fevereiro 23, 2004

Lerê Lerê Lerê Laiá Laiá

Mangueira, Beija-Flor, Portela e Tradição
E eu aqui descascando
batata no porão

anotado por Rafael - 08:21 PM

fevereiro 15, 2004

troca

Era como se eu tivesse trocado um emprego numa daquelas grandes multinacionais por uma repartição pública, e aqui me dispo de qualquer sentido pejorativo. No primeiro, os outros estavam interessados em Preencher os Critérios de Qualidade, Obter as Assinaturas Corretas, Executar os Procedimentos Formais -- e se sobrasse tempo, trabalhar. No segundo, estavam preferiam manter um ambiente de convivência agradável e, nas horas vagas, trabalhar. Seria desonroso negar quão à vontade minha natureza estava no segundo ambiente.

anotado por Rafael - 01:47 AM

fevereiro 12, 2004

asas elétricas

Lembra daquele velho sonho em pilotar um aeromodelo? Que nunca rolava porque ou o modelo era muito caro ou gastava muita energia? Conheça agora as asas de combate: uma espécie de asa delta tele-comandada e planadora -- isso quer dizer que ela não usa qualquer tipo de motor para se manter no ar, apenas a força do vento (o que significa uma bateria muuuuito mais leve) e um aerofólio comandado por controle remoto. É como soltar uma pipa sem o fio, mas uma pipa super-sofisticada, que pode dar loop, rasante e simular batalhas aéreas. É feita de isopor industrial reforçado, super leve e praticamente inquebrável. Confiram: asas elétricas.

Voando nos jardins do MAC

Eu já vi uma turma voando com elas perto do MAC, em Niterói. Aqui perto tem um morro que de vez em quando um maluco sobre para ficar brincando com seu planador, horas a fio.
Voando de pipa sem fio

anotado por Rafael - 09:01 AM

polêmica no sobrecarga

A poeira vai subir com a resenha de Stuck Rubber Baby, na minha coluna para o SoBreCarGa dessa semana.

anotado por Rafael - 08:50 AM

Avisos

1) Esse cara resolveu usar um computador para criar um mundo fictício -- por enquanto topografia e texturas de pele, feitas com autômatos celulares -- e está relatando o processo de desenvolvimento neste blog. A natureza pode ser simulada matematicamente?

2) O site de Cultura Pop Alan Moore, Senhor do Caos está lançando o concurso Alan Moore: 50 Anos, em homenagem à meia década de vida do profícuo roteirista de Histórias em Quadrinhos e escritor inglês. Categorias: desenho, literatura e Hqs. Mais informações em breve.

3) Cláudio Lampert escreveu um texto excelente sobre o medo causado pela torcida rubro-negra nos pós-de-arroz tricolores. Sempre que eu penso em medo, me lembro de um cartum do Henfil que mostrava o torcedor do Vasco enumerando as baixas: "Dessa vez vai. O Zico está contundido. O Nunes está gripado. O Leandro está suspenso. O Júnior está fora de forma..." e assim por diante, com o time todo, até se deparar com uma camisa do Flamengo, vazia, suspensa no ar, cai de joelhos e começa a rezar. Me lembro também do Batman, do Bruce Wayne pensando em como atemorizar os bandidos, quando entra-lhe um morcego janela a dentro e ele decide se virar um morcego humano. Assim como a capa e a fantasia de morcedo serviam para provocar medo nos criminosos, o manto sagrado rubro-negro cria medo nos adversários. Mais medo que ele, só mesmo a torcida do Flamengo...

anotado por Rafael - 08:45 AM

fevereiro 10, 2004

cida já!

Vote na Cida para capa da Playboy!

Uma campanha atemática totalmente endossada na cara do gol.

anotado por Rafael - 07:18 AM

a culpa é do umberto eco

Dante dá uma aula sobre a semiótica dos Transformers.

anotado por Rafael - 07:16 AM

sp 450 anos, o texto abortado - v

[Quando já tinha desistido de escrever meu texto, eis que me deparo com a coluna do Diogo Mainardi para a Veja, onde ele, paulistano e escritor, expressa um bocado do que eu queria dizer com mais clareza e concisão que eu pretenderia. Resolvi transcrever, mesmo que para isso precisasse retirar todo o trecho onde ele da música popular como fator de identidade nacional, porque eu não escolheria esse viés num texto sobre São Paulo. Depois, para fins de comparação, digitalizo e coloco a coluna aqui.]

Desde cedo a única meta que eu tinha na vida era ir embora de São Paulo. Fracassei em minha primeira tentativa migratória. Fracassei na segunda. Na terceira, deu certo. Fui embora e nunca mais voltei. Depois de tantos anos de afastamento, finalmente me reconciliei com a cidade. Aprendi a reconhecer seus méritos. O maior deles é despertar o sentimento de repulsa em seus
habitantes. São Paulo é tão detestável que somos estimulados a rejeitar nossa origem, a buscar lá fora o que não podemos encontrar aqui dentro. Parece pouco. Não é. São Paulo não acomoda. Ela nos deixa num permanente estado de insatisfação e precariedade. O paulistano não é apegado a nada. Está sempre de malas prontas, disposto a abandonar oportunisticamente tudo
o que lhe pertence: sua cidade, seu país, sua família, suas idéias. Não temos o sentido de coletividade: não sabemos votar, não sabemos respeitar as regras, não sabemos pensar no próximo, não sabemos cumprir os acordos. Em compensação, conseguiríamos nos adaptar com facilidade a um holocausto nuclear. pena que a perspectiva de um holocausto nuclear seja cada
dia mais remota.

[...]

São Paulo é a pior cidade do Brasil. Mas nós, paulistanos, até que temos a nossa graça: não levamos jeito para música, o que nos torna, tudo somado, um pouco menos brasileiros.

[Leiam também o texto do Daniel Piza, São Paulo de A a Z.]

anotado por Rafael - 07:14 AM

fevereiro 09, 2004

mavericks

miller & eisner

Outro que deve ser conferido é esse aqui: Autobiographix.

eisner & miller

anotado por Rafael - 08:04 AM

coluninhas

Quando ia falar da minha coluna no SoBReCarGa, num assunto onde prometi não tocar mais (o documentário O Rio de Jano) e para onde fugi na falta do que falar, soube que meu texto sobre os 100 anos de Lamartine Babo estava na capa do Burburinho! Quem não viu antes na Radio Agência, pode ler agora.
A imagem abaixo é uma das minhas preferidas no álbum do Jano: repiáu no Arco do Telles.

jano: arco do teles

anotado por Rafael - 08:00 AM

sp 450 anos, o texto abortado -- iv

Outra idiossincrasia típica de São Paulo está na ignorância dos logradouros: deve ser a única cidade onde, fora de um percurso habitual, os próprios moradores percorrem mentalmente, antes de sair de casa, o caminho a ser feito, planejando-o para otimizar distância e trânsito, e onde a presença de um guia de ruas ou GPS no painel do veículo não é exagero na tarefa de localizar ruas e trajetos. Ao ver-me revertendo um percurso a meio caminho, neste final de ano, um amigo residente em SP comentou: “Isso que você fez agora, eu teria que parar o carro e abrir o guia para fazer em São Paulo”.

* * *

Ao completar seus 450 anos, São Paulo faz total jus à alcunha, auto-proposta?, de locomotiva do país. Mas eu prefiro continuar morando no vagão-restaurante.

anotado por Rafael - 07:47 AM

fevereiro 06, 2004

howard cruse

The Nightmares of Little L*l*, por Howard Cruse.

Não vou colocar nenhuma figura para não estragar a surpresa. Leiam.

anotado por Rafael - 08:51 AM

sp 450 anos, o texto abortado - iii

Ficava cada vez mais me espantando pela maneira como os cidadãos, por nascimento ou escolha, se relacionam com o local onde, no final das contas, moram. Nunca fui testemunha de uma paixão arrebatadora, duma declaração de amor exagerada; pelo contrário, já presenciei até ameaças de exílio voluntário. O afeto pela cidade sempre é contido, tímido, mediado pela razão; o morador vive pensando numa maneira de melhorar a malha de transportes públicos, de consertar ruas esburacadas, de escoar o esgoto. Sim, ele gosta muito de onde mora mas, antes de curtir, quer que esse lugar funcione. Que as combinações do metrô não atrasem, que os garçons não demorem a trazer as contas, que os caixas tenham troco, e que o trânsito, ah, o trânsito!, já que ele não tem jeito, que ao menos se respeitem os sinais e deixem os cruzamentos livres – o que fazem com muita presteza. E, pelo que se conta, até essa relativa presteza tem sido ameaçada pelos enxames de motoboys.

Só depois que se resolvem os problemas, que se otimizam os processos, é que surge espaço para a poesia, para a emoção – isso quando já não é tarde demais, e o apito do trem das onze está avisando que vai partir, cortando o barato. Pois essa é uma característica marcante da cidade, referendada por enquete recente no portal UOL: as declarações de amor são sempre apesar de. As letras das músicas eleitas como mais representativas do paulistano denunciam: no Trem das Onze, é o filho único que sente muito, mas não pode ficar; em Sampa, é a grana cuja força que ergue e destrói coisas belas; São, São Paulo é carregada no peito por Tom Zé, apesar de todo defeito. Um amor que precisa triunfar sobre a adversidade.

anotado por Rafael - 08:45 AM

melôs do funk

Essa letra que o Nix bolou para o Funk do Anel me lembrou que eu estava devendo a publicação aqui do Melô do Estar Uar, hit dos 'designers funkeiros' Elesbão e Haroldinho e prova inconteste da riqueza dos funks cariocas. Até prova do contrário a música pode ser baixada aqui. Sigam a bolinha, cuidado para não engasgar.

MELÔ DO ESTAR UAR (Elesbão e Haroldinho)

- Aí, Vamo nessa, aí
Sexta-feira tem baile bom, baile bom!
MC Elesbão e DJ Haroldinho
Numero 1 do Sampler no Brasil, valeu?
Cavalero Jedi, 3 real, Princesa Rebelde, grátis, até meia noite, falô?

- Aí, tem alguém na linha. Alôu?
- Alô, alô... alô? Aqui quem fala é Haroldo, do Cosme Velho.
- Convoca aê!
- Queria convocar geral, GERAL, toda a galera do Cosme Velho pro bailão lá na Associação.
- ADG? Bailão... baile bom... baile bom...
- Associação... Associação, cumpádi... Bailão Bom!
- Valeu! Aê, o alô vai pra quem?
- Aê, aê... Queria mandar um alô pro pai, pra mãe, meu camarada Elesba e toda a comunidade da Tobias Amaral, valeu?
- E vamo nessa!

De bigode e cavanhaque, sempre mantendo respeito
de frente o Geoge Lucas, com os micrero do conceito
Elesbão e Haroldinho, dois funkeiro classe A
A galera se agita quando toca o StarWar

(solo de StarWars / risada do Jabba / "Ahá, uhú! O Jabba é nosso!")

Invade com os rebelde, o baile do mau
Léa popozuda é a princesa na moral
Nagoba, Naboo, Aalderan e Tatooine
O Bonde dos Sinistros não há ninguém que ature

("Use the force, Luke")

Estrela da Morte vai ter que respeitar (2x)
Império do Mal, o bonde pra esculachar (2x)
Pega e destrói o lado B e o lado A
Manda pra vala o tal do JarJar

("Toma, Toma.... matador!")

- Aí, gaiteiro, toca a Melô do StarWar aê pra detonar... vamo quebrar essa porra toda, cumpádi! Quero ver quem é que vai matar geral... GERAL, cumpádi.... Solta o X-Wing!

Soltaram os rebelde, os rebelde matou geral
O Império Contra Ataca, de Nave Estrela do Mal
Sai Darth Maul, Ninguém foge de mim
Cadê o maior X-9, esse tal de Anakin?

("Remember, the force will be with you... always")

Luke Skywalker, vão ter que aturar (2x)
O Chewbacca chega detonando o lado A
Obi-Wan Kenobi, Luke, Solo e Yoda

("I will be waiting for you, Obi Wan")

("Feel the power of the dark side")

Estava lá na base quando eu encontrei (2x)
O Dart Vader, em cor de urubu
Só de olhar pra ele a gente chama o Raul

anotado por Rafael - 08:43 AM

saca-saca-saca-rolha

A frase mais impressionante que eu ouvi sobre bebida veio do Bruno Garschagen: não gosto de comer de barriga vazia. Aproveitem o relato das férias, que o homem voltou arretado.

anotado por Rafael - 08:37 AM

fevereiro 05, 2004

frank cho

Brandy by Frank Cho

Brandy é uma das protagonistas de Liberty Meadows, minha tira cult -- e como é desenhada! -- por Frank Cho, autor também da ilustração abaixo, que andou super comentada entre blogs uns tempos atrás (Wally Wood fez uma dessas já no período da amargura, pouco antes de morrer):

Fight Club by F.Cho

anotado por Rafael - 07:40 AM

naum

Já notaram que por mais irritante que seja ler uma menina escrevendo "naum", é adorável ouvir uma menina dizer "naum"?

Tudo báim? Naum, 'brigaaaaada. Eu tou aqui com as minhas amiagas.

anotado por Rafael - 07:33 AM

sp 450, o texto abortado -- ii

Já visitei exposição com o acervo do MASP, já passeei no Ibirapuera num domingo de manhã, já visitei o Pátio do Colégio e o museu do Anchieta, já subi a avenida Paulista e desci a rua Augusta, já perscrutei as fachadas da Igreja da Sé, do Teatro Municipal e do Mosteiro de São Bento. Já percorri a cidade de metrô, ônibus, carro e até à pé. Já comi a celebrada pizza paulistana. Já provei iguarias na feira da Liberdade e pãezinhos nas excelentes panificações da cidade. Já almocei num daqueles restaurantes que “só tem em São Paulo”. Então, por favor, ninguém me venha dizer que eu não conheço São Paulo, porque se a cidade não disse ao que veio até agora, é porque não vai mostrar a cara nunca – e nenhuma cidade requer mais experiências do que isso para conquistar o visitante.

* * *

“Você não sabe o que é crescer à sombra da estátua do Borba Gato”, Paulo Salles citado de memória

"Em São Paulo até os passarinhos tossem”, Sergio Augusto.

“Se puder, não volto mais”, Daniela Sandler.

"São Paulo é uma cidade boa para se trabalhar, não para morar", Marcelus Giannotti.

anotado por Rafael - 07:24 AM

fevereiro 04, 2004

tô me guardando para quando o carnaval passar

Capa de Morte e Vida Celestina, livro novo do Alexandre Soares Silva. Eu li uma das provas de revisão e apreciei à grande, cenários e ambientação de A Coisa Não-Deus reaparecem aqui. Que eu saiba, o título foi uma sugestão do Mozart que os editores tiveram o despautério e o destemor de aceitar.

morte e vida celestina

O lançamento no Rio será 11 de março, às 20:00h, no Café com Letras, no Leblon.

anotado por Rafael - 08:34 AM

sp 450, o texto que abortou -- i

[O mês acabou e não consegui dar a forma que queria a um texto encomendado sobre os 450 anos de São Paulo. Ao invés de tentar concluí-lo, vou fazer o contrário: desmebrar as melhores partes e trazer para cá, invertendo o senso comum que entende o blog como um bloco de notas para idéias que num futuro qualquer podem virar um artigo. A que se segue seria o primeiro parágrafo, aproveitando um gancho para o título: O lugar mais estranho onde Bussunda fez amor.]

Uma das maiores bossas do Jornal do Brasil nos anos 80 e 90 era o Perfil do Consumidor, uma entrevista estilo ping-pong onde se revelava a personalidade de um artista, celebridade ou formador de opinião, através de seus hábitos de consumo cotidiano: sabonete, pasta de dente, refrigerante. Para dar uma apimentada, umas perguntinhas capciosas eram adicionadas: homem inteligente, mulher bonita ou lugar mais estranho onde já fez amor. Quando o Bussunda foi entrevistado, emendou de prima na hora de responder o lugar mais estranho onde fizera amor: “São Paulo”.

* * *

Um amigo meu dizia que o Sílvio Santos tinha o emprego dos sonhos de qualquer carioca: ser pago para sacanear paulistas domingo à noite.

anotado por Rafael - 08:25 AM

mas os seus amigos não têm piercing?

Algum dia ainda paro de escrever e me dedico à nobre e mui valorosa tarefa de ilustrar os textos do Lisandro Gaertner para Atemática. Vejam este diálogo sui generis por telefone...

anotado por Rafael - 08:18 AM

fevereiro 03, 2004

helmut, helga, heisenberg

com

Isso aqui é só para deixar claro que eu soube do falecimento do Helmut Newton, o mais alemão dos fotógrafos de moda
sem

anotado por Rafael - 01:06 PM

lan no ccc

lan samba

Exposição de Lan no Centro Cultural Carioca. Para Carybé, "Quem inventou a mulata, não foi o português, foi o Lan". A melhor história que eu conheço do Lan foi contada pelo Otelo Caçador, cartunista das antigas do Jornal dos Sports, que foi homenageado num Salão Carioca de Humor há poucos anos, cujo tema era futebol. Otelo foi convidado a entregar um prêmio qualquer para o Lan e contou como o conheceu, quase 50 anos antes, no Uruguai. No final da noite, o Otelo vira para ele diz, profético: "olha, um dia você ainda vai visitar o Brasil e vai se mudar para o Rio. E vai ser Flamengo!" Vá ser fanático assim lá--
lan mulher

anotado por Rafael - 01:01 PM

picasso head

Dica antiga e imperdível: crie você mesmo uma gravura de Picasso. A minha está aqui.

anotado por Rafael - 12:59 PM

pra ver a banda passar

Joaquim Ferreira dos Santos comenta o decreto municipal que eleva a Banda de Ipanema a patrimônio imaterial do Rio de Janeiro, elencando outros candidatos a tombamento: um 464 na curva do Aterro, entrar no mar dando cambalhotas pirotécnicas, uma rodada de chope no Leblon. Joaquim observa por quantas metamorfoses passou o tal do espírito carioca, "O mundo gira, a Lusitana roda e a carioquice troca o padrão", e comenta que "os burocratas [...] são lentos. Chegaram na banda de Ipanema quando ela já estava na dispersão", apesar de saber que "ao contrário da dermatite em Copacabana", as leis aqui são desobedecidas: "Tombe-se, por tão coisa nossa, o descumprimento das leis". O Bruno me perguntou se eu não iria escrever sobre o tombamento da banda; respondi-lhe que não -- hoje a banda é sobretudo uma aglomeração de travestis e gays e gente da velha guarda que acredita restaurar algo dos bons tempos soprando suas marchinhas nos trombones. É para onde evoluiu uma idéia de alegria provinciana num bairro metido a modernoso, há 40 anos, e quanto a isso não há nada a se fazer. "Nenhuma lei vai garantir a eternidade da insustentável leveza de ser carioca. É apenas um gesto de boa vontade, lúcido, válido e inserido no contexto, para se lutar contra as armas pesadas que nos cercam."

Joaquim conclui:

Tombe-se o sotaque chiado, a sandália arrastada, o calção molhado, o bicho cotado, o pescoço dobrado ao rebolado e outras ziquiziras que nem sempre conduzem ao progresso de um Estado e ao engrandecimento do espírito do cidadão comum, mas nos são da índole mulherenga, da vocação praieira, da perdição milongueira, do bloco “Vem ni mim que sou facinha” e da esculhambação total que nos arrodeia, acha pouco 90 km no Rebouças e inferniza o dia-a-dia. Viva a paradinha da bateria, a lordose da Maria e o travesseirinho de areia em que ela exibe a padaria.

anotado por Rafael - 12:58 PM

auto-estima

Inventaram um remédio para baixa auto-estima. A maioria dos pacientes não quis tomar, achavam que não mereciam. (do Protensão)

anotado por Rafael - 12:51 PM

fevereiro 02, 2004

é meu maior prazer vê-lo brilhar

mengoooooooooo!

"Foi um domingo perfeito no Rio, com praia, sol e um belo clássico no Maracanã." (do jornal O Globo de hoje)

Após a saída de Romário, o jogo virou em favor do Flamengo. “Sem Romário, o time perde a confiança e, o adversário, o respeito", disse Valdir Espinosa, técnico tricolor. Agora a diretoria do tricolor quer ganhar os pontos do jogo alegando que o Flamengo feriu o estatuto do idoso... (não se espante se encontrar essa piada em breve na coluna do Ancelmo Góes)

anotado por Rafael - 11:44 AM

jotaême

Tem gente que tem personal trainer; eu tenho personal formador de opinião: João Marcelo F. Mattos. Não amealhou a fortuna que lhe está reservada porque se recusa de maneira carnívora a escrever -- não só para a internet, escrever, simplesmente escrever. Se mantivesse uma coluna semanal na grande imprensa, agregaria multidões de fãs maiores do que, bem, do que aqueles jornalistas que todo mundo é acusado de imitar (não sejamos indiscretos). Ainda assim, é possível capturar na rede pequenos exemplares de seu estilo único, cheio de aplomb, de panache, de chtuzpah, enfim, desses troços que a gente usa palavra estrangeira para expressar. Vejam esse primeiro parágrafo na crítica do filme Legalmente Loira 2:

Com esta continuação de sucesso de 2001 ocorre um fenômeno informal que podemos batizar, também informalmente, de síndrome da inteligência casual adquirida a posteriori, que tanto acomete certas realizações da cultura de massa, seja no cinema, TV, quadrinhos, música pop, etc. Certos filmes, livros, cantores, etc, parecem sofrer de um excesso de auto-confiança, direta ou indiretamente, motivada pelos elogios que foram feitos à obras (pelo público, por outros membros da indústria cultural, pelos formadores de opnião), que sem muita pretensão inicial, ou muita pretensão bem disfarçada pela forma de diversão fácil aparente, conseguiram desenvolver idéias relevantes. E no desenrolar da carreira, na continuação do filme, no novo livro, os responsáveis acabam perdendo o rumo ao tentar repetir e até suplantar a eficiência anterior.

anotado por Rafael - 09:51 AM

carecada

Separados no nascimento: Arthur Dapieve, Ocimar Versolatto e (de óculos) Nick Hornby.

anotado por Rafael - 09:46 AM

ABBRAVOS

Quando vi o Lisandro avisar que a renda decorrente da vendagem do calendário de motoristas bonitas que DETRAN estava colocando nas bancas, nos mesmos moldes do que fizeram com o Corpo de Bombeiros, seria revertida para a Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação e para a Ação Vida Obra Social, achei que ele tinha inventado essa associação, mas o pior é que ela existe mesmo.

Vamos repetir, devagar para todo mundo acompanhar: Associação-Brasileira-Beneficente-de-Reabilitação-e-para-a-Ação-Vida-Obra-Social. O propósito pode ser o mais nobre possível, mas com um nome desses não vai ser fácil angariar voluntários.

A capacidade de inventar quimeras burocráticas batizadas com nomes impossíveis é ilimitada no Brasil.

anotado por Rafael - 09:45 AM

Improbabilidades

Canja do Stanley Jordan no ensaio do Monobloco. Eu vi, não é lenda.

anotado por Rafael - 09:43 AM