31.1.03
Atenção todas as viaturas! Roubaram teu carro?
Cadastre neste serviço
da Polícia Rodoviário Federal, que notificará mais de 400 locais de
blitz. anotado em 08:28
Pitacos:
Semaninha chuvosa e refrescada chega ao fim, verdadeiro
parênteses na canícula de
verão. anotado em 08:10
Pitacos:
Cerebus # 1
totalmente digitalizado: os primóridos do gibi que mudou a cara do
mercado da auto-publicação na década de
80. anotado em 08:09
Pitacos:
Mais um roubado do Ruy Goiaba, que está
organizando o bloco
onde pretendo sair neste carnaval. É o
último, prometo:
O FUTEBOL NÃO MORA NA FILOSOFIA Por falar no Zenon, vocês
devem se lembrar da época em que o Corinthians tinha o meio-de-campo
mais filosófico da história do futebol brasileiro, com ele e o Sócrates,
no início da década de 80. Se esses caras atuassem de acordo com os
filósofos que lhes deram os nomes, seria uma tragédia.
Imaginem só: a cada preleção, Sócrates faria uma série de perguntas
-para mostrar como o treinador é contraditório e estúpido- e seria
acusado de corromper os jogadores mais jovens. Quanto a Zenon, discípulo
de Parmênides, ele não correria jamais atrás da bola. Afinal, o
movimento é uma ilusão. anotado
em 08:06
Pitacos:
30.1.03
Aê, Bruno! Não
era você que estava querendo saber mais sobre
William Faulkner? anotado em 13:45
Pitacos:
Estatística Das sete mulheres participantes da
versão corrente do Big Brother, duas
consideram Marília Gabriela "uma mulher inteligente", uma considera
Fátima Bernardes, uma (adivinhem qual) citou Jurema Werneck e Lúcia
Xavier, coordenadoras da ONG Criola e as demais não conseguiram
lembrar de nenhuma referência. Não sei, mas acho que quando o
Maurício Valadares fala em mulambalização da cultura é a coisas
assim que ele está se
referindo... anotado em 08:07
Pitacos:
Se tem uma coisa que eu gosto nesse mundo é de gente fina
e educada. anotado em 08:05
Pitacos:
Achei isso aqui nos
arquivos do Ruy Goiaba. É uma versão high brow de uma piada
com os The Beatles. Vale a pena ler de novo:
- Vamos lá no Bach, tomar um Chopin? - Ah, só se for
da Brahms. - A gente podia pedir também uma lasanha
Verdi. E aquelas outras comidinhas... como é que elas se
Schumann? - Será que o Beetho ven? - Ele telefonou e
disse que já Stravinsky, mas ainda Dvorák um pouco.
Como diria meu amigo João Marcelo, "alta cultura é alta cultura. O
resto é o bonde do
Tigrão". anotado em 08:03
Pitacos:
29.1.03
Lisandro Gaertner, além de amigo das antigas, é um
dos melhores redatores que conheci, apesar da parca produção. Dois
frutos que consegui extrair: Como
não ser publicado e A
História das Notas de Rodapé. Hoje, sem dúvida, não incluiríamos
aquela explicação ao fim do primeiro texto... Pois rendeu-se e agora dá
vazão à verve no Oto
come mocotÓ. Mais do que a verve, ele continua uma verdadeira usina
de achados -- foi dele a indicação do Allan Sieber
Talk to Himself Show: Barão do
Posto Seis, a nova revista que o Ota vai lançar (Canibal), o filme
de Mortadelo e
Salaminho, um livro inédito do Bukowski a sair pela
Record. anotado em 16:22
Pitacos:
Na mosca!:
para entender o que é essa tal de interface de
usuário. anotado em 16:16
Pitacos:
Alexandre,
concordo contigo -- na vida real ninguém parece real mesmo.
"Todos parecem caricaturas - às vezes muito agradáveis, mas
caricaturas". Depois você vem com aquele papo de que "personagens
esféricos são uma invenção de romancistas; na vida real todo mundo é
plano. Quando há uma exceção e alguém nasce psicologicamente esférico,
as pessoas ficam tão espantadas que escrevem livros sobre ele". E cita 3
exemplos, Samuel Johnson, Lincoln e Churchill. Também
raciocino nesses termos, e também me lembrei de cara do Churchill como
exemplo. Quando duas pessoas quaisquer se conhecem, é de praxe a troca
de etiquetas: eu prego uma em você, você cola uma em mim. Não
requer prática nem tampouco civilidade; até entre índios xavantes isso
acontece. E raramente uma das duas pessoas foge à descrição da etiqueta
("não passe em ferro quente, mantenha à sombra"). O que lembra uma
queixa do Polzonoff em
relação aos livros do Gaspari, de que ele fazia tábua rasa ao descrever
personagens bidimensionalmente em seus livros sobre a ditadura. É duro
admitir, mas na maioria das vezes não é preciso mais do que 4 palavras
para definir completamente uma pessoa, 95% dos casos obedece à regra do
rótulo, depois só é preciso dar um polimento e lustrar. Só não se pode é
perder a noção de que os 5% -- os que teimam em não se enquadrar nos
rótulos -- existem e caminham por aí. Outro dia mesmo esbarrei
num...
Outra coisa, não dava para adicionar aqueles links específicos
para cada post? Assim a referência ficaria mais fácil do que eu
dizer "em 26.1.03"... anotado em
16:14
Pitacos:
Fazendo a ronda: 1) Carlos
Vilela lista colunas, dicas e blogs de quem está morando ou já morou
em NY.
2) ...se você força o link a abrir em outra janela o
usuário é obrigado a ver seu site assim, não há outra opção. Mas,
repetindo para fixar a lição: quem manda é o usuário, não é você.
Se você deixar, então, o link abrir na mesma janela o usuário pode, se
quiser, abrir em outra janela...
Interessante discussão
sobre interface lá no
Cris Dias. Apesar de considerar a maioria dos usuários
desqualificada para lidar com tantas alternativas, concordo basicamente
com o argumento destacado acima. Portanto, quem quiser abrir os
links daqui em novas janelas, deve usar o botão direito do
mouse a partir de agora.
3) Pequena
biografia do Kerouac, com destaque para o apecto religioso de sua
vida. Indicada pelo bamba Julio
Lemos. anotado em 16:06
Pitacos:
28.1.03
Allan Sieber, o criador do fanzine Glória, Glória
Aleluia!, dono da Toscographics,
autor do premiado curta-metragem Deus é Pai e
cartunista da tira Preto no Branco
também está fazendo um blog: The Allan Sieber
Talk to Himself Show! Tiras inéditas, cartuns vetados da seção Zona
de Risco (a melhor coisa do Pasquim21, fácil), humor ácido.
Segundo Haroldinho,
Allan Sieber é o Didi Mocó
hardcore. anotado em 08:22
Pitacos:
Antropologia carioca Enquanto o hábito entre as
classes sociais mais baixas é o de se servir primeiro de feijão e depois
de arroz, a classe média coloca sempre o arroz por baixo do
feijão. Pode conferir -- é batata, ou melhor, é fejão com arroz, mesmo.
Facilmente observável em grandes refeitórios e faculdades públicas.
Ignoram-se motivos. anotado em 08:07
Pitacos:
Manifesto da Associação Internacional Confeiteiros
sem Fronteiras
Em função da ação realizada hoje à tarde, a Associação
Internacional Confeiteiros sem Fronteiras vem a público dizer que:
Repudiamos a confusão promovida pelo Partido dos Trabalhadores que
quer fazer crer que o nosso movimento, o movimento dos movimentos, pode
ser representado ou encarnado em algum tipo de governo. Viemos à público
dizer que a onda que levou à eleição do PT não é, de forma nenhuma, a
mesma da ascensão do movimento contra a globalização capitalista. Nosso
movimento não tem líderes ou representantes. Ninguém pode falar em nosso
nome. Se alguém em Davos 'representa' o movimento, somos nós mesmos, os
milhares que ocupamos as ruas de Genebra em protesto contra a reunião de
banqueiros, empresários e governantes que o PT legitimou.
A esperança de mudança que trazemos não pode uma vez mais ser
cooptada e frustrada por políticos e partidos políticos que querem se
promover às nossas custas. Dessa vez vamos fazer as coisas de maneira
diferente.
No espírito de Larry, Curly e Moe, saudamos o político José Genoíno.
¡Que se vayan todos! Um mundo sem líderes é
possível anotado em 08:04
Pitacos:
27.1.03
Desejo de voar? Voe. E
não deixe de subir até o fim da estratosfera nem de interagir com os
outros voadores. anotado em 10:05
Pitacos:
Parabéns, São Paulo, pelos 449 anos! E caprichem
na preparação da festa dos 450, anos que vem! É claro que não consigo
deixar de comentar o que aconteceu quando o Rio fez 450 anos, em 1965 --
apesar d'eu ainda nem ser nascido. Entre as comemorações, foi feito um
filme, Crônica da Cidade Amada, com uns 12 episódios, todos
crônicas de Drummond, Paulo Mendes Campos, Sabino, Rubem Braga,
adaptados para o cinema por Millôr Fernandes, que faz uma ponta no conto
em que o Oscarito aparece, Receita de Domingo. Assisti na
cinemateca do MaM, numa sessão de impacto devastador, ao fim da qual o
clima de fraternidade era tanto que os espectadores só faltaram se
abraçar e beijar. Além do filme teve um livro grosso, daqueles que ficam
em pé sozinhos, acho que o nome é Rio de Janeiro em Verso e
Prosa, com excertos de simplesmente todo mundo que escreveu
sobre a cidade, diga um nome e ele está lá, não tivesse a seleção sido
feita por Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade (um pernambucano
e um mineiro, ironia?). Em suma: olha a responsabilidade!
Errata: P.C. Barreto
me corrigiu nos pitacos: não foi no aniversário de 450, mas no de
400 anos da cidade. O que não diminui a responsabilidade do
evento -- agora, para nosotros
também... anotado em 10:03
Pitacos:
26.1.03
Comments to the people, right on! Relutei
um bocado em disponibilizar uma seção de comentários para leitores e
visitantes, dada a minha experiência com fóruns abertos na internet, mas
é com felicidade que comunico a quebra das minhas resistências. Alô alô,
seu Enio,
alô alô, seu Danilo: está valendo. Quem se desloca, recebe; quem
pede, tem preferência. anotado em 17:13
Pitacos:
As últimas duas entradas são trechos de Na Trilha de
Adão, o livro de memórias de Thor Heyerdahl, escrito aos 84
anos (na tradução de Leonardo Silva Pinto). Como ele veio a morrer com
87, pode-se dizer que é a suma de sua sabedoria & filosofia. Como os
excertos abaixo, há dezenas, centenas até, no livro, e me descubro cada
vez mais adepto desse estranho esporte de recortar e descontextualizar
trechos de livros, tão apropriado a internet. Eleger Heyerdahl um dos
maiores aventureiros do século XX só não é mais adequado porque o rótulo
acaba ocultando a importância das intrincadas teorias científicas que
mudaram a maneira de ver as migrações no Pacífico, provadas à bordo de
jangadas de junco, pau de balsa e
bambu. anotado em 12:32
Pitacos:
Verdadeiro desperdício "Liv já havia conquistado
um lugar no coração de minha mãe, para quem era muito mais
tranquilizador, à imagem sedutora de nativas dos mares do Sul, que eu me
casasse e levasse Liv comigo na viagem [para as ilhas
Marquesas]. Com meu pai seria um pouco mais difícil. Com o
pensamento focado nas mesmas nativas, ele achava que viajar para lá
casado seria um verdadeiro desperdício. Ele concordou em ajudar a
financiar a viagem, ainda que para um lugar tão incomum e distante. O
casamento, no entanto, deveria aguardar meu regresso e um emprego
fixo."
Revolução "Quem sofre o infortúnio da fome não recisa de
motivações políticas quando resolve arriscar-se a seguir os passos de
líderes revolucionários, atendam eles pelo nome de Fidel Castro ou Joana
D'Arc. Estômagos satisfeitos nunca serão capazes de fazer uma
revolução."
O sujeito que mais admirei "Finalmente nós, graduados
sargentos, fomos enviados à escola de pára-quedismo. No nosso mais
íntimo estávamos todos apavorados quando nos perfilamos diante do avião
e o tenente Rorholt nos relembrou que dali em diante tudo o que
fizéssemos deveria ser de livre e espontânea vontade. O sujeito que mais
admirei foi o que reconheceu sua fraqueza, saiu da formação, não ousou
continuar e afirmou: 'Não dá para
mim'." anotado em 12:29
Pitacos:
Schopenhauer no estrume "Eu saí um pouco à minha
mãe também. Do lado materno havia certa tendência na direção oposta.
Aversão às cidades. O irmão mais velho de minha mãe estudou teologia
para se tornar pastor no interior. Era um sujeito extremamente distraído
- a Noruega ainda era parte do reino da Suécia - e, cada vez que unia as
mãos para iniciar um culto, ele dizia: "Pai Nosso, que estais na
Suécia...". (...) Dois outros irmãos de minha mãe estudaram teologia na
Alemanha. Voltaram à Noruega influenciados por Rousseau e logo compraram
um pedaço de terra para tocar cada um sua fazenda, nas florestas do sopé
das montanhas Sylene. Um desistiu do negócio, o outro não. Minha mãe
contou-me certa vez que que recebera uma carta de um deles relatando que
lia Schopenhauer no alto de um monte de estrume."
Decepção "Certa vez um circo chegou na cidade e todos
corremos para conhecer de perto um negro. A decepção foi grande quando
percebemso que a palma de suas mãos era branca e toda a turma concordou:
aquilo não devia passar de um
truque." anotado em 12:28
Pitacos:
24.1.03
Norman Mailer aos 80 anos: still crazy after all
those years? anotado em 13:31
Pitacos:
Jantar excelente "Cuidadosamente pus de lado o
garfo e Jorge narrou sua história. Há tempos vivia ele com a mulher num
posto avançado na selva, bateando ouro e comprando todo ouro de outros
bateadores. O casal tinha, na ocasião, um amigo nativo do lugar, que
trazia com regularidade sua cota de ouro e a barganhava por outros
objetos. Um dia esse amigo foi assassinado na floresta. Jorge seguiu a
pista do criminoso e ameaçou matá-lo com um tiro. Ora, o assassino era
um dos tais suspeitos de venderem cabeças humanas em miniatura, e Jorge
prometeu poupar-lhe a vida se ele lhe entregasse imediatamente a cabeça.
No mesmo instante o indivíduo exibiu a cabeça do amigo de Jorge, agora
do tamanho do punho de um homem. Jorge quase ficou fora de si ao rever o
amigo, que era o mesmíssimo, a não ser que se reduzira àquele ponto.
Muito comovido, levou para casa a cabecinha e mostrou-a à sua mulher. Ao
vê-la, esta desfaleceu, e Jorge teve de esconder o amigo dentro de uma
mala. Mas havia tanta umidade na mala que a cabeça se cobriu por camadas
de mofo, obrigando Jorge a tirá-la dali de vez em quando e pô-la a secar
ao sol. Amarrou-a jeitosamente pelos cabelos num coradouro, mas a mulher
de Jorge desmaiava toda vez que a via. Um dia um ratinho conseguiu
entrar na mala e deixou o amigo muito maltratado. Jorge, penalizado,
enterrou-o com todas as formalidades num buraco aberto ao ar livre.
Enfim, concluiu Jorge, tratava-se de um ser humano. - Jantar
excelente -- disse eu, para mudar de assunto."
Trecho de A Expedição Kon-Tiki, escrito por Thor
Heyerdahl em 1948 (tradução de Agenor Soares de
Moura) anotado em 10:56
Pitacos:
O resto é água sem gás Vou atravessar o
Pacífico numa jangada de madeira para provar a teoria de que as ilhas
dos mares do Sul foram povoadas por gente vinda do Peru. Quer ir também?
Não garanto nada, a não ser uma viagem gratuita ao Peru e de ida e volta
às ilhas dos mares do Sul, durante a qual V. terá boas condições para
exercitar suas habilidades técnicas. Resposta sem perda de
tempo.
Foi com a singela carta acima que Thor Heyerdahl fez o convite
para dois conhecidos seus integrarem o que ficaria conhecido como a
expedição Kon-Tiki. A primeira resposta, de Torstein
Raaby, veio à altura:
Irei. Torstein
E olha que a
jangada não era nenhum hotel cinco estrelas. O que sobrou dela foi
restaurado e ainda hoje pode
ser visto no Museu
Kon-Tiki, em Oslo
(Noruega). anotado em 10:53
Pitacos:
National Association of Comic Art Educators: homepage
que vale ouro para qualquer um interessado em dissecar esse negócio de
quadrinhos, com direito a planos de estudo, exercícios para baixar em .pdf, indicações
bibliográficas e um belo message board. Dica do PPP. anotado em 10:48
Pitacos:
23.1.03
Eu ia elogiar o clipe de Three Little Birds que
parece da equipe da Consequência (os mesmos que
fizeram o vídeo-clipe do
Frejat), porque a computação gráfica deixou a animação com cara de
massinha, mas essa propaganda que a Faber Castell colocou no ar
para aproveitar a volta às aulas me tirou do eixo. Dar terceira dimensão
para os garranchos infantis de bonecos-palito foi fora de
série. anotado em 15:26
Pitacos:
Kung Fu
Lounge: de Bill Gaines a Lichtenstein, passando por Alejandro
Jodorowsky e o arco-íris da gravidade de Thomas
Pynchon anotado em 15:16
Pitacos:
Paradoxo da informação Hipótese 1: para
ficar bem informado, alguém precisa ler pelo menos 2 jornais por dia,
mais 2 revistas semanais. Para ficar por dentro.
Hipótese 2: é bastante fácil comprar ou fazer a assinatura das
tais 2 revistas semanais ou 2 jornais diários, sobretudo desde que os
departamentos de marketing das empresas de mídia inventaram essas
promoções em que na compra de um DVD-enciclopédia-carro ganha uma
assinatura anual grátis.
Conclusão: é fácil ficar bem informado.
Paradoxo: qualquer um sabe que ler essa montoeira semanal de
páginas não garante que se vá ficar bem informado, isto é, saber o que
acontece, saber o que importa; saber o que diz a voz das ruas. Portanto,
as hipóteses estão erradas.
Corolário do paradoxo: não adianta nada ler 2 jornais mais 2
revistas para ficar bem informado. Nem ler mais jornais ou revistas no
afã de ficar bem informado; se dois elementos quaisquer não adiantam,
não são 10 que vão resolver. Indução matemática simples.
Então, como fazer para ficar bem informado, para saber das
coisas? anotado em 15:08
Pitacos:
Sabe o que é chegar no Rio no começo da década de 70 assim
meio sem perspectivas e ter que revisar de madrugada artigos do Paulo Francis para
sobreviver? anotado em 12:36
Pitacos:
Bráulio Tavares: escritor de ficção científica,
cordelista (é assim que se chama que escreve literatura de cordel?),
crítico de cinema, roteirista de
quadrinhos. anotado em 12:32
Pitacos:
22.1.03
Bruno Garschagen entrevista Sérgio Augusto, a quem o
governador Espiridião Amim promete processar.
Comentando: Ninguém me perguntou nada, mas eu acho que o
Sérgio Augusto deu uma escorregada feia nessa entrevista, e digo qual.
Lá pelas tantas o Bruno comenta que é difícil encontrar "ensaios,
crônicas ou reportagens" no jornalismo cultural prenhes do bom humor que
permeava os textos de "Sérgio Porto, Millôr, Jaguar, Antônio Maria,
Carlinhos Oliveira etc." e questiona porque não houve o continuísmo
desta tradição.
Sérgio Augusto diz que não vê essa "ruptura de continuidade", citando
Millôr e Jaguar como exemplos vivos, e mais Veríssimo, por ter elevado o
patamar da crônica humorística, Tutty Vasquez ("sucedâneio razoável do
Stanislaw Ponte Preta") e o "jeito muito engraçado de olhar as coisas"
do Joaquim Ferreira dos Santos. Beleza, só que todos os citados têm mais
de 40 anos, o que só sustenta a ponto questionado pelo Bruno, de
que não há nas, novas gerações, quem dê seguimento à tradição do
humor instruído e espontâneo no jornalismo. Continuísmo não é só
as mesmas pessoas fazendo as mesmas coisas, são novas pessoas
fazendo as mesmas coisas, adaptadas aos tempos de hoje. Estagnação não é
a mesma coisa que tradição. Todos os exemplos citados pelo Sérgio ou
leram ou mesmo colaboraram com o Pasquim, que por mais de uma
década e meia ditou a forma e o conteúdo do jornalismo combativo no
país, e ainda hoje têm influência pesada nos meios culturais, haja vista
o espaço de que um Millôr dispõe no jornal de domingo, ou os convites
que o Ziraldo recebe para ser jurado de concursos ou escrever
apresentação para autores novos. Não é que "muito pouca gente, hoje, se
interessa pelo que a turma do velho Pasquim faz e tem a dizer",
como Sérgio afirma. A queixa de que não há espaço para ele ou Ruy Castro
na imprensa atual não é dele nem de hoje, é a mesma queixa do Henfil
quando estava começando, como conta a entrevista publicada no livro
Diário de um Cucaracha. É que as redações, hoje, são controladas
por uma máfia que está isolando tanto ele como Ruy Castro. Dessa vez,
uma máfia diferente. anotado em
16:30
Pitacos:
Alguém aí é fumante? O barato deste
texto é como fica claro que existe toda uma cultura relacionada ao
fumar. Há alguns anos fiz uma colagem de escritos diversos sobre o cigarro, bastante
apreciada por fumantes -- o que tomo por um agradável elogio. Inclusive
porque eu não fumo. anotado em 14:03
Pitacos:
Fazendo a ronda: 1) Alexandre
Soares Silva deu-se ao trabalho de colecionar os elogios recebidos por causa de seus
textos mais polêmicos. Leia, concorde, discorde e, eventualmente, xingue
mais...
2) Chulé? Meia culpa A continuar assim, o Zé acaba entrando para a ABL.
3) Está rolando: blog coletivo da revista eletrônica Fraude.
4) O copyright nos EUA dura 70 anos, mas a Disney
conseguiu prolongar os direitos do Mickey Mouse por mais tempo em
tribunal. Nemo
Nox encontra uma história em quadrinhos que traduz a resolução do ponto de
vista criativo.
5) E o Cocadaboa voltou, repaginado, com novas seções,
logotipo novo e um novo gerenciamento de conteúdo que aumenta
sobremaneira os urls mas segundo Mr. Manson facilita a
vida deles, liberando tempo para a nobre tarefa de inventar besteira.
Amém. anotado em 13:57
Pitacos:
21.1.03
Entradas do metrô parisiense.
anotado em 11:08
Pitacos:
Conheci Rubem Braga a vida inteira. Li Rubem Braga a vida
inteira. Foi, sem dúvida, o ser humano que mais admirei a vida
inteira.
Millôr Fernandes confessa e ensina a conhecer o
velho Braga em 20 lições, entre elas:
1 - EXCEÇÃO Há mulheres tão lindas e estranhas que só
acontecem pela madrugada em um grande aeroporto internacional. 5 -
ATRAÇÃO Nunca precisei usar sistematicamente o bonde Praia
Vermelha, mas sempre fui simpatizante. 11 - FÉ Glória ao
padeiro, que acredita no pão. 14 - OUTSIDERS Eu e o Oceano
Atlântico fazemos algum ruído e funcionamos fora dos horários civis.
18 - TENTAÇÃO Nesta varanda alta, sobre os veículos e os
transeuntes matinais, tenho a vontade insensata de fazer um discurso.
anotado em 11:06
Pitacos:
Domingo passado completaram-se 10 anos do falecimento de Rubem
Braga, e segunda-feria, os 20 anos de Mané Garrincha.
"Se há um Deus que regula o futebol, esse Deus é sobretudo irônico e
farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de
tudo e de todos, nos estádios. Mas, como é também um deus cruel, tirou
do estonteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que
ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as
tristezas voltam, e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um
novo, que nos alimente o sonho." (Carlos Drummond de
Andrade)
Ontem também será lembrado pela morte de Al
Hirschfeld, provavelmente o maior
cartunista do mundo, aos 99 anos de idade e ainda desenhando. Uma
vela virtual para ele. anotado em
08:53
Pitacos:
Coisas que eu ouço: - Por increça que
parível... anotado em 07:30
Pitacos:
O importante é manter A mente quieta A espinha
ereta E o coração
tranqüiiiiiiiilo... anotado em 07:30
Pitacos:
20.1.03
O brilho e a cor duram
semanas! anotado em 16:14
Pitacos:
Osama pela primeira vez
(Em vista do
início cada vez mais próximo da declaração de guerra dos EUA contra o
Iraque, vai a republicação desta memória distante.)
A
primeira vez em que ouvi falar em Osama bin Laden não faz 2 anos. Fui
num almoço na casa da mãe de um amigo meu, e lá pelas tantas, depois
daquela conversa fiada digestiva, o padrasto dele, baiano, chama a gente
para ver uma coisa que tinha feito no computador. Mostrou uma foto do
Osama bem jovem, aquela cara de pancrácio, turbante e tal. "Com quem
parece?" Sem dúvida, era os cornos cuspidos do Caetano Veloso. Deu para
sacar o que vinha dali, uma vez que o cara odiava Caetano. Aí mostrou
uma capinha de CD a que ele se dado o trabalho de fazer, a foto do Osama
lá no meião, e por título: Taliban / Caetano Veloso.
Impressionante como casava bem. Taliban, Itapuã, nome de coisa baiana.
Experimentem dizer com sotaque baiano: Taliban. Lógico que a essa
altura a turma já rolava de rir. Tinha mais: ele contou que estava
pensando em escrever debaixo da foto: "gravado em Londres, 1969-1971" --
o período do exílio! Não deu para agüentar. Enfim, foi a primeira vez em
que ouvi falar de Osama bin Laden. Cada um tem as lembranças que
pode. anotado em 16:13
Pitacos:
17.1.03
Artur Vecchi manda avisar que está rolando um
concurso de contos, com direito a prêmio, sobre a
aventura de Call of Cthulhu narrada aqui. Para quem não sabe,
Call of Cthulhu, além de nome de um conto, é um
RPG baseado no universo de H.P. Lovecraft, onde a tônica das aventuras é
investigação, suspense e terror ambientados na década de 20, ou seja, o
universo ficcional daquele escritor.
anotado em 12:49
Pitacos:
Napoleão Salvadorenho El Salvador McNamarra qualifica como "divertido
caminhão de bobagens e absurdos" meus argumentos em defesa da nobre
nação belga, sem ao menos se dar o trabalho de contestá-los. Não poderia
se esperar muito de quem classifica como país o Piauí e Aracaju.
Depois dessa inequívoca demonstração de ignorância geográfica, creio não
ser mais necessário estender a discussão. E depois eu é que tenho
insanidade
mental! anotado em 12:42
Pitacos:
Quer saber o patrimônio daquele deputado safado? Quer ver a
declaração de bens daquele senador pilantra? Faça você mesmo o Controle
Público. anotado em 12:39
Pitacos:
A Short History of America: Robert Crumb conta apenas
com imagens o que se passou em 5 séculos. Coloridos os quadros e
justapostos em sequência, dão um belo pôster. Ao menos dá para ver como fica animado. O documentário Crumb começa com o
próprio projetando slides em uma palestra, na qual cita alguns famosos
desenhos que nem todo mundo sabe que são dele. Nesse sentido, Crumb é
uma espécie de Ziraldo norte-americano, seus desenhos se tornaram parte
do universo visual coletivo. Imagens como Keep on Trucking, pirateada como adesivo e placa de carro;
Stoned
Again, estampada em camisetas; Devil Girl (acho que era uma marca de chocolate); a
capa de Cheap Thrills, disco de Janis Joplin, ou do número 1 da
Zap Comix. Na década de 90, já respeitado, fez para a New Yorker uma
capa parodiando a versão original de James Thurber. Entre as
inúmeras capas de disco e de revistas, álbuns, trading cards e logotipos que desenhou, meu
predileto é o do disco Harmonica
Blues. anotado em 12:38
Pitacos:
16.1.03
[Timothy] Leary once told me that he thought that the
best single piece of advice he could give to a writer was to either
write stoned and edit sober, or vice versa.
Aprendendo a escrever? Desbloquear a criatividade? William Gibson dá as dicas:
And then there is the matter of “state-specific learning”, wherein
skills acquired in an altered state prove difficult, even impossible, to
import to an unaltered state. This can be a problem, should one find
oneself for some reason unable (or perhaps, eventually, unwilling) to
alter state. I suspect that this, more than anything else, accounts for
much of the (Western) mythology of drugs and creativity. If you learn to
write on drugs, you might find that you feel you need drugs in order to
write. anotado em 10:59
Pitacos:
Rébus, o passatempo predileto da Recreativa, uma
dica do Foresti. Tem mais aqui. Falando nisso, a solução desse é: pata ma
rins u pêra vel = patamar
insuperável. anotado em 10:50
Pitacos:
Cris Dias está voltando! E isso não seria menos
notório, por ele ser o criador do Toplinks e do Idearo, se não fosse a
sincronicidade com outros bloguistas expatriados que decidiram por fim
aos seus exílios por agora -- Marcelo Träsel (do Martelada) voltou de uma viagem de não sei quantos
meses na Europa depois da eleição do Lula, e Danilo Amaral,
apesar de ainda escrever de NY, sentiu o mesmo banzo durante suas
férias. Serão os ventos dos novos
tempos? anotado em 10:44
Pitacos:
15.1.03
De onde menos se espera "Foi Paul Auster
quem me disse - há anos - que Bye bye Brasil foi um filme de
fortíssima inspiração e 'libertação' para a sua literatura e que ele
jamais teria escrito New York trilogy se não tivesse visto o
filme inúmeras vezes." (Gerald Thomas, em sua coluna dessa semana no
Jotabê). anotado em 14:25
Pitacos:
Calça da Gang Toda mulher quer Noventa
reais Para dar problema de
coluna! anotado em 14:21
Pitacos:
Fazendo a ronda 1) Catarro Verde
comemora dois anos com soneto do Glauco Mattoso.
2) Bruno Garschagen anuncia a morte de Vertigem para o
fim do mês. Ainda dá tempo de ler os textos sobre Nelson Rodrigues,
Thomas Hardy e John Fante -- e protestar!
3) Luiz N divaga sobre a qualidade onomatopaica do
blog no inacreditável 1001 Pequenas Histórias, mais uma alternativa a que o
formato diário se presta.
4) Mas mesmo assim milhares de paulistas invadem suas praias no
verão. Paulistas são como seus ancestrais bandeirantes, vão tomando tudo
o que vem pela frente. Trazem modernização e instauram ocupação
produtiva. No meio do caminho, claro, vão destruindo tudo o que já
estava por lá, em perfeita harmonia estática. Mas acho que sei porque
gostam tanto da capital catarinense: não se vai a uma praia sequer em
Floripa sem um motor traseiro sobre quatro rodas. Um prato cheio pra
paulistano.
Danilo
Amaral fecha a tampa das suas férias e observa o sentimento geral da
nação:
Acho que a questão é outra. O medo agora é que está menos
assustador. Continua aparecendo no escuro, é verdade, mas pelo menos não
chega de surpresa e vai logo avisando o que vai fazer. Causa menos
terror.
5) Mais um soneto, o que Alexandre Soares Silva mandou hoje, dei-me ao trabalho
de conferir: com métrica e rima! Em decassílabos!
6) Mario AV ainda
ocupado com a "faxina na casa e nos bits", fala sobre as limitações do meio: Escrevo cada
vez menos nos blogs porque restam poucas coisas que julgo importantes o
bastante para advogar ou combater. Sobre a personalidade do autor, é
muito difícil deduzi-la do blog. Na minha experiência pessoal, as
pessoas são mais interessantes, amáveis e divertidas do que aquilo que
escrevem. Por isso é até prudente dar um desconto e não se aborrecer
com a primeira coisa que vê.
anotado em 14:17
Pitacos:
14.1.03
Agora ninguém pode reclamar que não entendeu: animação em
java demonstrando o teorema de
Pitágoras. anotado em 13:42
Pitacos:
Aspas para Claudio Julio Tognolli: "A
grande perversão da tecnologia é que as pessoas não têm mais tempo para
realizar o que estão fazendo. Os piores agentes disso são os jornalistas
que, às vezes até inconscientemente, estão ajudando a construir um
fantasma ou satanizar uma categoria, cuja satanização o jornalista não
tem idéia a que serve. O importante é que ele foi dormir e fechou
tudo."
"Com uma linguagem reduzida e com conceitos rígidos, você programa as
pessoas pela linguagem, pela repetição. Diminuir o universo simbólico
das pessoas, isto é, a linguagem, significa encolher a capacidade de
elas verem os conceitos entre aspas. Daí é que vem a intolerância."
"Liberdade de imprensa é liberdade de
empresa." anotado em 13:39
Pitacos:
Ghost World, o quadrinho, é sobre a degeneração da
amizade entre duas garotas na transição para a idade adulta, é a procura
de referências sólidas às quais se pode apegar para amadurecer num lugar
cada vez mais anódino, insípido, inócuo -- um mundo fantasma. À
medida em que vêem a infância ser dragada cada vez para mais longe,
Enid e Rebecca tem que encarar novos problemas, a
separação que uma faculdade causaria e a pressão dos exames para
ingressar lá, uma atitude mais responsável em relação aos próprios
sentimentos, e finalmente, uma reformulação no modo como vêem esse novo
mundo, sob pena de não encontrarem lugar para si nele. É Daniel Clowes em plena forma narrativa, irretocável em
diálogos, elipses e hachuras, até mais do que na obra-prima Like a
Velvet Glove Cast in Iron.
Ghost
World, o filme, é a completa revisão da Hq para um roteiro onde se
introduz um personagem masculino preponderante na trama (Steve
Buscemi, escolha default), diminuindo-se sensivelmente a
participação de Rebecca e movendo-se o foco de sua relação com Enid para
a de Enid com Seymoure, o personagem de Buscemi. Que, aliás, não
deixa de ser um acerto de contas dramatúrgico, já que ele é uma mistura
das figuras reais de Terry Zwigoff, do próprio Daniel Clowes e de Robert
Crumb (o último, sujeito de desconcertante
documentário dirigido por Zwigoff): misantropos, anacrônicos, cada
vez mais perdidos na falta de cara da America corporativa. É como
se eles quisessem mostrar o outro lado de um conhecido arquétipo do
cinema hollywodiano, o loser. É sobre desilusão, sobre a
falta de referenciais sólidos num mundo de redes de café, lanchonetes e
cinemas multiplex, onde a sensibilidade pessoal tem que abrir
espaço à foice para se expressar -- mesmo num curso de arte. É sobre a
dificuldade de encontrar lugar para si num novo mundo, sob pena de se
tornarem invisíveis, fantasmas. É a ótima interpretação de
Thora Birch e Steve Buscemi, os diálogos de Clowes
(melhores do os de qualquer película da mesma época), a cenografia e os
figurinos que não deixam a sensação de tédio ser amenizada pelo
colorido. Expressa o mesmo zeitgeist depressivo, por exemplo, de
uma música do Nirvana.
Algumas curiosidades sobre o filme: - o roteiro adaptado concorreu
ao Oscar (e perdeu); - o restaurante Coon
Chiken Inn, cujo cartaz Enid leva para a exposição, realmente
existiu nos E.U.A., mas nunca mudou de nome, tendo fechado em
1959. - Os retratos à mão livre que Enid desenha foram feitos por
Sophia Crumb, filha de Robert. - o disco
que Seymoure desaconselha Enid a comprar é do Cheap Suit
Serenaders, conjunto de blues e folk no qual R. Crumb
e T. Zwigoff tocam nas horas vagas. Se não fossem eles dois quem são,
seria o caso de usar o clichê "projeto
paralelo"... anotado em 13:35
Pitacos:
13.1.03
Estooooooopa! Lembro de uma época, não faz muito,
uns 2 anos atrás, em que o ânimo nacional andava em baixa. Estagnação
econômica, a seleção perdendo para Honduras, tava difícil melhorar o
humor. Nessa época o Guga voltou a ganhar, ganhou uns 3 torneios e no final
do ano ainda levou a "copa do mundo" de tênis. Um comentário
inesquecível foi feito pela Mariana
Newlands: agora o Guga é o meu time, só torço por ele. Lembro
disso sempre que o vejo ganhando um torneio, ainda mais logo no começo do
ano. anotado em 12:48
Pitacos:
Caiu a obrigatoriedade do diploma para tirar registro
profissional em jornalismo. Claudio Tognolli, com mestrado e doutorado na USP,
declarou em entrevistas ser contra essa obrigatoriedade, onde dizia que
a parte técnica da profissão se aprende em 6 meses. Não vai ser
isso a resolver o problema da má formação jornalística na imprensa, mas
ao menos acaba-se com a chance de se formar mais um curral. E ainda
bem que eu não fiz faculdade de jornalismo, hehehe...
anotado em 12:38
Pitacos:
12.1.03
- Cala a boca, blogueiro! A primeira vez que se
ouve isso numa discussão a gente nunca
esquece... anotado em 20:54
Pitacos:
10.1.03
Justo o Tintin teria sido inspirado na figura de um priápico romano?
anotado em 12:39
Pitacos:
"Automation can achieve so much in so many areas of work
that managers are tempted to think they can automate everything. But the
most important aspects of work are the hardest to automate."
... "Computers are fine, in their place; but their proper place
is at the edge of a healthy distribution of clutter."
Na próxima vez que alguém vier reclamar da pilha de papéis na sua
mesa, indique este texto (dica do Cris Dias).
anotado em 10:21
Pitacos:
Outra coisa que eu soube só lá pelos 45 do segundo tempo é
que estou a apenas 2 graus de separação do Dalai Lama. O que
significa, por corolário, que todo mundo que me conhece está
automaticamente a (pelo menos) 3 graus
:) anotado em 10:19
Pitacos:
O bilhete para a estagiária seria quase um hai kai,
não fosse a quarta linha a quebrar o pé do verso:
Não tive saco. Meu micro deu pau. Não tenho
tempo. Já sabe para quem
sobra.
anotado em 10:16
Pitacos:
Fazendo a ronda (atrasado): 1) Ricky Goodwin publica o seguinte desmentido acerca da
governadora eleita: A Governadora do Rio de Janeiro, Rosangela
Matheus, desmentiu junto a este blog0news que tenha recomendado a todas
as repartições públicas que adotassem como calendário oficial a edição
do Corpo de Bombeiros, Heróis do Rio, com fotografias de 12 bombeiros
bombados. Dona Rosângela acrescentou estar ciente de que não se deve
confundir preferências pessoais com a ordem pública.
2) Tiago Teixeira lista os melhores filmes de 2002. da
seleção dele, eu só trocaria Ocean's Eleven (que não vi) por
Cidade de Deus.
3) Eu achava que a melhor do John Lennon era aquela carta que ele
mandou com o abecedário no verso em resposta a um leitor que
escreveu-lhe pedindo que ele lhe respondesse dizendo alguma coisa, até
ler esse trecho de entrevista que o Freddy publicou.
4) Julio Lemos comenta o que conservam os conservadores e
porque não se deve ceder ao Zeitgeist.
5) PC Barreto critica, faixa a faixa, o CD Tudo a Ver,
com trilhas sonoras de aberturas de programas da Tv Globo.
6) Alex Maron dá a dica de um quadrinho do qual já me
falaram muito bem, e que ainda não li: 100
Balas. anotado em 10:14
Pitacos:
9.1.03
Mundo Fantasma Ler uma história de [Daniel] Clowes
é como tomar uma aula de pessimismo. Às vezes eu fico com a impressão de
que ele é uma pessoa do tipo que renomeia os arquivos que vai apagar com
o nome de seus inimigos só para poder ter a satisfação de clicar no
botão do “sim” quando o computador perguntar “tem certeza que quer
mandar Fulano de Tal para a lixeira?”. Num dos primeiros números da
Eightball, Clowes fez uma história chamada “I hate you deeply”,
em que se resume a listar todos os tipos que fazem sua taxa de lítio
baixar. Depois, numa tentativa de se redimir, tentou “I love you
tenderly”. Conseguiu achar assunto para falar bem por uma página e meia,
depois pediu licença, disse que tinha esquecido alguma coisa na história
anterior - e soltou mais veneno.
Daniel Clowes é o cara. Enfim vi Ghost
World. Já conhecia o quadrinho, tanto quanto Like a Velvet Glove Cast in Iron. Merece um texto
maior, mais aprofundado; por enquanto, vão os
links. anotado em 11:10
Pitacos:
Mas o que eu queria mesmo é ter -- somente uma
parcela seria suficiente -- a verve e o senso de típico do Tom
Wolfe para poder escrever um artigo brilhante sobre a primeira noite do Humaitá Pra
Peixe, para caracterizar definitivamente o público e os artistas que
vão nesses lugares, onde seria preciso pouco talento além do necessário
para descrever, nos mínimos detalhes, exatamente o que se vê
ao redor. Por enquanto, tenho que me contentar com parágrafos envelhecidos assim:
...tanto o CEP 20000 (e seu filhotinho ainda mais infame,
CEP 20mílsica) quanto o Humaitá Pra Peixe conseguiram, ao
longo dos anos, além da sobrevivência, notoriedade suficiente para
amealhar colunas em jornais de grande circulação & outros
indicadores de confiabilidade e respeitabilidade. Se a causa disso foi a
qualidade dos experimentos conduzidos no laboratório ou o imenso
hype explorado em cima do déficit cultural da classe média e da
fome da indústria do entretenimento por novidades, feito por gente que
entendeu timtim por timtim as teorias de Antonio Gramsci, aí já fica
mais difícil afirmar. anotado
em 11:01
Pitacos:
8.1.03
Mariana Newlands A primeira vez que eu ouvi falar
nela foi no blog Cortina. Fiquei um pouco chateado, porque era bom e
tinha acabado de acabar. De vez em quando pintava alguma coisa nova na
Clarabóia, mas
rareava. Era começo de ano e ela dizia partir para novos
projetos. Mais ou menos nessa época acho que também a vi tomando um
chopp no Dia Internacional do Bracarense. Depois, sumiu até o fim
do ano passado, quando seu nome apareceu de novo associado ao Multi-uso, um
daqueles blogs em que os leitores é que escrevem. Hoje,
enfim, descobri o que ela tinha feito neste meio tempo: o
photolog Photo du jour, um diário visual rodado principalmente
no Rio de Janeiro, com incursões ao interior e
à Bolonha. Formidável, uma beleza seu olhar para
detalhes. Ao que parece, ela anda gostando tanto da encarnação
fotógrafa/ilustradora, a ponto de invadir a sala da casa, ou no caso,
seu domínio principal: Interlúdio.
anotado em 08:26
Pitacos:
7.1.03
Caro Rafael Vc se esquece de citar o meu finado
orientador de mestrado, Timothy Leary, o pai da memética, muito mais que
o Dawkins,
foi o comentário do Claudio
Tognolli naquele artigo
sobre neurociência.
Sai dessa agora, malandro. Quem manda ficar se metendo a escrever
difícil sem ter lido o que devia. Tremenda saia justa: eu não tinha a
mínima idéia da importância do Leary, até então pouco mais do que "o
guru do LSD", para esse campo do conhecimento. O único jeito era abrir o
jogo:
Caro Claudio, O problema é que, certamente por ter cunhado o
termo meme, a maioria das referências acaba sempre apontando para
Dawkins, mais do que qualquer outro. Não li o livro que você escreveu e
conheço poucos trabalhos do Leary nessa área, mas topo escrever uma
coluna restaurando a relevância do Timothy se você me der o toque do
caminho das pedras.
Íncrivel o que se consegue quando se é franco e honesto. Claudio
Julio Tognolli não só mostrou o
caminho como ainda levantou algumas pedras para que eu pudesse ver o que
tinha embaixo. Seguiu-se uma rica troca de mensagens, a
biografia do Timothy Leary, a difícil leitura de Sociedade
dos Chavões (por causa do meu parco conhecimento de psicologia e
psicanálise, que tornou alguns capítulos indecifráveis), além de uma
excursão atrás do elo perdido da memética. Nesse meio tempo a página do
Tognolli foi ao ar -- e necas deu escrever o tal texto me retratando.
Essa notinha também é uma mea culpa, se não me eximindo da
tarefa, ao menos reconhecendo publicamente uma dívida. Começo de ano em
geral é época de resoluções, mesmo as que nascem para amarelar na
parede, então vamos ver se nesse ano consigo juntar as idéias. Nem que
tenha que fazer uma tese de mestrado para
isso... anotado em 10:51
Pitacos:
Krazy Kat, raridades: 1, 2, 3 e 4. Tem também a página
oficial. anotado em 07:47
Pitacos:
Porque esse negócio de tradição oral sempre me
pareceu coisa de atriz de filme
pornô... anotado em 07:43
Pitacos:
Tudo se resume a troca de informação? É só
impressão minha ou a biologia anda fornecendo todas as, senão melhores,
mais frequentes analogias para a disseminação dos meios de comunicação
de massa, especialmente a internet? Volta e meia me deparo com algum
texto em que o comportamento humano provocado por novas tecnologias, ou
a dinâmica das informações, ou ainda sua combinação -- as alterações que
computadores, PDAs, telefones celulares, etc. causam na maneira como
processamos informações -- sempre parecem ter par em algum processo
biológico. Ora é o barateamento das mensagens digitadas sobre mensagens
de voz em telefones celulares que criou as chamadas "smart mobs", ou seja, grupos de pessoas sem uma chefia
definida que se comportam como um bando; ora são os memes, comparados a vírus; ora o próprio Google é visto como o
meio ambiente, enquanto o uso de grupos de discussão, fóruns e weblogs
comunitários é entendido como estigmergia... Afinal, seriam essas as alterações
neurais previstas por Marshall McLuhan com o surgimento da aldeia
global: passarmos a nos comportar como formigas? Ou trata-se
simplesmente de uma mudança de conceito, como Kevin Kelly colocou em seu artigo para a Wired: "Biology, that pulsating
mass of plant and animal flesh, is conceived by science today as an
information process", (grifo
meu)? anotado em 07:41
Pitacos:
6.1.03
Brindemos: hoje é aniversário do Bar Luís. Cento e
quantos anos? anotado em 10:50
Pitacos:
3.1.03
Em 1995, certamente comemorando os 100 anos do Yellow
Kid, data tida como a inaugural do que se entende hoje por histórias
em quadrinhos, foi lançada uma exemplar coleção de
selos de personagens clássicos pelo U.S. Mail. Item de
colecionador. anotado em 13:19
Pitacos:
Flechada Quando descobri pelo mapa que o Código de
Hamurabi encontrava-se naquele museu, não perdi mais tempo. Já tinha
visitado todas as alas, já tinha visto todos os quadros e esculturas que
haviam sido me recomendados como imperdíveis, agora era a hora de
ajustar as contas com a curiosidade. Localizei a foto no mapa, tracei um
caminho mental e rumei decidido. É claro que não pude chegar de
primeira, pois várias salas por onde deveria passar estavam fechadas,
então tive que retraçar o trajeto por meio de atalhos, que
invariavelmente compunham-se de relíquias contemporâneas ou conterrâneas
do Código de Hamurabi. E enquanto ia me esquivando de qualquer coisa que
pudesse desviar minha atenção, quase sem querer, eu vi. Pequena, agora
penso como poderia ter passado desapercebida... A mesma escultura do
escriba, assíria? Babilônica?, cuja foto eu vira incontáveis vezes em
livros de História primitiva. Um escriba sentado, com as mãos
entrelaçadas, barrete na cabeça, meio sorriso no rosto e olhar
enigmático. Eu o conhecia como um amigo de infância -- sem nunca tê-lo
visto de perto. Toda uma vida imaginando seu tamanho verdadeiro,
proporção, a textura da pedra negra onde fora esculpido, as rachaduras
trazidas pelo tempo, sua cor. Uma quantidade imensa de neurônios
empregada na terrível tarefa de concebê-lo mentalmente, de formar um
modelo mental que traduzisse fidedignamente aquela escultura, tudo indo
por água abaixo na distração de um olhar. Foi como se um pequeno vácuo
tivesse se formado em algum lugar da minha cabeça. Todo aquele esforço
mental subitamente sendo trocado por uma mera imagem, no entanto mais
real e verdadeira do que qualquer fotografia colorida impressa pudesse
transmitir. Uma quantidade enorme de informações prontamente
zipada, liberando de volta os neurônios para novas funções, já
que eu não precisava mais imaginar, conceber, criar modelos
mentais -- eu tinha visto e sabia como era. Pois é,
quando te conheci foi uma sensação parecida. Só que em relação a algo
muito maior -- a gente. A tudo.
Foi como tomar uma flechada no meu
inconsciente. anotado em 13:12
Pitacos:
É duro ser estátua Depois da estátua do Drummond, mais um mineiro, Otto Lara Resende, a quem Nelson Rodrigues dizia que
deveriam colocar um taquígrafo permanentemente em seu encalço para
anotar suas tiradas, ganha estátua. Vem se juntar ao Noel Rosa (em Vila
Isabel), ao Zózimo (no final do Leblon) e ao Pixinguinha, no
centro. anotado em 08:20
Pitacos:
E seguindo o desagradável costume, depois da euforia da inauguração vem a dureza da
realidade. anotado em 08:10
Pitacos:
2.1.03
Em determinada quinta-feira de dezembro de 2002, Caio Mourão saiu de seu refúgio em Iguaba Grande para
lançar um livro -- Prata da Casa -- com as crônicas e
memórias que andava escrevendo para um jornal da região dos lagos
fluminense. Caio é um dos, com o perdão da palavra, sobreviventes
da Ipanema clássica de Ela é Carioca em mitológicas histórias. Na mesma
noite, a várias quadras dali, Wagner Carelli e Sônia Nolasco lançavam os
primeiros volumes de uma nova editora, entre os quais
a reedição de dois romances de Paulo Francis, outro personagem daquela
Ipanema, que não sobreviveu. E no bairro vizinho, discretamente, era
lançado O Futuro da Psicanálise, coletânea de artigos com
participação do várias vezes citado aqui Luiz Sérgio Coelho de
Sampaio. anotado em 11:16
Pitacos:
"Mas que é estranho ver o Gilberto Gil de paletó e gravata,
é." Franklin Martins, comentando a posse. Grande parte do
possível sucesso de Gil em seu mandato consistirá em saber interpretar
corretamente a seguinte máxima de Tia Zulmira, a sábia macróbia: "Nem todo crioulo
dançando é folclore." anotado em 10:51
Pitacos:
Cheio de gás na primeira ronda do ano: 1) Andei
atrás de soluções para o entupimento
que esse quase diário passou recentemente, que se resolveu antes de
qualquer solução se avizinhar. Assim mesmo eu havia recebido uma dica
tiro-e-queda à qual o Cris Dias também chegou, por vias outras. Fica aí para
quem tiver o mesmo problema:
De vez em quando meu "Ver Código Fonte" no Internet Explorer
resolve parar de funcionar. (...) Basta limpar os arquivos
temporários (cache) do Internet Explorer. (Tools -> Internet Options
-> Delete Files, na versão em inglês). ... acho que o sentido é algum
site pentelho que desliga a opção de ver o código fonte e o IE acaba se
enrolando na volta.
2) "Quem vive de aspirações é camareira de hotel", mais uma pérola do abecedário Haroldinho,
listando resoluções pessoais e profissionais de ano novo.
3) Conservador, sim, mas não míope. Pelo menos não tão míope como
várias vozes que se expõe, sobretudo na internet, como detentores da
Verdade, como defensores da Nova Velha Ordem e que, entre outras coisas,
pregam a “tradicional exclusão social”. De modo algum presunçoso, capaz
de reduzir uma obra como a do intelectual Isaiah Berlin a uma “tragédia
que só deu frutos nesta árvore podre chamada Brasil.”. Não, eu não faço
parte desta corja.
Paulo Polzonoff dá nome aos bois ao
abrir fogo contra a "direita festiva". Taí, essa eu quero ver. Espero
que Martim Vasquez ou algum dos demais citados responda.
4) Let's vamos listar sites com fontes, para os
tipófilos de plantão. anotado em
10:45
Pitacos:
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