setembro 19, 2004

recesso

Soou o apito para a prorrogação, sinalizando que este blog vai para o banco até meados de outubro... Priiii!

anotado por Rafael - 02:11 PM

pinha de retinida

Algumas semanas atrás, quando comentei que tinha aprendido a fazer uma pinha de retinida decente, ninguém se deu ao trabalho de perguntar o que era isso. Não pensem que se livraram de mim. Para quem não sabe o que é ou como se faz uma pinha de retinida, resolvi colocar aqui um guia rápido.
Comece com pelo menos meio metro de um cabinho não muito fino, digamos, um terço de polegada ou mais (usei um de nylon, mas algodão ou sisal também dão bons resultados):

primeiro passo

Dê 3 voltas no cabo, mantendo-as alinhadas e deixando as pontas soltas:

segundo passo

Pegue um das pontas e dê 3 voltas em torno das voltas anteriores, com o cuidado de passá-las por cima da primeira volta, ocultando a costura, como mostrado na figura:

terceiro passo

Repita a última operação, costurando agora as voltas anteriores, novamente com o cuidado de ocultar a volta da costura. Cuidado para manter as pontas soltas.

quarto passo

Se chegou até aqui, basta puxar as duas pontas e remover as folgas que ficarão entre as voltas com paciência, descarregando-as pelas pontas soltas, até que se forme uma bolinha quase sólida com o cabo -- a pinha de retinida:

final

Pinha porque lembra a fruta natalina; retinida é o nome do cabo que qualquer embarcação manda para o cais (ou par aoutra embarcação) antes de atracar; em barcos menores, o arremesso é feito no braço, mesmo. Quando a distância aumenta, usa-se um canhão de ar comprimido. Para aumentar o peso, pode-se preencher o volume interno da pinha. Treinando direitinho, dá para fazer com cabos mais finos um belo adorno de chaveiro que pode ser vendido como artesanato naval em feira ripe.

anotado por Rafael - 02:08 PM

latim

Houve uma época -- que parece estar chegando ao fim, lamentavelmente, bem diante dos nossos olhos -- em que todo mundo que passava pelos bancos escolares aprendia latim. Durante séculos, quase todos os soldados com boa formação conheciam um pouco de Júlio César, incluindo o famoso informe que enviou do campo de batalha de Zela: "Veni, vidi, vinci -- Vim, vi e venci". ESta foi considerada a melhor mensagem militar durante cerca de 1900 anos -- até o fatídico dia de 1843 em que o general britânico sir Charles James Napier enviou um despacho em latim ainda mais conciso.

À frente de uma pequena força militar, Napier partira com a missão de capturar Sindh, atualmente no Paquistão. Em Delhi, seu superior, lorde Ellensborough, ficou aguardando ansioso as notícias, para saber se Napier conseguira tomar Sindh. Por fim, chega a mensagem da frente de batalha. Impaciente, Ellensborough rasga o envelope e vê que o telegrama contém apenas uma palavra: Peccavi. Naturalmente, os oficiais do quartel-general britânico reconheceram de imediato que se tratava do tempo passado do verbo latino pecco, que significa "Eu peco". Portanto, a mensagem era "eu pequei". [Em inglês, I have sinned, cujo som é idêntico a I have Sindh, ou seja, "Eu domino Sindh"].

(da edição especial da National Gepgraphic Roma Antiga: Ascenção e Queda do Império mais Poderoso da História do Ocidente. Cultura, cambada!)

anotado por Rafael - 01:35 PM

escrever

Fazer "eventos", participar de lançamentos, é muito bom para travar contato com o público, discutir, "conhecer gente", aparecer no jornal, vender livro(!), dar autógrafo, satisfazer o ego, ficar famoso, "abrir o mercado editorial", se mostrar, formar sua patota. Mas que fique bem claro: nada disso tem a ver com escrever bem.

Para o que, a melhor receita ainda continua sendo isolamento & estudo aperfeiçoador, eventualmente sob tutela de um alguém mais sábio.

anotado por Rafael - 01:14 PM

setembro 15, 2004

Placas de... Portugal

O leitor João Aldeia, de Portugal, passou e aqui e mandou avisar que pelo menos duas das placas esdrúxulas que andei colecionando são, na verdade, de Portugal: a que diz "Marisqueira O Principal" e o "Vende este terreno e outros melhores que este". Segundo ele, "aquela empresa tem a mesmíssima placa em todos os seus terrenos para venda", o que, acrescenta, "coloca um interessante problema de lógica". Vai aqui a retificação e um agradecimento pela visita, pois.

anotado por Rafael - 01:22 PM

urina germânica

Os estranhos hábitos urinais tedescos, ora tolhidos pela patrulha politicamente correta feminista. Sério concorrente a melhor tópico de discussão da Thorn Tree de todos os tempos (e tem gente que ainda me pergunta porque eu só uso os guias deles). Engraçado, mas para ser um pouco catastrofista, é nesse tipo de coisa que o mundo está se transformando. Pro mojo ler e ficar 3 dias rindo.

anotado por Rafael - 01:09 PM

setembro 14, 2004

p/ quem ñ sabe

Para quem não sabe, o Millôr Fernandes voltou a fazer uma coluna para a Veja desde a última edição, de domingo passado. Já o Arnaldo Branco passou a fazer uma tira de quadrinhos para a Tonto, Mundinho Animal, toda quarta-feira (teoricamente) no ar. Boas notícias -- mas eu preferia que fosse o contrário ;)

(Voltou porque Millôr já teve uma coluna na Veja durante a maior parte dos anos 70 do século passado, colaboração encerrada após ele revelar que iria votar em Leonel Brizola para o governo do estado. Na semana seguinte, inaugurava na concorrente IstoÉ coluna nos mesmos moldes, "como eu dizia quando fui rudemente interrompido".)

(Mas a melhor notícia mesmo foi a barriga do Cocadaboa que o Jô Soares deixou passar.)

anotado por Rafael - 03:07 PM

setembro 13, 2004

outro

-- Rafael, então. Rafael, o pensador?
-- Não, aquele é Gabriel. Eu sou Rafael. É outro anjo.

anotado por Rafael - 11:53 AM

sérgio cabral e essa coisa de questão moral

"Quero contar uma historinha rápida. No show Onde o Rio é Mais Carioca, a primeira parte terminava da seguinte maneira: o trombonista tocando e eu dançando puladinho com a Beth Carvalho. Eu a jogava no chão com uma pernada -- era bom de pernada desde jovem -- e a levantava, dançávamos, agradecia, pegava o microfone para anunciar o intervalo com essa mensagem marota: 'Agora, vocês têm dez minutos para dar uma mijadinha e tomar um refrigerante, mas não se esqueçam de voltar!' Numa dessas vezes, havia na platéia um bicheiro de Vila Isabel, que alguns meses antes fora protagonista da seguinte cena: dois inimigos frequentavam a Escola de Samba Unidos de Vila Isabel e ele não queria que os dois brigassem por lá. Por isso, quando chegavam, mandava revistar e desarmar os dois. Um dia revistou um, não viu o outro que, armado, matou o oponente e fugiu. Pois o bicheiro foi atrás desse assassino, pela Rua Teodoro da Silva, lá na Vila. Quando viu o cara correndo, puxou o revólver e lhe deu um tiro. Primeiro, atirou no pescoço, e o cara caiu. Mas o bicheiro ainda pegou o carro e passou por cima dele, para lá e para cá, para lá e para cá. Quando saiu, o que sobrou era uma pasta. Pois esse mesmo sujeito, tempos depois, foi ver meu show. Quando acabou, foi cumprimentar a mim e ao João Nogueira. Ao me ver, falou: 'Pô, Sergio, me deixou mal, cara. Estou ali com a minha senhora assistindo ao show, você chega e fala em mijadinha? Aquilo pegou mal'. Aí eu vi que essa coisa de questão moral é mesmo muito complexa."

[Sérgio Cabral, em depoimento à Coleção Gente da Ed. Rio, 2003]

anotado por Rafael - 11:52 AM

setembro 08, 2004

vândalos

Quando comecei minha série sobre as estátuas do Rio, comentei que a haste do óculos de Ary Barroso, sentado no Leme, em frente ao Fiorentina, estava empenada, talvez por ação do mesmo vândalo que arrancara o óculos do Drummond (no calçadão, quase posto 6). Hoje o Ancelmo Góes avisou que terminaram o serviço: "fizeram o mesmo com a de Ari Barroso, na calçada do Fiorentina, no Leme. Ari continua contemplando o mar em frente. Mas, sem os óculos, certamente não vê nada." Triste.

anotado por Rafael - 07:11 PM

CORDEL IÍDICHE

Ou A Peleja de Freud com o Dono do Céu

Quando nhô Siguimunde esticou as canelas
Foi logo levado às portas do céu
E inda na subida tentou, tagarela,
Psicanalisar o Arcanjo Gabriel

O jagunço alado danou a falar
E quase que acaba saindo do armário
Mas logo interrompeu o bla-bla-blá
Quando nhô Siguimunde cobrou o honorário

E quando chegaram a seu paradeiro
São Pedro não tava, nem apareceu
Gabriel perguntou: "E o santo porteiro?"
E nhô Siguimunde: "É que eu sou judeu..."

Dizendo assim, já foi se aprumando
Pediu pra chamar o coroné do pedaço
"Não preciso de santo intermediando
Minha apresentação eu mesmo faço!"

Nisso Gabriel ao chão se atirou
Pois aí surgiu a Suprema Potestade
Nhô Siguimunde o anjo diagnosticou:
"Que baita complexo de inferioridade!"

Nhô Deus fez "aham", pra impor o respeito
Perguntou: "O que posso fazer por tu?"
Disse Siguimunde (era esperto, o sujeito):
"Shalom aleischem, Adonai Elohinu!"

Nhô Deus, comovido, então gritou: "Vixe!
Uma alma melhor eu não podia ter pego!
Finalmente alguém que domina o iídiche!
Pois pros cabras daqui eu só falo grego!"

Então se sentou com o recém-chegado
E uma proposta arretada ele quis acertar
Nhô Siguimunde ouviu tudo calado
Pois psicanalista é pago pra escutar

Nhô Deus propôs: "Desmentir tu vai
O Complexo de Édipo, pelo amor de Mim
Pois nesse preceito de matar o Pai
Os dialéticos já decretaram o meu fim!"

Nhô Siguimunde aceitou no ato
Dizendo: "Ouve agora minha proposta
Pra gente fechar direito o pacto
Escuta, macho véio, e diz se tu gosta:

Em vez de botar os cabras confessando
E os padres cansando de dar penitência
Pro divã os fiéis tu vai encaminhando
Que aqui é que eu entro com minha ciência!

Tu acaba com as filas na tua igreja
E aumenta a freqüência lá no consultório
Ouvir pecado é o que analista deseja
E ele ainda lucra com o falatório!"

Nhô Deus e Siguimunde apertaram as mãos
E saíram pra beber e comemorar
Viram Gabriel inda prostrado no chão
Gritaram: "Levanta – e vai trabalhar!"

Bebendo e fumando, a dupla se abraça
Festejando assim esse acordo mútuo
Só quando nhô Deus reclamou da fumaça
Siguimunde falou: "Pô, um charuto é um charuto!"

[Mais uma matadora do Nélson, outro de quem não posso me esquecer de roubar uma nota de vez em quando...]

anotado por Rafael - 05:14 PM

setembro 06, 2004

exceto

Tudo que experimentei da vida, aprendi com aqueles a minha volta, exceto ser quem sou. (~Ram)

anotado por Rafael - 03:50 PM

nós e eles

É nóis na fita e os pleibói no devedê.

anotado por Rafael - 03:48 PM

setembro 05, 2004

deserto

Às vezes se está cercado por água e às vezes se está num lugar onde ela não há, cheio de esculturas monumentais, tocando fogo num homem. Agora, só ano que vem.

anotado por Rafael - 01:25 PM

Tu é gaúcho

Outra muito boa foi a do gaúcho, torcedor do Colorado, que levou o croata que nunca tinha ido ao Maracanã para ver Fluminense x Inter. Começa que já foram parar na torcida errada, a tricolor, então não dava nem para xingar em voz alta, e tome do Fluminense fazer gol (acabou 3 a 1). O croata ali, se divertindo com o tal sangue latino, ao descobrir que podia gritar palavrão à vontade, e impressionado com as de 5 mil pessoas -- segundo ele, público de final de campeonato lá na terra dele. Lá pelas tantas o coroa da fila da frente vira e manda, "Tu é gaúcho, não é? Não adianta disfarçar que eu sei que é!", ao que ele replica, rápido: "Sou, mas sou torcedor do Grêmio: neeeense, neeeeense..."

* * *

-- Eu notei que o senhor se serviu de acelga no almoço, o senhor come acelga?
-- Como. Como acelga, a
sulda, a mulda, a manca... Comigo não tem problema...

* * *

Acho bati algum tipo de recorde pessoal ao passar quarenta e cinco minutos observando um cara me mostrar como se fazia um nó que ele não acertava de jeito nenhum. Depois que conseguiu, riu, estendeu o laço para mim e disse, "taí: moleza!".

anotado por Rafael - 09:09 AM

setembro 01, 2004

dejá vu

É lindo o teu sorriso,
O brilho dos teus olhos
Meu anjo querubim

...não me é estranho, isso.

anotado por Rafael - 10:11 PM