou uma frase do Olavo de Carvalho sobre os nordestinos: "existem dois tipos de cabeças no Brasil, os cabeças-chatas e os cabeças-ocas". No final do ano, provavelmente por pilha do Ram, ele começou a colocar seus escritos na rede, para meu gáudio -- além de acesso ao seu texto limpo e elegante, tenho notícias do seu dia a dia. Espero que as horas na portaria do I-House não lhe sejam tão chatas, e que ele aproveite o tempo ocioso para criar as idéias que depois expõe por escrito... Ah, e boa notícia: depois de muito ir-e-vir, o Lisandro registrou domínio para sua Atemática, de onde dispara as suas -- agora via Movable Type. A página de redirecionamento também ficou uma gracinha... anotado por - 12:19 PM
jazz e blues na praiaAproveitando a ponte do feriado de São Sebastião (dia 20), vai rolar o Festival de Jazz e Blues de Rio das Ostras, entre amanhã e terça-feira que vem. Para quem não sabe, Rio das Ostras é uma cidade turística do litoral norte fluminense que tem se beneficiado extraordinariamente com os royalties da exploração de petróleo submarino. anotado por - 12:05 PM
janeiro 14, 2004caloPaulo Salles é quem gostava dessas coisas: nomes apropriados. Como naquela seção da Trip: - Blá Blá Blá Coiffeur, boa tarde. Achei por aqui. anotado por - 09:49 AM
olha o arrastão!Todo ano, nessa época, eu acendo uma vela para que São Tomé Wolfe me ilumine e me inspire a escrever um daqueles espetaculares textos na linha Décadas Púrpuras, descrevendo exatamente o que se vê nas apresentações do Humaitá pra Peixe, com rigor de detalhe. Esse ano só falta ir lá conferir, o que não tarda por esperar. anotado por - 09:46 AM
janeiro 12, 2004vícioEu não consigo me afastar desse hábito de roubar os posts alheios que gosto. Ninguém descreve uma cena banal como o Elesbão: Agência repleta e o caixa automático pelo mesmo tom, no murmurinho da pequena multidão e as onomatopéias eletrônicas. Uma das máquinas vaga, e a moça imediatamente à frente vai, revelando as faraônicas, infladas e nababescas nádegas. Não era a direção do olhar, mas o afastamento que induzia no campo visual, a terceira presença, como que um plástico-bolha gigante. Lépida, o metro-e-meio - dos quais cem ou mais centímetros da lombada - chamava a atenção dos caixas, boys e, fundamentalmente, dos seguranças, ouriçados com a presença do Abaporu. O constrangimento pela vizinhança de outra moça, atenta, tomou por esforçar o precário olhar ao alto, como que interessado pelo duto de ar condicionado. Era a garantia do mal súbito, minha interposição aos interessados no Himalaia. Ninguém resumiu a história da música popular brasileiro tão concisamente como o Ruy Goiaba: Hoje é o dia do santo Reis. Os hermeneutas estão chegando, estão chegando os hermeneutas -- por entre bancários, jatomóveis, ruas e avenidas. Eles chegam tocando sanfona e violão; se deixar com eles, eles levam até os bodes. Sem contar com o Calabouço, Flamengo, Botafogo, Urca e Praia Vermelha. Mó no patropi, tenho um fu e um viô. Tomo guaraná, suco de caju, goiabada para sobremesa. Só mesmo vendo como é que dói trabalhar em Madureira, viajar na Cantareira e morar em Niterói. Cidade que me seduz: de dia falta água, de noite falta luz. Eu também quero mocotó. Quem foi que roubou a sopeira de porcelana chinesa que vovó ganhou da baronesa? (A banda do Ruy Goiaba chegou para a-a-a-nalisar a festa. A festa não faz sentido algum, mas não importa. Não quero nem saber se o pato é macho, eu quero é ovo.) E a Patricia fez uma revelação surpreendente... anotado por - 09:28 AM
mensagem subliminarCorno de verão: diagramação mal feita ou estou enxergando demais? Confira a chamada na capa da última Nova: ![]() (Já faz quase 10 anos que o Kazi comentou comigo que as capas da Nova são invariavelmente melhores do que as da Playboy. Ainda não consegui encontrar argumento que o refute.) anotado por - 09:24 AM
janeiro 09, 2004mais uma, mais umaHoje tem coluna nova no SoBReCaRGa: Tomorrow Stories, a antologia que me fez parar de desconfiar de Alan Moore. anotado por - 07:01 AM
janeiro 07, 2004alessandro baricco: cityEntão Gould passava o telefone a Poomerang. Poomerang imitava muito bem a voz de Lucy. ENSAIO SOBRE A HONESTIDADE INTELECTUAL Poomerang, que era um grande admirador do ensaio e praticamente o sabia de cor, resumira certa vez seu conteúdo deste modo: Se um ladrão de banco vai para a cadeia, por que os intelectuais andam soltos por aí? Deve-se dizer que, com os bancos, Poomerang "tinha uma conta pendente" (a frase era de Shatzy, ela achava-a genial). Detestava-os, embora não estivesse claro o porquê. Durante certo período, empenhara-se numa campanha educativa contra o abuso do Caixa Eletrônico. Junto com Diesel e Gould, mastigava o chiclete o tempo todo e depois os grudava, ainda quentes, nos teclados dos caixas eletrônicos. De costume, grudava-os na tecla do 5. As O prof. Modrian Kilroy dizia que as idéias são como galáxias de pequenas instituições, e afirmava que são algo confuso, em constante modificação e essencialmente inutilizável para finalidades práticas. São bonitas, é tudo, são bonitas. Mas são uma bela confusão. As idéias, se estiverem no estado puro, são uma maravilhosa confusão. São aparições provisórias de infinito, dizia. As idéias "claras e distintas", acrescentava, são uma invenção de Descartes, são uma trapaça, não existem idéias claras, as idéias são, por definição, obscuras, se tiver uma idéia clara, então não é uma idéia. 2. Os homens expressam idéias. Aí é que está o busílis, dizia o prof. Modrian Kilroy. Quando você expressa uma idéia, você lhe dá uma ordem que ela, na origem, não possui. De algum modo você tem de lhe dar uam forma coerente, sintética e compreensível para os outros. Enquanto se limitar a pensá-la, ela pode permanecer a maravilhosa confusão que é. Mas, quando você decide expressá-la, começa a descartar uma coisa, a resumir outra, a simplificar isso e cortar aquilo, a ordenar o conjunto, dando-lhe certa lógica: trabalha um pouco nisso e, no final, você tem alguma coisa que as pessoas podem compreender. Uma idéia "clara e distinta". De início, você procura fazer as coisas direitinho: procura não jogar fora muita coisa, você gostaria de salvar todo o infinito da idéia que tinha na cabeça. Você De resto, Gould, se pensar nisso, veja o que acontece na cabeça de homem quando, ao expressar uma idéia, alguém, diante dele, levanta uma objeção. Você acha que aquele homem tem o tempo, ou a honestidade, de Trechos acima retirados do romance City, de Alessandro Baricco (1999, Rocco, tradução de Roberta Barni). Além do gigante Diesel e do mudinho Poomerang, também há Gould, o garoto gênio, uma luta de boxe das antigas, incluindo treinamentos e entrevistas à imprensa, um faroeste completo, em seu ritmo peculiar, um professor que sabe todas anotado por - 11:59 AM
soberaniaDuas notícias capciosas inauguraram o ano: a medida judicial que obriga os norte-americanos a sujarem os dedinhos ao entrar no país, baseada na tal "paridade diplomática", e a lei que obriga as salas de cinema a dedicarem 65 dias de sua programação a filmes nacionais. Ambas são tremendamente irônicas; a primeira, por criar um obstáculo aos visitantes turísticos exatamente na época em que mais abundam, a alta temporada. A segunda, por seguir-se exatamente a um ano em que o percentual do público o cinema nacional cresceu, a despeito de qualquer reserva de mercado. O principal mérito da canetada jurídica é mostrar que não estamos na casa da mãe joana, é a recusa da postura deixa-que-eu-seguro-o-pote-de-vaselina. A reação dos visitantes americanos foi típica: não gostaram muito, obedeceram assim mesmo e só reclaram da demora em tocar piano. Há de chegar o dia em que acabarão as virgens para se sacrificar à deusa Eficiência. E, como qualquer um que mora perto de uma área turística sabe, turismo é apenas uma forma de prostituição. Quanto à reserva de mercado cinematográfica, isso não resolve o problema: mais salas, descentralização, fugir do assustador padrão fornecido pelo modelo multiplex. Garantir exibição para os filmes nacionais não garante seu público; isso só vem com qualidade em série ou arrasadoras campanhas de marketing -- e às vezes nem assim, haja vista o fracasso relativo do filme de Casseta e Planeta. Nos dois casos, sobressai uma forte tendência do governo em interferir na vida do cidadão, seja colhendo identificações pessoais suas ao entrar no país, seja determinando no que ele pode ver na tela. Soberania, quanta zorra já se fez em seu nome. anotado por - 11:52 AM
mais de cemVendo a quantidade de filmes que o Ricky Goodwin e o Nemo Nox assistiram em 2003, só posso me envergonhar de não ter conseguido manter nem a média de um filme por semana... anotado por - 11:50 AM
janeiro 06, 2004100 anos de Lamartine![]() Dia 10 próximo, Lamartine Babo completaria 100 anos de vida. Autor de marchinhas carnavalescas, de valsas e de sambas, trocadilhista inveterado, é o autor dos hinos de vários times de futebol cariocas. Não vou contar aqui a história do telegrafista, que já foi repetida à exaustão nas reportagens que saíram até agora; fico com essas: - Para o rádio, Lamartine Babo criou um programa chamado o "Trem da alegria", ao lado do radialista Héber de Bôscoli, que era o maquinista e sua esposa, Yara Salles, a foguista. Lamartine seria o guarda-freios do trem. Como os três eram muito magros, adotaram por alcunha "Trio de Osso", em alusão ao famoso trio da época, o Trio de Ouro. - Babo fazia muita troça da própria magreza, da franzinez de sua constituição. Ao ser convidado para juiz dum jogo de futebol, disse: "Aceito, desde que não vente". N'outro momento, aproveitou-se para ser lírico: "Não foi à toa que Deus me fez magro assim - homem de poucos quilos, poeta de muitos quilates..." Apresentado por um amigo a um admirador: "Este é o grande Lamartine Babo, em carne e osso", desdenhou: "Exagero, exagero. Em osso só, em osso só". Várias vezes declarou também que não dava fotografia a suas fãs. Dava radiografias. - Já perto do fim da vida, ao descobrir que a entrevista que dera para a televisão seria preterida pela cobertura da chegada de Tom Jobim dos Estados Unidos, comentou: "Quer dizer então que na verdade eu estou um tom abaixo?" - Afirmou numa entrevista: "Eu me achava um colosso. Mas um dia, olhando-me no espelho, vi que não tenho colo, só tenho osso". - Certa vez, o entrevistador lhe perguntou qual era a maior aspiração dos artistas do broadcasting: "A aspiração varia de acordo com o temperamento de cada um... Uns desejam ir ao céu... já que atuam no éter... Outros ‘evaporam-se’ nesse mesmo éter... Os pensamentos da classe são éter... ó... gênios..." Mereceu o título de Pior Trocadilho de 1941... A maior parte das reportagens que saiu até agora, e que sairão ao longo da comemoração do centenário de Lamartine Babo serão ilustradas pelas caricaturas do Lan (que encima esta nota) e sobretudo do Nássara (aqui embaixo), outros dois cobras do carnaval. ![]() anotado por - 07:09 AM
hobi clubTodo dia, no caminho de casa, eu passava por uma loja de roupas muito esquisitas e ficava me perguntando: que tipo de gente se veste num lugar destes? Cantores de churascaria gays? Toureiros amadores? Cecília Giannetti, que mora ali perto, não só descobriu como fez uma reportagem inteira sobre a Daslu dos Pagodeiros. anotado por - 06:55 AM
na tomadaE para começar, minha mais recente coluna no SoBReCarGa: Overman é o Laerte minimalista. anotado por - 06:48 AM
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abril 2005
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Lonely Planet Luis Eduardo me encheu tanto o saco que conseguiu um link só para a página dele aqui. Cataplum!
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