dezembro 31, 2004

2005

Agora, mais, só ano que vem.

anotado por Rafael - 03:28 PM

dezembro 30, 2004

melhor frase do ano

“Salgadinho de hoje: R$ 1. De ontem: R$ 2” — Tabuleta no camelódromo da Central do Brasil.

Só tem chance de perder para:

“Não, não! Não sei onde você andou com essa boca!” — Jamelão, recusando o pedido de Tony Garrido que queria lhe beijar as mãos.

(fonte: coluna Gente Boa)

anotado por Rafael - 07:55 AM

mudanças

Parece que o gato do Exquisite subiu no telhado,e já começou a debandada. Sujeira. Há poucos anos ele abrigava um belo rol, com o Notas Gonzo da Cecília Giannetti, o do Mojo, que vivia mudando de nome e o do Eduf. Com a apropriação dos Wunderblogs de parte do elenco do Exquisite e do Blinkenlichten, praticamente só restaram o Gardenal e o Insanus como grandes portais de blogs. As mudanças já começaram: Fred Leal escolheu a saída default, Hermano foi para o Insanus e parece que o Träsel também vai. Estou curioso para ver o destino que Daniel Galera e Cardoso darão a suas crias. Claro que só especulo isso tudo por causa da tranquilidade que desfruto no Mondo-exotica...

Aliás, falando em Mojo, tem uma notícia boa e outra ruim...

anotado por Rafael - 07:37 AM

dezembro 29, 2004

cervejas: warsteiner

warsteiner

Alguém aí fala flamenco???

anotado por Rafael - 08:46 AM

Retrospectiva: blog, quarto trimestre

Outubro
Irritei pelo menos um amigo com a Itália, que se tornou tema constante após a viagem: o espanto que Florença causou, as três coisas que pouca gente sabe sobre Veneza, trechos de Um Caso Delicado e a briga de cachorro grande no livro I, Leonardo (ilustrada), além da estréia da série informal sobre pintores venezianos, com Tiepolo. Nesse meio tempo morreu Fernando Sabino, Pessoas do Século Passado chegou a livro, Imprensa Marrom saiu do ar e os mais assustados andaram tomando medidas drásticas para se preservar. Besteira, porque todo mundo sabe que a culpa de todos os problemas do mundo são de 3 coisas. Enquanto os paulistanos elegiam seu novo prefeito em segundo turno, eu ouvia piadinhas e fazia as minha, de humor negro.

Novembro
O deslumbre com a Itália continuou com a série de pintores venezianos apresentando Pietro Longhi, Canaletto e Carpaccio; com Carpeaux e Maquiavel falando sobre a Florença dos Médici e uma aulinha sobre as esculturas de Hércules. Perdi o lançamento do calendário da Pirelli, todo fotografado no Rio, mas não deixei passar o centenário da revolta da vacina, teve uma exposição ótima, nem sei se falei. Aliás em novembro aconteceu também o evento periódico mais importante do ano: coleção nova da Victoria's Secret! E ainda estreiou o filme da Gisele. Nossa, como aconteceu coisa mês passado: lançamento do livro de Cesar Lobo sobre Curitiba, despedida do Romário, mergulho em Arraial do Cabo, falecimento do Borjalo -- e eu me metendo numa polêmica entre religião e política... Disputaram o prêmio de mais divertido do mês o lançamento da revista F. e meu pitaco sobre os enlatados. Terminei o mês ganhando um novo herói e ensinando como é que os cariocas falam.

Dezembro
No mês em que os deputados fazem convocações extraordinárias, a pena andou afiada coletando opiniões sobre o livro novo do Diogo Mainardi, ou declarações do próprio Diogo. Se não posso dizer se corroboro com todas elas, afirmo que assinava embaixo de uma do Fabio Moon. Foi um mês de ocorrências estranhas, quando decretei não-oficialmente a morte do JotaBê, descobri que as estátuas da antiguidade eram originalmente pintadas, que existia um promissor livro infantil passado em Veneza, não entendi o porque de tantos resmungos acerca de Os Sonhadores e ainda compareci a uma Micareta Literária. Claro, nenhuma delas se compara à estranha coincidência que faz chegar ao papel todos os projetos de internet do qual participo (ou sou convidado), o que significa que, se você quiser publicar o seu, uma boa dica é começar me convidando para participar... Nada disso impediu-me de encerrar a série sobre pintores venezianos, com Bellini (seguida de uma série de bolachas de chopp), ler mais um livro do Gay Talese (só falta Unto the Sons) ou de colecionar uma brilhante pérola filosófica. Houve graça para todos: o concurso para identificar quem era quem numa foto, a nota mais engraçada do ano, um genial cartum do Jaguar -- só eu não fui agraciado com meu presente de Natal. Para quem acha isso pouco, teve até Ipanema em quadrinhos e uma procedente crítica à publicidade.

anotado por Rafael - 08:30 AM

dezembro 28, 2004

hit the road, jack

greyhound_baltimore

Tabelas de partidas de ônibus Greyhound (aqueles que o Kerouac pegava) de Baltimore para Washington D.C. encontradas dentro de uma edição inglesa do I-Ching, livro preferido de Gilberto Gil, de 1971. Provavelmente de alguém que levou a sério o papo de tudo ser transiente. Menos o cobrador e o motorneiro.

greyhound_wdc

anotado por Rafael - 07:13 AM

Retrospectiva: blog, terceiro trimestre

Julho
Nada mau estreiar o mês sendo chamado de modelo intelectual, mesmo que isso fosse gozação descarada com a Folha de SP. Critiquei os resultados bairristas do HQ Mix, mas elogiei a publicação do livro Hell's Angels de Hunter Thompson, ainda que continue preferindo Gay Talese, e o último filme do Charlie Kaufman. Foi um mês difícil, com a volta do Circo Voador, desfigurado (ainda não fui lá, até hoje -- preferi fazer a memória dos ingressos antigos); a morte de um parente e, por causa da violência urbana, de dois conhecidos mais ou menos próximos, estupidamente. Felizmente, pude reunir tranquilidade para registrar o projeto de dominação do mundo dos antigos colaboradores do Cardoso OnLine em pleno curso, para localizar as fotos da viagem que inspirou o livro o Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas, ler um inusitado adesivo de carro e republicar outro ótimo artigo, Guia para se tornar Underground em 5 lições.

Agosto
O mês do cachorro louco teve lançamento de disco do Jorge Ben e de livro do Fabio. Perdi os dois, mas não deixei de cutucar o Sergio Augusto pelos 100 anos do Botafogo, os 80 anos de Monsueto e os 40 anos da morte de Péricles, o criador do Amigo da Onça. Houve espaço ainda para lembrar 10 anos sem Mussum e para criticar As Gostosas do Caco Galhardo, mas foi um mês produtivo, quando Lula explicou que o mal do brasileiro era a baixa auto-estima, encontrei um símile indiano globalizado do Homem-Aranha, me diverti com as justificativas esdrúxulas para cancelamento de multas rodoviárias, entrei no Multiply, comparei Kerry e Bush e descobri que um ex-colega seria candidato a vereador. Outros sucedidos relevantes foram a identificação de uma nova (?) mulher entre nós, a listagem de 7 instituições nacionais, a travessia marítima entre os dois fortes que guardam a baía de Guanabara (duranet a qual aprendi o que qualifica um bom nó) e uma certa matéria na Veja. Mas o melhor foi comemorar dois anos de bola na rede.

Setembro
A exemplo de fevereiro, mês curto porém rico, iniciado com a superação de um recorde pessoal. Peguei emprestado de Sergio Cabral um paradoxo sobre essa coisa de questão moral e descobri algo assustador sobre os hábitos urinais tedescos. Foi ainda neste mês que Millôr Fernandes e Arnaldo Branco iniciaram colaborações periódicas novas, que expliquei o que não é necessário para escrever bem e como se faz uma pinha de retinida, antes de partir para o recesso.

anotado por Rafael - 06:54 AM

dezembro 27, 2004

cervejas: devassa

devassa

Se ao menos a cerveja fosse tão boa quanto as bolachas (o chopp é legal)...

anotado por Rafael - 09:05 AM

XVI salão carioca

A quem possa interessar: já está no ar o regulamento da décima-sexta edição do Salão Carioca de Humor.
Os homenageados de 2005 serão o septuagenário Jaguar, e os octogenários Lan e Millôr Fernandes.

jaguar montado no rato sig

anotado por Rafael - 09:03 AM

doismilequatro

Uma lista rápida com o que foi lançado no Brasil de melhor nos quadrinhos em 2004.
Muitos relançamentos da década de 80, o que é bom. Nunca me acusaram disso, mas sempre aceitei a tese que a década de 80 foi a mais pródiga em lançamentos desde que histórias em quadrinhos deixaram de ser mainstream (anos 40), praticamente a única em que consegui apreciar títulos em todos os gêneros: ficção científica (Heavy Metal), terror (Spektro, Kripta), super-heróis (Marvel e DC), independentes (Cerebus, Concreto, Love & Rockets), etc. Concluí isso conferindo essa linha do tempo das HQs nos anos 80.

Lisandro também fez a lista dele. Como de costume, cumpriu o prazo mas deixou tudo para última hora, não fez o que tinha prometido (ou idealizado), teve que improvisar, valendo-se de expedientes semi-excusos como o uso do diálogo, e no final acabou gerando bons momentos, exemplinho:
– Tá, então fala do Senhor dos Anéis.
– Ah, do Senhor dos Anéis não dá.
– Por que não? Você não amou o filme?
– Amei, mas aí é passar atestado de nerd.

anotado por Rafael - 08:57 AM

dezembro 23, 2004

ho ho ho

Estudo para futuro cartão de Natal no meu finado fanzine Mancha Gráfica, nunca finalizado. O traço é meu, mesmo.

anotado por Rafael - 08:49 AM

cartinha

Caro Papai Noel,

Nesse ano me comportei direitinho: não assaltei ninguém, não matei ninguém, não fechei o túnel da Rocinha, não perguntei se blog era literatura e não fui revelado como expoente da nova literatura brasileira.

De presente, eu quero: a Alessandra Ambrosio.

anotado por Rafael - 07:51 AM

o senhor dos ladrões (ainda Veneza)

o senhor dos ladrões Outro dia, meio por acaso, me deparei com uma amostra grátis da Cia das Letras de um livro infantil, O Senhor dos Ladrões. O que chamou minha atenção foi o desenho da capa, um sujeito metido numa combinação estranha de roupas, jeans e camiseta com botas pretas compridas e uma máscara de zani narigudo, sobre uma ponte algo familiar... Claro, a história era passada em Veneza! Naquele momento, lembrei também que, apesar da ubíqua presença da equipe de filmagem de Casanova, descobri que estavam rodando outro filme em Veneza durante minha visita, exatamente o Theft Lord, que agora eu descobrira ser um livro infantil.
Me pus então a imaginar o quanto aquela cidade podia ser apelativa à imaginação infantil, com suas lendas marítimas, becos escuros e figuras audazes, e com alegria constatei que o autor tinha explorado esses temas, ao menos na amostra que li (que incluía até um mapa estilizado). Se Veneza já é estimulante para as idéias de adultos, que tipo de invenção não seria capaz de produzir nas cabeças de crianças? Imediatamente me chateei um pouco por não recordar ter lido nenhuma história passada em Veneza quando pequeno, a cidade cada vez mais me soando como fonte inesgotável de fábulas e fantasia. Espero que o Luís Eduardo, na próxima vez que levantar a lebre da literatura de entretenimento, enfoque também a importância da literatura infantil como captadora de leitores para a formação de um mercado, se é que esse é o ponto.

anotado por Rafael - 07:41 AM

notícias

1) Lula andou desautorizando uma pesquisa do IBGE cujos resultados, essencialmente, contradiziam que o brasileiro passa fome. Durante a campanha, Lula citava que existiam 50 milhões de famintos no Brasil, mesmo que no íntimo, questionasse a grandeza desse número, como ficou exposto no documentário Entreatos, ora em exibição nos cinemas. Logo após assumir, anunciou o programa Fome Zero para resover esse problema, ainda sem muitos resultados após meio mandato. Irritado ou não com a pesquisa, ao invés de desautorizá-la, Lula deveria se lembrar como historicamente a pobreza sempre foi usada de forma política para sugar recursos do governo. Por exemplo, na capa do JotaBê de domingo passado, a manchete dizia: "Rio tem mais ONGs para menores do que crianças na rua", revelando no miolo a proporção: existem 2 ONGs para cada criança de rua.

2) A SUDERJ informa: depois de um namoro de quatro anos, Luize Altenhofen está solteira, livre, leve e solta. Tem coisas que só se sabe aqui, na cara do gol, não precisa agradecer. Outra que eu descobri na mesma coluna de fofocas: Cláudio Manoel, o Carlos Maçaranduba do Casseta & Planeta, está reunindo depoimentos para documentário sobre Wilson Simonal, a ser lançado em junho do ano que vem, no aniversário de 5 anos de morte do cantor.

3) Tá rolando uma pesquisa sobre qual foi o mico cultural do ano na página do Globo. A maior parte das situações listadas nem merece ser chamada de cultural, mas se é para abrir a definição, eu voto no murro que aquele cara deu no olho do cantor do Los Hermanos (o mico é por conta do Los Hermanos, evidentemente). Se bem que a foto da Luana Piovani sem calcinha na ABL é páreo duro...

anotado por Rafael - 07:17 AM

dezembro 22, 2004

cervejas: guiness

guiness: pour

anotado por Rafael - 08:02 AM

Retrospectiva: blog, Segundo trimestre

Abril
O primeiro registro de abril foi dos 40 anos de 64, quase coincidindo com o atentado terrorista na Espanha. Foi mais um mês animado, onde fiz aflorar o quieto lado lésbico da Juliana, tentaram me fazer passar pelo Ota e inaugurei estante nova. Registrei ainda um ano sem Sampaio, a explosão do Orkut e mais um vice-campeonato do bacalhau. Um surto de livros de new journalism parecia ter invadido as prateleiras, mas o que eu estava lendo era o novo do Tognolli, o mais complicado do ano. Mozart deu uma definição lapidar de trabalho, Wally Wood ensinou como resolver um diálogo de Hq em 22 enquadramentos e Lisandro matou a pau nas suas reminiscências de 64. Ainda arrumei tempo para mostrar que não se deve ter medo de bicho papão, mesmo que esse bicho seja Millôr Fernandes, e para anotar que teve gente que se deu bem por causa da guerra na Rocinha. E ganhei um design novo!

Maio
Consegui, enfim, realizar um desejo antigo: mergulhar; resgatei a lista das 10 coisas que realmente valem a pena na vida, para Rubem Braga e um antiquíssimo gibi do Ferdinando; adorei Triplets from Belleville (enquanto o pessoal via Kill Bill. Ao menos para Tróia leram meu resumo de Homero); fui no lançamento do livro do Mr. Manson; descobri o jogo das 100 cartas brancas, uma espécie de Calvinbol com baralho.
Mas naquele mês todo mundo se ligou na reportagem do NY Times que colocava em xeque os hábitos etílicos do presidente, com reações iradas pela blogosfera. No que me toca, uma certa entrevista com Waler Salles é que mexeu com meus brios. Se bem que eu preferia estar conversando com o Träsel sobre Europa.

Junho
Fiz minha fé, votando pela primeira vez no HQ Mix, por causa do SoBReCarGa. Registrei os vencedores do Festival de Humor de Pernambuco e os falecimentos de Reagan e Brizola, bastante comentados por aí. Como sempre, estava conectado a outras coisas, como uma exposição com pinturas de Taunay que rendeu um comentário procedente sobre latinidad ou a visão do Tognolli sobre a ideologia do caos. Fiz ainda um belo tetxo, convertido em artigo no Burburinho, o Panteão dos Picaretas. Escutei uma esclarecedora conversa de botequim e a prefeita Marta e a passagem da tocha olímpica renderam uma capciosa comparação entre Rio e SP.

anotado por Rafael - 07:55 AM

pra ir entrando no clima de natal

Tell me you love me
Tell me you miss me
Excite me
Dazzle me
Delight me
Tell me there's no one in the world
like me

anotado por Rafael - 07:40 AM

dezembro 21, 2004

diógenes por jaguar

Isso aqui é só para ninguém chiar quando eu vier dizer que o Jaguar é um dos maiores cartunistas do mundo:

jaguar: diógenes

anotado por Rafael - 09:40 AM

Retrospectiva: blog, primeiro trimestre

Janeiro
Por algum motivo que me escapa, o ano começou animado. Lembro que ainda na primeira semana tinham me encomendado uns 3 artigos; ponderei que, se o ano inteiro fosse daquele jeito, não ia chegar inteiro ao fim. Não foi. Um desses artigos foi a colagem sobre Lamartine Babo para a Radio Agência, cuja efeméride havia sido anotada. A animação continuou com o episódio dos dedos sujos na alfândega, quando muita gente boa enxergou naquilo uma medida de defesa da soberania. Janeiro ainda viu Ivan Lessa elogiar blogs e Lúcia Guimarães criticar, dando toda a pinta de quem não leu; testemunhou a chegada de Jack B. Quick, o mais interessante personagem de Hq eu conheci neste ano e, apropriadamente ao verão, recebeu minha comparação analítica entre os biscoitos Globo e Extra, um dos meus preferidos, injustamente de pouca repercussão. Ainda deu tempo para contar uma historinha horripilante.

Fevereiro
Aproveitando que o ano ainda não tinha sido inaugurado, revelei ao mundo meu personal formador de opinião e registrei a morte do fotógrafo Helmut Newton. Mas sem dúvida o grande tema de fevereiro foi o aniversário de 450 anos de São Paulo: retalhei em 5 partes o artigo que nunca terminei (1, 2, 3, 4, 5). Honrei uma dívida antiga comigo mesmo, colocando no ar a letra do Melô do Estar Uar, de Elesbão e Haroldinho e apostei numa mania que acabou não decolando: as asas elétricas.

Março
Com o ano devidamente iniciado, muita água rolou: houve mais um D.I.B., mais uma edição do Salão Carioca de Humor (devidamente reportada), cuja abertura foi marcada por uma pataquada; viagem a SP para o lançamento do Alexandre (e lançamento no Rio, em local inesperado), a visita de um swami indiano, show do FatBoy Slim no Aterro, o encerramento da saga de Cerebus e o aniversário de um ano do texto Quixotes de Bukowski, ainda atualíssimo.
Li O Livro das Cousas que Acontecem do Daniel Pellizzari e recomendei. Defendi o vencedor na categoria Charge do Salão Carioca. Colhi uma historinha ótima com Aldir Blanc sobre Paulinho da Viola. E o Laerte se entregou em entrevista à Caros Amigos.

anotado por Rafael - 06:45 AM

paratodos

É impressão minha ou aumentou o número de propagandas na linha "não se incomode se não está dentro dos padrões de beleza, você também é bonita"? Sobretudo agora, no verão? Não me espanta que, após séculos martelando na tecla da cosmética, as empresas tenham decidido por uma trégua e os publicitários tenham lembrado que, abrindo a definição, podiam aumentar o público consumidor. O que me espanta é que ter que dizer isso, explicitamente, ao consumidor.
O que só prova a total incapacidade desse consumidor em olhar criticamente, ao invés de obedecer, os anúncios.

anotado por Rafael - 06:43 AM

volta ao mundo em 360 graus

Panorâmicas em 360 graus de todo o mundo por Greg Downing. Já visitei algumas dessas.

anotado por Rafael - 06:30 AM

dezembro 20, 2004

sonhadores

Xovê se eu entendi: tem um povo aí reclamando que o Bernardo Bertollucci abriu mão de fazer o balanço da geração de 68 para filmar uma espécie de triângulo obsessivo-amoroso entre dois franceses (ela, Eva Green) e um estadunidense em Os Sonhadores, é isso? Olha, tem gente que reclama demais.

anotado por Rafael - 10:27 AM

dezembro 18, 2004

honor thy father

As Bill Bonano listened to the various broadcasts, and later read the newspapers at roadside restaurants, he was awed by the government's escalating crusade against an organization whose demigods were half a dozen tired old dons trying to think big, and he could not help but speculate that the main problem of the government was not that the Mafia was alive but that it may well be dying and that perhaps the only thing that might save these rare creatures from exctintion would be a government subsidy of some sort. Since great cathedrals could not have been built without devils and since to diminish the size of the antihero was to diminish the size of the hero, it would be in the interest of future crime-busting budgetary increases to preserve the dons and underbosses from the natural forces of attrition; unless of course some other group like the Black Panthers, or societies of radical students, could be magnified into such proportions to replace the menacing image of the Mafia. But Bill Bonano doubted that this could be done.

Um subsídio governamental para a Máfia! É quando me deparo com essas coisas que me convenço definitivamente que Hunter S. Thompson cabe no bolso de Gay Talese(*). Esses dias andei lendo a ótima monografia de fim de curso do Cardoso, na qual ele defende a tese que o jornalismo gonzo é uma categoria à parte do new journalism, e especifica as principais características de uma reportagem gonzo. Só não entendi como é que o autor conseguiu fazer isso sem ter lido A Sangue Frio, Os Degraus do Pentágono, Miami e o Cerco de Chicago, Décadas Púrpuras, Paper Tiger e qualquer livro do Gay Talese -- ao menos nenhum desses aparece entre as obras consultadas. O mais estranho é que, no corpo da tese, Cardoso faz vários comentários procedentes a várias delas, o que me leva a crer que ele aplicou uma das máximas do jornalismo gonzo na defesa: ludibriar o leitor, não evidenciando o que é fato e o que não é.
...O que comprova a eficácia de sua argumentação, ou demonstra a cegueira dos meios acadêmicos. Ou, mais provavelmente, os dois.

(*) Detonado Honor thy Father, agora só falta Unto the Sons, que já aguarda na prateleira, e se alguém me emprestar, The Overreachers.

anotado por Rafael - 11:56 AM

dezembro 17, 2004

pé na tábua

site na tabua

Achei a idéia muito boa, fiquei logo imaginando aqueles enormes cartazes art-noveau recehados com textos e mesmo quando descobri, pelas fotos, que nem eram cartazes tão grandes assim, nem eram coloridos, fiquei decpcionado. Porque a idéia toca na ferida do suporte, das pernas que a literatura precisa para caminhar -- no fim, a mesma raiz da pergunta se blog é literatura. Podem achar que é mentira, mas no primeiro semestre desse ano tive um papo com o Lisandro no qual ele contou que o pessoal devia perder esse fetiche por lançar livro, que literatura poderia ser veiculada de outras maneiras -- como encarte de LPs, ou pôsteres em banca. Lisandro comentou sobre o grande apelo que teria um pôster com uma escritoras mais bonitinha em fotos sensuais, ladeado por um texto dela, em coluna comprida, sem roubar espaço da literatura. Essa idéia do Zimbres com o Scott é o melhor exemplo que vi aparecer até agora; eu só radicalizaria na difusão, pendurando cópias em mais lugares inesperados. Aqui no Rio, ridiculamente, só um sebo se ofereceu, o que não adianta muito em termos de difundir os escritos, há que se convir.

anotado por Rafael - 08:57 AM

dezembro 15, 2004

para confundir a agenda

lançamento

anotado por Rafael - 07:38 AM

O jogo dos 7 erros literário

Conselho editorial do projeto Paralelos:
Augusto Sales, Crib Tanaka, Cecília Giannetti, Jaime Gonçalves Filho, João Paulo Cuenca, Jorge Rocha, Mara Coradello, Paloma Vidal, Sônia Oliveira Pinto.

17 contistas escolhidos pelo conselho editorial no " ‘recorte’ representativo do que tem sido produzido pela literatura brasileira contemporânea, principalmente aquela saída do Rio de Janeiro", para o livro Paralelos – 17 contos da nova literatura brasileira:
Antonia Pellegrino, Augusto Sales, Cecília Giannetti, Crib Tanaka, Flávio Izhaki, Francisco Slade, Gustavo de Almeida, João Paulo Cuenca, Jorge Rocha, Jorge Cardoso, Leandro Salgueirinho, Mara Coradello, Mariel Reis, Paloma Vidal, Pedro Sussekind, Tatiana Salem-Levy e Simone Paterman.

anotado por Rafael - 07:11 AM

partos

Por coincidência, chegaram esse ano ao papel dois projetos que tive a chance de ver nascer, quando não participei do próprio parto: Digestivo Cultural e Paralelos. Apesar de já ter passado por essa experiência em outras situações, é estranho o sentimento de ver planos se realizando, pois chegar ao papel era o objetivo último nesses dois casos. Resta saber se, ao tê-los em mãos, confirmarei ou não as impressões que me fizeram abandoná-los a meio caminho.

* * *

A propósito, o lançamento da revista-livro Paralelos vai se dar a partir de hoje, num evento de 3 dias no Rio, em frente à livraria Dantes, no que Augusto Sales chamou de Micareta Literária. Vou com expectativas de encher a cara e pegar muita mulher. Espero que o abadá não seja muito caro.

* * *

Lembrei agora que, se contar com o convite para os Wunderblogs, chegam a 3 os projetos de que desisti. Se bem que os Wunderblogs não são um projeto fechado, o convite deles não veio a tempo de me incluir no livro e virar livro não estava entre seus planos.

anotado por Rafael - 07:09 AM

dezembro 14, 2004

malditos arrogantes elitistas

Quem você admira no Brasil, tanto escritores como jornalistas etc.?
Olha, eu leio muita coisa. Está cheio de gente por aí. Eu sou um grande leitor de jornal, internet, revista... Eu estou sempre à busca de assunto. Agora, a imprensa brasileira ficou muito desarmada. Ela sempre foi muito adesista, muito obsequiosa com governos em geral. Um parêntese: o pessoal do Wunderblogs.com é muito bom, é uma moçada muito boa. Gosto muito dos textos do Alexandre.

[Se eu não soubesse disso, até ficaria impressionado. Dica do Träsel.]

anotado por Rafael - 08:08 AM

dezembro 13, 2004

paintbrush

Uma que passou meio batida por aí, ao menos mais do que deveria, foi a notícia (descoberta?) que as estátuas clássicas de mármore da antiguidade eram pintadas, de sorte a ficarem o mais parecidas possível com os retratados, e não com figuras geladas. Dispondo dessa informação, até parece razoável pensar que estátuas coloridinhas tinham mais a ver com Roma, mesmo a Roma imperial de Augusto e não só a decadente de Calígula, do que ascéticos e branquíssimos monumentos -- eles não usavam mármore de várias cores para decorar palácios e igrejas? Mas que isso muda toda a história de cenografia em cinema, ah muda. A não ser que queiram ignorar a História para deixá-la mais palatável nas telas, como de resto sempre fizeram, só que agora declaradamente (e quantas pessoas souberam dessa notícia?)

anotado por Rafael - 04:12 PM

numerologia

Entrei num site de numerologia e descobri que eu e Jennifer Connely temos 99,3% de compatibilidade. Estou felicíssimo. Como o site deve estar errado, ela provavelmente acredita em numerologia. (mozart the raven)

anotado por Rafael - 04:04 PM

Retrospectiva: Colunas e artigos

Consegui esse ano fechar uma lacuna que me incomodava: enviar algumas contribuições para o Burburinho, uma revista virtual que li desde o começo e com a qual sempre me identifiquei. Mantive também uma colaboração, mais ou menos semanal, ao longo de todo o ano, no SoBReCarGa, que apesar do frenesi do prazo, acabou gerando algumas coisas boas. Além desses 2, de vez em quando alguém me pedia um texto sobre uma efeméride, principalmente o Paralelos, ou vinha aqui roubar uma nota qualquer. Do que pode se salvar, anotei colagens biográficas de Aracy de Almeida e Lamartine Babo, e uma análise do estilo de Péricles Maranhão. Poderiam ter recebido artigos também Ary Barroso, Tom Jobim ou Mussum; este último ficou só no registro. Dentre as colunas, destaco as análises de Concreto e Love & Rockets, as reportagens sobre o XV Salão Carioca de Humor e os lançamentos de abril, a efeméride de 75 anos de Tintin, e as resenhas de Palestina, Stuck Rubber Baby, Little Annie Fanny, Lanterna Verde e Arqueiro Verde, Fabulous Furry Freak Bros., Persépolis e do livro Hell's Angels de Hunter Thompson. Tenho minhas dúvidas se a massa crítica final compensa a chateação dos prazos.

anotado por Rafael - 04:02 PM

dezembro 12, 2004

satrapi no sobrecarga

Um relato autobiográfico em quadrinhos da revolução islâmica no Irã: Persépolis, de Marjane Satrapi, no SoBReCarGa, desde sexta passa.

anotado por Rafael - 03:21 PM

dezembro 09, 2004

ipanema em quadrinhos

Para quem gostou da crônica do Caio Mourão, isto aqui é uma adaptação para quadrinhos feito pelo Zédassilva, constante no livro -- clica para ver tudo. Tem outras, todas curtinhas. Se eu disser que há uns cinco anos eu tive a idéia de transformar esses causos ipanemenses em histórias em quadrinhos curtas, que cheguei a roteirizar uma delas com uma cena de bar na primeira página e uma daquelas estrelas no chão (uma das que foram roubadas recentemente) na última, vão dizer que eu estou mentindo grosso. Mas que tinha, tinha.

roteiro: Caio Mourão, desenhos: zedassilva

anotado por Rafael - 09:36 AM

los bros fernandez

Rafael, você não vai falar de Love & Rockets, agora que a Via Lettera editou Sopa de Gran Penã? Não, já falei. E eles escreveram Los Bros Fernandes na capa, ao invés de Hernandez, pelo menos no catálogo virtual. E do Concreto, cuja encadernação a Devir lançou? Também já falei, há muito tempo.

anotado por Rafael - 09:33 AM

dezembro 08, 2004

Retrospectiva -- Estátuas do Rio

Um dos projetos legais que concretizei em 2004 foi o de registrar em fotos as estátuas urbanas do Rio de Janeiro. Dizem que é uma das cidades com mais estátuas no mundo, eu nunca procurei nenhuma estatística desse tipo, "uma estátua para cada 15 mil habitantes" etc. Seja como for, estraram na galeria: Drummond (em belo crepúsculo), o centenário Ary Barroso, Otto Lara Resende (ainda na redação), Braguinha (que nem precisou morrer para virar estátua), Zózimo Barroso do Amaral (outro que parece recém-saído da redação), Heitor Villa-Lobos, um inca que na verdade é asteca, Noel Rosa (recebendo palito e um cigarro para espantar mosquito) e Pixinguinha. À parte problemas com foco e iluminação, deu para formar uma idéia razoável do quanto e quem a cidade homenageia em metal. Ainda não dou a série por terminada; ano que vem devem aparecer por aqui a réplica do Manequinho, Chopin, José de Alencar, São Sebastião, Cabral, Luiz Gonzaga, iiiihhhh...

anotado por Rafael - 10:20 AM

Filosofia à maneira do Millôr

Presta só atenção: não querer que os outros caguem regra também é uma cagação de regra.

anotado por Rafael - 10:15 AM

Jornais que morrem

Quem não é do Rio tem dificuldade em perceber a importância que o Jornal do Brasil tinha, até há pouco mais de dez anos. A partir do começo dos anos 80 a Folha de São Paulo tornou-se o jornal mais importante do país graças a uma política de contratação de pessoal agressiva e uma linha editorial efetivamente modernizadora à época, infográficos à parte. Na época, o peso do jornal carioca podia ser sentido pelos próprios colaboradores: Villas-Boas Corrêa, Sandro Moreyra, Carlos Castello Branco, Millôr Fernandes, João Saldanha, mesmo Drummond chegou a escrever suas crônicas até o final dos anos 70. Olhando de agora, fica fácil ver como aquela redação era envelhecida, e como não havia nomes a substituí-la dignamente; a maioria já morreu e, dos que permaneceram, Villas-Boas é o único ainda dado à esterelizante prática
diária do jornalismo.

Na década de 80 lia-se no JotaBê Rogério Durst, Ana Maria Bahiana, Luis Carlos Mansur, Cora Rónai, Arthur Dapieve, Joaquim Ferreira dos Santos, Jamari França, uma turma que migraria em bando para O Globo na década seguinte (na esteira de Chico Caruso, hoje no direito de reivindicar título de precursor). A transição de nomes entre os jornais não era comum naquele tempo, não querer trabalhar "para o Roberto Marinho" era uma questão ética que não devia ser tão firme assim, haja vista como caiu por terra face aos salários altos e colunas de meia página no Segundo Caderno. O fato é que O Globo tinha dificuldade em atrair nomes, enquanto no JotaBê, além do quadrado diário do Millôr Fernandes, tinha um Ique recém-revelado, Jô Soares pré-Veja e pré-entrevistas, ainda engraçado, Veríssimo dando banho até em Woody Allen, e mais Mguel Paiva, uma penca de gente boa.

Lembrei deles quando tentava buscar motivos para a atual decadência do Jornal do Brasil, cuja redação, que depois de sair de sua sede na Avenida Brasil (tremendo elefante branco e mal localizado, imponente a ponto de virar referência de trânsito, hoje desmontado a ponto de terem removido até o letreiro do terraço), está ameaçada de transferência para uma sala ainda menor. As notícias são desalentadoras; gente que outro dia resenhava filme, agora edita caderno de cultura. É triste ver se transformar assim o jornal que formou o hábito de se ler notícia diariamente, mas são mais tristes ainda tentativas de reabilitação como passeatas para distribuir panfletos entre
formadores de opinião... nas praias de Leblon e Ipanema. É de se perguntar se Nelson Tanure e Paulo Marinho merecem tal esforço.

Andei pensando no JotaBê depois de ler Notícias Populares - Nada Mais do que a Verdade, a história do pai de todos os espreme e sai sangue deste país. Quem não é de São Paulo tem dificuldade em perceber a importância que este jornal teve nos quase 40 anos de vida. Surgido do acordo entre um empreendedor fugido do regime stalinista, Jean Mellé, e um empresário inglês anti-comunista com o objetivo bem definido de fazer propaganda contra a praga vermelha entre o meio operário na época de Jango, o jornal entrou num limbo editorial a partir do golpe de 64 -- quando seu papel já havia sido feito -- passando a valer-se dos mais variados expedientes para manter o público já conquistado: agenda de celebridades (então os astros alienados da Jovem Guarda), lendas urbanas com herança de crendice rural (bebê-diabo e loira fantasma), edições cheias de lascívia no carnaval, futebol, além da constante e típica cobertura de crimes violentos. Editado, após a morte de Mellé, sobretudo a partir da intuição -- e do termômetro das bancas -- de Ebrahim Ramadan, que pediu afastamento após mais de 15 anos de casa graças à pesada intervenção planejada por Otávio Frias Filho para a modernizar o jornal (pertencia ao grupo Folha), em dez anos perdeu o que 30 de inflação, ditadura e a competição com a televisão não tinham conseguido roubar-lhe: um público fiel.

Se em sua derrocada o NP valeu-se de nomes como Ratinho, Zé do Caixão e Gugu no papel de últimos dos moicanos, o Jornal do Brasil que fenece não chega nem à fotografia na parede dos anos gloriosos. Falar em dinamismo de mídia, da famigerada sinergia ou texto ágil parece fácil, mas o fato é que o desmonte já se anunciava há mais de dez anos, fosse em tentativas desastradas de "atrair os jovens" num arremedo de caderno adolescente, o caderno Zine, cuja colunista principal era Maria Mariana -- em evidência graças ao best-seller Confissões de Adolescente, cada geração tem a Clarah Averbuck que merece -- hoje compreensivelmente reduzido a uma curta seção dentro da revista de final de semana Programa, fosse na ânsia de arregimentar leitores ao colocar Fernanda Young ou o novo talento literário da vez para fazer coluna semanal (experiência que não durou 6 meses), e o estado atual nada mais é do que uma consequência dessas tentativas.

É chato, mas ainda acho melhor ver o JotaBê acabar do que se transformar numa caricatura de si mesmo, aliás exatamente o que aconteceu com o NP. Se eu quiser notícias do Rio, posso correr para O Dia; se quiser a verve de seus repórteres, ainda há a chance de encontrar vestígios de alma n'O Globo.

anotado por Rafael - 10:14 AM

dezembro 07, 2004

Não pensem que vou deixar essa passar

Rio ultrapassa SP e tem agora a 2ª maior renda per capita do país (da Folha de S.Paulo)

anotado por Rafael - 02:52 PM

bellini

bellini: milagre na praça são marcos

Pare um carioca na rua e pergunte onde fica o Bellini e a resposta fatalmente será: em frente ao Maracanã. Você terá que explicar que se refere ao pintor veneziano e não ao capitão da seleção brasileira de 70. Foi no estúdio de Gentile Bellini que Carpaccio estudou, ainda no século XV, livrando-se, em seu estilo, da relativa rigidez presente nos quadros de seu mestre, de resto, característica daquelas primeiras décadas do renascimento. Dos quadros de Bellini que escaparam do incêndio que destruiu o Palácio dos Doges no século XV, certamente o mais notável, hoje transferido para a Academia de Veneza, é Procissão na Praça São Marcos, um detalhado retrato da arquitetura, indumentária e até hierarquia -- note quem anda perto de quem, quem está na frente e quem está atrás -- da Veneza dos doges. É possível identificar quem é o doge na pintura também pelo chapéu característico que todos eles usavam; um deles encontra-se em exposição no Palácio dos Doges, estranhamente próximo da coleção de armas. Na fachada da Catedral de São Marcos ainda está a quadriga roubada de Constantinopla (a atual é uma réplica, a original encontra-se no museu interno) e os mosaicos originais (apenas um sobreviveu até hoje).
Bellini também retratou Veneza no notável Milagre da Cruz na Ponte de São Lourenço, onde mais vestes, casas e detalhes construtivos aparecem, diante dum improvável canal de águas transparentes -- será possível que um dia elas foram assim, ou era tudo em nome da liberdade artística? São Lourenço, mártir, é tema de inúmeros quadros e nomeia uma das igrejas mais impressionantes de Veneza, conhecida por sua torre inclinada, como a de Pisa. E para que não se diga que Bellini foi pintor exclusivamente urbano, a conferir O Banquete dos Deuses, interessante cena clássica onde identificar os deuses gregos é menos trivial do que parece (a correlação está aqui).

anotado por Rafael - 07:26 AM

perfis de piza

Daniel Piza manda avisar: lançamento de Perfis & Entrevistas pela Editora Contexto no dia 14 de dezembro, às 19h, na Casa do Saber (Rua Dr. Mário Ferraz, 141, Jardim Paulistano, São Paulo/SP).
Perfis e entrevistas com Carlos Heitor Cony, Fernando Pessoa (diálogo imaginário), Ferreira Gullar, Gay Talese, Harold Bloom, Ivan Lessa, João Cabral de Melo Neto, John Updike, Luis Fernando Veríssimo, Milton Hatoum, Oscar Wilde (entrevista imaginária), Robert Hughes, Iberê Camargo, Hector Babenco, Isay Weinfeld, Nelson Freire, Oliver Sacks, Richard Dawkins, Stephen Jay Gould, entre outros.

anotado por Rafael - 07:12 AM

dezembro 06, 2004

fontanarossa

Roberto Fontanarrosa faz parte daquela longa e extraordinária linhagem de desenhistas argentinos de quadrinhos -- tem tanto quadrinhista na Argentina quanto músico no Brasil. Claudio Nine, Coppi, Quino, Breccia, Oesterheld, Crist, tem para todos os gostos e é lamentável que o nome mais lembrado atualmente seja o de Maitena. Fontanarrosa teve um álbum lançado pela L&PM no final da década de 1980, Boogie, sátira em cima dos tipos durões interpretados por Clint Eastwood e Charles Bronson e várias historietas publicadas na revista Mil Perigos, comecinho dos anos 1990. Sempre me chamou a atenção seu a capacidade de síntese de seu traço humorístico, de poucas linhas, fundidas aos requadros em interessantes efeitos visuais. Fontanarrosa tem muitos trabalhos expostos em ótimo site.

anotado por Rafael - 08:12 AM

dezembro 03, 2004

A anãzinha lúbrica

[Toda vez que eu vou numa festa de arromba, ou que um amigo próximo me conta uma daquelas histórias de arrepiar cabelinho de sovaco e eu começo a achar que, dessa vez, tamos chegando lá, no segundo seguinte descubro alguma coisa três vezes mais escabrosa que, em geral, aconteceu antes deu nascer, provando que ainda tenho muita poeira para comer. Dessa vez, foi culpa do Caio Mourão, que recebe a palavra, agora]

Um dia desses recebi um e-mail não muito recomendável, mais muito adequado para asistentes novelísticos e do BBB da Globo.
Tratava-se de uma anãzinha fazendo felácio num atleta, a desproporção era muito grande, daí a sugestão do engraçado e, porque não dizer, erótico para o voyeur mirim ou assú que temos dentro de nós.
Enviando para um amigo, lembrei-me que nos idos de 79 eu tive uma aventura, digo, transada, não, também não, digamos como hoje em dia, uma "ficada" com uma anã.
Fui a uma festa com Sérgio, o Braga, meu amigo de copo e de terno.
Ele estava namorando uma moça recém-desquitada meio "doidinha", isto vindo do Sérgio queria dizer que era louca de pedras e paralelepípedos.
Haveria uma festa no apê da moça, Parque Guinle. Chique à beça.
Fomos no meu carro, que na época era uma Veraneio C-14 azul, banda branca para ninguém botar defeito e ainda tinha ar refrigerado para os dias de calor. Jóia!
A festa era muito da doida, até para mim. Tinha de um tudo, não só bebida, mas tóxicos, gente que parecia fantasiada, mas estavam como eram mesmo, gays aos potes, músicas alucinadas, lésbicas num mutirão, em suma, um festão. Bebi o que ofereciam e depois atacamos o nosso bar particular que sempre levávamos nestas ocasiões quando não sabíamos como cantaria o sabiá (ou é a sabiá, fala Tom!).
Lá pelas três da manhã, já reduzida a festa, com poucos sobreviventes, alguns oscilando em pé, outros emborcados, bateu uma fome doida, e Sérgio adentrou a cozinha e, com um tomate, meio pacote de farinha de mandioca, um resto de toucinho meio mofado, uma senhora cenoura e muito azeite do português fez um milagre de sopa levanta defunto que no caso levantou bêbados e drogados por uma meia hora, mas depois bateu na fraqueza e foi cada um se encornar num canto da sala ou do sofá, os mais felizes se acasalaram e se enfiaram lá para dentro nos quartos.
Eu deitei num canto atapetado munido de almofadas e me dispus a gozar um soninho até o amanhecer que já se anunciava.
Ledo enleio, nem mal começava a dormir, senti um beijo de língua entrando pelo meu esôfago adentro, abrindo os olhos, vi uma mulher muito da linda cometendo isto e mexendo os olhinhos de uma maneira tão lúbrica que nunca mais esqueci estes olhos.
Tentei enlaçá-la pela cintura e só senti os artelhos, despertei de vez e vi que era a anãzinha que tinha sido muito gentil comigo desde a chegada, até o Sérgio me gozou uma hora dizedo -- "Ganhou pra hoje, a anãzinha gamou!", não dei bola, achei que era sacanagem dele. Mas era mesmo, a anãzinha gamara mesmo e o beijo era muito do bom.
A coisa começou a se adiantar depois daquele "linguajar" erótico e resolvemos ir para outro lugar onde poderíamos "conversar" melhor.
Procurei Sérgio que a estas alturas tinha se enfurnado n'algum quarto com a doidinha lá dele. Saí com a Érika, foi este o nome que ela me deu, e mais não perguntei. Já não basta ser assediado por uma anã lúbrica e ainda querer saber o nome dela de verdade?
Fui convidado para ir para sua casa em Santa Thereza, topei, mas na metade do caminho, a anã que estava naquele bancão grande da frente da veraneio, dormiu e foi pro chão, e em cada curva santatereziana que eu fazia, ela batia nas minhas pernas me atrapalhando o manejo do carro.
Parei e transportei para o banco de trás, o que foi comprovadamente pior, pois ela, além de cair no chão, rolava pra lá e pra cá dentro de todo aquele espaço, mas ao menos eu dirigia sem ter ninguém no meu pé.
E chegado que fomos, a mulher dormia e não acordava nem com tapa na carinha lúbrica. Eu chegara na rua, o que não é fácil naquele bairro, mas e a casa, apartamento? Onde era? Que fazer? Deixar aquele pacotinho no meio da rua? O lixeiro podia levar ou o cachorro comer.
Pesolvi levar para o atelier de Ipanema, pois eu estava num dos meus hiatos casamentícios.
Lá chegando, carreguei-a om muito cuidado, enrolada numa toalha de praia que morava no carro, para disfarçar dos porteiros que já estavam com radinhos ligados e lavando carros na rua.
Deitei a lúbrica e adormecida anã na minha cama, atravessada e deitei na horizontal, pois temia que caísse.
Dormi até que acordei com uma lubricidade nos países baixos que me informaram que a anã já tinha acordado e a mil, depois seguimos os trâmites de sempre e foi muito bom só é chato não poder beijar durante nem quebrando a coluna.
O engraçado da estória é que, ao sair do quarto para ir para casa, ela encontrou um empregado meu, que ficou parado e sem voz por dois dias.
Partida a moça, ele ficou me olhando com uma cara de...???
Eu não tinha o que dizer, então pari esta jóia: -- "Fui ao circo, ontem".
Nunca mais vi a anãzinha, às vezes pensava que havia sido um sonho lúbrico de porre, mas sempre o Sérgio me lembrando dos beijos e outras coisinhas mais que a anãzinha me proporcionou no tapete da festa.
Estas coisas não se contam nem para o melhor amigo, só em crônica, e muito tempo depois.

[Mantive toda a grafia original, que se encontra na crônica que abre seu segundo livro, Prata da Casa II -- Gostei mais do primeiro. Isso não é meu comentário, é o subtítulo.]

anotado por Rafael - 09:31 AM

Encontrados

O concurso promovido ali embaixo atraiu mais respostas do que eu esperava, em intensidade humorístico-involuntário muito maior do que eu esperava. Só quem gabaritou foi o Nemo Nox, um dos primeiros a responder. Se não tivesse marcado uma múltipla escolha, Lisandro Gaertner também teria acertado.

O bigodudo da esquerda é Sergio Aragonés, primeiro conhecido pelas marginais do Mad, e famoso a partir da década de 80 por ter desenhado Groo. Eu me pergunto por que ninguém até hoje teve a idéia de contratá-lo para elaborar cartazes de cinema, com aquele cuidado louco para com detalhes. O cabeludo da esquerda é Otacílio D'Assunção Barros, mais conhecido como Ota, editor desde sempre da Mad brasileira, ex-editor de quadrinhos da Vecchi e Record.

Era assim absurdo? Não era, não era. O que fez a graça do concurso mesmo foi o fato da foto ser de 1976, portanto o Ota tinha apenas 21 anos, praticamente a mesma idade do Aragonés. Provavelmente ela foi tirada durante a vinda do Aragonés ao Rio, a convite da editora Vecchi, que começara a publicar a Mad brasileira a partir de 1974. Apostaria que o nariz do lado direito da foto é de Lotario Vecchi, diretor da empresa.

E agora o melhor: como é que eu sei disso tudo? É que o Ota tem um blog e contou tudo por lá, no dia 25 de novembro. Sim, o Ota tem um blog.

anotado por Rafael - 09:25 AM

mainardi por sá correa

De perto, ele um sujeito afável, de boa conversa, que anda por aí abrindo espaço na imprensa às caneladas menos por vocação do que por método.
[...]
É no atacado – ou seja, no livro – que a petulância deixa de parecer uma postura e se credencia como ponto de vista.

Ninguém vai falar do livro do Diogo Mainardi? Eu também não vou. Quem vai é o Marcos Sá Correa, que foi pago para isso. E o próprio Mainardi, em entrevista para o Jotabê. Curioso que uma idéia levantada pelo Sá Correa tenha sido exatamente igual a uma sugestão feita pelo Bruno ao meu xará. Aliás, o Sá Correa também vai esmiuçar com rara clareza um antigo relato de Lula, expondo uma estranha face da nossa cultura.

anotado por Rafael - 09:05 AM

dezembro 01, 2004

procuram-se

quem são esses caras?

Quase surtei de rir ao encontrar essa foto de 1976. Dou um prêmio para quem acertar quem são os dois figuraças. Dicas: o bigodudo é originário da América Central e ficou famoso com seus desenhos mudos. O cabeludo é um dos editores de quadrinhos mais famosos do Brasil. Vamos lá, é divertido.

anotado por Rafael - 07:59 AM

assinava embaixo

O que eu mais gosto de desenhar é, sem dúvida, mulher. Acho que poucos temas são tão essencialmente ligados à linha quanto a figura feminina. Acho, por isso, que essa minha preferência pela linha me afasta do desenho mais tradicional dos super-heróis.

Do jeito que eu vejo, os super-heróis são feitos de formas. Músculos e mais músculos os definem. É de massa que os heróis precisam. As mulheres, entretanto, são diferentes. O fio do cabelo, a linha dos ombros, o lábio desenhado, os contornos e caminhos que o olhar traça ao percorrer o corpo feminino, tudo remete à linha.

Quando você desenha uma garota, você segue com os olhos o caminho que percorre com as mãos, um caminho que já percorreu com a mente. Esse caminho conta uma história, uma vida, a personalidade de alguém que, enquanto vejos, temos vontade de conhecer.

Tem gente que prefere desenhar os homens que destroem muralhas. Eu prefiro desenhar as garotas que destroem corações.

(Fabio Moon)

[para não confundir: os desenhos daqui não foram feitos pelo Fabio Moon nem pelo Gabriel Bá, que acabaram de lançar mais um álbum de historietas pela Devir]

anotado por Rafael - 07:49 AM

coisas que eu ouço

-- Foi um prazer te conhecer. Sem demagogia.

anotado por Rafael - 07:45 AM