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novembro 30, 2004Carpaccio(a pedido do Alexandre) ![]() Antes de Tintoretto, Ticiano e Veronese houve Vittorio Carpaccio, pintor veneziano cujo nome é injustamente mais lembrado, hoje, por causa de um prato de carne crua, sobretudo em São Paulo. De sua safra, sobreviveram mais pinturas da vida de santos do que retratos da vida na cidade; o renascimento apenas começava e o eixo das atenções ainda não tinha chegado no homem. Uma das manhas da pintura medieval era apresentar cenas correspondentes a diferentes espaços de tempo num mesmo quadro, as mais antigas, ao fundo, e as mais recentes, no primeiro plano. Assim, não é difícil encontrar quadros onde você vê um cavaleiro chegando na cidade pequenininho, lá atrás, e bem no meio da tela esse mesmo cavaleiro aparece esquartejado pelos cidadãos. Carpaccio era mais sutil e usava mastros para dividir o quadro, sinalizando que os eventos de cada lado do mastro ocorriam em momentos diferentes. Pode-se observar essa técnica em O Martírio dos Peregrinos e o Funeral de Santa Úrsula, assim como em O Encontro e a Partida do Casal Degolado, onde se tem interessantes retratos da Inglaterra Medieval à esquerda e da França Renascentista à direita. Ambas encontram-se na Academia de Veneza (não é só em Florença, Veneza também tem uma). Uma das pinturas mais interessantes de Carpaccio encontra-se, no entanto, no Museo Correr e chama-se As Duas Damas Venezianas, conhecida por algum tempo como As Cortesãs, porque acreditava-se que era isso que as duas raparigas retratadas eram, duas cortesãs à espera de seus, ahn, clientes. Posteriormente, essa hipótese foi descartada: atribuiu-se o olhar enfadado das moças à espera dos maridos, que teriam saído para caçar raposas ou qualquer coisa que o valha. A presença do cachorro, da pomba, utensílios do lar enfatizaria o ar doméstico da cena. Quanto a Veneza, tem pelo um quadro em que Carpaccio retratou sua área mais famosa, o Leão de São Marcos, símbolo da cidade. Olhando no detalhe, distingue-se com nitidez a Piazzeta San Marco ao fundo, com as colunas de São Teodoro e São Marcos; o Campanário (o atual é uma reconstrução) e a Torre do Relógio. Além desse, há um quadro de extraordinário valor histórico por mostrar o formato original da primeira ponte de Rialto, ainda de madeira, A Cura do Louco (o quadro foi restaurado e está com cores bem mais vívidas do que essa reprodução digital). Sabe-se que construíram duas versões de madeira da ponte de Rialto antes da de pedra, que persiste até hoje. Uma delas foi destruída num incêndio, a outra, por mais estranho que possa parecer, foi a pique quando metade da população subiu nela para dar as boas vindas à uma frota que então chegava, colapsando a estrutura mostrada no quadro. Deve ter sido uma cena inesquecível. anotado por Rafael - 07:29 AM
novembro 29, 2004heróisRicky Goodwin conta que tem um novo herói: Seu nome é Paulo Jorge e ele é juiz da Primeira Vara Federal de Guaratinguetá, interior de São Paulo. Eu também tenho um novo herói. Chama-se Ricky Goodwin. Vejamos o que ele escreve a seguir. Nem me dei ao trabalho de grifar palavras: Este último é um assunto sobre o qual posso me permitir escrever com amplo conhecimento, pois eu mesmo poderia fazer jus a estar recebendo essa reparação/indenização. (Inclusive Carlos Heitor Cony.) anotado por Rafael - 09:22 AM
novembro 26, 2004hércules para todos os gostosEmbora Davi tenha se convertido no símbolo inevitável de Florença depois da escultura de Michelangelo, existe outro herói muitíssimo homenageado em pedra por lá, também um ícone: Hércules. Todas se referem a passagens mais ou menos conhecidas dos 12 trabalhos. Pouca gente nota que, ao lado da réplica do Davi de Michelangelo que fica defronte do Palazzo Vecchio tem um Hércules subjulgando Caco (gigante que tentara roubar os bois de Gerião) -- e nem é o único da área; ali do lado, na loggia de la Signoria, Hércules desce o braço num centauro, uma das esculturas mais impressionantes dali, e olha que, na frente, há o Rapto das Sabinas (ambas obras-primas de Giambologna) e, do lado, o resgate do corpo de Pátroclo. ![]() anotado por Rafael - 08:35 AM
novembro 25, 2004temos um novo campeão!(Nada como uma mudança de paradigmas pra sacudir o coreto). Repercussões: fotos e mais fotos para quem não foi. Ah, e o Arnaldo disse que tem uma pá de gente que não pode ser convidada para a proverbial mesma mesa que a minha. Dessa nem eu sabia. Estejam à vontade. Mas que ataquem juntos, pra ter alguma chance :-) Para quem ficou realmente curioso: fotos e mais fotos. anotado por Rafael - 10:17 AM
novembro 24, 2004nascido ou criado?Na verdade, sem J. Carlos e Millor Fernandes, sem o Flamengo e o Fluminense, a Mangueira e a Portela, o Vasco e o Botafogo, Pixinguinha e Noel Rosa, sem a Lapa e o Catete, Jacob do Bandolim e Tom Jobim, o pastel de vento e a feijoada, sem Lima Barreto e Nelson Rodrigues, a praia de Copacabana e o caminho das Paineiras, sem Oscarito e Grande Otelo, a Lagoa Rodrigo de Freitas e o Largo da Carioca, Chico Buarque e Lamartine Babo, sem o Império Serrano e a Imperatriz Leopoldinense, Leila Diniz e Dolores Duran, Vila Isabel e o Estácio, Paulinho da Viola e Nelson Pereira dos Santos, a Biblioteca Nacional e o Paço Imperial, sem Vinicius e as garotas do Lan, a Rua da Carioca e o Cinema Odeon, a folha seca de Didi e os dribles tortos de Garrincha, Gamboa e Santa Tereza, a garota de Ipanema e as suburbanas de nossos sonhos, sem o Barão de Itararé e Madame Satã, Laranjeiras e Madureira, Tônia Carrero e Fernanda Montenegro, o Teatro Municipal e o Museu de Arte Moderna, os favelados e os trabalhadores da construção civil, O Tico-Tico e os gibis da EBAL, Cartola e as certinhas do Lalau [Stanislaw Ponte Preta], a revista Senhor e o neoconcretismo, Gilka Machado e João Saldanha, o teatro rebolado e a JB AM, Chiquita Bacana e a Mulata Assanhada, a Praça Onze e o Café Lamas dos velhos tempos, Cássio Loredano e Zuenir Ventura, sem eles, enfim, o Rio não seria a mesma coisa. Nem teria o mesmo encanto. A idéia inicial, quando resolvi copiar esse trecho do Moacy Cirne, era fazer dele um convite para que goianos, gaúchos, mineiros, sergipanos, cada um fizesse a sua lista de notáveis sem os quais não seria a mesma coisa, mas depois percebi que muito dos nomes que fizeram o Rio de Janeiro não eram, por nascimento, cariocas (mesmo que o tenham se tornado por adoção). Só para ficar no exemplo dos cronistas, Nelson Rodrigues era paraibano, Rubem Braga e Carlinhos Oliveira eram capixabas, Otto Lara, Paulo Mendes Campos e Sabino eram mineiros, Antonio Maria era pernambucano e Ivan Lessa, paulistano. A questão muda de eixo: é mais importante gerar seus próprios talentos ou ser capaz de atraí-los de fora? anotado por Rafael - 12:39 PM
novembro 23, 2004Agora vai. É amanhã.![]() Revista F.: uma produção de Arnaldo Branco, Allan Sieber e Leonardo. Ter o nome começado por A não é indispensável para entrar no bonde, mas ajuda. Recebi meu exemplar ontem, em casa, pelo correio. Para tirar mais onda, só se eu dissesse que a entregadora era bonita. Acho que estou virando um formador de opinião... Abaixo, o feio, o feio e o mais feio dão o retoque final na capa. ![]() Atualização: deu F. no caderno B do JB de hoje (quarta). anotado por Rafael - 08:23 AM
novembro 22, 2004figuraças1) Pedro Sette Câmara registra os 7 anos de O Indivíduo. Na época, eu estudava em outra faculdade e acompanhei pelos jornais. Ainda tenho exemplares em papel das primeiras edições, alguém me emprestou e nunca cobrou de volta. Com tudo que o relato das repercussões pode impressionar, ainda vejo o clima daquela época com melhores olhos do que hoje, quando as retratações talvez saíssem mais dificilmente. Coincidentemente, também achava, como o Pedro, que o artigo sobre a Cambralha é que teria sido o pavio, e não a Noite Negra da Consciência. 2) Venzenquando me pego pensando no Mario AV. Fez parte da primeira leva de blogs que li periodicamente, observei-o durante como bastante tempo como um modelo, para quando fizesse meu blog. Sinto falta das discussões políticas que rolaram em 2002 (o que estaria dizendo hoje?), da crítica semanal à Veja, das ilustrações, da edição inspirada. Quando comecei na cara do gol, não tinha espaço para comentários e perguntei-lhe como faria para avaliar a receptividade de meu blog. Ele respondeu com maestria: Tem certos níveis de correspondência. Dos mais baixos pros mais altos: Uma lição de que nunca esqueci: elogio é mais fácil do que crítica. Não se deixe levar por eles. Lição que parece desconhecida pela imensa maioria das pessoas que vai a público levar seus escritos, sejam escritores, bloguistas ou políticos. 3) E tem esse cara, o Alexandre Cruz Almeida, que andou me cutucando que queria porque queria que eu colocasse um link definitivo para o blog dele aqui. Eu nunca tive uma política de escambo de links definida, analiso caso a caso e não vi motivo para tal. Mas parece que, dessa vez, ele fez por merecer. anotado por Rafael - 11:24 AM
novembro 20, 2004borjalo (* 1925 + 2004)Não é favor nenhum colocar Borjalo entre os maiores cartunistas do mundo, essa raça estranha que restringe voluntariamente a fazer apenas piadas universais, atemporais, e no caso dele, ainda por cima mudas. Não é fácil, por isso a queixa comum nos salões de humor que o cartum está morrendo. Borjalo, pseudônimo de Mauro Borja Lopes, já uma piada em si, foi quem criou a assinatura Jaguar para Sérgio Jaguaribe. Era dele a página semanal na Manchete que foi ocupada por Jaguar e Claudius, quando saiu de lá. Borjalo era artesão da estirpe de Sempé, de Quino, aquele tipo de artista gráfico minimalista que com nanquim e papel, e apenas linhas, é capaz de tirar o leitor de seu universo em uma página. Tão econômico que, por não falarem, seus bonecos não tinham boca. Mineiro, não admira que tenha se tornado amigo de Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos e Otto Lara Resende: fazia com traços o que os outros faziam com palavras, em crônicas na mesma revista. Como acontece com alguns desenhistas, Borjalo ficou longos períodos sem desenhar. Passou por crise, se internou e o retorno foi celebrado com um desenho magnífico, O Reencontro, um painel imenso ocupando, o que?, umas 8 pranchas A2 -- ou a memória me engana. O que lembro é que esse desenho, um imenso perfil de um edifício com centenas de personagens espalhados em suas salas, cada um, um cartunzinho à parte, sem protagonistas, foi exposto em tamanho ampliado numa das edições do Salão Carioca de Humor e tomava toda uma parede da sala das arcadas. Penduraram lupas em barbantes para os vistantes melhor perscrutarem os detalhes. Nunca vi nada parecido com cartum, só em museu. A ida de Borjalo para a televisão, desde seus primórdios no Brasil, marca uma nova fase em sua vida, já que dali por diante aquele seria o meio ao qual ele se dedicaria mais. Quando foi para a Globo a convite do Boni, em 1966, já passara pela Excelsior, Rio e Itacolomy, onde criara o embrião de programas que chegariam ao formato perfeito na Globo, como o Fantástico. Foi consultor criativo, selecionou protagonistas (é dele a escolha de Lucélia Santos para a escrava Isaura), inventou a zebrinha da loteria esportiva ("coluna do meeeeeeeio..."), desenhou a abertura do Sai de Baixo e algumas das vinhetas animadas que recentemente serviam para sinalizar o fim do intervalo comercial. Também atribui-se a ele a invenção do plim-plim. Não foi pequena, portanto, sua contribuição, mas lembrá-lo apenas, ou primeiramente, por causa dela é ou injustiça ou prova da primazia deste meio de comunicação. O desenho abaixo é o preferido de Chico Caruso. Vale conferir também este bate-papo em que ele compara o trabalho de produtor com o de cartunista. ![]() anotado por Rafael - 09:04 AM
novembro 19, 2004enlatados, argh!Quem me conhece sabe que eu não acompanho seriados enlatados. Essa mania piorou muito pior a chegada da tv a cabo; não me lembro de gente com tanto afinco e dedicação nos tempos da dublagem e horário único (exceto os nerds de Jornada nas Estrelas). De lá pra cá, meu horror aumentou proporcionalmente ao número de espectadores dispostos a decorar cenas, lembrar enredos e, o pior, se identificar com os personagens de Friends. Quem me conhece direito, sabe que nem por isso eu deixei de fazer minhas incursões, que sempre vi Os Simpsons (até quando passava no SBT terça de noite) e ri com o Seinfeld (que teve o mérito de mostrar ao espectador brasileiro como o formato do sitcom não era intrinsecamente imbecil). Mas nem por isso passei a ficar na expectativa pelo novo Babylon 5, nem quis saber quem morreu no último Buffy, muito menos entrei na pilha do Jack Bauer em 24 horas -- se ele morresse, eu não estaria nem aí. Nunca tive paciência para seguir os arcos de história dos seriados de aventura ou ficção-científica, nunca anotado por Rafael - 12:11 PM
filhos bastardos"Comics, as I've come to think of them, are the bastard children of art and commerce, who murdered their parents and went off on a Sunday outing. And basically what was so quirky about these things is they were done by people who did not consider themselves artist." (Art Spiegelman) anotado por Rafael - 12:08 PM
novembro 18, 2004arraial do cabo, ilha dos porcos, 14 de novembro de 2004, 12h00![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() Fotos tiradas pelo Richard, que veio de São Paulo e estava sem dupla. Na última, sinalizo para subir -- não confundir nem com o sinal de tudo bem, que debaixo d'água é feito juntando-se polegar e indicador em O, nem com o sinal que os imperadores romanos usavam para poupar a vida dos gladiadores derrotados. anotado por Rafael - 08:20 AM
DesilusõesO pequeno escritor, que era também grande leitor, desistiu das duas atividades quando se deu conta que nada daquilo que escrevia ou lia existia, pura criação da mente de outro ou da sua própria. Melhor criar rãs, pensou. E comprou um sítio.
O grande escritor, que além de ler muito, era também um pequeno ateu, trocou a literatura pelo sacerdócio depois que se deu conta que, assim como suas ficções, Deus também não existia.
O seminarista fugiu com outro seminarista depois que ambos leram o "Satíricon" de Petrônio. Nunca antes haviam experimentado tanto prazer na vida.
Deus também foi outro que desistiu. E foi ser homem. Cruficaram-no.
O náufrago desistiu quando chegou à praia.
O suicida, ao chegar ao céu.
O filósofo, assim que notou que ele próprio existia.
Cansei. anotado por Rafael - 07:58 AM
novembro 17, 2004CanalletoNuma época em que se endeusavam militares vitoriosos e se glorificavam políticos generosos, o que levaria alguém a pintar paisagens? Seja como for, Zuane Antonio Canal, dito o Canalleto, eternizou em óleo algumas das vistas mais conhecidas de Veneza, ainda a Veneza dos doges, de Casanova e Vivaldi, a república que durou mais 1000 anos, há um século de ser desmembrada por Napoleão, mas ainda a Veneza dos mosaicos dourados de San Marco. Se Canalleto não tinha a verve de um Tiepolo para retratar situações comuns, nem o olho de Pietro Longhi para fazer a crônica de seus dias, nele sobrava cuidado para com os detalhes de lugares como Rialto, a Scuola de San Marco, lugares, enfim, que ajudaram a moldar o caráter do povo veneziano que Tiepolo e Longhi pintavam (e que se reduzia a manchinhas indiscerníveis nos quadros dele). Não deve ser confundido com um pintor de cartões postais avant la lettre, entretanto; um Milton Bravo do século XVIII. Também retratou a Fondamenta dei Mendicanti, o Arsenal, enfim, locais esquecidos pelos governantes em seu tempo e pelos turistas, hoje. ![]() ![]() ![]() Atualização: Nemo Nox lembra que também tem Canaletto no Burburinho, com direito a mini-bio e pertinentes observações, do tipo: o pintor começou a vida fazendo cenários de ópera para Vivaldi. anotado por Rafael - 07:59 AM
estóriaUm belo dia Josef K. acorda em sua cama e descobre, meio assim sem porquê, que virou história. anotado por Rafael - 07:54 AM
adeus (à seleção)![]() O que será de Romário agora, sem os gols, fintas e dribles para lhe fazerem a indulgência de seus atos e palavras fora de campo? (foto: O Globo) anotado por Rafael - 07:48 AM
círculoNão quero ser na sua vida o começo de um fim, nem o fim de um começo. (Trecho de carta romântica encontrada no fundo de uma gaveta de um amigo de trabalho. Atenção à vírgula errada na última oração.) anotado por Rafael - 07:44 AM
novembro 16, 2004victoria's angelsTem gente que acompanha o Oscar, tem gente que não perde um reveillon em Copacabana e tem gente que vê todos os jogos da série B do brasileirão. Aqui na cara do gol, nosso evento-fetiche anual imperdível é o lançamento da nova coleção das Victoria's Secret Angels, com direito a turnê e aparição em jogo de basquete. ![]() "Eu me sinto um chato quando venho aqui" (Felipe Ortiz, citado de memória)
anotado por Rafael - 11:35 AM
credoCreio na simpatia, no poder, no algo mais e na alegria sem fins lucrativos. anotado por Rafael - 11:30 AM
usina de lixo no sobrecargaSe Bernard Shaw veio ao mundo para ensinar socialismo aos socialistas, eu vim para ensinar o que é música eletrônica aos clubbers. Desde sexta-feira, no SoBReCarGa: o show do Kraftwerk. anotado por Rafael - 11:28 AM
novembro 12, 2004cidades ilustradas: curitiba![]() Marcelo Tavela manda avisar: saiu o álbum de Curitiba da série Cidades Ilustradas, desenhado pelo Cesar Lobo, com traço ainda melhor que nos tempos de Lady Lambada e Brazil 2000, colorido por computador. É o terceiro de uma excelente série que já deu Rio de Janeiro por Jano, Belo Horizonte por Miguelanxo Prado e futuramente terá Salvador por Marcelo "Gaú" Quintanilha. ![]() ![]() ![]() anotado por Rafael - 07:11 AM
novembro 11, 2004essa masorcaNo dia 16 de novembro comemoram-se (?) 100 anos da Revolta da Vacina. Terminada a arruaça, o futuro cronista e romancista Lima Barreto, ainda um aspirante a escritor de 23 anos, fez estas anotações em seu diário: "Essa masorca teve grandes vantagens: 1) Demonstrar que o Rio de Janeiro pode ter opinião e defendê-la com armas na mão; Pela primeira vez, eu vi entre nós não se ter medo do homem fardado." Será que José Alencar (o vice, não o romancista!) já leu Lima Barreto? anotado por Rafael - 08:38 AM
novembro 09, 2004produzem...Uma das perguntas que eu menos gosto de responder é: mas e tu, por que *ainda* não publicou um livro? Mas e não é mesmo? Todo mundo já tem um livro publicado. Não é nada difícil. Eu inclusive conheço muito bem pessoas que tornariam tudo até mais fácil. Mas eu não me sinto motivado. Não tenho algo que possa chamar de obra prima. As capas, os depoimentos nas orelhas e, principalmente, as FOTOS do grande ESCRITOR na orelha de trás me deixam tremendamente constrangido. Já vi caras que se colocam em corpo inteiro nas orelhas de trás. Escritoras, roteiristas, filósofas, atrizes e modelos estampam capa de publicações locais. Tá ali escrito: tudo isso que citei como ocupações. Ocupam espaço na mídia local escrita por caras que se alimentam de merda nos refeitórios das empresas de comunicação e respiram fuligem dos ares condicionados. Terão câncer no máximo aos 50. Mas publicam releases em seus espaços. E entram de graça nos lugares. E vão fabricando seus hypes e suas celebridades. Vão vivendo e ajudando a viver. Produzem. Eu não me animo a entrar neste cirquinho. Pagaria o preço se já tivesse o que dizer e já tivesse encontrado a melhor forma. Mas não. E o que eu tenho a dizer eu não consigo enfeitar: o jogo da midiazinha e da literaturinha é ainda mais ridículo que as novelas. Ah, a falta que faz um gaúcho quando se precisa dizer na lata! (mesmo que ele tivesse em mente algo bem diferente do que eu tinha quando li) anotado por Rafael - 07:21 AM
alguns linksLourenço Mutarelli e Ary Barroso (dica do Jampa) estão na rede. Para quem ainda não sabe, Danilo Amaral e Atemática voltaram. E para não perder o hábito, um pouco mais sobre Gay Talese, catado num site para quem sabe que literatura não é só ficção. anotado por Rafael - 07:17 AM
novembro 08, 2004política x religiãoPor ocasião do 11 de setembro, um amigo meu escreveu que há muito mais em comum entre a dita civilização "moderna" e o fundamentalismo islâmico: ambos odiavam a religião islâmica e queriam vê-la extinta. Sustentava ele que a única religião tradicional que continua realmente viva na atualidade é o Islamismo [...] É a única religião que ainda é a base de uma civilização inteira. Não existe mais civilização cristã, judaica, hindu, budista – mas ainda existe civilização islâmica. E é isso o que mais incomoda o homem moderno. O verdadeiro inimigo eleito pela modernidade não é o fundamentalismo islâmico: é o Islamismo em si. Todas as outras religiões foram se entregando, ao longo dos últimos seis séculos, às ideologias atéias – quando não massacradas pura e simplesmente. O Estado moderno, sob sua forma capitalista democrática, acabou com o Cristianismo, o Judaísmo, o Hinduísmo e inúmeras tradições menores, e, sob sua forma comunista, acabou com o Budismo e a tradição taoísta-confuciana. Todas continuam existindo, é claro – mas neutralizadas, inofensivas o bastante para se reduzirem, salvo raras exceções, a um mero passatempo exótico, inteiramente impotentes diante do poder do Estado, meros resíduos do que já foram um dia. Sobraram os muçulmanos. Já que eles parecem não se render à modernidade por nada deste mundo, resta o recurso à força. A eleição, ou melhor, a reeleição de George W. Bush adiciona uma carga profunda de ironia ao fardo daqueles que apoiaram suas medidas de invasão, o tal recurso à força, do Iraque. Acreditavam que ele estaria trazendo de volta a democracia e dando um basta no terrorismo, sempre pronto a germinar no terreno fértil do fundamentalismo islâmico. Bush foi reeleito baseado nas chamadas "posições morais", assumindo de vez seu caráter messiânico. Ainda que não fosse essa a intenção, o que houve foi o privilégio um tipo de fundamentalismo (o cristão), onde não há homens-bomba, sobre outro (o islâmico). A surpresa de quem o vê se nesse messianismo é análoga ao o comportamento do Dr. Frankstein, que saqueou túmulos, violou cadáveres, costurou os corpos, deu choque no bruto e depois saiu por aí muito assustado gritando que tinha criado um monstro... O difícil paradoxo que se vive hoje é ver como as opções -- para quem não quer virar ateu, virtualmente ou de fato -- se esgotaram: ou se está no fundamentalismo radical, ou naquela religiosidade inócua que se restringiu face ao Estado. Não por coincidência, os argumentos antes utilizados para atacar os terroristas fundamentalistas são repetidos agora para protestar contra Bush, resumindo: a religião não deve atrapalhar a modernidade. É notável como eles podem ser encontrados tanto no discurso de um hindu ("...sei que o limite da minha prática religiosa termina na porta do meu quarto...") como no de um católico ("Religião fora da pequena devoção espiritual e caseira é nefasta e execrável"), contanto que ambos estejam bem enquadrados no sistema produtivo moderno. Não é de se estranhar que Olavo de Carvalho tenha sustentado o culto das religiões tradicionais como um antídoto para o esvaziamento de valores da era moderna. No entanto, a flexibilização -- e não há motivo para não entender-se isso como a submissão ao Estado -- da única religião que e ainda não se entregou, o islamismo, já é cantada como uma solução para o fim do conflito ocidente/oriente, como defende meu xará Rafael Azevedo É disso que o mundo islâmico precisa: uma mudança interna e derradeira, que possibilite a coexistência do praticante da religião com um mundo moderno, não mais dominado pelas circunstâncias primitivas e dilemas arcaicos de quando os Livros Sagrados destas religiões foram escritos. O Islã precisa urgentemente acabar com alguns dogmas, oficiais ou não, que acabaram por amarrá-lo completamente a um mundo pré-medieval que não existe mais, e que impediram esta evolução que aconteceu na maioria das outras religiões. Sabemos onde essa flexibilização termina: confinando a religião às paredes do quarto de cada um, exatamente como sustentaram o Ram e o Danilo Amaral. A palavra-chave para tudo parece ser flexibilizar, ainda que, como afirmei acima, seja cada vez mais difícil enxergar um caminho entre o fundamentalismo e a religiosidade prêt-a-porter, de canto de mesa. É indispensável destacar que o efeito dessa acomodação não se limitou ao culto individual de cada fiel, despindo de sua tradição festas de origem religiosa como o Natal, Carnaval e Dia de São João e travestindo-as no caráter secular que adquiriram hoje; pode-se afirmar que muitas delas têm origem pagã e existência independente do catolicismo, mas não se pode negar que Natal tenha se convertido muito mais num pretexto para trocar presentes no amigo oculto do escritório do que, bem, do que quer que fosse o significado espiritual original do Natal, se é que alguém ainda se lembra. Isso remete ao tempo em que a vida cotidiana era mais regida pelo calendário católico, cujos resquícios se converteram num punhado de feriados ao longo do ano. Ao invés de flexibilizar as religiões, o que se deveria é flexibilizar o Estado e o sistema produtivo atuais, abrindo espaço, nas enormes exigências de tempo e devoção, para que o cidadão possa exercer uma vida espiritual digna desse nome, e não esse arremedo "spiritual but not religious" onde se aproveita a viagem de metrô para meditar. O que nos leva de volta a George W. Bush. Sua reeleição também foi defendida por parte da direita, tendo em vista suas posições pró-mercado aberto. Só que parte da plataforma fundamental de Bush também se apóia no bloqueio à pesquisa em células-tronco, na proibição ao aborto e ao casamento de homossexuais. Para quem defende o indivíduo, não lhe bastam reduzir os impostos se lhes retiram liberdades individuais. Moral da história: no estado moderno, nem sempre liberdade econômica e liberdade política & social andam de mãos dadas. Quem mandou esquecer o lado religioso. anotado por Rafael - 09:58 AM
já não se fazem políticos"Não tinha erudição, mas era muito eloqüente e pleno de uma natural prudência, por isso era cortês com os amigos, misericordioso com os pobres, solícito nas conversações, cauto nos conselhos, rápido nas ações e, em suas declarações, arguto e grave. Messer Rinaldo degli Albizzi tinha lhe mandado dizer, nos primeiros tempos de seu exílio, que a galinha estava chocando, ao que Cosimo respondeu que ia chocar mal fora de seu ninho. E a alguns rebeldes que lhe disseram que não ficariam dormindo respondeu que bem lhes acreditava, tinha-lhes tirado o sono. Do papa Pio II disse, quando este exortava os príncipes na empresa contra os turcos, que era um velho a fazer empresa de jovem. Aos embaixadores venezianos que vieram a Florença juntamente com seus colegas do rei Afonso queixar-se da república, mostrou a cabeça descoberta e lhes perguntou de que cor era. Responderam: "Branca", e ele então acrescentou: "Não há de passar muito tempo e vossos senadores a terão tão branca quanto eu." Perguntando-lhe a esposa, poucas horas antes de morrer, por que estava com os olhos fechados, respondeu: "Para acostumá-los." [...] Essas tiradas deram motivo a seus inimigos para acusá-lo de ser homem que mais amava a si mesmo do que à pátria, e mais às coisas deste do que as do outro mundo. Poder-se-iam citar muitas outras de suas frases, mas serão omitidas por desnecessárias." [Cosimo de' Medici por Maquiavel, em História de Florença, trad. Nelson Canabarro] anotado por Rafael - 07:04 AM
novembro 05, 2004dicionário carioquês[Não costumo colocar aqui esse tipo de coisa, mas esse tem seu mérito: o pessoal fala assim, atesto e dou fé. O linguajar carioca é uma mistura de termos de praia & gírias de favela, temperada com palavras específicas cujo significado original é notavelmente ampliado pela recolocação gramatical, sintática e semântica, apesar de relevante simplificação no emprego, aumentando, assim, seu uso potencial. Quando eu falar em renovação de linguagem é precisamente a isso que estarei me referindo.] Aê: Arroz: À Vera: A Vera: Bizú: Bola: Bolado: Bonde: Bucha: Cabeçada: Camarada: Chabí: Coé: Conto: Dar mole: Deschavar (leia dichavar): Encabeçar: Farpado ou Farpa: Filé: Finalizar: Fura-olho: Irado: Jiujiteiro: Lance: Liso: Maluco: Mané: Maneiro: Massa: Mel: Mermão: Mestre-sala: Mó: Muleki: Night: Parada: Paraíba: Peganínguem: Peidão: Péla-saco: Peixe: Pica-doce: Pipoco: Pipoqueiro: Pleiba: Popozuda: Porrada: Porradaria Prego: Puto: Ralar: Sacode: Sangue: Saparada: Show: Sinistro: Socí: Suburbano: Suburbana: Tchola (tchôla): Tu: Vazari, dar um: Zero-bala: anotado por Rafael - 03:16 PM
novembro 04, 2004pietro longhi![]() Se o século XVII foi o das pinturas monumentais de Tiziano, Tintoretto e Veronese, o XVIII parece marcado por pintores que, ao invés das glórias de reis, príncipes ou santos, preferiram retratar cenas do cotidiano (mesmo Tiepolo, o filho, que chegou a ser contratado para fazer cenas grandiosas em igrejas e palácios, veio a pintar o seu entorno), como Pietro Longhi ou Canalleto. Claro que tudo isso era consequência da perda de status de Veneza, então não mais a sede de um império naval, que veria sua autonomia escoar água abaixo com a chegada de Napoleão: esvaziava-se politicamente, esvaziava-se economicamente, acabava o fausto de encomendar metros e metros quadrados cobertos por tinta à óleo ou afresco, e as pequenas telas de Pietro Longhi seriam mais apropriadas para a decoração de interiores menores. Fosse retratando gente que sempre estava por ali, como caçadores de patos, dentistas ou adivinhos, fosse em cenas raras como a chegada do primeiro rinoceronte à Veneza, as pinturas de Longhi parecem conter um tom de familiaridade, quase documentais de um tempo específico. Através delas, por exemplo, é possível confirmar que as famosas mácaras de Veneza não eram usadas apenas em bailes ou festas, constituindo-se parte da indumentária cotidiana, quando alguma privacidade era desejada. O que deve ter beneficiado muito o curso de Giacomo Casanova. ![]() anotado por Rafael - 03:28 PM
no jornal de hojePela primeira vez o calendário Pirelli, um dos clássicos da fotografia sensual, com 41 anos de existência, foi feito na América do Sul, mais exatamente no Rio. O calendário de 2005 será lançado internacionalmente em grande festa dia 18, no Forte de Copacabana, e contará com todas as modelos fotografadas, sempre com o Rio ao fundo. Naomi Campbell já confirmou presença. Nas fotos acima, o making of da paulista Liliane Ferrarezi, no Alto da Boa Vista; da baiana Adriana Lima, com o Dois Irmãos atrás; e da americana Michelle Buswelle, em São Conrado. Alguém aí tem o convite? anotado por Rafael - 03:06 PM
florença por otto maria carpôInesquecível é o ambiente. Quem olha do alto da colina de San Miniato para Florença, a paisagem dominada pela cúpula de Brunelleschi, ainda hoje sente o hálito da vida da Renascença. A cidade de Lorenzo de' Medici, Poliziano e Pulci, de Botticelli, Ghiberti e Donatello e Michelangelo -- os italianos chamam-na de "città della vita". Não é, com acreditam os turistas apressados, um museu. Todos os grandes movimentos italianos do século XX começaram em Florença: do futurismo, nas mesas do Café Giubbe Rosse, até o movimento socialista, cujos inícios evocou, no romance Metello, o florentino Pratolini. Sobretudo a história do pensamento de Maquiavel ainda não acabou: é a história de toda a teoria política até hoje. Na cidade de Dante também nasceram a física de Galilei e a técnica da contabilidade. É o berço do mundo moderno. (em Livros na Mesa, Livraria São José, 1960) anotado por Rafael - 07:24 AM
novembro 03, 2004au au auEssa notícia é para o Arnaldo fazer um cartum na linha Protejam os animais. anotado por Rafael - 01:25 PM
eu vi. ninguém me contouSão verdadeiros os boatos. Eu também vi, e folheei. Espero o lançamento (que não sei se vai rolar). anotado por Rafael - 01:23 PM
Norton brasileiroQualquer leitor mais ou menos atento de Sandman estará familiarizado com a figura do imperador Norton. Ex-comerciante falido, encalacrado por dívidas, ao invés de por fim à ruína de sua vida, Norton autoproclamou-se imperador dos EUA e passou a circular pelas ruas de San Francisco envergando cartola e casaco de general, a cujos cidadãos vendia pergaminhos contendo leis por ele proclamadas e títulos de nobreza. Mark Twain, então repórter de Hearst, fez amizade com Norton e ajudou-o financeiramente. Norton arrastou uma multidão ao seu funeral e converteu-se em figura famosa e símbolo da cidade (saiba mais lendo este texto do Daniel Pellizzari). Pois é difícil recusar o rótulo de colonizado quando a gente descobre um personagem quase irmão de Norton no Brasil, e não sabia da existência. O baiano Cândido da Fonseca Galvão, homem livre, filho de escravos libertos, descendente de membros da nobreza africana, participou como voluntário da Guerra do Paraguai, onde foi ferido em combate e promovido a alferes (para quem não lembra: mesmo cargo do Tiradentes). Como a maioria dos negros naqueles dias, estabeleceu-se nas imediações da Central do Brasil ao mudar-se para o Rio de Janeiro, região ora conhecida como Pequena África. Foi ali que assumiu o título de Dom Obá II d'África, juntou em torno de si uma verdadeira corte: desfilava de fraque e cartola, pince-nez de ouro no nariz. Falava de um trono talhado em ouro que o brilho do Sol refletido fazia cegar; sonhava criar um reino opulento onde todos, libertos, pudessem dançar. Obá, ou melhor, Galvão, apoiava a monarquia apesar de condenar a escravidão. Todos os anos, vestindo a farda com que defendera o Brasil na Guerra, dirigia-se ao Paço Imperial, residência da família real, para cumprimentar d. Pedro II, de quem ficou conhecido. Até que, um belo dia, deu com o nariz nas portas fechadas do palácio: o marechal Deodoro havia proclamado a república para o desgosto do baiano. Completamente aborrecido, d. Obá morreria meses depois, em julho de 1890, o título de alferes cassado pelo governo republicano. Dom Obá II foi tema de samba-enredo do G.R.E.S. Mangueira em 2000, foi citado na edição de outubro de 2004 da revista Nossa História e virou livro Dom Obá II d'África, de Eduardo Silva, Cia das letras. Agora escreve sobre ele, Pellizzari! ![]() anotado por Rafael - 01:20 PM
novembro 01, 2004sobre as ondasA partir de hoje nossas atenções ficam voltadas para as praias de Florianópolis, onde se desenrola a etapa brasileira do campeonato mundial de surf. A expectativa é que Andy Irons saia daqui campeão, mas a expectativa mesmo é ver Kelly Slater, o Michael Jordan das pranchas, executar suas piruetas sobre a água, mesmo que já esteja longe do título. E se os brasileiros não têm chance de levar o caneco, Peterson Rosa, Raoni Monteiro e Neco Padaratz também não são nenhum Rubinho Barrichello e devem levantar a galera. Ah, mas o que eu queria mesmo era uma espreguiçadeira na praia do Campeche, um côco gelado e as catarineses passando... anotado por Rafael - 04:04 PM
cinema?Professor Moacy Cirne andou publicando no Balaio as listas dos melhores filmes que assistiu há mais de 40 anos, em Caicó e Natal, no Rio Grande do Norte. A lista impressiona, olhando de hoje: é impossível pensar em uma relação dessas há 10, 15 ou 30 anos atrás, onde estivessem presentes títulos de seu tempo que se fariam clássicos. Outra dúvida que me ocorreu: o que será que passa nos cinemas de Caicó e Natal, hoje? Mesmo considerando clubes de cinema e videolocadoras, será que existe uma oferta tão boa quanto há 45 anos? E por que isso aconteceu -- é tudo culpa da globalização? Curiosidade do Balaio: As cotações cinematográficas da revista A Cena Muda, do Rio, no início dos anos 40 do século passado, eram assim estipuladas: Abacaxi (= filme ruim), Abacaxi enfeitado (= filme sofrível), Gol (= filme bom) e Campeão (= filme ótimo). anotado por Rafael - 08:55 AM
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Lonely Planet Luis Eduardo me encheu tanto o saco que conseguiu um link só para a página dele aqui. Cataplum!
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