30.12.02
Botequim fechado. Agora -- só ano que
vem. anotado em 16:27
Pitacos:
O resfunlengo desse fole não é mole Todo mundo aqui
se bole Com o seu
resfunlengar anotado em 07:36
Pitacos:
Nota da redação Depois de mais de 15 dias sem dar
sinal de vida o Blogger resolveu atualizar a página. Resultado:
overdose de notinhas hoje, acumulando tudo que tinha escrito nesse meio
tempo. No começo até fiquei borocoxô, depois aproveitei para ir muito à
praia, encontrar aquele pessoal que só dá as caras em fim de ano e fazer
esses dois últimos textos, mais
longos. anotado em 07:31
Pitacos:
27.12.02
Radical Chic, dois pesos, duas medidas Reli nesse
meio tempo Radical Chic, de Tom Wolfe, e fiquei
absurdamente impressionado em como o sentido original por ele pretendido
naquele ensaio foi pervertido pelo Miguel Paiva ao batizar sua
personagem de cartum com o mesmo nome. Radical Chic é um dos mais
belos exemplos (talvez o mais) de new journalism; Wolfe abusa de
seu talento de repórter na descrição das reuniões sociais onde a nova
sociedade neoiorquina dos anos 60 angariava fundos para movimentos de
ativismo social em emergência, tais como os Panteras Negras ou os catadores
de uva dos vinhedos californianos; rasga a verve ao analisar a
psicologia dos emergentes da sociedade e conclui, afinal, de maneira
suficientemente desabonadora para com seus biografados que
O Radical Chique é radical somente no estilo; no cerne faz parte
da Sociedade e de suas tradições. A política, como o Rock, o Pop, o
Cafona, tem sua utilidade; mas colocar em perigo o status pela
nostalgie de la boue sob qualquer de suas formas seri
inescrupuloso.
Já ao nomear sua personagem Radical Chic, Miguel Paiva
diluiu as cores pintadas por Tom Wolfe, transformando o que era, no
final das contas, uma crítica em algo a ser apreciado, algo...
bonitinho. A Radical Chic de Miguel Paiva é politicamente correta: foi
na passeata de impeachment do Collor, fez propaganda da
camisinha, sempre se alinhou com as causas que comovem a classe média; é
portanto uma herdeira do tipo de comportamento meio hipócrita cuja
ferida Tom Wolfe cutucou ainda no nascedouro. Não deixa de ser mais uma
prova da imensa capacidade nacional em comer, digerir e, para bem ou
para mal, regurgitar conceitos estrangeiros, quase sempre com novos
significados, não raro radicalmente diferentes dos
originais. Este texto foi bolado a partir de uma conversa com
meu chapa João
Marcelo. anotado em 13:26
Pitacos:
O último número do Tom Strong, do Alan Moore, o # 3, veio que veio supimpa, acho
inclusive que foi o que ganhou prêmios na época em que saiu. A estrutura
da história é simples: uma série -- qual é o coletivo de pirâmides? --
de enormes estruturas arquitetônicas pré-colombianas aterrisa em
Millenium City qual discos voadores e a cidade prontamente
convoca seu campeão para... fazer a diplomacia. Dentro de uma delas ele
descobre que trata-se de uma invasão de astecas vindos de outra linha
temporal, onde seu conhecimento científico e bélico evoluiu a ponto de
terem derrotado o invasor espanhol, tornando-se, eles, os astecas,
colonizadores daquele e de outros mundos paralelos -- inclusive o de
Tom Strong.
Os astecas high-tech veneram uma espécie de deus-holograma, na
verdade um programa de computador ultra-sofisticado programado por eles
mesmos para calcular a probabilidade de sucesso das invasões, que lá
pelas tantas faz um trato com Strong, salvando-lhe a vida em
troca da liberdade do jugo cibernético a que era submetido pelos seus
programadores. Passado o clímax, Moore gasta o verbo ao explicar a
manjadíssima situação em que um dos vilões muda de lado em troca de uma
vantagem maior posterior citando o famoso Dilema do Prisioneiro, de von Neumann:
Dois membros de uma gangue são aprisionados. Cada prisioneiro é
posto em confinamento solitário, sem meios de se comunicar ou trocar
mensagens um com o outro. A polícia admite que não tem provas
suficientes para acusá-los da pena principal. Eles planejam sentenciar
ambos a um ano de prisão por uma acusação menor. Ao mesmo tempo, a
polícia oferece a cada prisioneiro uma barganha Faustiana. Se ele
testemunhar contra seu parceiro, ficará livre, enquanto o parceiro
pegará três anos pela acusação principal. Oh, sim, tem uma pegadinha...
Se ambos os prisioneiros testemunharem um contra o outro, os dois
pegarão cada um dois anos de cadeia.
Ou seja, trata-se de um problema fundamentalmente de confiança:
enquanto cada prisioneiro acreditar que seu parceiro permanecerá de bico
fechado, sem o dedurar, ambos acabam pegando a pena mínima. É um
problema típico da teoria dos jogos, uma das muitas ciências que von Neumann ajudou a desenvolver e que
hoje encontra aplicações na economia, na administração, nas ciências
políticas e por aí vai. John Nash, recentemente biografado no filme Uma Mente
Brilhante, foi outro grande desenvolvedor da teoria dos jogos, cuja
cronologia remonta até ao Talmud. Além disso, e por
ter aplicado esses conhecimentos na estratégia política nos tempos da
Guerra Fria, em pelo menos uma fonte von Neumann é citado como a
inspiração para o Dr. Strangelove de Stanley Kubrick, a mais provável,
tendo-se em vista que as outras citadas eram o futurólogo Herman Kahn e
Henry Kissinger. anotado em 13:02
Pitacos:
18.12.02
A Vida do Viajante -- Luiz Gonzaga / Hervé
Cordovil
Minha vida é andar por esse País Pra ver se um dia descanso
feliz Guardando as recordações Das terras onde passei Andando
pelos sertões E dos amigos que lá deixei
Chuva e sol Poeira e carvão Longe de casa, sigo o
roteiro Mais uma estação E alegria no coração
Minha vida é andar por esse País Pra ver se um dia descanso
feliz Guardando as recordações Das terras onde passei Andando
pelos sertões E dos amigos que lá deixei
Mar e terra Inverno e verão Mostro o sorriso Mostro a
alegria Mas eu mesmo não E a saudade no
coração anotado em 09:32
Pitacos:
17.12.02
Artigo interessante sobre as elogiadas cenografia e a
fotografia do filme Madame Satã. Como imaginava, parte do que aparece
ali foi feita em casarões abandonados ou semi, a área é pródiga em
prédios assim e sempre aparece nos projetos de "revitalização do centro
antigo" que a prefeitura volta e meia faz. Infelizmente desde -- quando?
Sempre?, o local esteve abandonado à própria sorte, apesar da beleza do
casario e dos sobrados sobreviver à degradação urbana. O que uma
restauração não faria... anotado em
13:29
Pitacos:
Um ano de
Piscinão. anotado em 13:25
Pitacos:
Memória Inaugurado em São Paulo o Museu de Artes Gráficas do
Brasil, projeto do cartunista Gual (Gualberto Costa), em
instalações do Arquivo do Estado de São Paulo, de cara logo com
uma exposição do casca-grossa Laerte. Além do óbvio porém pouco praticado hábito
nessas terras de preservar, organizar, catalogar e expôr originais de
charges, cartuns, caricaturas e histórias em quadrinhos (a maioria
doação dos próprios artistas), vai rolar até impressão das palmas de
artistas consagrados em cimento. Mais um lugar para eu visitar com
alegria quando estiver por lá. Chéquiróuti, como diz o Enio. anotado em 13:24
Pitacos:
16.12.02
Test drive: Empada A inauguração recente de duas
casas de lanche nas imediações totalmente devotadas à empada -- Casa da Empada
e Empada
Brasil -- não passou desapercebida ao meu radar, e desde então,
candidato a gourmet das iguarias populares & de rua, não
sosseguei enquanto não identifiquei o local mais apropriado para um
mata-fome rápido. Para tal, pus-me a avaliar objetivamente, por meio de
uma metodologia pessoalmente personalizada para este fim, a qualidade
das empadas do quarteirão. Tal metodologia consistiria fundamentalmente
no seguinte: em fim de tarde de não muita fome (fome demais atrapalharia
a avaliação do sabor), seria feita a desgustação de 2 sabores de empada,
necessariamente um salgado e um doce, a salgada sendo obrigatoriamente
de frango, opção básica de quem tem pressa. Mais empadas poderiam nublar
o gosto médio; menos, cairia-se no risco de polarizar a amostragem. A
zerar o paladar, seria empregado o diurético e digestivo mate (gelado).
Quanto ao sabor Talvez por esperar algo mais forte ou
apimentado, não me empolguei com nenhuma das duas em particular, embora
a Empada Brasil mostrasse ligeira vantagem. Já a massa da Casa
da Empada aproximou-se mais da consistência ideal que combina
firmeza na fôrma e se derrete na boca -- nesse quesito a Empada
Praiana é imbatível. Na Empada Brasil, ela veio tão quente
que foi servida num arranjo de madeira e preciso comer com uma
colherinha. Deliciosa a empada de maçã doce da Casa da
Empada.
Quanto à estratégia comercial Adaptada a esses tempos
massificados, a Casa da Empada roubou minha atenção com agressiva
campanha na tevê, rádio, fundo de ônibus, outdoor e, atenção
agora, página na
internet. E ainda distribui imã para geladeira. Mais: o preço das
bebidas é suficientemente inferior ao que se encontra na concorrência
para deixar claro que o negócio ali é vender empadas, todo o
resto sendo orientado nessa direção. Já a Empada Brasil se vale
de um clichê ("o sabor de Petrópolis") diferenciando pela familiaridade
onde não pode competir com a escala. O preço na Empada Brasil é
mais barato ao ponto de, com o que se economiza a cada cinco, uma saísse
de graça na Casa da Empada, que especifica preço pelo sabor, ao
invés da Empada Brasil. Ambas oferecem a opção de encomenda para grandes
lotes.
Comentários gerais Acabei devorando mais rápido os
exemplares da Empada Brasil, talvez por causa da alta temperatura
interna, o que pode ter comprometido um pouco a avaliação do sabor, e
impliquei com o fato da empada de banana ser aberta. O aviso mais
curioso estava na parede da Casa da Empada, algo como "Atenção: a
maioria das nossas empadas contém azeitona COM CAROÇO. Cuidado ao
mastigar". Na minha não veio azeitona, com ou sem caroço. Já na
Empada Brasil veio azeitona -- sem caroço. Nenhuma das
duas caixas reclamou da ausência de troco. A Empada Brasil
também tem página na internet, mas nem nas lojas há divulgação do
endereço. Embora a Casa da Empada dê provas de estar atacando
com voracidade o mercado, com venda de franquia e espalhamento
tentacular, ele parece ser grande o suficiente para abraçar
concorrentes, imitadores ou mesmo pequenos vendedores ambulantes.
Em breve, mais um sensacional duelo: Empada Praiana vs
Dona Empada! anotado
em 13:54
Pitacos:
E de repente, não mais que de repente... Do
repente! anotado em 12:54
Pitacos:
Atrasado, este blog registra luto pelo sertanista Orlando
Villas-Boas e acende uma vela por Luiz Gonzaga, em seu
póstumo aniversário de 90
anos. anotado em 12:53
Pitacos:
14.12.02
Falta
pouco. anotado em 18:19
Pitacos:
Um pouco de política para apimentar: 1) Gilberto Gil já estaria com um pé no Planalto para
ocupar o Ministério da Cultura. Para quem acha a indicação absurda, não
custa lembrar que "em 1998, o presidente Fernando Henrique Cardoso
chegou a sondá-lo para a pasta do Meio Ambiente por causa da sua
militância no Partido Verde (PV) e na Organização Não-Governamental Onda
Azul". Entretanto, a pasta ainda "pode cair no colo do do ator Sérgio
Mamberti". Já o Polzonoff leu não sei aonde que a Nélida Piñon iria
ocupar o cargo.
2) Fred Leal manda avisar: Rosinha Garotinho pediu a
cabeça de Aldir
Blanc no jornal O Dia.
anotado em 18:18
Pitacos:
Normalmente quem tem a idéia não tem o dinheiro e quem
tem o dinheiro não tem a idéia. Normalmente, também, eles não se
entendem. (Daniel
Piza, em raro aforismo bem
humorado) anotado em 18:10
Pitacos:
13.12.02
E essa agora. O que me deixou mais impressionado é ser
desenhado pelo John Severin, um daqueles caras que já desenhou de
tudo na vida, esteve entre os fundadores da Mad, fez western, super-herói e o escambau e aos 86
anos está sendo pioneiro mais uma vez. Para um rápido e certeiro
histórico de personagens saindo do armário, leia aqui. anotado
em 15:59
Pitacos:
12.12.02
Diálogos impertinentes (fofocado por
Drummond) Otto Maria Carpeaux: "Bom dia". Graciliano Ramos: "Você
acha?" Otto Maria Carpeaux: "Que tempo, hem, seu Graciliano. Vai
chegar o dia em que vamos pedir esmolas". Graciliano Ramos: "A
quem?"
-->> descaradamente roubado do Bruno
Garschagen. Vontade é de afanar essa e as últimas quatro notas
dele. anotado em 20:53
Pitacos:
Modern Living: mais animações interativas feitas com
flash. Lúdico e instigante, portanto adequado para passar tempo.
A do cara fazendo embaixadinha com um crânio é de matar (veio do BrainWay). anotado
em 16:20
Pitacos:
Quando eu gosto de um diário, é por causa de coisas assim:
E eu adoro gibis e amendoim. Viveria bem no
zoo.
anotado em 16:17
Pitacos:
Fazendo a ronda: 1) Julio Lemos dá um show
rascunhando uma tradução decente para uma daquelas
frases muito repetidas ainda que pouco compreendidas: The road of
excess leads to the Palace of Wisdom (William Blake).
2) 10
loucos: esse é do Fabio Moon e Gabriel Bá. Dicas e pensatas sobre
quadrinhos, de dois talentos da última safra. Tipo de coisa que se
existisse e eu tivesse descoberto há 10 anos atrás ficaria maluco.
3) Neo Zeitgeist faz jus ao nome.
4) Mas que cabeça dura, Salvador
McNamara! Depois de me acusar reincidentemente de legislar em causa
genealógica própria, o senhor vem fazer pilhéria para cima do
inconteste gênio belga acusando-o de ser o inventor do bilboquet -- e ainda por cima citando aquele peste
do François Maltie, com um nome desses, ele sim, sério candidato
a uma ascendência belga. Quanto a desempenhos sexuais questionáveis, foi
o senhor, sr.
McNamara, quem começou pedindo para se inverter a ordem e irmos
de trás para frente na sua resposta: depois não me venha com
ortodoxias para cima de mim... E ainda diz que o suspeito sou eu.
Por fim, o senhor pergunta: "dentre todas as opções lúdicas, todos os
divertimentos banais oferecidos pelo grande parque de diversões
planetário, por que defender os belgas? (...) o elo perdido entre a
bactéria e a planária, por que?". Ora, a resposta é muito simples, e
apenas um espírito menor como o seu seria incapaz de enxergar a beleza e
a excelência do gênio belga, um país para sempre colocado no escanteio,
junto com aqueles países ou lugares cujo valor não é corretamente
reconhecido pela História: o Canadá, o Uruguai, o Zimbábue, o Piauí,
Aracaju, Bornéu ou o Quirguistão. Somente um ser de casta inferior não é
capaz de admirar a evidente importância humana dessa geografia. Essas,
portanto, sendo as bandeiras que o senhor me cobrou. Até mesmo por
isso estou aqui torcendo para que seu pedido seja
atendido... anotado em 16:12
Pitacos:
11.12.02
E eu conheço essa figura. E mora perto de
mim! anotado em 13:06
Pitacos:
Funcionando em modo misantrópico agora:
_ "Ser lido é um negócio um tanto incômodo." (Paulo
Salles) _ "Ao longo dos anos, que são muitos, infelizmente, eu
diria que tive, no máximo, estourando (e a maior parte estourou mesmo)
uns seis amigos." (Ivan
Lessa) anotado em 13:04
Pitacos:
URRRRRÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚÚ! anotado
em 13:02
Pitacos:
10.12.02
Nomadismo no século XXI Esse projeto do Urbenauta,
mencionado pelo Elesbão, lembrou-me extraordinariamente da Outdoor
Piece do Tehching Hsieh, imigrante de Taiwan que passou uma ano
rodando pela Ilha de Manhattan sem permitir-se entrar em nenhum lugar
coberto -- dormiu sob marquises e abrigou-se debaixo de pontes,
valendo-se apenas de um saco de dormir. Outdoor Piece é mais uma das One Year
Performances de Hsieh, obras de arte compostas ao longo de um ano, com
direito a declaração de limites e testemunha, executada por ele
entre as décadas de 70 e 80 do século passado, cujo registro hoje
integra um CD-ROM. A idéia lembra também do blog The Homeless
Guy, originalmente o diário de Kevin Barbieux, que vive sem endereço fixo há 20 anos
e hoje quase um projeto coletivo "dedicado a narrar as histórias e
idéias dos que já viveram a experiência de ser sem-teto". Enquanto o
Homeless
Guy aproxima-se do Urbenauta ao reunir anotações do cotidiano e procurar
lugares que lhe dessem abrigo ou alimento, aquele procurando entender
melhor a condição de sem-teto, este tentando descobrir o especial e o
desconhecido em São Paulo, Tehching limita-se a registrar em mapas o trajeto percorrido cada dia e a quantia
gasta além de aparecer em algumas fotos; só não conseguiu cumprir totalmente sua
proposta porque esteve preso por algumas horas em meio ao seu périplo --
e a prisão era coberta. Fui à exposição de outra One Year
Performance, chamada Time Piece, na qual Hsieh tira uma foto a cada hora do
dia, durante um ano, registrando a hora em um cartão de ponto a seguir.
O resultado é impactante,
perturbador. anotado em 15:25
Pitacos:
Isso me deixa tooooooooontooo... Isso
tambééeeeem... anotado em 09:00
Pitacos:
"Art couldn't put its own boot on - Cezanne put it on,
Picasso tied the laces, Matisse buffed up the polish on it, and Duchamp
took it off again." (Eddie
Campbell) anotado em 08:58
Pitacos:
Primeira impressão "Conheci o Lima (...) lá no
O'Malley's. Ele chegou do Rio de Janeiro (...), pegou um táxi e tocou
direto pro bar. Apareceu de mochila nas costas e camiseta do
homem-aranha. Em pouco tempo, já tinha dado em cima da garota por quem
fui apaixonado, reclamado da fumaça do meu cigarro e dito que não bebia
cerveja. Não sei como, mas acredite, viramos amigos. Escreve de forma
extremamente agradável quando fala de cultura e cotidiano, e é bastante
complexo quando põe-se a filosofar. Um dia pretendo visitá-lo no
Rio, e dar em cima da garota que ele é apaixonado, reclamar da camiseta
do homem-aranha e arrastá-lo prumas cervejas no Cobal."
(descrição do primeiro encontro, por Fabio Danesi
Rossi.) anotado em 08:57
Pitacos:
8.12.02
Rebola a internet brasileira Soube recentemente
que o CyberComix, melhor portal para se ler quadrinhos na
internet brasileiro, não será mais atualizado. Espera-se ao menos que
mantenham o valioso acervo no ar. Além dele, a revista Play vai perder sua
versão em papel, o último número, o 6, já pode ser encontrado nas
bancas. Já o sítio continuará recebendo novas
matérias. anotado em 18:01
Pitacos:
O que teria acontecido a Eddie
Campbell's Bacchus? Depois de 60 números o escocês teria
jogado a toalha da edição independente? Felizmente não, para meu
deleite. Eddie resolveu transmutar o velho gibi na revista Egomania, abrindo mais espaço para seus ensaios
literários. O nome é uma brincadeira evidente com o fato das Hqs e os
artigos de Eddie estarem cada vez mais auto-centradas nele. Mas nem
sempre foi assim. Não fossem um ou dois tropeços do distribuidor,
teria a coleção completa de Bacchus, cujo lançamento me chamou a atenção pela mera
proposta: atualizar aos nossos dias alguns personagens da mitologia
grega. Bacchus, ou melhor Dionísio, deus grego do vinho e das
tragédias, além de batizar a revista é o fio condutor das histórias,
comemorando aniversário de 4000 anos dia desses. Mas não é por causa da
pretensa onipotência ou divindade que nem ele nem Hermes,
Poseidon ou Teseu, aqui conhecido pelo curioso apodo de
Joe Theseus vão ter vida fácil: na primeira página da primeira
história, Bacchus conversa com um colega de cadeia -- tinha sido preso
na véspera por causa de bebedeira e arruaça. Na pena de Eddie os deuses
gregos tem um comportamento estranhamente familiar, que correlacionei nesse artigo ao tratamento usado por Guilherme de
Figueredo em Um Deus Dormiu Lá em Casa. Se valendo de
flashbacks, Campbell rememora os mitos clássicos gregos enquanto
bola uma particularíssima versão para o que teria acontecido com os
deuses depois, bem, depois que alguns deles morreram. Não é de
espantar que o título da primeira aventura seja Imortalidade não é
para sempre... É difícil focar qual seja a qualidade principal de
Bacchus: o dinamismo da narrativa, a brilhante caracterização nos
diálogos, a excelente ambientação, que consegue te transportar
completamente para uma ilha do arquipélago grego apesar do preto & branco impresso em papel vagabundo ou a
mais perfeita tradução do clima de bar, ou no caso, pub, em
quadrinhos que já se viu. Melhor até do que o Zé do Boné.
Embora tenha produzido e compilado histórias em 9 álbuns completos,
depois de algum tempo parece que Eddie sentiu não ter mais o que
contar, e abandonou o personagem em função das história mais curtas
& auto-biográficas sobre sua vida de pequeno editor, a meia-idade,
família e as pequenas mágicas do dia-a-dia. Pérolas como Eternity ou Running A Publishing House Out Of The Front Room. Foi
fundamentalmente essa mudança que levou ao nascimento de Egomania. Mas a história não acaba aqui; antes de
cair dentro de Egomania, Campbell também concluiu a saga de Alec McGuarry, seu alter-ego dentro dos quadros e
editou a graphic novel How to be an artist, segundo o próprio, as histórias
pelas quais quer ser lembrado & julgado. E ainda arranjou tempo
para concluir a arte de From Hell e publicar a edição
encadernada, um tijolaço de 5cm ali na estante (mas esse merece uma nota
só para ele. Ou um artigo). Como se não bastasse, o cara é muito gente
fina. Mandei uma mensagem para ele logo no começo elogiando o gibi e o
cara não só publicou aquela, como também a segunda e ainda me mandou,
autografada, lá das lonjuras da Austrália, onde ele mora, um número que
eu não tinha -- autografado! anotado
em 17:56
Pitacos:
7.12.02
Vôo solo Fui fazer as contas e concluí que já faz
um ano desde que passei a considerar a existência de Alexandre
Soares Silva em meu universo. Isto se deu única e exclusivamente por
causa de seus escritos. Em mais uma soma tirada da ponta do lápis,
concluí que nesses 365 dias não troquei sequer uma miserável palavra
(via email, ICQ, pombo-correio, seja o que for) com ele, ainda que, em
determinada ocasião, estivéssemos muito próximos de passar uma agradável
noite em tertúlias (por conta de um amigo comum). É em situações assim
que a gente pára e repensa se tem aproveitado de maneira digna e rica
nosso tempo. Pois soube que o Alexandre rendeu-se, deixou-se contaminar
pelo meme, levantou vôo solo e estreiou seu blog,
batizado, num arroubo de originalidade, de... Alexandre
Soares Silva. Gosto do estilo dele a ponto de não me importar muito
com o que quer que ele esteja escrevendo, mas me congratulo em vê-lo
compondo notas as quais assinaria embaixo. Tipo aquela da preguiça. Ou a outra, como irritar o leitor. Desejo-lhe sorte e persistência
nesta nova empreitada. anotado em 00:22
Pitacos:
6.12.02
Agoniza mas não morre Nélson Sargento
ponto com ponto bê-erre, autor dessa maravilha que só existe em
samba. anotado em 23:56
Pitacos:
Co-sanguíneos Minhas fontes estavam corretas. O que explica um monte de
coisas. anotado em 23:53
Pitacos:
Quando a torcida chama de mercenário, eles não
gostam... anotado em 11:34
Pitacos:
Tá chegando! Até domingo, um canal a cabo promete
maratona Os
Simpsons, com os episódios em que a família amarela visita o Canadá,
a África e o Japão, tudo para pôr panos quentes na celeuma quando de sua visita ao Brasil, e mostrar que
eles também zoaram outros países. Apenas para bons entendedores: o
filme cujo nome
foi parodiado no título do episódio hoje também batiza uma agência de turismo. E atenção ao título do
livro que Homer deixa cair sem querer na recepção do
hotel. anotado em 11:32
Pitacos:
Mas, ora, por que elas são imorais? É incomum ver
alguém dando a cara a tapa ao abordar a prostituição.
Leia. anotado em 11:30
Pitacos:
5.12.02
Action Comics #1 -- a primeira história do
Superman totalmente
digitalizada. anotado em 14:08
Pitacos:
Eu... vou lhe dar a decisão botei na balança... e você
não pesou botei na peneira... e você não passou. Mora, na filosofia...
(a dica veio do meu
xará) anotado em 09:21
Pitacos:
Rivalidade Me contaram que o futuro secretário
de energia [do Estado do RJ], Wagner Victer, tricolor-doente,
para que o filho tomasse horror ao Flamengo, deu a ele uma mamadeira,
com o símbolo do rubro-negro, com umas gotas de limão. Até hoje, o
menino faz careta cada vez que olha o símbolo do mengão. Não é cascata
não, ele confirmou a história, com um certo orgulho.
Essa veio da Marina W. Único comentário: como se tricolor, depois
do que passou, precisasse de mais motivo para
desgosto... anotado em 09:19
Pitacos:
4.12.02
Fazendo a ronda 1) Demorou: Elesbão e Foresti trocando raquetadas em rematch de tênis para Fotoxope. O vetê do último jogo
confere-se aqui.
2) Julio Lemos é o tipo de cara que me recrimino por ter
demorado tanto a me dedicar a ler. Sua lista de links
recomendados dá o tom: Anti-State.com, Conservative Though, Biblioteca La Tradicion e um de arrepiar os cabelinhos
de suvaco do chapinha Nando: PETA - People Eating Tasty Animals. Defende a alimentação
carnívora, o cigarro de tabaco e chama o Cocadaboa de "site
reacionário". Bom material para debate. Approposito, o blog se
chama Capitalismo e tem, por subtítulo, bêtises d'un
bourgeois chrétien.
3) Chirs Fernandes faz uma varredura do noticiário no Livre
Expressão; Marcelo Träsel voltou de 6 meses de viagem e
continua animado em suas Marteladas. anotado
em 13:54
Pitacos:
Ego surfing Aliás, o grande problema de
ego surfing é que sempre vai aparecer outro surfista com
longboard maior que o seu -- e te cortando na onda, pela frente.
anotado em 13:29
Pitacos:
No meio do papo, sai assim: - ... Apolíneo e
Afrodisíaco... (Pena só é depender de atos falhos para chegar
numa dessas.) anotado em 13:28
Pitacos:
Vem aí um CD-ROM com a evolução do RJ animada em
CG. anotado em 13:26
Pitacos:
3.12.02
Em meio aos Moais "Logo após o navio fundear,
nessa primeira visita, muitas pequenas embarcações a remo se
aproximaram. Os pascoenses, extravasando alegria, apontavam para nós e
perguntavam, em bom castelhano, 'você tem um amigo?'. Se a resposta
fosse 'não', retrucavam 'então eu sou seu amigo'. Era um compromisso
verbal, mas sem dúvida formal e efetivo, pois guardavam muito bem nossas
fisionomias." (...) "O meu 'amigo', evidentemente como os demais
'amigos', não nos ajudavam de graça. O pagamento, entretanto, não podia
ser em dinheiro, que pouco ou nada valia, pois pouco ou nada havia para
comprar. A retribuição desejada era especialmente em roupas, mesmo
usadas, ou em víveres não perecíveis."
"(...) nas missas aos domingos viam-se 'oficiais da marinha'
pascoenses garbosos, com velhas sobrecasacas até com dragonas, calções
brancos, polainas mesmo que descalços e, em casos especiais, com bonés
armados de dois bicos. Viviam soltos pela ilha, sem compromissos maiores
com trabalho, hora para dormir ou acordar. pareceram-me muito alegres e
bastante independentes entre eles, pois ninguém era mais rico ou mais
pobre do que seu conterrâneo, assim como ninguém mandava em ninguém.
Talvez por isso fossem tão cordiais entre eles e os
visitantes. Jamais poderia imaginar que encontraria, nos tempos
atuais, em algum lugar do planeta, mesmo de população reduzida, uma
sociedade com tão nítidas características anárquicas e que tal sistema
pudesse, de alguma forma, funcionar."
"(...) muito tempo depois (...) em lugar de muitas embarcações se
aproximarem (...) simultaneamente (...) apenas avsitamos ao longe uma,
com uns oito remadores e um timoneiro. Ficamos (...) intrigados quando a
embarcação se aproximou, pois o timoneiro estava de terno e gravata,
assim como os oito remadores vestiam igual indumentária (...) O mistério
ficou ainda maior quando os remadores pararam de remar (...) e o
timoneiro ficou de pé, assim como o navio escola (...) abriu fogo com
seus canhões de salva (...)"
"Soubemos que [o timoneiro] se tratava do primeiro prefeito da
Ilha de Páscoa nomeado pelo Governador Militar e os remadores eram, por
sua vez, os primeiros policiais da ilha. O prefeito veio ao
navio-escola, formal e oficialmente, pela primeira vez na história de
Páscoa, para apresentar os votos de boas vindas ao comandante e sua
tripulação. Informaram-nos que o Governador Militar, ao abrir o
voluntariado para a formação da polícia, teve toda a população
fisicamente apta como candidata. Disseram-nos que os pascoenses ficavam
maravilhados pela possibilidade de dar uma ordem aos seus conterrâneos e
terem que ser obedecidos. Não tinham uma idéia mais ampla da noção de
mando, que começou a ser sentida quando o Governador Militar resolveu,
após a criação da polícia, estabelecer uma determinada hora da noite
para o recolher geral."
"Estive em terra (...) as atividades dos pascoenses estavam realmente
mais calmas e ordeiras. (...)" "Ao ver Páscoa desaparecer lentamente
(...) pensamentos afloraram e até hoje (...) voltam: seriam os (...)
pascoenses, com as mudanças, mais felizes? (...)"
(Visita à Ilha de Páscoa, Alte. Henrique R. C. Velloso, na
Revista do Clube Naval #
321) anotado em 21:29
Pitacos:
O professor Pasquale Cipro Neto saiu em defesa do português falado
por Lula, em entrevista ao Globo e acabou ouvindo o que não queria do Augusto
Nunes... anotado em 15:21
Pitacos:
Tintin por tintim Nem todo mundo sabe que Hergé
utilizou uma equipe para auxiliá-lo na confecção dos últimos álbuns do
Tintin, gente para
escrever diálogos, desenhar os personagens, colorir -- há mais pesquisa
do que pode transparecer numa história qualquer. Por exemplo, o Castelo
de Moulinsart foi baseado num dos castelos do Vale do Loire (o de Cheverny), na
França. Bob de Moor foi o criador da antológica gag do
esparadrapo que não desgruda do dedo do Capitão Haddock e recriava à
perfeição a line claire de Hergé, ao ponto de ser difícil distinguir
quem tinha feito o que. Pode-se saber de coisas assim na exposição
permanente do Centre Belge de la Bande Dessineé, cuja página estava
inexplicavelmente fora do ar.
anotado em 14:50
Pitacos:
"E eu lá sou mulher de olá ?!" (Araci de Almeida,
respondendo a um ex-namorado que lhe cumprimentara com um
olá) anotado em 13:59
Pitacos:
2.12.02
No carnaval passado, eu e meu namorado saimos fantasiados
de Torres Gêmeas. Cada um com uma túnica quadrada e prateada até o pé,
meio avião cravado na altura do colo em um celofane vermelho simulando
fogo. Era carnaval, estávamos num bloco de rua (Barbas). A maioria das
pessoas riu, mas algumas nos olharam com cara de reprovação, muitas
pessoas morreram, que humor negro, blá-blá-blá. (imagina se essas
pessoas soubessem que eu tinha pensado em levar uns "playmobils" presos
em fios de nylon prá fazer a cena direito; só não levei porque meu
sobrinho não quis me emprestar seus bonequinhos de Lego).
O protesto é sério e continua
aqui. anotado em 13:32
Pitacos:
Corrente de consciência semi-interativa intermitente e
animada. Achei no repositório de passatempos chamado Yeah, But is it
art?, junto com o ultra-viciante ping-pong virtual e os
inacreditáveis Mammonet e o Ajudante para Decisões Difíceis -- seus problemas
acabaram! anotado em 13:30
Pitacos:
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