17.4.03
Cheiro de papel novo Ainda no assunto, está nas
prateleiras a primeira edição brasileira, que eu saiba, de poemas
do Bukowski. Não é difícil defender a tese de que o melhor de sua
literatura está na poesia, e o editor teve o cuidado de publicar junto
da tradução os originais em inglês. Também não era difícil encontrar
tais poemas lidos pelo próprio Bukowski, naquela voz enrolada de bêbado
dele, nos dias de Napster.
Se bem que, levado a escolher um único (re)lançamento recente, minha
escolha, hoje, iria indubitavelmente para a
nova edição da Editora do Autor de Nove Estórias, por J.D.
Salinger. Para fazer companhia a Franny e Zooey e
Carpinteiros, levantem bem alto a cumeeira e Seymour, uma
apresentação. anotado em 13:49
Pitacos:
16.4.03
Saiu texto meu novo na Falaê!: Quixotes
de Bukowski. anotado em 17:10
Pitacos:
Dos jornais: - Parabéns, Saramago! Depois de rasgar a
fantasia cubana, quem sabe agora você descobre os crimes contra a
humanidade de Stálin, Mao e Pol Pot. - Declarações
de ex-mulher motivam a prisão de fiscais. Ex-amante de ACM entregou
o negócio dos grampos. Ex-esposa de Celso Pitta deu um depoimento
fundamental para a acusação do ex-prefeito. Definitivamente, a corrupção
na política brasileira é um incentivo à monogamia. - "Descartar os
espaços que são do povo é abrir mão do direito de viver com qualidade.
Cada vez que um templo do cinema é entregue de mão beijada a uma
instância de comércio religioso, estamos destruindo um espaço de lazer
construido ao longo de muitos anos; nos trancafiando em mesquinha
covardia, de frente a um aparelho de TV; trocando o saudável convívio
dos semelhantes pelo esquizofrênico diálogo com a vulgaridade e com
instâncias do popularesco que afrontam nossa dignidade." "Fechamos
nossos cinemas de rua e entregamos nossas ruas ao apetite dos bandidos e
afins. O cinema, este se muda para os casulos que erguemos para nos
proteger, longe do mundo real, longe dos sinais de vida. Quem está
perdendo não são os cinemas. Quem está perdendo somos nós." -- Nelson
Hoineff, sobre o recente
fechamento dos dois cinemas Largo do
Machado. anotado em 17:10
Pitacos:
Burburinho, agora
operando em versão 2.0 anotado
em 17:06
Pitacos:
Teu cenário é uma beleza Não satisfeito com a
ladeira do convento, aquele maluco agora quer ladrilhar a
escadaria da própria Joaquim Silva, gloriosa rua em outros tempos de
Lapa, quando abrigava hotéis e pousadas de reputação duvidosa, onde
moravam escritores, jornalistas e músicos de renome -- hoje, só mais um
retrato na parede do Bar
Ernesto. anotado em 17:06
Pitacos:
15.4.03
Declarações
do ministro da informação iraquiano Muhammed Saeed al-Sahaf ao longo da
História. anotado em 09:40
Pitacos:
Crioulo Rei Ir a show do Jorge Ben é como ir a
Meca, para os muçulmanos: todo mundo deveria fazer ao uma vez na vida
sob pena de ser chamado de infiel. Eu, que sou muito religioso, já fui
duas vezes.
Quando ele entra no palco, com aquele inconfundível ar desligado de
quem acabou de acordar e a fleuma de agente secreto inglês com licença
para matar recém-convocado, e toca a quebrar a munheca sobre as cordas
do violão, passam pelos meus ouvidos um refrão ouvido em ritmo
punk no Circo Voador, um hit recriado pelo pessoal do
mangue bit, um consagrado hino de carnaval, um sampler
numa moderníssima colagem eletrônica -- tudo imediatamente compactado na
memória afetiva, abrindo espaço para o kernel, o cerne, o código
fonte, programado naquele mesmo embalo animado e melodia suave. Faz mais
um para a gente ver.
São quarenta anos em que Jorge
Ben não fundou nenhum movimento revolucionário que iria salvar a
música brasileira, não fez nenhum discurso político revoltado em suas
letras (quase sempre incompreensíveis), não criou polêmica ao trocar
violão por guitarra elétrica, não se exilou por causa de censura às suas
letras, não passeou por diversos estilos segundo a moda da época, não
mudou o penteado nem o jeito de vestir significativamente -- encarando
um único ostracismo de menos de 10 anos. O segredo do algo mais e da
alegria?
Que eu saiba, Jorge Ben é o único músico em seus shows
agradecendo "pela atenção dispensada". É o único em quem eu consigo
acreditar quando chega na beira do palco e diz, "Eu amo essa galera!", e
talvez por isso ele consiga repetir o milagre tribal de colocar as 4 mil
cabeças da Fundição Progresso sacudindo o esqueleto às 4 da manhã. Que,
se deixassem, estariam pulando lá até agora ao tê-tê-tê-rê-tê-tê
do Taj Mahal...Boa noite, boa noite, bom
dia! anotado em 09:39
Pitacos:
Wash
Tubbs e Capitão César de Roy
Crane: a primeira tira em quadrinhos de aventura de todos os
tempos? anotado em 09:36
Pitacos:
Projeto # 351-F Escrever o glossário elesbão&haroldinhês-português
de termos úteis em qualquer ocasião. O elesbão&haroldinhês
sintetiza o português à meia dúzia de expressões linguísticas universais
que servem para literalmente qualquer interação verbal
minimamente articulada: Opa, pois não;
Classe!... anotado em 09:35
Pitacos:
11.4.03
Big Brother Brasil Quase esqueço: outro dia
esbarrei na rua com uma cara manjada, fui lembrar de onde e não deu
outra -- era uma daquelas figuras entrevistadas pelo Eduardo
Coutinho no documentário Edifício
Master. Aquele coroa calvo que é entrevistado ao lado de sua
senhora, recebendo dela um rapidíssimo olhar fulminante quando diz, "ela
afirma que eu olho para as outras mulheres na rua". E depois o papo
quase se transforma numa discussão sobre ciúme, fidelidade e amor entre
os dois. Isso é que é celebridade. Encontrar ator hollywoodiano na
rua é mole :)) anotado em 09:57
Pitacos:
"Minha tia me dizia, quando eu tinha 5 ou 6 anos, que se eu
apertasse o umbigo meu bumbum cairia! Eu fiquei aterrorizado por anos
que alguém chegasse perto da minha barriga" "Meu pediatra nos dizia
que nossos umbigos seguravam nossos bumbuns no lugar. Ele disse que
tinha uma caixa cheia de bumbuns de reserva, então quando alguma criança
perdesse seu umbigo, ela não teria que andar por aí sem bunda." "Eu
achava que se meu umbigo se descolasse eu iria esvaziar e morrer. Eu
sempre levava bronca na sala de aula por sentar com meu dedo no umbigo o
dia todo." "Quando eu tinha 3 ou 4 anos eu achava que se apertasse o
umbigo, eu explodiria. Passei anos com medo de explodir por apertá-lo
acidentalmente durante o banho e mamãe ficar com raiva de mim."
Essas e outras
histórias infantis estão colecionadas em I used to
believe. anotado em 09:55
Pitacos:
10.4.03
Separados no nascimento: Stan Lee e Hugh
Hefner. anotado em 10:30
Pitacos:
“Certa manhã, ao acordar de sonhos inquietos, Rafael
Lima viu-se transformado num
hype.” anotado em 10:29
Pitacos:
As 86
leis do bêbado moderno. Do newtonfo. anotado
em 10:28
Pitacos:
Usually, no one does. But I still think it's important to
read comics in public — more to the point, it's important to Read Comics in Public.
The site is less a resource than it is a running commentary about
comics and public life, based on the conviction, silly as it may sound,
that reading comics in public is somehow "important" — to get comics out
of their exclusionary little culture ghetto, to attract wayward former
readers, maybe even to help comics professionals keep in mind the idea
of attracting a broader audience when they're pasting up the covers to
their next issues. anotado em 10:27
Pitacos:
9.4.03
Mudanças neste blog para
breve... anotado em 17:31
Pitacos:
8.4.03
A nota deste blog que deu mais repercussão, antes da
entrada do sistema de comentários, foi uma que dizia a Clarah
Averbuck não saber escrever [sic]. Recebi links e mensagens de apoio
por email. Recentemente, houve um quase surto por causa da nota onde
está escrito que "rap não é música" [sic]. O que mais me espantou nem
foi isso, foi a reação que presencei quando, em reunião recente, repeti
em bom som a mesma frase. Meu interlocutor confessou que também achava
que rap não era música; porém, receava as reações que tal declaração,
por escrito, poderiam desencadear. Ao que alguém do lado aproveitou para
intervir: "eu também acho!". Precisamente o que me espanta nessas
situações não é nem a poeira que sobe numa suposta polêmica, nem o
desvelamento de um insuspeito partidarismo. É a capacidade do despertar
provocada pelo simples nomear das coisas, com todas as suas letras. O
que me leva ao Alexandre Soares
Silva.
Hoje me é claro, foi exatamente essa a característica de seus textos
que me chamou a atenção, quando o conheci através da ex-coluna no Digestivo Cultural.
Alexandre tinha essa habilidade rara nos nossos escritores-e-jornalistas
de ir direto ao ponto, sem os circunlóquios ou tervigersações assaz
caros à cordial e fluida alma brasileira. Não pisava na bola: "quem não
lê não é humano". "Literatura não é civilizadora". Eficiência pela
simplicidade. Produzir uma coluna semanal é muito diferente de escrever
um livro; com o hábito, aprende-se as manhas, como pegar o leitor de
jeito. Entretanto, se não houver cuidado, cai-se no vão da esterilidade
formulesca ou do populismo fácil. Eu já era admirador da coluna do
Alexandre por ver como ele conseguia escapar, semana após semana, das
armadilhas do periodismo, por isso não hesitei em comprar seu livro A
Coisa Não-Deus, quando o encontrei numa livraria (não foi difícil
achar). Seria a prova dos nove: ver como ele se daria com as armas da
alta literatura.
Guardo comigo a agradável satisfação de ter constatado que sua
imaginação era ainda mais prodigiosa do que parecia, que seu fôlego
narrativo ultrapassava as poucas laudas semanais, que sua habilidade
verbal era maior do que o funcionalismo da defesa de idéias sinalizava.
Paulo Polzonoff também
gostou de A Coisa Não-Deus e resenhou-a para o Rascunho, motivando-me a
redigir essa pequena memória pessoal. Esta nota é um agradecimento a
ambos. anotado em 17:23
Pitacos:
...daí o Cláudio comentou comigo que a
inscrição no túmulo da lápide deveria ser, "Aqui jaz uma pessoa que veio
ao mundo a passeio", ao que assenti. Não tinha bolado nenhuma definição
melhor do que aquela, até o
momento... anotado em 14:01
Pitacos:
I don't want to stay here I want to go back to Zurique (e o Magiozal
também...) anotado em 14:00
Pitacos:
Esse
álbum é o bicho. Difícil de encontrar, agora descubro porque: era
uma peça promocional, de pequena tiragem. Para aumentar a coleção de
biografias de grandes artistas feitas por cartunistas, como a de
Leonardo da Vinci pelo Ralph
Steadman. anotado em 13:59
Pitacos:
6.4.03
Outra coisa boa do Alexandre é que ele
responde ao
que é perguntado numa entrevista. Não consigo juntar figuras
públicas brasileiras em número suficiente para encher os dedos da minha
mão esquerda que façam isso, seja por jogar para a platéia, seja por
plana incapacidade. Algumas opiniões:
Vergonha: Não é vergonha não ser publicado por uma grande
editora, quando elas estão publicando as porcarias completas de
Francisco Dantas ou algo assim. Literatura brasileira: [meu
livro] não tem cara, digamos, de literatura brasileira. Não tem jegue,
não tem mendigo, não tem manicure, não tem traficante. [...] Da
literatura brasileira um escritor só pode aprender a ser ruim. [...]
Acho que não faz o menor sentido ensinar literatura brasileira numa
escola, devia ser literatura, simplesmente. Deviam começar por
Homero. Exemplos: Entre todos os escritores da literatura
mundial, eles escolheram Bukowsky e John Fante como modelos. Acho que
isso diz tudo. Humor: mesmo as criaturas mais solenes
aprenderam a se envergonhar de sua falta de humor e tentam demonstrar
que têm algum senso de humor ? nem que seja escatológico. [...] Ter
humor não é tudo, é possível ter um humor pesado, como o do Marquês de
Sade. O que mais me interessa é ter um humor leve, mesmo que, quase por
acidente, profundo. Que seja profundo, que signifique alguma coisa, mas
que seja leve. Intelectual: tenho certeza que não sou um
intelectual. Experiência: já pensei em escrever um romance
pornográfico (me recuso a dizer "erótico") só para que as mulheres achem
que eu sou muito vivido. Charme: Não sei por que as pessoas nunca
escolhem o charme como assunto (escolhem o ciúme, a criação de milho, a
sífilis, o incesto, mas nunca o charme). Blogs: Sei de quatro
ou cinco grandes talentos que estão escrevendo exclusivamente em blogs.
Pessoas com muito mais estilo, imaginação, humor, do que os escritores
brasileiros oficiais, os publicados em papel, as grandes bestas solenes.
Mas ninguém percebe isso. Hobby: Grande parte da
diversão é irritar leitores desavisados. É o meu hobby. E é fácil
irritar as pessoas de esquerda, elas foram criadas pra isso
mesmo. Dândis: Como eu queria que Guimarães Rosa não tivesse
desperdiçado seu gênio com matutos, e tivesse criado
dândis. Ministério da Educação e Cultura: meus livros não
falam sobre drogas, gravidez precoce, violência urbana, e todas essas
chatices que o MEC quer que as crianças leiam. E depois estranham que as
crianças prefiram South
Park. anotado em 18:51
Pitacos:
Daniel
Pellizzari canta o caminho das pedras: "O melhor -
superando mesmo as redes P2P - lugar para baixar bons livros (seja qual
for o tema ...) é o IRC. O melhor canal, pelo menos dos que fucei até
agora, é o #bookz da Undernet. Em dez minutos por lá baixei quinze
livros, incluindo dois Bulgakov (...) e a autobiografia do
Feynmann."
"Sim, é pirataria e roubo de direitos autorais (...); sim, eu
preferia ter em papel - mas nas condições atuais é isso mesmo o que me
resta. Pelo menos me ajudará a escolher o que comprar em códices depois,
quando o dinheiro voltar ao meu bolso. Por enquanto, vou sugando tudo
que dá. A oferta de títulos é realmente impressionante - para ler na
tela, claro. Imprimir não é uma opção, porque acaba saindo tão ou mais
caro do que comprar o livro ... Muita gente acha impossível ler textos
longos no monitor, mas vamos combinar que isso é frescura. ... Se você
tiver um notebook, então, a coisa fica ainda mais tranqüila. É apenas
uma questão de se adaptar."
"Para quem se interessa por fazer o mesmo e não é um maldito
preguiçoso, tome cá um breve tutorial for dummies: primeiro, você
precisa de um cliente de IRC. Para windows, recomendo o vIRC (se você
usa linux, não precisa de tutorial para usar o #bookz: abra o BitchX e
seja feliz), mas a multidão prefere o mIRC. Instalado o programinha,
configure-o como quiser e depois conecte em algum servidor da Undernet
(/server us.undernet.org, por exemplo). Entre no canal (/join #bookz) e
não fique com medo daquele caos de mensagens."
"A coisa funciona mais ou menos assim: vários dos usuários são
servidores de livros, que se auto-divulgam a intervalos regulares. A
primeira coisa que você precisa é baixar a lista de livros disponíveis
de um desses servidores. Digamos que você quer a lista do servidor
Foobooks: basta digitar @Foobooks. Entendeu? Digite o nick com uma
arroba antes do primeiro caracter, e rapidinho você receberá a lista por
DCC. Provavelmente será um arquivo zipado. Abra o sujeito e escolha
algum livro - todos vão começar com uma exclamação. Se, por exemplo, o
Foobooks tiver uma versão em PDF do The Sound and the Fury, basta colar
o registro (que será algo parecido com !Foobooks
William_Faulkner_-_The_Sound_And_The_Fury_(rtf).zip) no canal, como se
você estivesse digitando uma mensagem. É o único momento em que é vital
olhar para o caos: você receberá uma mensagem avisando que seu pedido
foi recebido, e qual o seu lugar na fila (que nem sempre é grande ou
mesmo existe). Assim que chegar sua vez, o arquivo é enviado
automaticamente. E assim segue o baile."
"Para quem só está acostumado com a web, pode parecer complicado, mas
é apenas impressão. Na verdade, este método é muito mais simples e
prático, e a curva de aprendizado é mais que suave. Se duvida, tente
procurar versões completas de livros ainda protegidos por copyright na
web. A diferença é gritante. (...)"
"Só não esqueça do óbvio: livros de verdade são incalculavelmente
melhores. Se você gostar muito de algum título, guarde uma grana e
compre. Vai te fazer mais feliz."
(Leve em conta, ao ler as opiniões emitidas, que Daniel Pellizzari
é escritor) anotado em 18:45
Pitacos:
4.4.03
Zorba o grego, em três tempos: Eu arregalo os
olhos. - Por que você não vai? - Se você for comigo, eu vou. Se
você não for, eu não vou. - Mas por que? Você não é uma pessoa
livre? Palavra, eu senti que ia ficar maluco. - Você não quer ser
livre? -- gritei. - Não, não quero! Não quero! Não quero! Patrão,
escrevo-lhe no quarto de Lola, no papel de Lola: pelo amor de Deus,
preste atenção, eu lhe peço. Eu penso que só aquele que quer ser livre é
um ser humano. A mulher não quer ser livre. Então, será que a mulher é
um ser humano?
* * *
- Você
não sabe! -- fez Zorba, e seus olhos se arregalaram como naquela
noite em que lhe confessei que não
sabia dançar.
* * *
Faltou pouco para que eu caísse no
choro. Tudo o que Zorba
dizia era justo. Em criança, eu era cheio de impulsos loucos, desejos
que ultrapassam o homem, e o mundo não podia conter-me. Pouco a
pouco, com o tempo, tornei-me mais ajuizado. Estabelecia limites,
separava o possível do impossível, o humano do divino, segurava firme a
minha pipa para que não
fugisse. anotado em 11:49
Pitacos:
Agora, só ano que vem Esgotaram-se
em menos de 24 horas os ingressos para o Festival de
Glastonbury, cuja própria realização estava ameaçada este ano após
uma negativa
ao pedido de licença para realizar o evento. É seguramente uma das
maiores festas do
mundo. anotado em 11:46
Pitacos:
Ignorante. anotado
em 11:44
Pitacos:
3.4.03
Gênio da raça Luiz Sérgio Coelho de Sampaio ( *
10/11/1933 -- + 30/03/2003 ) nasceu em Vila Isabel e morreu em
Laranjeiras, cidade do Rio de Janeiro. Nesse périplo carioca-brasileiro
criou a lógica hiperdialética que se apresenta, para quem já dela tomou
conhecimento, como a ferramenta intelectual mais poderosa desde a lógica
clássica, formulada por Aristóteles, aplicada na pré-modernidade por São
Thomas de Aquino e axiomatizada na modernidade por Leibniz, Whitehead,
Russel e outros. A lógica hiperdialética sampaiana dá conta de todas as
lógicas anteriores: a identidade, a diferença, a dialética e a clássica,
aceitando-as em suas especificidades e coordenando suas potencialidades
sob a força agregadora da lógica maior. O desenvolvimento da lógica
hiperdialética se encontra nos dois livros publicados pela Editora da
UERJ – Lógica Ressuscitada e Lógica da Diferença, bem como em textos
avulsos de pouca circulação. A aplicação da hiperdialética se encontra
em seu livro mais recente Filosofia da Cultura, pela Editora Agora da
Ilha, e em muitos textos inéditos. Entre eles destacam-se um livro sobre
Economia, no qual Sampaio propõe que o vetor ciência (e sua aplicação
tecnologia) funciona com autonomia em relação aos vetores capital e
trabalho, o que revoluciona o modo de se pensar a Economia e a
Sociologia, incluindo o liberalismo e o marxismo; e outro sobre Física,
cuja audácia maior é propor que a unificação, numa só teoria, da física
quântica com a física da relatividade, tão almejada por Einstein,
deveria ser procurada em pesquisas que articulassem as forças (que
seriam seis e não quatro) e as partículas correspondentes a um esquema
lógico qüinqüitário. De qualquer modo, Sampaio achava que a Física
jamais seria unificada, pois faltava-lhe o sentido maior da
subjetividade que incorpora todo o universo. Essas idéias foram
desenvolvidas em um artigo sobre o chamado “princípio antrópico”, que se
encontra em seu livro Filosofia da Cultura.
Ultimamente Sampaio vinha trabalhando na formulação de estratégias
políticas e culturais que pudessem permitir ao Brasil dar um salto
qualitativo que não somente equacionasse seus problemas sociais
fundamentais, como o posicionasse na vanguarda da constituição de uma
cultura de influência mundial. Nesse sentido Sampaio se alinhava com
utopistas brasileiros como Gilberto Freyre e Darcy Ribeiro, ao lado de
estrangeiros fascinados pelo Brasil como Stefan Zweig e Vilém
Flusser.
Luiz Sérgio Coelho de Sampaio era filósofo por vocação e por
dedicação didática. Profissionalmente era engenheiro formado pelo ITA,
em 1959, e economista formado pela Faculdade de Ciências Econômicas
(UERJ), em 1965. Foi um dos principais organizadores da Bolsa de Valores
do Rio de Janeiro, entre 1967 e 1972, de onde saiu para a Embratel, onde
desenvolveu o projeto Ciranda, de transmissão de dados em blocos (que
antecedeu em alguns anos o sistema que resultou na Internet). Deu
palestras em diversas universidades brasileiras, em Portugal, França,
Alemanha e Romênia. Deixou mulher, três filhas, quatro netos e muitos
amigos. Sua obra haverá de ser reconhecida em
breve. anotado em 15:40
Pitacos:
Visitei e
recomendo. Além da cuidadosa curadoria do professor Moacy
Cyrne, que se preocupou em tentar "explicar" a lógica da página de
quadrinhos na entrada da exposição, a cenografia deixa a sensação
incomparável de se estar passeando dentro de uma
Hq. anotado em 15:38
Pitacos:
Orwell na esquina "Nunca imaginei que fosse
testemunhar o totalitarismo tomando conta dos EUA, um país que eu sempre
via nos filmes e nos livros como exemplo de terra de liberdade e
oportunidade. Mas infelizmente é o que está acontecendo, com o governo
cada vez mais estendendo suas garras sobre as liberdades individuais de
forma descarada, tudo sob o manto da guerra ao terrorismo. A ameaça mais
recente é a nova legislação a ser proposta pelo John Ashcroft (sim,
aquele que mandou cobrir os seios da estátua da justiça) para
complementar o Patriot Act, como denunciado pelo jornalista Matt Welch
no texto Get
Ready for PATRIOT II. O cenário é simplesmente assustador. Resta
esperar que a população estadunidense seja capaz de perceber a trama por
trás dos discursos e possa reagir a tempo de evitar que o país se
transforme definitivamente numa ditadura orwelliana."
Morando lá, Nemo Nox já deve estar sentindo o bafo quente na
nuca para colocar em seu
diário algo assim. Leia o artigo de Matt
Welch, leia o rascunho
do PATRIOT II e depois não diga que não te
avisaram. anotado em 15:37
Pitacos:
2.4.03
Muito legal a página do Jeff Bridges, parece que ele
mandou o rascunho do conteúdo via fax para o designer, que
colocou na tela assim mesmo. Os rabisquinhos do Jeff me lembraram de Jules Feiffer e Wolinski, ainda
que a animação na página de entrada seja a cara de Saul
Steinberg, e tem ainda um monte de coisas inesperadas lá dentro,
tipo: cabeças de
argila e como fazer um labirinto. Dica
do DoggoD. anotado
em 14:40
Pitacos:
Vruummmm! Matéria
no Jotabê hoje sobre o Circuito da Gávea, quando as
corridas de baratinhas passavam por onde hoje é a PUC, e não havia
fábrica de cigarro patrocinando ostensivamente as equipes. José
Geraldo Barreto dá uma ótima idéia de como eram aqueles tempos em
alguns capítulos de seu livro de memórias Apressado para
Nada. anotado em 14:37
Pitacos:
"As bombas da nova desordem social, o choque e espanto dos
bushs caboclos, caíram também sobre nossa mais linda forma de arte.
Bagdá em Bangu, na Rio Branco, na televisão, nas boates e não só - no
Maracanã também. A cultura da bandalha, dos piratas tomando as calçadas,
dos maçarandubas, silveirinhas e espertos do trânsito vai asfixiando
tudo. Até na hora de jogar futebol, uma aula que sempre demos de
respeito às leis e elevação aos mistérios do divino, a impressão é de
que a delinqüência - está no resto do placar à direita das cabines -
venceu." Joaquim Ferreira
dos Santos inventaria a irrefreável mulambalização do carioca. O
resto, aqui. anotado em 14:35
Pitacos:
Um artigo que eu gostaria de ter escrito: Os Insultos do Capitão
Haddock. E matar de vez a sede, mais Tintin
aqui. anotado em 14:33
Pitacos:
1.4.03
Anna Fortuna Torci um bocado o nariz para o Pasquim21, quando li o primeiro
número; o velho clubismo ainda parecia vingar, com a reserva de feudos
ocupados por filhos dos membros do Pasquim, ainda que nem sempre
herdeiros do talento. Entretanto, um nome em particular me chamou a
atenção: Anna
Fortuna, filha do [Reginaldo] Fortuna,
um dos melhores cartunistas do país nos anos 60-70. Versátil,
trocadilhista, bom
de texto e autor de cartuns
memoráveis, o maranhense infelizmente não é um nome tão lembrado
quanto Jaguar ou Ziraldo, ainda que não fique a dever-lhes nada seja em
termos de talento, seja em termos de produção. Laerte alinha-o como um
dos 10 mais em suas influências básicas, e dedicou-lhe uma tira quando
do falecimento, em 1994. É um prazer descobrir aqui e ali no blog
da Anna Fortuna
reminiscências dos belos casamentos entre texto e ilustração, sacadas de
alta criatividade visual. Só reclamo dos diálogos com a Mulher-cartum,
que é uma boa personagem mas está rendendo menos do que
poderia. anotado em 11:03
Pitacos:
Nota fúnebre Faleceu, neste final de semana, Luiz Sergio Coelho de
Sampaio. Autor de Brasil:
Luxo ou Originalidade e de A Lógica da
Diferença, Sampaio tem uma vasta
coleção de escritos disponíveis na rede, entre os quais A
matematicidade da matemática surpreendida em sua própria casa nua, na
passagem dos semigrupos aos monóides e Dialética
Trinitária versus Hiperdialética Qüinqüitária. Se as hipóteses
assumidas em seu livro Física Moderna, ainda não publicado, forem
provadas verdadeiras, a descoberta vale o Prêmio
Nobel. anotado em 10:59
Pitacos:
Manchetes
de todo o mundo: agora só falta aprender as
línguas... anotado em 10:56
Pitacos:
Muita coisa acontecendo, motivo para uma ronda: 1)
Cris Dias volta hoje para
o Rio! Isso se ele não tiver armado o maior primeiro de abril que eu já
vi na paróquia...
2) Não é à
toa a guerra, como percebe o Elesbão.
3) Alexandre
Soares Silva instalou comentários.
4) Enio andou
despertando saudades esquecidas ao publicar as divertidas tiras do
Reizinho, de Otto Soglow. Mort Walker, criador do Recruta Zero,
teria batizado o cachorro Otto, mascote do Sargento Tainha, em homenagem
a Soglow. Não confundir com Oto, o cão lapidar das tirinhas de Jaguar e
Ivan Lessa, esse homenagem a Oto Lara Resende. Manda mais, Enio!
5) Eurico Miranda, você é um amador. Quando descobrir isso,
rapidinho vai encomendar seus Scuds... (dica maravilhosa do Blog0news) anotado
em 10:56
Pitacos:
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