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agosto 30, 2004hábitos![]() Isso é só para não perder o hábito de trazer umas coisas dele pra cá. anotado por Rafael - 09:29 PM
sacrifícioO que é ter personalidade? Afirma-se que ter personalidade é não submeter-se a nada que não seja à própria "espontaneidade". Entenda-se a aquilo que dá gosto, prazer, tranqüilidade. Submeter-se ao culto de si, viver de egotrips, isso é ter personalidade. Rir-se da preguiça, disfarçá-la do que quer que seja ou mesmo deixar de a censurar nos outros sob o argumento de não se intrometer. Isso não se diz com todas as letras, pois dizer as coisas tal como são está fora de moda. E são esses os fatores que desagregam a personalidade. É o fazer apenas o que "dá vontade" que arruína o desenvolvimento de uma pessoa qua pessoa. Os que seguem a própria vontade auto-indulgente caem numa espécie de vala comum. O sacrifício distingue, dá relevo, hierarquiza. O gosto — a preguiça, a sensualidade, o desregramento dos sentidos — nivela por baixo. Uma sociedade regida pelo prazer é uma sociedade de iguais: famílias que consumem os mesmos produtos, assistem as mesmas novelas ou filmes alternativos, grupos reunidos em torno de interesses muito específicos ou partidários de modos de vida radicalmente minoritários, mas que não passam de massas de indivíduos caprichosos. A personalidade, por isso, só se desenvolve com o sacrifício. anotado por Rafael - 09:22 PM
agosto 29, 2004nóAs duas qualidades de um nó são: fazer o cabo não correr e ser reversível, isto é, poder ser tirado sem uma faca. anotado por Rafael - 05:05 AM
7 leisO interessante da matéria de capa dessa última Veja, Poder Interior -- por mais extranho que possa soar a construção "matéria da Veja interessante"-- é perceber o paradoxo que é a própria reportagem. A própria lista de sete passos para "construir uma vida interior" que sirva como couraça "para as agrssões do mundo moderno" é uma prova de que quem quer que seja que as siga está tentando fugir do mundo moderno usando as próprias armas desse mesmo mundo. Segundo a revista, Enriquecer a vida familiar, meditar habitualmente, adotar as boas causas, desenvolver uma vida espiritual, ler por prazer, ter passatempos e hobbies e cultivar um senso estético são a receita de uma vida mais significativa -- como se fosse possível colocar isso em receita. Gostei, particularmente, de constatar o quanto eu me enquadro nessas sete regras, e o quanto o leitor médio da Veja se afasta delas -- nem mesmo ler por prazer consegue (a menos que seja masoquista). Notei ainda que a maioria das regras exige que o sujeito abra tempo & espaço em sua vida para cumpri-las, de outra forma, como estabelecer rotinas familiares, cumprir ritos religiosos ou ter passatempos? Chega a ser engraçado comparar com as outras páginas, onde o sucesso e a eficiência são metas inescapáveis. O paradozo de que falo é que essas regras são dadas como dicas ao mesmo tempo para o sujeito escapar dos absurdos do mundo moderno e para se tornar um cidadão mais produtivo, ou seja, para se enquadrar no tal do mundo moderno. Gente tão diferente como Ghandi, Churchill, Proust, Erin Brocovitch e Zilda Arnas são citados como modelos de gente que transcendeu a rotina alcançando feitos de notável ressonância; o conjunto é heterogêneo o suficiente para que não se consiga tirar conclusão nenhuma dele. Muito do texto fixa a idéia de que ler é um ótimo começo, inclusive incluindo uma lista de 10 livros feita por Zé Mindlin. Acredito que quem vai lê-la é o mesmo tipo que declara à revista fazer meditação no elevador e no táxi. Haja concentração... anotado por Rafael - 05:02 AM
por aquiEnquanto aguardo um swell de arrepiar cabelinho de suvaco para a madrugada de hoje, a melhor história até agora foi a de um peão que ganhou 62 mil reais acertando no milhar. E tem gente que acha que as intituições nacionais não funcionam. Outra coisa: finalmente consegui fazer uma pinha de retinida decente. Para a próxima semana, me aguarda uma espetacular entrada na Baía de Guanabara, mais uma, a terceira desse ano, a terceira vez em que terei a chance de me sentir meio francês ao estar entre as fortalezas de Santa Cruz e São João. Para terminar de matar a Anna de inveja. anotado por Rafael - 04:44 AM
mais onçaAmigo da Onça no Paralelos e no SoBReCarGa. Ando sem assunto para escrever no último, é fato. anotado por Rafael - 04:39 AM
agosto 25, 2004sem lerSaíram na Bravo e no NoMínimo resenhas do livro dos Wunderblogs. A impressão que se tem é a de que nenhum dos resenhadores leu os livros por inteiro, e que Paulo Roberto Pires nem do prefácio passou. "Profissional faz a crítica só vendo a capa, quando muito, escuta a primeira faixa; ouvir o disco inteiro para escrever é coisa de amador", André Forastieri. anotado por Rafael - 11:07 AM
País produz mais e come menosAs safras recordes de alimentos não tiveram qualquer impacto na redução da fome no país, mostra estudo da FGV. anotado por Rafael - 09:36 AM
Você conheceVocê conhece o tipo. Tem por volta de 30 anos, é urbana, solteira e já adquiriu uma certa estabilidade na profissão. Muda de cabelo ou de esmalte pelo menos duas vezes por mês. Acha as discussões do Saia Justa interessantes; viu Tiros em Columbine e Farenheit 11/09 e gostou; lê a Fernanda Young e a Martha Medeiros e não perde um Sex and the City. Pensa que a Samantha é meio vagabunda, mas no fundo, no fundo, gostaria de ser um pouco como ela. Fuma. Tem uma tatuagem, discreta. Se orgulha de sua independência financeira (ou quase), de morar sozinha, de ir pra cama na mesma noite, de dirigir, de ter conteúdo. Mas enterraria tudo isso (ou quase) em nome de uma paixão -- mesmo que não seja a definitiva --, de constituir família, de ter um filho. Que nem as personagens de Sex and the City. anotado por Rafael - 09:33 AM
agosto 24, 2004Sete instituições nacionais- o flanelinha; anotado por Rafael - 10:12 AM
satisfaçãoEu não posso negar que dá um calorzinho bom na barriga a idéia de que tem um campeão mundial na sala ali ao lado. anotado por Rafael - 10:10 AM
agosto 23, 2004o guia do mochileiro das galáxiasÉ um fato important, e conhecido por todos, que as coisas nem sempre são o que parecem ser. Por exemplo, no planeta Terra os homens sempre se consideram mais inteligentes que os golfinhos, porque haviam criado tanta coisa -- a roda, Nova Iorque, as guerras, etc. -- enquanto os golfinhos só sabiam nadar e se divertir. Porém, os golfinhos, por sua vez, sempre se acharam muito mais inteligentes que os homens -- exatamente pelos mesmos motivos. Curiosamente, há muito que os golfinhos sabiam da iminente destruição do planeta, e faziam tudo para alertar a humanidade; porém suas tentativas de comunicação eram geralmente interpretadas como gestos lúdicos com o objetivo de rebater bolas ou pedir comida, e por isso eles acabaram desistindo e abandonaram a Terra por seus próprios meios antes que os vogons chegassem. A derradeira mensagem dos golfinhos foi entendida como uma tentativa extraordinariamente sofisticada de dar uma cambalhota dupla para trás assobiando o hino nacional dos EStados Unidos, mas na verdade o significado da mensagem era: Adeus, e obrigado por todos os peixes. Na verdade havia no planeta uma única espécie mais inteligente que os golfinhos, que passava boa parte do tempo nos laboratórios de pesquisas de comportamento, correndo atrás de rodas e realizando experiências incrivelmente elegantes e sutis com seres humanos. o fato de que mais uma vez os homens interpretaram seu relacionamento com essas criaturas de modo totalmente errado era exatamente o que estava nos planos elaborados por elas. [Capítulo 23 d'O Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams, tradução de Paulo Fernandes Henrique Britto e Carlos Irineu da Costa] anotado por Rafael - 04:45 PM
mochileiro das galáxias![]() Nos idos adolescentes, a tríade de leituras nerd era composta pela saga do Senhor dos Anéis, pelo Mochileiro das Galáxias e pelos escritos de Asimov. Claro, havia mais gente: Clarke e Heinlen, Michael Moorock, Stephen King e Clive Baker, algum H.P. Lovecraft, etc. Dessa turma toda, só li, naquela época, o Asimov dos robôs e uns contos do Lovecraft, o que me deixa particularmente feliz ao ver que eu já selecionava direito o que queria ler. Talvez por causa da inacessibilidade, talvez pelo humor meio safra Monty Phyton, o Mochileiro era o mais badalado -- e só agora, lendo a edição recente (obrigado, Daniel), vejo que havia certa justiça naquilo. Afinal, Douglas Adams, em meio a um roteiro desmiolado, previu alguns dos inventos que seriam futuramente postos em prática, a marca da boa ficção científica. A descrição que ele faz do manual do mochileiro das galáxias é a perfeita descrição de um e-book, um dispositivo dedicado para leitura de livros tão grossos cujo transporte seria impraticável se não fosse digitalizado, ou seja, uma tela que mostrasse as informações requisitadas via teclado, não passa de um PDA, um palmtop, como inúmeros que há por aí. Também me chamou a atenção a descrição do controle de som de um equipamento, que ele diz ter evoluído de botões e alavancas para uma tela onde se roçavam os dedos até um leitor ótico controlado por movimentos à distância -- exatamente como encontramos num aparelho de som hi-fi, num ciaxa eletrônico e num mouse ótico, respectivamente. O livro original é do final da década de 70, mas essa sacada sobre as interfaces não é tão óbvia quanto pode parecer: pergunte quantas pessoas achavam que o mouse seria a interface do futuro em 1979. E a resposta do supercomputador sobre o sentido da Vida, do Universo e Tudo o Mais é um momento antológico da ficção científica. Agora, você já sabe o motivo do nome desse blog. Bônus: leia a introdução do livro, em tradução de Paulo Henriques Britto. (A Sextante promete lançar a série toda, e O Restaurante no Fim do Universo já está nas prateleiras). anotado por Rafael - 04:22 PM
adivinhe quem vem para jantarSe através do Orkut você descobria que todo mundo é popular e adorado, através do Multiply você descobre que qualquer um é um grande cozinheiro... anotado por Rafael - 03:49 PM
o candidatoAcabo de descobrir que um de meus ex-colegas é candidato a vereador. Vinte anos não foram suficientes para confundir a memória. Ao menos, ainda não mandou spam eleitoral. Nem pendurou cartazes ou galhardetes pela cidade, mas é só por causa da lei que proibiu esse tipo de poluição visual, dado o chiqueiro em que a cidade se transformava. anotado por Rafael - 02:41 PM
agosto 20, 2004no arNo SoBReCarGa, uma adaptação do que escrevi para o livro O Banquete, de Caco Galhardo e Marcelo Mirisola. No Paralelos, o texto sobre O Amigo da Onça. anotado por Rafael - 11:43 AM
agosto 19, 2004PÉRICLES, HÁ 40 ANOS
Ainda menor de idade, chegou ao Rio de Janeiro, carta de recomendação para Leão Gondim de Oliveira debaixo do braço: Leão era o grão-vizir dos Diários Associados, então a mais poderosa rede de comunicações do país. Em sua estréia, a 6 de junho de 1942, era o funcionário mais jovem da empresa (Millôr -- até pouco antes Milton -- Fernandes faria 18 anos pouco depois). Em menos de um ano, emplacaria seu primeiro personagem cômico no Diário da Noite: Oliveira, o trapalhão. Em 1943 O Cruzeiro já iniciara a escalada de vendas que lhe tornaria a revista mais vendida do Brasil de todos os tempos, baseada numa equipe jovem e prenhe de talentos em gestação, quando não prontos. A edição já se fixara em determinadas seções e nomes de consistência e qualidade suficientes para merecerem a estabilidade, e a Péricles seria encomendado um tipo humorístico para ocupar piadas de uma página, que traduzisse "a verve típica e o humor carioca", que captasse "o estado de espírito daquele que vive no Rio de Janeiro, não importa onde tenha nascido". Tarefa nem um pouco trivial, aliás. Rabisca pra cá, rabisca para lá, Péricles coloca o lápis para pensar e emerge uma figura que lhe parece apropriada para gags visuais: baixinho, cabelo penteado para trás à base de gumex, summer jacket, bigodinho safado, olhar de peixe morto. Era alinhado demais para ser um dos cafajestes de Nélson Rodrigues, tinha o jeito cínico demais para ser um dos personagens encarnados por Zé Trindade ou Oscarito nas chanchadas da Atlântida e, ao mesmo tempo, moleque demais para ser a versão tupiniquim dum golpista internacional interpretado por David Niven. É curioso notar a semelhança com Lamartine Babo, sobretudo depois da meia-idade, ainda que o mais provável é que Péricles tenha buscado um retrato genérico: uma foto da redação d'O Cruzeiro em meados dos anos 50 traria uma coleção de sujeitos de cabelo penteado para trás, bigodinho e paletó branco... (Aliás, a semelhança da redação d'O Cruzeiro com o Amigo da Onça não era apenas física, mas psicológica; não é difícil imaginar quantas idéias devem ter surgido a partir de pilhérias entre os funcionários da revista.) Além da contratação, coube a Leão Gondim o batismo do personagem, baseado numa piada gasta, em voga naqueles dias. Assim, o Amigo da Onça estreou em 23 de outubro de 1943, capturando de imediato a atenção dos leitores. Ao batizar o personagem, Gondim percebeu sua característica fundamental, responsável pela chamada "identificação" do público: a ausência de caráter que denuncia o anti-herói brasileiro, de Brás Cubas a Macunaíma. O sucesso do Amigo da Onça entre os leitores não pode ser explicado apenas pelo efeito de catarse que ele provocava ao cometer as maldades que, secretamente, seu público desejava mas nunca levara a cabo: pregar uma peça na sogra, dar uma cama-de-gato no chato que sempre pedia dinheiro emprestado, botar uma armadilha para o chefe mal-humorado. Havia algo mais ali, havia um deleite sádico em se comprazer com a desgraça alheia (mesmo que sem motivo), o sentimento precisamente descrito por uma palavra alemã: schadenfreude. Era o humor despido de sua armadura vingativa, de suas cores redentoras, que brada a nudez do rei, que castiga a moral rindo; humor em sua forma mais simples: ilógico, anárquico, estúpido, universal. ![]() Não que diversas vezes Péricles não tenha preferido localizar a piada, utilizando o Amigo da Onça para fazer jornalismo ou crítica de costumes. Em dois exemplos notáveis, o Amigo incentiva Boris Pasternak, escritor vítima do stalinismo, a ir buscar seu prêmio Nobel e convida Nat King Cole a fazer uma turnê na Cidade do Cabo, em pleno apartheid. Também é fácil encontrar muitas situações em que o Amigo da Onça esculhamba instituições como o casamento ou as forças armadas e desnuda a hipocrisia social contida nos bons modos forçados, na falsa elegância, no jogo de aparências. Nada que diminuísse o caráter universal do personagem, afinal exército e casamento são alvos de humoristas até hoje -- para não sair da mesma revista, algumas páginas antes podiam-se encontrar gracinhas de Millôr Fernandes ou Carlos Estevão sobre os mesmos temas -- e crítica social era algo que Moliére já fazia em suas peças, 200 anos atrás. O que atraía os leitores era mesmo o retrato do homem como lobo do homem. O Amigo da Onça foi publicado durante mais de 20 anos ininterruptos em O Cruzeiro. Não era o único trabalho de Péricles, mas logo se veria o quão difícil era desvincular seu nome do personagem, ao contrário de repórteres como David Nasser e Jean Manzon, desenhistas de humor como Carlos Estevão ou escritores como Rachel de Queiroz, que transformaram seus nomes em grifes. Na década de 50, uma pesquisa de opinião indicou que O Amigo da Onça era a seção preferida, com margem de folga, entre os leitores, revista então lida em todo o país, ultrapassando a televisão e rivalizando com o rádio na penetração junto ao público. É apressado enxergar no Amigo um alter ego da personalidade instável de Péricles, boêmio inveterado -- o que não o fazia diferente de inúmeros colegas de profissão. Esse tipo de hipótese clichê costuma ser levantada toda vez que se busca uma razão para o suicídio de Péricles Maranhão, ocorrido há 40 anos -- como se houvesse razão num suicídio. Foi incorporado pelo personagem. Matou-se para não matá-lo. Não soube lidar com a fama. Seja como for, Péricles manteve até os estertores o espírito gozador: no bilhete que deixou, após ligar o gás e fechar portas e janelas, lia-se: "Não risquem fósforos". Como se houvesse razão no humor. O cartunista Carlos Estevão continuou fazendo as páginas do Amigo da Onça após a morte do companheiro. O personagem foi revivido pelo menos mais duas vezes de lá para cá, tentativas mal sucedidas em termos de audiência. Nesse ano, em que se completam 4 décadas da morte de Péricles, foi ao ar na TV Senac um documentário, com entrevistas de colecionadores, artistas e da viúva do cartunista. O site Memória Viva tem sido atualizado periodicamente com páginas digitalizadas e ainda que a expressão tenha perdido um pouco do prestígio, é possível encontrar amigos da onça em outras encarnações hoje em dia, inclusive virtuais. Em 2004 completam-se 40 anos da morte de Péricles e 80 anos de seu nascimento. anotado por Rafael - 11:00 AM
Cabelo ruim é que nem assaltante...ou tá armado ou tá preso anotado por Rafael - 10:51 AM
embrulhando peixeCheia de novidades a leitura do jornal de hoje: - O Conselho de Ensino de Graduação da Escola de Medicina da UFRJ vetou a implementação de um sistema de cotas para o vestibular deste ano, na primeira manifestação pública contra qualquer tipo de reserva de vagas. A alegação é que a medida pode afetar diretamente a qualidade do ensino, que em cinco edições do Provão só obteve o conceito A. A repercussão, como não poderia deixar de ser, está cheia de formalismos por parte do governo ("respeitamos a opinião", "estimulamos o debate" etc) e chiadeiras por parte de representantes da sociedade civil. - No Rio, os motoristas andam abusando tanto da imaginação ao bolarem suas justificativas nos recursos de anulação das multas que o analista do DETRAN já se tornou um emprego tão concorrido quanto o do Dapieve ou do Juarez Becoza. - Muito do que Zélia Duncan conta, tentando refazer a imagem de Aracy de Almeida, nesta reportagem, encontra semelhanças com o perfil que escrevi há pouco tempo. anotado por Rafael - 10:48 AM
agosto 17, 20042Dois anos de Na Cara do Gol hoje. Chegou tão sorrateiro que nem preparei nada especial para comemorar, por mais que o trivial daqui já seja animado. Vai aqui um obrigado especial à Patricia. anotado por Rafael - 01:19 PM
o brasil e o iraque"O Brasil não está silencioso diante da recolonização do Iraque. O governo de Luis Inácio Lula da Silva apóia pública e institucionalmente a ocupação. No rodízio da ONU, o Brasil ocupa no momento uma cadeira no Conselho de Segurança. No dia 8 de junho passado, o Conselho aprovou uma resolução, a de número 1546, sustentando integralmente o governo iraquiano. Mais: a resolução afirma que as forças militares da coalizão estão autorizadas a tomar "todas as medidas necessárias" no Iraque, pois o país "continua a constituir uma ameaça à paz e à segurança internacionais". Ou seja, o Iraque, que não tem exército constituído nem armas de destruição em massa, segue sendo uma ameaça que só a coalizão pode fazer frente. A resolução 1546 foi aprovada com o voto do Brasil." "O governo do PT manteve a mesma posição que adotou no Haiti, quando apoiou um golpe militar e uma invasão, urdidas pela França e pelos Estados Unidos, para derrubar um governo soberano. Ao Haiti, mandou tropas e jogadores de futebol. No Iraque, bastou o seu votinho. É por isso que o Brasil demonstra tanto interesse em ter uma cadeira permanente no Conselho de Segurança: para poder tocar pandeiro no concerto das nações, seguindo o ritmo decretado pelos senhores do mundo. A isso se chama política externa E para isso, o "Brasil vai quitar suas dívidas com a ONU, que já chegam a US$ 119 milhões. Com isso, remove um dos principais argumentos — usado pela Alemanha, sobretudo — contra a presença brasileira no Conselho de Segurança da ONU." (do Ancelmo Góes) Sem comentários. anotado por Rafael - 01:15 PM
o banquete![]() Não punha muita fé nesse livrinho que a Barracuda lançou: desenhos de Caco Galhardo combinados a textos de Marcelo Mirisola? O que conhecia do humor do Caco para os Cabeçudos, pouco me empolgara; Mirisola me divertiu em alguns contos curtos, bem curtos -- quanto menor, melhor o conto -- mas desgostei profundamente do romance O Azul do Filho Morto. A proposta do livro era aproveitar os desenhos de mulheres nuas ou semi que Caco Galhardo produzira quase como hobby para sua página, elevando-as a personagens através de enredos inventados por Mirisola. Me indaguei se ele não colocaria tudo a perder, transformando cada mulher numa das pobres-coitadas desumanizados de suas narrativas. Desenhar mulher pelada é um tesão; todo mundo que desenha, aprendeu, mesmo que em parte, só para desenhar mulher nua, ou quase -- do Alceu das garotas ao Boris Vallejo. Com Caco não é diferente, só que quando ele parou para contar, tinha passado da segunda centena. As moçoilas de Galhardo não se exibem para o artista; foram pegas em plena intimidade e languidez, de tal sorte alheias ao olhar bisbilhoteiro do desenhista, e em situações tão fugazes que o lápis lembra mais um flagra fotográfico do que uma recriação sobre o papel. Desnudam-se porque não estão sendo vistas, ou por estarem em companhia de amantes, de amigos. Isso se você acredita em amizade entre homens e mulheres. O traço é menos cartunizado do que nos Pescoçudos; há curvas suficientes para que o leitor encontre sensualidade e o tal tesão de que falei, ali. É como se estivesse à procura da assim chamada nudez espontânea, desejada em todos os ensaios da Trip e inventada originalmente pela Playboy. Apesar de alcançar momentos de rara invenção e até uma certa poesia, os textos mais marcantes de Mirisola (ou não seria Mirisola), são os que transpiram ressentimento, desde a dedicatória ("a todas as mulheres que não me quiseram"): "o sapatinho ela comprou no brechó"; "uma raça de mulheres aguadas que, além de mal disfarçar o semi-analfabetismo, a jequice e a ambição, chama o cliente de 'pai'", "ela não tem celular e se acha 'diferente' das outras garotas por conta disso. Orgulha-se, até", "quase tímida se não fosse meio caipira" etc, aquele troço: puto porque não comeu. Claro, também tem muito aquela palavrinha, que ele adora, com dois x; tem desilusão, vazio existencial, nostalgia rota -- ou não seria Mirisola, de novo. As taras e os fetiches eu nem vou contar, num livro fetichista por proposta. No posfácio, Caco Galhardo diz que pretende com o livro "proporcionar uma peça de erotismo que forneça esse algo mais ao leitor". É difícil afirmar com segurança que ele conseguiu, porque a ingenuidade estilizada de seu traço não conseguiu incorporar a expressividade bruta dos grafites de rua, pixações de porta de banheiro, desenho em tampo de carteira de colégio, cartum de fanzine (como fizeram com brilho Tom B e MZK), nem atingiu o estágio de simplicidade sofisticada de Loustal ou Fabio Zimbres; Mirisola, por sua vez, nos melhores momentos está evocando um fetiche, uma fantasia ou um tabu, sempre mais banal do que refinado. O livro conta ainda com a participação especial do diretor teatral Mário Bortolotto, comparsa de Mirisola, na criação da última personagem, e arrisca uma viés interativo ao convidar o leitor a escrever sua própria história sobre a última gostosa do livro, ainda não batizada. anotado por Rafael - 09:30 AM
agosto 16, 2004um dois três1) Quem não conhecia, conheceu agora: Orkut na capa da Época. Até as organizações Globo estão sabendo. 2) Ricky Goodwin coleciona reações dos cartunistas à proposta do Conselho Federal de Jornalismo. 3) Agora conheçam Pavitr Prabhakar, seu amigão da vizinhança em Bombaim. Vocês não têm idéia do que seja globalização, e ainda ficam aí, preocupados com meia dúzia de islamistas. anotado por Rafael - 02:17 PM
coisas que eu tenho que ouvir-- E desde quando formador de opinião paga para ir ao cinema? (e eu conheço gente que tem a panache de dizer coisas assim numa sala cheia.) anotado por Rafael - 09:16 AM
agosto 13, 2004100 anos de botafogoParafraseando Ivan Lessa, botafoguense não por acaso, errar é humano, mas torcer para o Botafogo só pode ser coisa de brasileiro. Nelson Rodrigues, que criptografou a alma de cada time e suas respectivas torcidas, dedicou páginas e páginas ao caráter trágico do sofrimento botafoguense: Garrincha, para ser Garrincha, tinha que ter sido cria do Botafogo (o mesmo pode ser dito de Didi e Nilton Santos, em menor escala). É mais do que simbólico, é sintomático que grande parte dos chamados intelequituais brasileiros torça para o Botafogo (como pôde-se ver pela fila de autógrafos no livro do Sérgio Augusto). Ás vezes, me pego matutando se o Botafogo não é uma metonímia do Brasil*. E agora está completando 100 anos, sob o fantasma do rebaixamento -- o segundo. ![]() *Mas continuo Flamengo, até morrer. anotado por Rafael - 02:26 PM
agora é chicSer inteligente agora é chic. Há todo um sex appeal em demonstrar inteligência. Se São Tomás fosse vivo, as mulheres freqüentariam suas palestras para gritar "gostoso" durante a exposição da unidade da trindade. Claro que isso não é de hoje. A gregaiada já achava uma gracinha ser inteligente. Exemplo grátis: Alcibíades, na calada da noite, tentou praticar "ilicitudes" com Sócrates; Sócrates era mais feio que mudança de pobre; logo, ser inteligente tornava Sócrates really hot. anotado por Rafael - 01:57 PM
casual fridayO mundo corporativo é uma imensa fonte de diversões. A última que me contaram diz respeito à essa instituição que macaqueamos dos gringos, a casual friday (sexta-feira casual). Casual, como se sabe, é o eufemismo que editorial de moda usa para não dizer esculhambado. Casual friday, portanto, seria aquele dia em que os funcionários poderiam flexibilizar o dressing code da empresa, não por acaso escolhido na sexta-feira. Pois eu soube que numa grande empresa estatal onde rolava a prática da casual friday, tinha um certo diretor que ia sempre na maior beca, cinto combinando com sapato, mangas enroladas até o cotovelo, aquele babado. Diz que na sexta-feira ele ia igualzinho. Só que com a camisa para fora da calça. anotado por Rafael - 01:53 PM
jaguar por paulo carusoNo caso do humor, além das vaidades, não seria também o característico mau-humor dos humoristas responsável pela desagregação? PC – O Jaguar é um exemplo disso. É um grande humorista, mas eu já passei várias situações vendo o mau-humor dele. Num bar, ele chegou, aí um sujeito puxou assunto com ele, e ele convidou o sujeito para sentar na mesa. Com o tempo, o cara se revela um chato. De repente, o Jaguar vira para o sujeito aos berros: "Escuta, quem te convidou para sentar aqui, não quero você aqui. Vai embora, filho da puta..." No dia seguinte, nós fomos beber no mesmo bar e sentamos. O cara chato estava na mesa do lado. De repente, papo rolando e o Jaguar diz: "E aí, companheiro, chega mais, senta aqui". Alguém perguntou para ele se ele não se lembrava que ele tinha expulsado o cara da mesa no dia anterior. Ele espantado, falou: "Eu?" De repente, novamente o cara vai se tornando um chato e novamente o Jaguar expulsa aos berros o sujeito da mesa, olha para quem tinha perguntado se ele não se lembrava do ocorrido e grita: "E, você, amanhã vê se não me lembra disso, hein!" Tem outros casos do Jaguar? PC – Tem essa história que lá pelas tantas ele resolve casar com a cozinheira, a empregada dele, a Preta. Ele disse que um dia chegou em casa e a empregada estava completamente nua e se joga em cima dele. Ele é um cara familiar, uma pessoa absolutamente fiel, não consegue ter amante. Está com uma mulher e só com uma. Aí abriu o jogo com a mulher, aconteceu e ele saiu com a nova mulher. Uma confusão familiar e depois disso ele fala para Preta que tinha conseguido um apartamento lindo em Botafogo (bairro do Rio de Janeiro). A Preta olha para ele e diz: "O quê? Levo minha vida inteira para chegar no Leme, caso com o patrão e vou voltar para Botafogo!" anotado por Rafael - 01:45 PM
mahlerSábado (amanhã) tem a sexta de Mahler no Municipal. Me disseram que é rara a sua execução. anotado por Rafael - 01:41 PM
agosto 12, 2004monsuetoSambista, percursionista, ator de humor, Monsueto era, nas décadas de 50 e 60 do século passado, assim como uma espécie de Mussum avant-la-lettre, uma figuraça que, como tantos de sua geração, "subiu" cedo demais -- estivesse vivo, completaria 80 anos em 2004. Suas letras têm a qualidade dos clássicos populares: Se você não me queria
A fonte secou Não deves mais me procurar
Se seu corpo ficasse marcado
Castigue o couro do falecido
Monsueto disseminou gírias que passaram à linguagem coloquial, renovando-a, como "castiga", "vou botar pra jambrar", "diz", "ziriguidum" ou "mora" (com o sentido de entender, sacar). Conta a cantora Marlene que, devido ao suicídio de Getúlio Vargas, e 1954, a direção do Hotel Copacabana Palace impediu-a de gravar O Couro do Falecido, prontamente substituída por Mora na Filosofia. Apesar do tom tristonho, as músicas eram costumeiramente tocadas no carnaval e cantadas alegremente pelos foliões. anotado por Rafael - 04:15 PM
ai que loucuraAlô alô Dante! Alô alô Ruy Goiaba! Vocês não sabem, mas já está rolando num jornal carioca uma coluna semanal daquela que é o grande modelo intelectual e artístico de vocês dois! Ela, que cunhou a frase que dá nome a esta nota e que serve de inspiração para nossos momentos de tédio! Ela mesmo, galera. anotado por Rafael - 09:12 AM
crescei-vosPronto! Terminei de construir meu perfil no Multiply e "adicionei" "contatos" -- acho que eles escolheram contatos para ficar menos íntimo do que os "amigos" do Orkut. O quanto apanhei para fazer essas tarefas me credencia para um atestado não-nerd 2 estrelas. anotado por Rafael - 09:07 AM
agosto 10, 2004fabio danesi rossi![]() TODAS AS FESTAS FELIZES DEMAIS, de Fabio Danesi Rossi Lançamento amanhã, quarta-feira, dia 11 de agosto de 2004, das 18h00 às 23h00 na Casa do Saber, sito à Rua Doutor Mario Ferraz, 414 (Jardim Paulista) em São Paulo. [indicações de trajeto retiradas dos wunderblogs:] De carro, seguir a Faria Lima pela pista do shopping Iguatemi. Entrar à direita na primeira rua ANTES do cruzamento com a Cidade Jardim -- rua Professor Arthur Ramos -- e à esquerda na Mário Ferraz. Uma vez na Professor Arthur Ramos, deve-se entrar à esquerda na Mário Ferraz. Se a pessoa vier pela Faria Lima, passar o cruzamento com a Cidade Jardim e entrar na rua à direita imediatamente antes da Adolfo Tabacow -- que se chama Jorge Coelho, salvo engano -- não vai chegar à Mário Ferraz, e sim a uma rua paralela chamada Araçari. Quem entra na própria Tabacow chega à Mário Ferraz, mas depois da Casa do Saber (e a rua, ali, é só mão para a esquerda). [que raio de cidade complicada dos diabos!] Pelo relato dele, causei uma baita impressão no Fabio quando nos conhecemos pessoalmente. Não sei se ele sabe, ou sabia até hoje, que ele também me causou uma bela impressão: no que se propunha a ser o primeiro encontro oficial de colaboradores de uma revista virtual, Fabio trouxe a reboque namorada, amigos & amigas, acabando com qualquer chance de formalidade possível e tornando o papo muito mais divertido. Aquele sujeito agregador e gentil seria imagem fixa em minha mente nos anos seguintes, nos vários encontros que tivemos dos dois lados da ponte aérea -- ele é um dos poucos paulistanos que conheço que se rendeu publicamente ao balneário; pra carioca, só precisa aprender a acordar mais cedo e andar de bermuda. E dar um jeito no sotaque, claro. Durante esses anos, ouvi o tempo todo, tanto de amigos em comum como de gente para quem Fabio Danesi Rossi era apenas mais um punhado de bits, elogios intensos aos seus contos. Nunca me furtei a juntar-me a essas loas, ainda que a proximidade sempre tenha feito, aos meus olhos, o homem maior do que o escritor. Talvez só agora, com a chance que a distância e o lançamento do livro dos Wunderblogs me deram, é que pude julgar corretamente seu poder de fogo literário. E, se é que possível, me surpreendi alegremente. Fabio Danesi Rossi tem enredo, temática e estilo definidos -- e agora, até um livro publicado. E eu, numa parceria engatada com ele, só tenho motivos para ficar feliz. anotado por Rafael - 10:36 AM
agosto 09, 2004Há os que se incomodam com a obra de arte de [Michael] Moore, procurando brechas em suas informações, atribuídas a um maniqueísmo que certamente ninguém cobra de 97% a 98% da produção hollywoodiana, a favor da situação. Ora, façam-me o favor. anotado por Rafael - 01:28 PM
lápis na mãoDrawing is information with feeling, Quentin Blake ![]() anotado por Rafael - 10:42 AM
dois coelhosGonzo.com.br acabou. Fraude também. Pra valer, acredito que dessa vez, posto que falta de dinheiro sempre é mais fácil de ser contornada do que falta de saco. anotado por Rafael - 10:39 AM
agosto 05, 20043 exposições e 1 concurso1: 2: ![]() [Não é exagero dizer que Santiago é um dos melhores cartunistas do mundo] 3: ![]() e +: anotado por Rafael - 10:30 AM
mariana massaraniEu às vezes achava os desenhos da Mariana Newlands parecidos com os de sua xará, Mariana Massarani, cujo traço conheci extensivamente por causa do Jornal do Brasil -- ela ilustrava de tudo: colunas, opinião, reportagem. Não me chamava muito a atenção, certamente por causa da simplicidade gráfica a que o prazo obrigava, mas mudei de opinião quando descobri suas ilustrações para outras mídias, livros infantis, encontrando até inesperada influência de Steinberg aqui e ali. Agora vi que ela também em um blog: muitos desenhos (c) mariana massarani -- no estilo de que ela gosta. ![]() anotado por Rafael - 10:20 AM
seja herói (vivendo com salário mínimo)Quem gosta de marginal é intelectual, o povo gosta é de gente honesta e trabalhadora. anotado por Rafael - 09:58 AM
agosto 04, 2004estátuas do rio -- ou melhor, de niterói![]() No meio do Caminho Niemeyer, ora em construção, fica um extenso banco sinuoso com dois camaradas sentadinhos, ignorados por quem ali passa a caminho da Universidade Federal Fluminense, como tantos móveis urbanos: Oscar Niemeyer e Juscelino Kubitschek. Não esperaram Oscar morrer para construir sua estátua, assim como não esperaram terminar a construção do Caminho para inaugurá-lo. Agora o anedótico Araribóia, de costas para a cidade, na estação das barcas, não está mais sozinho, embora ainda não tenham conseguido fazer um homenageado mirar a terra de Juliana Paes (os dois ali estão preocupados com os planos de Brasília ou Pampulha). Foto: O Globo. anotado por Rafael - 09:29 AM
carlos imperialCarlos Imperial poderia ser assunto de uma nota tão extensa quanto a que escrevi sobre Wilson Simonal. A diferença fundamental entre ambos é que Imperial liderava, sabia o que estava fazendo. Não vou escrever porque acho melhor deixá-lo falar por si mesmo, através das citações que encontrei nesse blog (dica da Dunia, via Arnaldo, ufa): Eu falo qualquer assunto. Tenho uma cultura privilegiada, sou filho de pais ricos. Mas um dia entendi que o bonzinho não está com nada e resolvi adotar um processo polêmico. (…) Eu queria vaia porque só ela consagra o artista. Todo artista, ao entrar em cena, era recebido com uma salva de palmas. Só havia mocinho na televisão. Ora, não pode haver mocinho sem bandido. Então me deu aquele estalo: o bacana devia ser tentar o outro lado, o do vilão. Empenhado nisso, combinei com o câmera para me pegar sempre com o dedo no nariz, coçando a barriga, cuspindo no chão, etc. Minha meta era agredir o público. A questão aqui nem é resgatar a figura de Carlos Imperial, já que ele não tem por assim dizer uma obra merecedora de resgate, muito menos uma dessas desatradas tentativas de revisionismo que tendem a supervalorizar o que sempre foi claro segundo escalão, em geral por meros motivos mercadológicos -- como ocorre nesse exato momento com Erasmo Carlos e, por pouco, não ocorreu com Mussum. É tão somente estudar o que aconteceu, dar uma chance à História e colocar de lado, por uns instantes que sejam, os estereótipos que a má imprensa e a publicidade repetem até transformar em verdade, como se viu em gênero, número e grau no recente aniversário de 60 anos do Chico Buarque. Como eu já disse antes, as fronteiras são menos sólidas no país do carnaval, onde marginal é herói e herói não tem caráter, e ouvir a História tal como ela é contada por gente do outro lado pode ser revelador -- para os dois lados, ou seja, para a figura completa. O pequeno estúdio da Rádio Guanabara, no Centro da Cidade, se transformava em agitado auditório e se enchia de jovens para o programa “Os brotos comandam”, de Carlos Imperial. Curiosamente, a primeira parte do programa era de mímica. No rádio. Mas funcionava: o público em casa ouvia o artista americano e também a gritaria do público do auditório delirando com as dublagens que Tony Tornado e Gerson King Combo faziam de Chubby Checker e Little Richard. Pensei no samba, que estava sendo levado por um caminho de esquerda festiva, deturpando-se o verdadeiro sentido da música popular brasileira. Vi compositores de automóvel do último tipo, bebendo uísque escocês, frequentando o Castelinho e a boate Black Horse e fazendo músicas sobre o norte, a pobreza, os camponeses, os morros e a necessidade de dividir as terras. Achei, então, que estavam afastando o samba do povo. Juntei minha "turminha": Simonal, Erasmo, Roberto, Jorge Ben e tomamos uma decisão: criar o samba simples como ele sempre foi, com letras fáceis de serem entendidas e que levassem uma mensagem de alegria e felicidade. Nascia o "samba jovem". anotado por Rafael - 09:17 AM
o que que o kerry querEi, você aí, recém-saído de uma sessão de Farenheit 11/09: você acredita que o John Kerry vai aderir ao Protocolo de Kyoto? Que vai retirar em pouco tempo as tropas do Iraque e entregar o governo aos cidadãos locais? Que ele vai alterar a política norte-americana no Oriente Médio? Que vai derrubar o Patriot Act? Vai diminuir o poder das grandes corporações? Vai respeitar as resoluções da ONU? Vai diminuir ou acabar com o protecionismo fiscal em produtos como a laranja e o aço? Algo me diz que os eleitores dos EUA estão para descobrir o significado dessa verdadeira instituição brasileira, o voto útil. anotado por Rafael - 09:13 AM
agosto 03, 2004Trocaram o outdoor daqui em frente de novo. Maria Fernanda Cândido substitui Ivete Sangalo, que tinha substituído Wanessa Camargo. Acho que vou escrever uma carta à L'Oreal. Em agradecimento. anotado por Rafael - 08:55 AM
auto-estima[Uma entrada à maneira Atemática.] anotado por Rafael - 08:54 AM
MInha mãe me chama comancheAdivinhe quem é o autor das frases abaixo: 2. O mundo é um suceder de níveis, desde a matéria inanimada até a suprema beatitude do ser eterno que é Deus. 3. Todo homem nasceu do amor de alguém, todo homem tem que ser feliz com alguém. Acertou quem marcou a alternativa (d) em todas as opções. Para a mais completa irritação do Mozart, disco novo de Jorge Ben na praça. Nem o Tárik conseguiu decifrar. Tê-tê-tê-tê-rê-tê. anotado por Rafael - 08:51 AM
agosto 02, 2004da gavetaAquela remexida na gaveta à procura de ingressos originais do Circo Voador me fez descobrir uma ou duas raridades de que o Caboclo Escondedor ainda não tinha se apossado: ![]() Esse daqui foi daquela turnê picareta com a volta dos Sex Pistols, Filthy Lucre (circa 2000), um show na Praça da Apoteose relativamente vazio cuja noite foi encerrada pelo Bad Religion. Antes que digam que eu fui otário em dar meu dinheiro para aqueles punks de butique, leia ali: cor-te-si-a. ![]() Esse é do baú: programação oficial dos 4 dias do Superdemo 94. Muitas bandas do sul, muitas que já acabaram e pelo menos uma que marcou época antes de se transfigurar na Matanza: Acabou La Tequila. anotado por Rafael - 02:05 PM
Ronda1) Sinta-se como uma partícula de ar nessa jornada ao interior de uma turbina de avião. Atenção aos indicadores de pressão e temperatura no lado direito da tela: muito mais ilustrativo do que um ciclo indicado num diagrama de Pressão x Temperatura. 2) Alguém aí ainda não baixou o livro do Burburinho? Nemo Nox fez uma seleção de seus textos para o Burburinho e soltou em PDF, com direito a prefácios de Moacy Cirne e Pedro Dória. Música, Literatura, Cinema, Quadrinho e muito mais, inclusive os já clássicos O Umbigo da Princesa, Os Insultos do Capitão, Os Escribas estão Soltos, Da Crônica ao Metajornalismo e Colônias Temáticas e Comportamentos Emergentes, para ficar só nesses, mas o livro inteiro merece ser lido. 3) No SoBReCarGa, revisei e expandi minha resenha de Hell's Angels de Hunter Thompson, publicado no Brasil com quase 40 anos de atraso. 4) Aprendi um jeito novo de rogar praga com o Bricabraque: 5) A se visitar, depois da imensa anexação de territórios dos Wunderblogs: Dudinka, Wladivostok, Sumatra e Bornéu. 6) 10 anos sem Mussum. Repriso uma nota: anotado por Rafael - 01:54 PM
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Lonely Planet Luis Eduardo me encheu tanto o saco que conseguiu um link só para a página dele aqui. Cataplum!
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