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junho 28, 2004do navioTom Jobim só escreveu o Samba do Avião porque nunca chegou nessa cidade pelo mar, penetrando na baía da Guanabara. As fortalezas de São João e Santa Cruz, a simetria das costas do Rio e Niterói, os morros, passar por baixo da ponte Rio-Niterói -- que coisa. E ainda pagam pra isso. anotado por Rafael - 07:56 PM
teoria da conspiraçãoSerá que só eu percebi que a nona Parada GLBT caiu no mesmo final de semana da evento de moda Fashion Rio? anotado por Rafael - 07:51 PM
junho 27, 2004calendárioDia 5 de julho: lançamento do livro dos Wunderblogs. Hmmmmm... anotado por Rafael - 07:12 PM
zoológicoNa corrida entre o homem e o cavalo, o resultado deu zebra. (Uma nota à maneira de Fabio Danesi Rossi e César Miranda, inspirado numa chamada de televisão.) anotado por Rafael - 07:08 PM
junho 24, 2004errol flynn![]() anotado por Rafael - 03:03 PM
junho 23, 2004leonelDentre os muitos Brizolas que faleceram esta semana -- o ativista da campanha legalista, que garantiu a posse de Jango (que tempos estranhos aqueles: a partir dum punhado de rádios e algum prestígio, era possível mudar os rumos políticos da nação!*); o caudilho trabalhista sempre de lenço vermelho sobre os ombros; o exilado que teria fugido do país fantasiado de mulher, embolsando o dinheiro que Fidel Castro lhe emprestara para fomentar a guerrilha comunista; o irresistível orador, que respondia o que queria às perguntas dos debates; o inventor dos CIEPs, estrategicamente posicionados como peças de propaganda pela cidade; o político das horas de crise (como frisou Franklin Martins), capaz de reverter o jogo quando a boiada inteira parece se encaminhar para o brejo; o encampador de empresas estrangeiras; o eterno inimigo da Rede Globo, a quem creditava manipulações em vários processos eleitorais (teria recebido mais de meia hora no Jornal Nacional se Roberto Marinho ainda estivesse vivo?)**; o homem capaz de formar enormes filas de populares durante toda noite ao seu velório -- não deixa de ser significativo que seu reflexo mais forte na minha mente tenha sido o daquele que permitiu as construções de alvenaria nas favelas, fator decisivo para o crescimento dos assentamentos e sedimentação das habitações nos morros. Não há como não associar isso aos terríveis problemas que o Rio de Janeiro têm enfrentado recentemente, a despeito de um alegado saldo positivo de suas ações. Eu sinto falta de gente como ele. * Não que, hoje em dia, um Cocadaboa da vida não consiga criar caso para cima grandes empresas, mas naquela época o mundo parecia muito menor e as ligações entre tudo o que há atualmente implicam numa complexidade que remete mais a teoria da conspiração do que qualquer outra coisa. ** Dizem as más línguas que ele só estava esperando o Roberto Marinho para ir. Falando nisso: ACM e Fidel, um passinho à frente, p'gentileza. anotado por Rafael - 10:15 AM
junho 20, 2004quando o carnaval chegarE já que estamos falando em aniversário, deixa eu aproveitar que a data é propícia para relembrar este trecho antológico sobre uma antologia: Nêumanne [...] nem cogitou daquela prática, muito em moda, de classificar como "poetas" meros pagodeiros do tipo Caetano Veloso, Chico Buarque, Wando, Maria Alcina e outros do gênero (desculpem se eu estiver misturando estilos; é que pagode, para mim, é tudo igual). anotado por Rafael - 06:20 PM
junho 19, 2004araaaaaaca!Paralelos saiu na frente e foi o primeiro a publicar minha colagem biográfica sobre Aracy de Almeida, que acabou assumindo um caráter mais sério do que eu esperava. Algumas das passagens mais anedóticas que acabei não publicando podem ser lidas aqui. anotado por Rafael - 07:32 PM
junho 15, 2004colocando pilhaTem certas coisas que não dá para deixar passar. Por exemplo, domingo passado em SP: ![]() A prefeita Martaxa Suplicy participa da Parada GLSBT, que reuniu pra lá de um milhão de moradores. Enquanto isso, no Rio: ![]() Daniela Cicarelli conduz a tocha olímpica na orla, observada por centenas de populares. Eu me abstenho de comentar tais fatos. anotado por Rafael - 09:28 AM
pela blogosferaLisandro recarrega as baterias da Atemática; vamos ver se o Danilo Amaral segue o exemplo e também volta a escrever. Enquanto isso, os wunderblogs expandem seus domínios, incorporando nada menos que 8 novos membros de uma vez só. Parece que se incomodaram com meus protestos, porque no meio de tanto pseudônimo consegui encontrar duas mulheres. Vou lá conferir quem poderiam ter sido meus vizinhos... anotado por Rafael - 09:19 AM
Agora, simConversa entreouvida numa banca de jornal: anotado por Rafael - 09:12 AM
junho 14, 2004estátuas do rio - vii![]() A estátua do inca Cuauthemoc, ou simplesmente estátua do inca, é uma das mais tradicionais, montando guarda na entrada da Praia do Flamengo, numa daquelas pracinhas onde metade do bairro já levou suas crianças para passear e comer terra. Além desta, lembro-me de pelo menos mais um presente (de grego?) mexicano ao Brasil: fica no Jardim Botânico, uma estatuazinha de uma divindade maia ou inca, perto do orquidário. Lá em cima, está quase de perfil, aqui embaixo, pode ser vista de frente: ![]() Chegando de perto, aprende-se o nome verdadeiro do tal inca retratado. Quem foi ele é que são outros quinhentos: ![]() A estátua tem dimensão monumental e fica sobre um enorme pedestal ornado com detalhes característicos dos incas, como pode-se ver pelo detalhe: ![]()
anotado por Rafael - 09:07 AM
namoradosAno passado, usei uns sonetos do Camões na nota do dia dos namorados. Nesse ano, em que a data passou meio batida, quem vai me ajudar é Guilherme de Brito, nessa música que começa com um par dos versos mais pungentes do nosso cancioneiro (tão pensando o que, amar também é sofrer!): Tire seu sorriso do caminho Eu só errei quando juntei anotado por Rafael - 09:06 AM
carioquinhaQuem é carioca, por nascimento ou adoção, tem desconto de 50% em atrações turísticas até 10 de julho: é o Carioquinha 2004. Vamos ver se esse ano eu finalmente faço aquela planejada visita à Ilha Fiscal e Ilha das Cobras. anotado por Rafael - 08:57 AM
dose triplaComo eu esqueci da avisar da semana retrasada, dessa vez tem dose dupla de Neil Gaiman no SoBReCarGa: os primeiros dois capítulos de 1602, a mini-série que ele escreveu para a Marvel para custear o processo que levava contra Todd McFarlane e a versão nacional da edição especialíssima Noites sem Fim (Endless Nights), de Sandman. E, de quebra, meu texto O Panteão dos Picaretas foi adaptado e está na capa do Burburinho dessa semana. anotado por Rafael - 08:53 AM
junho 09, 2004estátuas do rio - vi![]() A série de estátuas do Rio não morreu, só foi na esquina tirar uma xerox e não voltou até agora. Enquanto isso, vamos dando vazão às fotos já tiradas. Esse aí em cima é Carlos Gomes, regendo o revoar dos pombos na Cinelândia, em frente ao Theatro Municipal, jóia copiada arquitetonicamente da Opera francesa. Desbancou Chopin, isolado no calçadão da Praia Vermelha e veio se unir ao busto de Francisco Mignone, outrora instalado perto de onde o próprio morava, agora em frente à Sala Cecília Meirelles, na Lapa. anotado por Rafael - 04:19 PM
Ronald ReaganHe was truly an outstanding human being and a loyal friend. We will miss him. Ronald Reagan morreu. Como esquecer deste que foi um dos símbolos dos anos 80, tanto quanto o desastre de Chernobyl e o Pac-Man. Que época, que dias: Thatcher na Inglaterra, Mitterand na França e Sarney, no Brasil -- e a gente ainda se preocupava com bombas atômicas. Reagan, o homem que inicou o processo de desarmamento nuclear junto a Gorbatchev. Reagan, o homem que deu o empurrãozinho final para o colapso da União Soviética com o projeto Guerra nas Estrelas. Reagan, que motivou uma das melhores piadas do Angeli ("cientistas descobriram: não é Ronald Reagan quem está sofrendo de câncer, é o câncer que está sofrendo de Ronald Reagan"), foi visceralmente caricaturado por Feiffer (num álbum que retrata perfeitamente os anos yuppies) e acabou homenageado por Frank Miller em O Cavaleiro das Trevas, onde o presidente norte-americano era uma caricatura dele. Ronald Reagan, uma aliteração perfeita para Paulo Francis deitar seu sotaque pernóstico de correspondente estrangeiro e rolar com a dramaticidade de seus pronunciamentos -- Reagan mantinha um registro das vezes em que recebeu s.o. (standing ovation, palmas de pé) em seus discursos. Reagan, o mais idoso presidente eleito dos EuA, o restaurador do partido republicano, o homem que reverteu o caminho do país após Carter, assumindo uma imagem mais conservadora e yuppie. Reagan, o desmemoriado do escândalo Irã-Contras, que respondeu a mais da metade das perguntas com um "não me lembro", o chefe de Estado que confundiu o Brasil com a Bolívia. Vinte anos depois de sua reeleição para a presidência, com o mundo alinhado à sua visão geopolítica e econômica, é natural que haja uma revisão histórica de sua figura, atribuindo-lhe uma visão que talvez ele não tivesse, e uma importância que foi magnificada pelo tempo. Quando Richard Nixon morreu, Hunter S. Thompson sapateou sobre seu túmulo com um obituário cujo título desdizia a famosa frase de Nixon num pronunciamento de tv ("I'm not a crook! I earned each penny of my life!"). Gostaria de vê-lo escrever outro, agora, intitulado He was also a crook. anotado por Rafael - 04:02 PM
a ideologia do caosEm 1997 James Gleick solta nos EUA o seu best-seller Chaos, a New Science, elogiado por todos os jornais dos EUA como o "novo paradigma" do estudo das ciências. Em resumo: nas 352 páginas fica patente de que o substrato básico da vida, do universo, é caótico e incerto. O termo logo invade a contracultura e também em 1997, pouco antes de morrer, o papa da contracultura, o psicanalista e enfant-gaté de Harvard, Thimoty Leary diz a este repórter que "finalmente a física provou que a base do nosso universo é o caos." No escopo dessa comemoração estaria uma nova ideologia a corroer as ciências. É isso que aponta o exilado político Michael J. Billington. Para ele, zen budismo, taoísmo, idéia do caos, misticismo chinês, tão absorvidos pela contracultura dos anos 70, são novas formas de irracionalismo nascidos da ciência, isto é, da física. "A adoração do taoísmo como 'esforço internacional' para destruir o método da hipótese da mais alta hipótese de Platão, Nicolau de Cusa, Kepler e Leibniz tem culpados: são os físicos da escola de Copenhague, Niels Bohr e Wolfgang Pauli, e eugenistas holísticos britânicos, como Joseph Needham... Bertrand Russel, este é o homem mais perigoso do século XX", refere. Ao lado de toda essa gente, põe também Julian Huxley. Seu livro de 1900, A Critical Exposition of the Philosophy of Leibniz, refere Billington, expõe claramente a luta entre os empiristas britânicos "e a escola platônica da ciência cristã representada por Kepler, Leibniz e, no século XIX, por Georg Cantor e Bernhard Reinman." Ele aponta que o taoísmo, na China, era uma religião "folclórica" de pacificação, adotada pelo imperador chinês Ch in Shihuang, fundador da dinastia Ch in (221-206 a.C.) -- e um dos ídolos de Mao Tsé Tung -- e que tal adoção era um grande calmante para manter o povo onde estava. Senão, vejamos: a palavra básica do taoísmo é o wu wei, ou a não-ação. Se, na China, é tida e havida como um passou essencial para a reflexão, a estratégia da não-ação é em Billington algo ideológico: não-ação, defende, é igual às teses de Adam Smith sobre o laissez faire, como se sabe um adágio liberal e neoliberal, agora, e às demandas pela mão invisível do mercado. Portanto, em seu pensamento, postular a não-ação é antes de qualquer coisa fomentar o neoliberalismo. Como veremos, Billington conecta todas as atividades científicas de Niels Bohr e seu círculo a uma mal-disfarçada vontade liberal de mercado. Niels Henrik David Bohr foi o primeiro físico dinamarquês a receber o Nobel, em novembro de 1922. [...] Bohr explicou a anomalia dos elétrons fugindo do modelo de Rutheford, ou seja: pensou nos elétrons dispostos em degraus, não em órbitas [...]. Seu aluno preferido, Werner Heisenberg, ficaria famoso magnificando essas teorias no princípio da incerteza, ou seja, a dualidade onda-partícula [...]. Está aí a explicação do caos: as coisas, por esse princípio, podem ser elas mesmas e o contrário, ao mesmo tempo. Veremos que Billington se vale disso para traçar um quadro de ideologia nas ciências. Ele salienta na biografia de Bohr: foi criado no círculo filosófico de Harold Hoffding, um amigo de seu pai ligado à teosofia. Seu avô materno, D. B. Adler, fundou um dos maiores bancos da Dinamarca depois de ter feito fortuna em Londres. Entre os aliados de Adler estava ninguém menos que I. C. Jacobsen, fundador das Cervejarias Calsberg que, mais tarde patrocinariam todos os estudos de Bohr em Londres -- um círculo ardente de seguidores da teosofia de Madame Blavatsky. Aqui vai, portanto, a ousada ligação de Billington: em 1947 Bohr ganhou a Ordem do Elefante. Na cerimônia, escolheu o velho símbolo do Taoísmo para colocar sobre a medalha, no qual se lia o dístico latino Contraria sunt Complementa, os os opostos se completam do Ying e Yang taoísta. Para Billington, isso é pura ideologia liberal: um chamado a que pratiquemos a não-ação já que, sendo, como me disse Thimoty Leary, "o caos a base do universo", não nos restaria mais nada do que a meditação, ou seja: esperar que a mão invisível do mercado cuide de tudo. Nem entremos nas demais especulações de Billington, entre elas a de que "Bohr e Pauli se aliaram à crença no oculto. Pauli e Gustav Jung aceitaram a noção de complementariedade de Bohr e em 1952 escreveram The Interpretation of Nature and Psyche, na qual Jung veio com a idéia da sincronicidade e Pauli distorceu todo o pensamento de Kepler." Nem vamos entrar no mérito do que ele fala da famosa obra de Fritjof Capra, O Tao da Física, a partir de cuja crítica denuncia, nestas figuras proeminentes, idéias do new age, "do movimento do irracionalismo na ciência e do anti-desenvolvimentismo". [Trecho de A Falácia Genética, livro recém-lançado de Cláudio Tognolli que inspeciona a ideologia do DNA na imprensa. Mantive a formatação e a pontuação originais -- parece que o livro não foi revisado antes da impressão. Recomendo vivamente a leitura dos 2 primeiros capítulos. A melhor parte do terceiro é exatamente o excerto acima, um pitéu para polêmica e para os chegados numa teoria da conspiração (como eu). Moral da história: cuidado com seu orientalismo de fim de semana, você pode estar fortalecendo o capitalismo transacional neoliberal...] anotado por Rafael - 10:14 AM
junho 08, 2004a falta de estilo faz o homemRegina Casé se enganou quando disse que, se caísse uma bomba no Teatro Municipal durante aquela premiação, acabaria a música popular brasileira. A música popular brasileira passa longe da maior parte daquele arremedo de marketing cultural* representado ali dentro. Caísse mesmo a bomba, perderíamos o Jamelão e pouco mais. Espantei-me com a falta de estilo dos premiados; era enorme a presença do blaser-calça surrada-tênis entre os premiados: será que eles acham que se vestir com um nerd é elegante? Segundo o Lisandro, meu consultor para assuntos de moda, no fundo, no fundo todos queriam estar vestindo ternos com ombreira e usando mullet. Teriam feito isso nos anos 80 se pudessem, mas não tinham idade suficiente... A propósito: no meio de balés encenados por troupes de comunidades carentes, hip hop cantado por favelados, músicas sobre a vida na periferia ou no subúrbio, fiquei me perguntando se sobraria espaço para alguma estética e busca de beleza no meio de tanta contrapartida social... *Pergunta pertinente: quantas vezes por ano algum dos, hmmm, músicos ali presentes vai ao Municipal sem ser numa premiação dessas? Mudando de assunto, você viu Vênus? anotado por Rafael - 05:08 PM
ecos do fim de semanaEm conversa com o pessoal da Mosh!, no evento organizado pelo pessoal da Paralelos na Baratos, constatei o que, até então, era só delírio: quadrinhistas têm groupies. Pedro Sette passou por lá também, de bermuda e camiseta do PSG, a caminho da academia. Quadrinhistas com groupies. Eruditos que fazem spinning. Esse mundo tá muito confuso, mesmo. Deve ser a tal inversão de valores da pós-modernidade. Ou, segundo o Pedro, da globalização. Ou ainda, quem sabe, da blogalização. anotado por Rafael - 02:06 PM
olha a cabeleira do taunay![]() Largo da Carioca em 1816, pintura de Nicolas Antoine Taunay que não pode ser vista nas exposição do Museu Nacional de Belas Artes lembrando a missão francesa (obrigado, Napoleão!) ao Brasil, no começo do século XIX. Também faziam parte Grandjean de Montigny, arquiteto que desenhou a alfândega -- atual Casa França Brasil, aliás, também desenhada por ele -- onde está a outra parte da exposição; Marc Ferréz, escultor e gravador e Jean Baptiste Debret. Quando algum botocudo vier lhe falar em identidad lationamericana*, * Papo bastante em voga, agora com Diários de Motocicleta no ecrã. anotado por Rafael - 01:49 PM
junho 04, 2004PANTEÃO DOS PICARETASO mais apropriado seria chamá-los criadores de caso, pois nem todos aqui são 1. Andy Kaufman - comediante judeu norte-americano que ficou conhecido por números de humor nonsense, em muitos dos quais a piada era o próprio público. Por exemplo, punha para tocar a música-tema do Super Mouse e ficava cantando o refrão. Em frente a um auditório cheio, abria um livro clássico qualquer, bem gordo, e ficava lendo suas páginas no microfone. À medida em que ia ficando famoso, radicalizava nas pegadinhas: encenou ter quebrado o pescoço num desafio de telecatch e foi levado de colarinho duro ao hospital, ocultando o engodo até de sua família. Disfarçava-se como um cantor execrável, Tony Clifton, fazendo a todos crer que ele existia. Vegetariano convicto, morreu de um tipo de câncer antes de completar 40 anos. Em 2004, no aniversário de 20 anos de sua morte, começaram a surgir rumores de que ele não teria morrido: teria apenas se isolado e voltara a ativa escrevendo, veja só, num blog. Lenda urbana? Foi transformado em personagem de cinema no filme Man on the Moon e tem música do R.E.M. dedicada a ele. 2. Muhamad Ali - campeão olímpico de boxe aos 20 anos, campeão dos pesos pesados aos 24, contra todas as expectativas, sobre Sonny Liston. Encurralava o espírito esportivo ao fazer trocadilhos e provocações com os adversários, nas entrevistas. Fanfarrão, careteiro, converteu-se abertamente ao islamismo pouco depois do título, abandonando o nome Cassius Clay e adentrando a seita Nação do Islã, sob tutela de Elijah Muhamad. Recusou a convocação para ir para o Vietnã ("I got no quarrel against vietcongs") e teve seu cinturão cassado e o direito de lutar revogado, no que talvez tivesse sido o seu período mais fértil de atleta. Dois anos depois, após uma verdaderia campanha mobilizada por vários jornalistas esportivos, muitos dos quais tomaram-no por assunto de suas reportagens, voltou e recuperou o título. Nunca foi derrotado por nocaute, e no auge da popularidade era convidado para dar aulas magnas em universidades. Um documentário sobre sua defesa do título em 1974, contra George Foreman, ganhou o Oscar. É Fellow da Apple. 3. Bobby Fischer - Mais jovem campeão de xadrez norte-americano, ainda adolescente. Venceu 6 vezes o aberto de xadrez de seu país. Dizia gostar de esmagar o ego dos adversários, e de vê-los se contorcendo. Primeiro enxadrista a aparecer na capa da Sports Illustrated, na década de 60. Ainda bem jovem, começou a cobrar altas bolsas para participar de torneios, dinheiro que gastava mandando fazer ternos e roupas elegantes sob encomenda. Gostava particularmente da Argentina, onde tinha a chance de andar de cavalo e comer suculentos bifes de chorizo. Paranóico com a guerra fria, acusava os russos de jogarem em conjunto, armando resultados para retirarem-no do torneio (futuramente, mandaria arrancarem suas obturações de metal dos dentes por medo que fossem usadas para lavagem cerebral através da transmissão de ondas de pensamento). No campeonato de 1972 estressou meio mundo, ameaçando retirar sua participação se não lhe pagassem a bolsa que exigia, obrigando ao esvaziamento da platéia e ao desligamento das câmeras de televisão e faltando a jogos. Acabou derrotando Boris Spassky e tornando-se o primeiro norte-americano a se tornar campeão mundial de xadrez no século XX. Praticamente sumiu após isso, sendo visto no leste europeu, Califórnia, Filipinas (onde jogou a convite do ditador Ferdinand Marcos) e até Brasil. Perdeu uma pilha de quinquilharias (uma coleção de gibis antigos mexicanos, pôsteres de filmes japoneses dos anos 60, um saco de dólares de prata) para o governo federal quando deixou de pagar a taxa de depósito à companhia que as guardava. Em 1992, repetiu a disputa comemorativa com Spassky, numa ilha dum milionário iugoslavo, o que lhe valeu uma ordem de prisão, porque se desenrolava o conflito na Bósnia e os cidadãos norte-americanos estavam proibidos de fazer negócios com a Iugoslávia. Reapareceu recentemente, tendo feito declarações contra os EUA por ocasião do atentado de 11 de setembro. Suspeita-se que esteja jogando xadrez pela internet, sob pseudônimo, em algum canto do mundo. 4. Chuck Barris - Mudou-se para Hollywood na década de 60 com o estrito objetivo de trabalhar com televisão, arrumando subembregos até que tivesse a chance de emplacar uma de suas brilhantes idéias. Falsificou o currículo para arrumar emprego numa rede de televisão e anos depois. Conseguiu emplacar o piloto de um jogo televisivo no qual, sem ter acesso visual, uma jovem solteira entrevistava 3 candidatos a namorados - "The Dating Game". Foi um sucesso, que ele derivou para outros programas como "The Newlywed Game", "The Family Game" e "The Mpther-in-Law Game", cujos prêmios eram pequenos o suficiente para motivar os competidores a estarem ali apenas pela chance de competir. Fundou uma produtora de tv administrando os funcionários de maneira bastante liberal. Cansado de caçar talentos nas ruas, trouxe a seleção para a frente da câmera no "Gong Show", uma competição de calouros, que escreveu definitivamente seu nome na galeria dos grandes implantadores de lixo cultural na televisão. Abandonou o ofício aos poucos, e passou um ano morando e mofando numa suíte de hotel, durante o qual editou sua autobiografia, Confissões de uma Mente Perigosa, onde revelava ter sido agente e assassino da CIA durante os principais anos de produtor de tv. Teria arrumado esse emprego por acaso, nos piores anos de dureza, e continuou levando-o em paralelo -- ciceroneava o casal vencedor à uma cidade exótica para onde ia cumprir suas missões secretas. Alega ter participado da missão de assassinato de um antigo comparsa de Che Guevara no México, e ter tido um caso com uma sofisticada espiã européia, "Trisha" (Patricia). Sobreviveu a um câncer, e seu livro virou filme dirigido por George Clooney. Ainda está vivo, morando em Manhattan. 5. Larry Flint - insatisfeito com o mundo caro e blasé que a revista Playboy lhe apresentava, Larry resolveu criar sua própria revista, depois de trabalhar como gerente duma casa de strip-tease. Juntou-se aos amigos vagabundos e mandou pras bancas uma edição com foto de capa de Jackeline Kennedy meio desnuda no pior estilo papparazzo. Vendeu como água, acabou casando com Althea, uma das strippers locais, e foi empurrando cada vez mais para longe os limites editoriais, em sátiras escatológicas, closes ginecológicos e críticas ao puritanismo (o mesmo material-base de Hugh Hefner, aliás). Foi levado várias vezes à Corte, onde comparecia de capacete e fraldas ou com camisas de dizeres ofensivos. Num surto, converteu-se ao Cristianismo, virando cristão renascido e utilizava sua revista para divulgar a crença. Em atentado anônimo, levou uma bala na coluna, que o deixou paraplégico e acabou com sua carreira de crente. A imobilidade quase o levou à loucura e à dependência de drogas. Recuperou-se a tempo de ganhar a causa legal contra o reverendo Falwell (filmada por Milos Forman) e expandir seu império de pornografia, lançando títulos como Barely Legal (de ninfetas recém-chegadas à maioridade) e erguendo uma imensa torre negra com o título Flint Enterprises em Los Angeles. Dizem que implantou uma prótese peniana comandada por joystick, que lhe permitiria restaurar o prazer perdido com o tiro na coluna e a morte por overdose de Althea. Hoje, um de seus maiores prazeres é apostar somas vultuosas no black jack nas mesas de Las Vegas. Durante o processo de impeachment de Bill Clinton, ofereceu um milhão de dólares para quem oferecesse provas de envolvimento de qualquer membro do Congresso em escândalo semelhante. Ainda está vivo. 6. Lenny Bruce - judeu pobre, fez um pouco de tudo na vida antes de alcançar sucesso com seus números de humor, inclusive trabalhar na Marinha mercante, por conta da qual visitou alguns portos na Europa e travou contato com leituras como Kinsey e Kraft-Ebing. Mudou-se para San Francisco, onde despontou nos palcos da vizinhança de North Beach, com roteiros recheados de comentários sociais em plena época da luta pelos direitos civis. Começou a ser observado de perto pela polícia e foi aos tribunais, pela primeira vez, acusado de violar o padrão moral da vizinhança por ter dito alguns palavrões em seu número. Ganhou o processo no tribunal sob alegação de que o padrão moral da vizinhança de North Beach não era lá essas coisas para ser violado como o acusavam (numa das casas onde se apresentava, as noites de quarta eram dedicadas aos shows de strip-tease amadores dos moradores da vizinhança). Começou a ser chamado para dar shows em mais e mais casas noturnas, onde aumentava mais e mais o tom das piadas, colocando na roda até mesmo Eleanor Roosevelt. Por conta de uma rara doença, começou a tomar vários remédios à base de opiáceos, que lvaram-no à dependência em heroína. Vários flagrantes resultaram em inúmeros processos em diferentes estados, envolvendo-o numa espiral de trabalho, perseguição, processos e estafa que foi se intensificando ao longo dos anos 60. A sequência levou-o ao esgotamento financeiro e físico, morrendo de overdose na segunda metade década de 60, quando muito do que supostamente levou-lhe às barras do tribunal já era linguagem corrente nos meios de comunicação. Escreveu sua autobiografia em partes para a Playboy, só reunida postumamente no livro How to talk dirty and Influence People. Teve a vida retratada no filme Lenny, interpretado por 7. Hunter Thompson - Natural de Kentucky, sul dos EUA, foi o chamado delinquente juvenil, organizando as arruaças e bebedeiras de sua turma de rua. Ainda menor de idade, foi preso pouco antes de se graduar na High School, o que impediu-o de ter o diploma (os companheiros de arruaça foram liberados da prisão por serem de famílias tradicionais, com maior influência política). Da prisão foi para o alistamento militar, servindo pela aeronáutica na Flórida, onde escreveu para a seção de esportes do jornal da base. Deu baixa e tentou escrever sua versão pessoal de "The Great Gatsby", Rum Diary, nunca terminada. Escreveu pequenas reportagens para diversas publicações até arrumar um emprego de correspondente estrangeiro na América Latina no começo dos anos 60, quando chegou a morar no Brasil, assistiu às greves, aos discursos de Jango e por pouco não presenciou o golpe de 64. Voltou aos EUA, mudando-se para San Francisco, onde assitiu à explosão dos hippies no bairro de Haigh-Ashbury (exatamente para onde tinha ido por causa do baixo preço dos aluguéis) e ao aparecimento de uma gangue de motoqueiros chamada Hell's Angels. A familiaridade com os últimos rendeu-lhe um livro que catapultou seu prestígio de repórter. Foi chamado para escrever na recém-criada revista Rolling Stone, por conta da qual foi cobrir uma corrida de dragsters em Las Vegas. Tomou tanta coisa junta que teve delírios a perder de vista. A reportagem foi para a cucuia, mas os delírios e a total incapacidade em cumprir um prazo e esculpir um parágrafo que fosse para a redação, levou-o a desenvolver um estilo pessoal batizado por um amigo de gonzo, com o qual passaria a assinar todas as matérias dali pra frente e cujo livro síntese seria o relato da reportagem não feita: Fear and Loathing in Las Vegas. Virou ídolo da contra-cultura, nome respeitado no meio jornalístico, sobretudo depois de cobrir as prévias do Partido Democrata em 1972, no livro Fear and Loathing on Campaign Trail. Depois disso praticamente não concluiu mais nenhuma reportagem longa; limitava-se a torrar todo o seu adiantamento em drogas e extrair tudo o que o serviço de quarto do hotel fornecesse. Chegou a ir ao Vietnã para cobrir a guerra e ao Zaire, para a disputa Ali-Foreman, mas pouco fez. Dizem que se viciou em cocaína a partir de 71. Os direitos autorais lhe compraram um rancho em Aspen, onde concorreu a xerife (e perdeu) pelo Freak Party e mora até hoje, e passa o tempo dando tiros em pavões e falando mal do governo Bush. Há várias biografias a seu respeito, entre elas Hunter (de E. Jean Carrol) e a de Paul Perry, um filme biográfico, uma adaptação de seu trabalho maior, entre outros. No banco, em aquecimento: Frank Abagnale, Jr. Fazer uma lista dessas composta só por brasileiros é pelo menos 3 vezes mais difícil, porque as fronteiras de tudo são menos sólidas no país do carnaval, onde marginal é herói e herói não tem caráter. Tudo parece movido pelas circunstâncias, palmeirenese e corintiano pulam carnaval juntos e ainda não decidiram se Garrincha era melhor que Pelé. Nessa farofa em que os valores se misturam e trocam de sinais ininterruptamente, é muito mais complicado fazer um quem é quem, como os comentários ao texto do Inagaki sobre Nélson Piquet provam. Não me esqueço dos bate-bocas que rolaram na última vez em que joguei adedanha, por causa da categoria onde se devia apontar o nome de uma personalidade execrável -- sempre tinha alguém para atacar ou defender o judas dos outros. Sempre. anotado por Rafael - 01:25 PM
junho 03, 20043 x 1Lo que importa es el tennis, manchete do jornal esportivo argentino Olé de hoje, estampando foto de Nalbadian. Hehehe. anotado por Rafael - 01:43 PM
junho 02, 2004hq mixAcabei de preencher minha cédula de votação do 16o. Troféu HQ Mix. É a primeira vez em que voto, embora acompanhe a premiação desde sempre. O consenso é que a cédula ficou extensa, com categorias demais -- parece até que nosso mercado dá conta de todas... As novidades, para mim, são as premiações para Blog de Artista, Site sobre Quadrinhos, Site de Quadrinhos, Site de Autor. Espero que os irmãos Bá e Moon, que colocaram uma lista dos concorrentes no ar, ganhem em pelo menos uma categoria. Espero que Allan Sieber ganhe em pelo menos uma categoria. Espero que a Mosh! ganhe como Publicação Independente. Espero que Guilherme Caldas ganhe como desenhista revelação (desde que li seu título na coleção Tonto) e Rodrigo Rosa, como cartunista. Espero que a edição da Conrad para Noites sem Fim ganhe em alguma categoria, ao menos a de edição de quadrinhos nacional graficamente mais bem cuidada. Espero que Marvel Max ganhe como revista de aventura; todo mundo elogiou muito essa revista. Espero que o álbum Belo Horizonte, de Miguelanxo Prado para a Casa21, ganhe como Projeto Editorial (torceria por Projeto Gráfico também, se não fosse São Paulo de Paulo Caruso). Acho que Samuel Casal vai arrematar o troféu de melhor ilustrador. Estranho, mas fiquei com a impressão de que o Ziraldo tem chances de ganhar em pelo menos duas categorias: Álbum infantil (com Todo o Pererê 2) e Adaptação para outro Veículo (com o documentário Profissão: Cartunista). Gostaria de saber que a exposição Caricaturistas Brasileiros, do XV Salão Carioca de Humor, levou o prêmio de melhor exposição, mas duvido que vá acontecer. Finalmente, acho que o Laerte vai manter a escrita de nunca sair de lá com as mãos abanando: dessa vez, por causa de Overman, o álbum (Publicação de Tiras) ou como Cartunista. anotado por Rafael - 02:04 PM
junho 01, 2004me ajuda, groucho!![]() I sent the club a wire stating, Please accept my resignation. I don't care to belong to any club that will have me as a member. Sorry, wunderblogs; é que no mondo-exotica tem mais mulher ;)
anotado por Rafael - 11:24 AM
6 festival de humor de pernambuco![]() Menção honrosa para cartum e outros premiados no 6o. Festival Internacional de Quadrinhos e Humor de Pernambuco. Tem quadrinho do Guazzelli, tem charge do Dálcio Machado, tem cartum do Ronaldo... anotado por Rafael - 11:19 AM
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Lonely Planet Luis Eduardo me encheu tanto o saco que conseguiu um link só para a página dele aqui. Cataplum!
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