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dezembro 31, 2004dezembro 30, 2004melhor frase do ano“Salgadinho de hoje: R$ 1. De ontem: R$ 2” — Tabuleta no camelódromo da Central do Brasil. Só tem chance de perder para: “Não, não! Não sei onde você andou com essa boca!” — Jamelão, recusando o pedido de Tony Garrido que queria lhe beijar as mãos. (fonte: coluna Gente Boa) anotado por Rafael - 07:55 AM
mudançasParece que o gato do Exquisite subiu no telhado,e já começou a debandada. Sujeira. Há poucos anos ele abrigava um belo rol, com o Notas Gonzo da Cecília Giannetti, o do Mojo, que vivia mudando de nome e o do Eduf. Com a apropriação dos Wunderblogs de parte do elenco do Exquisite e do Blinkenlichten, praticamente só restaram o Gardenal e o Insanus como grandes portais de blogs. As mudanças já começaram: Fred Leal escolheu a saída default, Hermano foi para o Insanus e parece que o Träsel também vai. Estou curioso para ver o destino que Daniel Galera e Cardoso darão a suas crias. Claro que só especulo isso tudo por causa da tranquilidade que desfruto no Mondo-exotica... Aliás, falando em Mojo, tem uma notícia boa e outra ruim... anotado por Rafael - 07:37 AM
dezembro 29, 2004Retrospectiva: blog, quarto trimestreOutubro Novembro Dezembro anotado por Rafael - 08:30 AM
dezembro 28, 2004hit the road, jack![]() Tabelas de partidas de ônibus Greyhound (aqueles que o Kerouac pegava) de Baltimore para Washington D.C. encontradas dentro de uma edição inglesa do I-Ching, livro preferido de Gilberto Gil, de 1971. Provavelmente de alguém que levou a sério o papo de tudo ser transiente. Menos o cobrador e o motorneiro. ![]() anotado por Rafael - 07:13 AM
Retrospectiva: blog, terceiro trimestreJulho Agosto Setembro anotado por Rafael - 06:54 AM
dezembro 27, 2004cervejas: devassa![]() Se ao menos a cerveja fosse tão boa quanto as bolachas (o chopp é legal)... anotado por Rafael - 09:05 AM
XVI salão cariocaA quem possa interessar: já está no ar o regulamento da décima-sexta edição do Salão Carioca de Humor. ![]() anotado por Rafael - 09:03 AM
doismilequatroUma lista rápida com o que foi lançado no Brasil de melhor nos quadrinhos em 2004. Lisandro também fez a lista dele. Como de costume, cumpriu o prazo mas deixou tudo para última hora, não fez o que tinha prometido (ou idealizado), teve que improvisar, valendo-se de expedientes semi-excusos como o uso do diálogo, e no final acabou gerando bons momentos, exemplinho: anotado por Rafael - 08:57 AM
dezembro 23, 2004ho ho ho![]() Estudo para futuro cartão de Natal no meu finado fanzine Mancha Gráfica, nunca finalizado. O traço é meu, mesmo. anotado por Rafael - 08:49 AM
cartinhaCaro Papai Noel, Nesse ano me comportei direitinho: não assaltei ninguém, não matei ninguém, não fechei o túnel da Rocinha, não perguntei se blog era literatura e não fui revelado como expoente da nova literatura brasileira. De presente, eu quero: a Alessandra Ambrosio. anotado por Rafael - 07:51 AM
o senhor dos ladrões (ainda Veneza)
anotado por Rafael - 07:41 AM
notícias1) Lula andou desautorizando uma pesquisa do IBGE cujos resultados, essencialmente, contradiziam que o brasileiro passa fome. Durante a campanha, Lula citava que existiam 50 milhões de famintos no Brasil, mesmo que no íntimo, questionasse a grandeza desse número, como ficou exposto no documentário Entreatos, ora em exibição nos cinemas. Logo após assumir, anunciou o programa Fome Zero para resover esse problema, ainda sem muitos resultados após meio mandato. Irritado ou não com a pesquisa, ao invés de desautorizá-la, Lula deveria se lembrar como historicamente a pobreza sempre foi usada de forma política para sugar recursos do governo. Por exemplo, na capa do JotaBê de domingo passado, a manchete dizia: "Rio tem mais ONGs para menores do que crianças na rua", revelando no miolo a proporção: existem 2 ONGs para cada criança de rua. 2) A SUDERJ informa: depois de um namoro de quatro anos, Luize Altenhofen está solteira, livre, leve e solta. Tem coisas que só se sabe aqui, na cara do gol, não precisa agradecer. Outra que eu descobri na mesma coluna de fofocas: Cláudio Manoel, o Carlos Maçaranduba do Casseta & Planeta, está reunindo depoimentos para documentário sobre Wilson Simonal, a ser lançado em junho do ano que vem, no aniversário de 5 anos de morte do cantor. 3) Tá rolando uma pesquisa sobre qual foi o mico cultural do ano na página do Globo. A maior parte das situações listadas nem merece ser chamada de cultural, mas se é para abrir a definição, eu voto no murro que aquele cara deu no olho do cantor do Los Hermanos (o mico é por conta do Los Hermanos, evidentemente). Se bem que a foto da Luana Piovani sem calcinha na ABL é páreo duro... anotado por Rafael - 07:17 AM
dezembro 22, 2004Retrospectiva: blog, Segundo trimestreAbril Maio Junho anotado por Rafael - 07:55 AM
pra ir entrando no clima de natalTell me you love me anotado por Rafael - 07:40 AM
dezembro 21, 2004diógenes por jaguarIsso aqui é só para ninguém chiar quando eu vier dizer que o Jaguar é um dos maiores cartunistas do mundo: ![]() anotado por Rafael - 09:40 AM
Retrospectiva: blog, primeiro trimestreJaneiro Fevereiro Março anotado por Rafael - 06:45 AM
paratodosÉ impressão minha ou aumentou o número de propagandas na linha "não se incomode se não está dentro dos padrões de beleza, você também é bonita"? Sobretudo agora, no verão? Não me espanta que, após séculos martelando na tecla da cosmética, as empresas tenham decidido por uma trégua e os publicitários tenham lembrado que, abrindo a definição, podiam aumentar o público consumidor. O que me espanta é que ter que dizer isso, explicitamente, ao consumidor. anotado por Rafael - 06:43 AM
volta ao mundo em 360 grausPanorâmicas em 360 graus de todo o mundo por Greg Downing. Já visitei algumas dessas. anotado por Rafael - 06:30 AM
dezembro 20, 2004sonhadoresXovê se eu entendi: tem um povo aí reclamando que o Bernardo Bertollucci abriu mão de fazer o balanço da geração de 68 para filmar uma espécie de triângulo obsessivo-amoroso entre dois franceses (ela, Eva Green) e um estadunidense em Os Sonhadores, é isso? Olha, tem gente que reclama demais. anotado por Rafael - 10:27 AM
dezembro 18, 2004honor thy fatherAs Bill Bonano listened to the various broadcasts, and later read the newspapers at roadside restaurants, he was awed by the government's escalating crusade against an organization whose demigods were half a dozen tired old dons trying to think big, and he could not help but speculate that the main problem of the government was not that the Mafia was alive but that it may well be dying and that perhaps the only thing that might save these rare creatures from exctintion would be a government subsidy of some sort. Since great cathedrals could not have been built without devils and since to diminish the size of the antihero was to diminish the size of the hero, it would be in the interest of future crime-busting budgetary increases to preserve the dons and underbosses from the natural forces of attrition; unless of course some other group like the Black Panthers, or societies of radical students, could be magnified into such proportions to replace the menacing image of the Mafia. But Bill Bonano doubted that this could be done. Um subsídio governamental para a Máfia! É quando me deparo com essas coisas que me convenço definitivamente que Hunter S. Thompson cabe no bolso de Gay Talese(*). Esses dias andei lendo a ótima monografia de fim de curso do Cardoso, na qual ele defende a tese que o jornalismo gonzo é uma categoria à parte do new journalism, e especifica as principais características de uma reportagem gonzo. Só não entendi como é que o autor conseguiu fazer isso sem ter lido A Sangue Frio, Os Degraus do Pentágono, Miami e o Cerco de Chicago, Décadas Púrpuras, Paper Tiger e qualquer livro do Gay Talese -- ao menos nenhum desses aparece entre as obras consultadas. O mais estranho é que, no corpo da tese, Cardoso faz vários comentários procedentes a várias delas, o que me leva a crer que ele aplicou uma das máximas do jornalismo gonzo na defesa: ludibriar o leitor, não evidenciando o que é fato e o que não é. (*) Detonado Honor thy Father, agora só falta Unto the Sons, que já aguarda na prateleira, e se alguém me emprestar, The Overreachers. anotado por Rafael - 11:56 AM
dezembro 17, 2004pé na tábua![]() Achei a idéia muito boa, fiquei logo imaginando aqueles enormes cartazes art-noveau recehados com textos e mesmo quando descobri, pelas fotos, que nem eram cartazes tão grandes assim, nem eram coloridos, fiquei decpcionado. Porque a idéia toca na ferida do suporte, das pernas que a literatura precisa para caminhar -- no fim, a mesma raiz da pergunta se blog é literatura. Podem achar que é mentira, mas no primeiro semestre desse ano tive um papo com o Lisandro no qual ele contou que o pessoal devia perder esse fetiche por lançar livro, que literatura poderia ser veiculada de outras maneiras -- como encarte de LPs, ou pôsteres em banca. Lisandro comentou sobre o grande apelo que teria um pôster com uma escritoras mais bonitinha em fotos sensuais, ladeado por um texto dela, em coluna comprida, sem roubar espaço da literatura. Essa idéia do Zimbres com o Scott é o melhor exemplo que vi aparecer até agora; eu só radicalizaria na difusão, pendurando cópias em mais lugares inesperados. Aqui no Rio, ridiculamente, só um sebo se ofereceu, o que não adianta muito em termos de difundir os escritos, há que se convir. anotado por Rafael - 08:57 AM
dezembro 15, 2004O jogo dos 7 erros literárioConselho editorial do projeto Paralelos: 17 contistas escolhidos pelo conselho editorial no " ‘recorte’ representativo do que tem sido produzido pela literatura brasileira contemporânea, principalmente aquela saída do Rio de Janeiro", para o livro Paralelos – 17 contos da nova literatura brasileira: anotado por Rafael - 07:11 AM
partosPor coincidência, chegaram esse ano ao papel dois projetos que tive a chance de ver nascer, quando não participei do próprio parto: Digestivo Cultural e Paralelos. Apesar de já ter passado por essa experiência em outras situações, é estranho o sentimento de ver planos se realizando, pois chegar ao papel era o objetivo último nesses dois casos. Resta saber se, ao tê-los em mãos, confirmarei ou não as impressões que me fizeram abandoná-los a meio caminho. A propósito, o lançamento da revista-livro Paralelos vai se dar a partir de hoje, num evento de 3 dias no Rio, em frente à livraria Dantes, no que Augusto Sales chamou de Micareta Literária. Vou com expectativas de encher a cara e pegar muita mulher. Espero que o abadá não seja muito caro. Lembrei agora que, se contar com o convite para os Wunderblogs, chegam a 3 os projetos de que desisti. Se bem que os Wunderblogs não são um projeto fechado, o convite deles não veio a tempo de me incluir no livro e virar livro não estava entre seus planos. anotado por Rafael - 07:09 AM
dezembro 14, 2004malditos arrogantes elitistasQuem você admira no Brasil, tanto escritores como jornalistas etc.? [Se eu não soubesse disso, até ficaria impressionado. Dica do Träsel.] anotado por Rafael - 08:08 AM
dezembro 13, 2004paintbrushUma que passou meio batida por aí, ao menos mais do que deveria, foi a notícia (descoberta?) que as estátuas clássicas de mármore da antiguidade eram pintadas, de sorte a ficarem o mais parecidas possível com os retratados, e não com figuras geladas. Dispondo dessa informação, até parece razoável pensar que estátuas coloridinhas tinham mais a ver com Roma, mesmo a Roma imperial de Augusto e não só a decadente de Calígula, do que ascéticos e branquíssimos monumentos -- eles não usavam mármore de várias cores para decorar palácios e igrejas? Mas que isso muda toda a história de cenografia em cinema, ah muda. A não ser que queiram ignorar a História para deixá-la mais palatável nas telas, como de resto sempre fizeram, só que agora declaradamente (e quantas pessoas souberam dessa notícia?) anotado por Rafael - 04:12 PM
numerologiaEntrei num site de numerologia e descobri que eu e Jennifer Connely temos 99,3% de compatibilidade. Estou felicíssimo. Como o site deve estar errado, ela provavelmente acredita em numerologia. (mozart the raven) anotado por Rafael - 04:04 PM
Retrospectiva: Colunas e artigosConsegui esse ano fechar uma lacuna que me incomodava: enviar algumas contribuições para o Burburinho, uma revista virtual que li desde o começo e com a qual sempre me identifiquei. Mantive também uma colaboração, mais ou menos semanal, ao longo de todo o ano, no SoBReCarGa, que apesar do frenesi do prazo, acabou gerando algumas coisas boas. Além desses 2, de vez em quando alguém me pedia um texto sobre uma efeméride, principalmente o Paralelos, ou vinha aqui roubar uma nota qualquer. Do que pode se salvar, anotei colagens biográficas de Aracy de Almeida e Lamartine Babo, e uma análise do estilo de Péricles Maranhão. Poderiam ter recebido artigos também Ary Barroso, Tom Jobim ou Mussum; este último ficou só no registro. Dentre as colunas, destaco as análises de Concreto e Love & Rockets, as reportagens sobre o XV Salão Carioca de Humor e os lançamentos de abril, a efeméride de 75 anos de Tintin, e as resenhas de Palestina, Stuck Rubber Baby, Little Annie Fanny, Lanterna Verde e Arqueiro Verde, Fabulous Furry Freak Bros., Persépolis e do livro Hell's Angels de Hunter Thompson. Tenho minhas dúvidas se a massa crítica final compensa a chateação dos prazos. anotado por Rafael - 04:02 PM
dezembro 12, 2004satrapi no sobrecargaUm relato autobiográfico em quadrinhos da revolução islâmica no Irã: Persépolis, de Marjane Satrapi, no SoBReCarGa, desde sexta passa. anotado por Rafael - 03:21 PM
dezembro 09, 2004ipanema em quadrinhosPara quem gostou da crônica do Caio Mourão, isto aqui é uma adaptação para quadrinhos feito pelo Zédassilva, constante no livro -- clica para ver tudo. Tem outras, todas curtinhas. Se eu disser que há uns cinco anos eu tive a idéia de transformar esses causos ipanemenses em histórias em quadrinhos curtas, que cheguei a roteirizar uma delas com uma cena de bar na primeira página e uma daquelas estrelas no chão (uma das que foram roubadas recentemente) na última, vão dizer que eu estou mentindo grosso. Mas que tinha, tinha. ![]() anotado por Rafael - 09:36 AM
los bros fernandezRafael, você não vai falar de Love & Rockets, agora que a Via Lettera editou Sopa de Gran Penã? Não, já falei. E eles escreveram Los Bros Fernandes na capa, ao invés de Hernandez, pelo menos no catálogo virtual. E do Concreto, cuja encadernação a Devir lançou? Também já falei, há muito tempo. anotado por Rafael - 09:33 AM
dezembro 08, 2004Retrospectiva -- Estátuas do RioUm dos projetos legais que concretizei em 2004 foi o de registrar em fotos as estátuas urbanas do Rio de Janeiro. Dizem que é uma das cidades com mais estátuas no mundo, eu nunca procurei nenhuma estatística desse tipo, "uma estátua para cada 15 mil habitantes" etc. Seja como for, estraram na galeria: Drummond (em belo crepúsculo), o centenário Ary Barroso, Otto Lara Resende (ainda na redação), Braguinha (que nem precisou morrer para virar estátua), Zózimo Barroso do Amaral (outro que parece recém-saído da redação), Heitor Villa-Lobos, um inca que na verdade é asteca, Noel Rosa (recebendo palito e um cigarro para espantar mosquito) e Pixinguinha. À parte problemas com foco e iluminação, deu para formar uma idéia razoável do quanto e quem a cidade homenageia em metal. Ainda não dou a série por terminada; ano que vem devem aparecer por aqui a réplica do Manequinho, Chopin, José de Alencar, São Sebastião, Cabral, Luiz Gonzaga, iiiihhhh... anotado por Rafael - 10:20 AM
Filosofia à maneira do MillôrPresta só atenção: não querer que os outros caguem regra também é uma cagação de regra. anotado por Rafael - 10:15 AM
Jornais que morremQuem não é do Rio tem dificuldade em perceber a importância que o Jornal do Brasil tinha, até há pouco mais de dez anos. A partir do começo dos anos 80 a Folha de São Paulo tornou-se o jornal mais importante do país graças a uma política de contratação de pessoal agressiva e uma linha editorial efetivamente modernizadora à época, infográficos à parte. Na época, o peso do jornal carioca podia ser sentido pelos próprios colaboradores: Villas-Boas Corrêa, Sandro Moreyra, Carlos Castello Branco, Millôr Fernandes, João Saldanha, mesmo Drummond chegou a escrever suas crônicas até o final dos anos 70. Olhando de agora, fica fácil ver como aquela redação era envelhecida, e como não havia nomes a substituí-la dignamente; a maioria já morreu e, dos que permaneceram, Villas-Boas é o único ainda dado à esterelizante prática Na década de 80 lia-se no JotaBê Rogério Durst, Ana Maria Bahiana, Luis Carlos Mansur, Cora Rónai, Arthur Dapieve, Joaquim Ferreira dos Santos, Jamari França, uma turma que migraria em bando para O Globo na década seguinte (na esteira de Chico Caruso, hoje no direito de reivindicar título de precursor). A transição de nomes entre os jornais não era comum naquele tempo, não querer trabalhar "para o Roberto Marinho" era uma questão ética que não devia ser tão firme assim, haja vista como caiu por terra face aos salários altos e colunas de meia página no Segundo Caderno. O fato é que O Globo tinha dificuldade em atrair nomes, enquanto no JotaBê, além do quadrado diário do Millôr Fernandes, tinha um Ique recém-revelado, Jô Soares pré-Veja e pré-entrevistas, ainda engraçado, Veríssimo dando banho até em Woody Allen, e mais Mguel Paiva, uma penca de gente boa. Lembrei deles quando tentava buscar motivos para a atual decadência do Jornal do Brasil, cuja redação, que depois de sair de sua sede na Avenida Brasil (tremendo elefante branco e mal localizado, imponente a ponto de virar referência de trânsito, hoje desmontado a ponto de terem removido até o letreiro do terraço), está ameaçada de transferência para uma sala ainda menor. As notícias são desalentadoras; gente que outro dia resenhava filme, agora edita caderno de cultura. É triste ver se transformar assim o jornal que formou o hábito de se ler notícia diariamente, mas são mais tristes ainda tentativas de reabilitação como passeatas para distribuir panfletos entre Andei pensando no JotaBê depois de ler Notícias Populares - Nada Mais do que a Verdade, a história do pai de todos os espreme e sai sangue deste país. Quem não é de São Paulo tem dificuldade em perceber a importância que este jornal teve nos quase 40 anos de vida. Surgido do acordo entre um empreendedor fugido do regime stalinista, Jean Mellé, e um empresário inglês anti-comunista com o objetivo bem definido de fazer propaganda contra a praga vermelha entre o meio operário na época de Jango, o jornal entrou num limbo editorial a partir do golpe de 64 -- quando seu papel já havia sido feito -- passando a valer-se dos mais variados expedientes para manter o público já conquistado: agenda de celebridades (então os astros alienados da Jovem Guarda), lendas urbanas com herança de crendice rural (bebê-diabo e loira fantasma), edições cheias de lascívia no carnaval, futebol, além da constante e típica cobertura de crimes violentos. Editado, após a morte de Mellé, sobretudo a partir da intuição -- e do termômetro das bancas -- de Ebrahim Ramadan, que pediu afastamento após mais de 15 anos de casa graças à pesada intervenção planejada por Otávio Frias Filho para a modernizar o jornal (pertencia ao grupo Folha), em dez anos perdeu o que 30 de inflação, ditadura e a competição com a televisão não tinham conseguido roubar-lhe: um público fiel. Se em sua derrocada o NP valeu-se de nomes como Ratinho, Zé do Caixão e Gugu no papel de últimos dos moicanos, o Jornal do Brasil que fenece não chega nem à fotografia na parede dos anos gloriosos. Falar em dinamismo de mídia, da famigerada sinergia ou texto ágil parece fácil, mas o fato é que o desmonte já se anunciava há mais de dez anos, fosse em tentativas desastradas de "atrair os jovens" num arremedo de caderno adolescente, o caderno Zine, cuja colunista principal era Maria Mariana -- em evidência graças ao best-seller Confissões de Adolescente, cada geração tem a Clarah Averbuck que merece -- hoje compreensivelmente reduzido a uma curta seção dentro da revista de final de semana Programa, fosse na ânsia de arregimentar leitores ao colocar Fernanda Young ou o novo talento literário da vez para fazer coluna semanal (experiência que não durou 6 meses), e o estado atual nada mais é do que uma consequência dessas tentativas. É chato, mas ainda acho melhor ver o JotaBê acabar do que se transformar numa caricatura de si mesmo, aliás exatamente o que aconteceu com o NP. Se eu quiser notícias do Rio, posso correr para O Dia; se quiser a verve de seus repórteres, ainda há a chance de encontrar vestígios de alma n'O Globo. anotado por Rafael - 10:14 AM
dezembro 07, 2004Não pensem que vou deixar essa passarRio ultrapassa SP e tem agora a 2ª maior renda per capita do país (da Folha de S.Paulo) anotado por Rafael - 02:52 PM
bellini![]() Pare um carioca na rua e pergunte onde fica o Bellini e a resposta fatalmente será: em frente ao Maracanã. Você terá que explicar que se refere ao pintor veneziano e não ao capitão da seleção brasileira de 70. Foi no estúdio de Gentile Bellini que Carpaccio estudou, ainda no século XV, livrando-se, em seu estilo, da relativa rigidez presente nos quadros de seu mestre, de resto, característica daquelas primeiras décadas do renascimento. Dos quadros de Bellini que escaparam do incêndio que destruiu o Palácio dos Doges no século XV, certamente o mais notável, hoje transferido para a Academia de Veneza, é Procissão na Praça São Marcos, um detalhado retrato da arquitetura, indumentária e até hierarquia -- note quem anda perto de quem, quem está na frente e quem está atrás -- da Veneza dos doges. É possível identificar quem é o doge na pintura também pelo chapéu característico que todos eles usavam; um deles encontra-se em exposição no Palácio dos Doges, estranhamente próximo da coleção de armas. Na fachada da Catedral de São Marcos ainda está a quadriga roubada de Constantinopla (a atual é uma réplica, a original encontra-se no museu interno) e os mosaicos originais (apenas um sobreviveu até hoje). Bellini também retratou Veneza no notável Milagre da Cruz na Ponte de São Lourenço, onde mais vestes, casas e detalhes construtivos aparecem, diante dum improvável canal de águas transparentes -- será possível que um dia elas foram assim, ou era tudo em nome da liberdade artística? São Lourenço, mártir, é tema de inúmeros quadros e nomeia uma das igrejas mais impressionantes de Veneza, conhecida por sua torre inclinada, como a de Pisa. E para que não se diga que Bellini foi pintor exclusivamente urbano, a conferir O Banquete dos Deuses, interessante cena clássica onde identificar os deuses gregos é menos trivial do que parece (a correlação está aqui). anotado por Rafael - 07:26 AM
perfis de pizaDaniel Piza manda avisar: lançamento de Perfis & Entrevistas pela Editora Contexto no dia 14 de dezembro, às 19h, na Casa do Saber (Rua Dr. Mário Ferraz, 141, Jardim Paulistano, São Paulo/SP). anotado por Rafael - 07:12 AM
dezembro 06, 2004fontanarossa![]() ![]() ![]() ![]() Roberto Fontanarrosa faz parte daquela longa e extraordinária linhagem de desenhistas argentinos de quadrinhos -- tem tanto quadrinhista na Argentina quanto músico no Brasil. Claudio Nine, Coppi, Quino, Breccia, Oesterheld, Crist, tem para todos os gostos e é lamentável que o nome mais lembrado atualmente seja o de Maitena. Fontanarrosa teve um álbum lançado pela L&PM no final da década de 1980, Boogie, sátira em cima dos tipos durões interpretados por Clint Eastwood e Charles Bronson e várias historietas publicadas na revista Mil Perigos, comecinho dos anos 1990. Sempre me chamou a atenção seu a capacidade de síntese de seu traço humorístico, de poucas linhas, fundidas aos requadros em interessantes efeitos visuais. Fontanarrosa tem muitos trabalhos expostos em ótimo site. anotado por Rafael - 08:12 AM
dezembro 03, 2004A anãzinha lúbrica[Toda vez que eu vou numa festa de arromba, ou que um amigo próximo me conta uma daquelas histórias de arrepiar cabelinho de sovaco e eu começo a achar que, dessa vez, tamos chegando lá, no segundo seguinte descubro alguma coisa três vezes mais escabrosa que, em geral, aconteceu antes deu nascer, provando que ainda tenho muita poeira para comer. Dessa vez, foi culpa do Caio Mourão, que recebe a palavra, agora] Um dia desses recebi um e-mail não muito recomendável, mais muito adequado para asistentes novelísticos e do BBB da Globo. [Mantive toda a grafia original, que se encontra na crônica que abre seu segundo livro, Prata da Casa II -- Gostei mais do primeiro. Isso não é meu comentário, é o subtítulo.] anotado por Rafael - 09:31 AM
EncontradosO concurso promovido ali embaixo atraiu mais respostas do que eu esperava, em intensidade humorístico-involuntário muito maior do que eu esperava. Só quem gabaritou foi o Nemo Nox, um dos primeiros a responder. Se não tivesse marcado uma múltipla escolha, Lisandro Gaertner também teria acertado. O bigodudo da esquerda é Sergio Aragonés, primeiro conhecido pelas marginais do Mad, e famoso a partir da década de 80 por ter desenhado Groo. Eu me pergunto por que ninguém até hoje teve a idéia de contratá-lo para elaborar cartazes de cinema, com aquele cuidado louco para com detalhes. O cabeludo da esquerda é Otacílio D'Assunção Barros, mais conhecido como Ota, editor desde sempre da Mad brasileira, ex-editor de quadrinhos da Vecchi e Record. Era assim absurdo? Não era, não era. O que fez a graça do concurso mesmo foi o fato da foto ser de 1976, portanto o Ota tinha apenas 21 anos, praticamente a mesma idade do Aragonés. Provavelmente ela foi tirada durante a vinda do Aragonés ao Rio, a convite da editora Vecchi, que começara a publicar a Mad brasileira a partir de 1974. Apostaria que o nariz do lado direito da foto é de Lotario Vecchi, diretor da empresa. E agora o melhor: como é que eu sei disso tudo? É que o Ota tem um blog e contou tudo por lá, no dia 25 de novembro. Sim, o Ota tem um blog. anotado por Rafael - 09:25 AM
mainardi por sá correaDe perto, ele um sujeito afável, de boa conversa, que anda por aí abrindo espaço na imprensa às caneladas menos por vocação do que por método. Ninguém vai falar do livro do Diogo Mainardi? Eu também não vou. Quem vai é o Marcos Sá Correa, que foi pago para isso. E o próprio Mainardi, em entrevista para o Jotabê. Curioso que uma idéia levantada pelo Sá Correa tenha sido exatamente igual a uma sugestão feita pelo Bruno ao meu xará. Aliás, o Sá Correa também vai esmiuçar com rara clareza um antigo relato de Lula, expondo uma estranha face da nossa cultura. anotado por Rafael - 09:05 AM
dezembro 01, 2004procuram-se![]() Quase surtei de rir ao encontrar essa foto de 1976. Dou um prêmio para quem acertar quem são os dois figuraças. Dicas: o bigodudo é originário da América Central e ficou famoso com seus desenhos mudos. O cabeludo é um dos editores de quadrinhos mais famosos do Brasil. Vamos lá, é divertido. anotado por Rafael - 07:59 AM
assinava embaixo![]() O que eu mais gosto de desenhar é, sem dúvida, mulher. Acho que poucos temas são tão essencialmente ligados à linha quanto a figura feminina. Acho, por isso, que essa minha preferência pela linha me afasta do desenho mais tradicional dos super-heróis. Do jeito que eu vejo, os super-heróis são feitos de formas. Músculos e mais músculos os definem. É de massa que os heróis precisam. As mulheres, entretanto, são diferentes. O fio do cabelo, a linha dos ombros, o lábio desenhado, os contornos e caminhos que o olhar traça ao percorrer o corpo feminino, tudo remete à linha. Quando você desenha uma garota, você segue com os olhos o caminho que percorre com as mãos, um caminho que já percorreu com a mente. Esse caminho conta uma história, uma vida, a personalidade de alguém que, enquanto vejos, temos vontade de conhecer. Tem gente que prefere desenhar os homens que destroem muralhas. Eu prefiro desenhar as garotas que destroem corações. [para não confundir: os desenhos daqui não foram feitos pelo Fabio Moon nem pelo Gabriel Bá, que acabaram de lançar mais um álbum de historietas pela Devir] ![]() anotado por Rafael - 07:49 AM
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Lonely Planet Luis Eduardo me encheu tanto o saco que conseguiu um link só para a página dele aqui. Cataplum!
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