31.10.02
Tarot do
Charlie Brown e Snoopy. anotado
em 22:46
Pitacos:
Depois disso, achei que podia encerrar a série, mas isso aqui não pode ficar de fora:
Se alguém quer matar-me de informação, que me mate na capital do
Azerbaijão.
Arigato, Kazi. anotado
em 22:44
Pitacos:
Não encontrei em nenhum lugar uma noticiazinha que
fosse sobre o falecimento de Ferdy Carneiro, que se você não
conhece nem adianta eu dizer, que não vai entender qual a importância
dele. Pelo menos, durante a busca, a gente pode se deparar com os textos do Caio Mourão, amigo do
Ferdy, falando sobre um tempo e um lugar que me são mais difíceis de conceber do que a
Idade Média. Um aperitivo:
Houve um acontecimento neste apartamento que ficou famoso e
conhecido com “48 horas de Caio Mourão”. Tínhamos saído do Janga
(Jangadeiro), Sergio, eu e umas quatro pessoas e fomos tomar a penúltima
lá em casa. Só que esta penúltima durou dois dias, sempre aparecia uma
outra piada, ou alguém dedilhava uma música melhor no violão e íamos
ficando, a uma certa altura já com colaboradores, pessoas que passaram
por lá e aderiram. anotado
em 22:38
Pitacos:
Depois do mais antigo blog do mundo, agora o NoMínimo leva
para a rede os diários de Antonio Maria. Ah, se tiver pelo menos um parágrafo,
unzinho só como aquele -- que começa com brasileiro: profissão
esperança -- já valeu à
pena. anotado em 22:30
Pitacos:
Acho fundamental para um arquiteto saber desenhar, o
figurativo inclusive. É ao desenhar, ao fazer seus croquis, que ele
geralmente chega à solução procurada. De um simples croqui, surge uma
casa, um palácio, uma figura de mulher. (Oscar Niemeyer)
Falando nisso, não, eu não sou
arquiteto. anotado em 09:24
Pitacos:
Sentaram a estátua do
Drummond em frente à praia. Vem a se juntar à do Zózimo, no canto da praia do Leblon, ao
Pixinguinha, na Travessa do Ouvidor, e ao Noel Rosa, como não podia deixar de ser, em Vila Isabel, no
Boulevard 28 de Setembro. Ou seja, as chamadas boas
companhias. anotado em 09:22
Pitacos:
30.10.02
Como se não fosse ironia suficiente ter feito Lula com
arroz de brócolis para o almoço de segunda-feira, o cozinheiro ainda
deu-se ao luxo de apresentar este prato como opção ao principal.
Aconteceu mesmo! anotado em 17:38
Pitacos:
Mais legal do que confirmar, em Missão Cleópatra, que Gérard
Depardieu nasceu para ser o Obelix no cinema, é descobrir entre os
créditos Tanino Liberatore como o costume designer.
Liberatore, aquele, do RanXerox. anotado
em 17:36
Pitacos:
29.10.02
Página a página, a primeira história das Tartarugas
Ninja. anotado em 09:45
Pitacos:
Oração para Drummond Angelus Drummond Carlos,
monacho et eremita urbanus: ensina-nos a recusar, em silêncio e em
sigilo, o prêmio e o aplauso. Ensina-nos a viver no mundo sem ser
mundanos. (excerto da litania final na peça Os Órfãos de
Jânio, de Millôr
Fernandes) anotado em 09:42
Pitacos:
"[Archie] Moore era para o boxe o que Nimzovitch
tinha representado para o xadrez (É desnecessário dizer que
[Muhammad] Ali era capaz de proporcionar um paralelo
considerável com Bobby Fischer, quando se tratava de arrancar o
oponente de dentro da pele)." (trecho de A Luta, Norman
Mailer, em tradução de Cláudio W.
Abramo) anotado em 09:39
Pitacos:
O arquiteto e o engenheiro A troca de
cartas entre Oscar Niemeyer e seu engenheiro calculista, José Carlos
Sussekind, vinha recheada de promessas em seu bojo: simular o que
teria sido a correspondência nunca iniciada entre Niemeyer e Joaquim
Cardozo (o calculista anterior); escrutinizar a notória falta de
funcionalidade da arquitetura de Niemeyer (O MAC de Niterói não tem
espaço para guardar seu acervo, as salas de aula dos CIEPs não tem
isolamento acústico, alguns prédios de Brasília ou são abafados ou mal
iluminados), isso se o leitor tivesse a histamínia para ultrapassar as
loas a Fidel, "amado por toda parte", porque "fez a revolução, um
exemplo para todos nós", a Prestes, "exemplo mais perfeito de dignidade
e patriotismo", ao "passado de luta" de Stedile e Brizola, a quem
"devemos recorrer", às queixas relativas à "campanha existente contra
Stalin", "grave e difícil de conter" ou a sua assinatura, ainda que
constrangido, num manifesto em apoio à guerrilha colombiana (ligada ao
narcotráfico). Trata-se de um daqueles diálogos arquetípicos entre duas
personalidades antagônicas -- criador e executor,
dionisíaco e apolíneo, radical e ponderado
-- que, no entanto, se completam.
A coerência política de Niemeyer torna-se mais decifrável à luz do
perfil psicológico que se emana na leitura das cartas. É a mesma
imobilidade de convicções que o faz rejeitar o dogmatismo da
escola Bauhaus, ou dos ideais de beleza clássicos, preferindo buscar
inspiração nas formas sinuosas da paisagem e da natureza -- "o que eu
não concordo é com as regras que então se estabeleceram como
controladoras da beleza, como as de regularidade, simetria, seção de
ouro, etc. A beleza de uma obra de arte não pode ser apreciada em função
de números, mas sim pela força criativa que a deve caracterizar." -- que
se manifesta na afirmação marxista do homem como instrumento capaz de
reverter as desigualdades sociais a partir de movimentos
revolucionários. Ou seja, sempre o apego ao básico, ao despojado, ao
informal: "Já me cansei daquelas fachadas [da Renascença
italiana] a se repetirem cheias de colunas e arcos, eu, que tanto
gosto de ver uma parede lisa, externa, branca, como em nossa arquitetura
colonial". Vivendo e envelhecendo ao longo do século XX, é compreensível
o crescimento do modo de ver a vida pessimista e materialista (no
sentido de agnóstico e ateu).
A Sussekind cabe não apenas o papel acessório de não deixar a
peteca cair; tem a responsabilidade de conter o sentimento de
"pessimismo que envolve e que a idade agrava" o velho arquiteto -- e o
faz com presteza, seja na pesquisa das Cartas da Inglaterra, onde prova
o teor anti-colonialista de Eça de Queiroz, seja nos trechos da
entrevista em que o ex-presidente Geisel mostra seu lado mais
nacionalista. Cabe a Sussekind uma particular bola dentro, quando
questiona a exagerada dimensão dos custos de implantação do Museu
Guggenheim no Rio (300 milhões de reais, contra os 5 que custou o
MAC), e observa um equívoco conceitual na sua futura localização:
"...querer considerar o local (a Avenida Rodrigues Alves) como algo
conceitualmente similar a projetos de reabilitação urbana executados em
Boston, Naltimore, Nova York e São Francisco...Nessas cidades...a área
utilizada era imediatamente adjacente...ao centro histórico ou a
região...de completa infra-estrutura urbana que...alavancava a
intervença urbana...no Rio...esta deveria ser...a Praça XV."
Premonitório em 9 de setembro, chega a manifestar "preocupação com o uso
poítico de seitas religiosas, transformando-as numa espécie de ovo da
serpente"
Sussekind conversa de igual para igual, trazendo à tona histórias
saborosas, como a da rápida construção do Sambódromo, quando "uma junta
prevista em projeto...chegou a ser interpretada...como uma perigosíssima
rachadura nas colunas, a traduzir risco imediato de ruína...", e foi
necessária uma prova de carga com barris cheios d'água para atestar a
segurança das arquibancadas. Motiva o debate e as lembranças sobre um
sem-número de projetos, desde a concepção às dificuldades de implantação
(Caminho Niemeyer, MAC de Niterói, Museu Nacional de Brasília, Igreja da
Pampulha, o Ministério da Educação). "É preciso não ter medo do
monumental, dizia Le Corbusier. Nunca recusei esse conselho", afirma
Niemeyer. Particularmente interessante também é o resumo que Sussekind
faz da evolução na arquitetura de templos católicos, por ocasião dos
cálculos da catedral de Niterói:
O domínio da cúpula criou as primeiras basílicas, sendo o limite
máximo arquitetural possível no primeiro milênio; os arcos ogivais,
acoplados às peças inclinadas de travejamento, trouxeram as
belíssimas catedrais góticas; a Renascença voltou às cúpulas
(tornando-as mais elevadas) e nos deu Florença e São Pedro; o
barroquismo pouco inovou, apenas enfeitou (?); o neoclassissismo gerou
coisas tão ruins quanto a hiper-brega Madeleine. Usando a imaginação e o
concreto...nos traz [a Catedral de] Brasília e agora, essa
nova [Igreja] pensada para Niterói
Nos momentos em que Niemeyer & Sussekind se
entregam a elucuborações descompromissadas sobre método
de criação, em que se evidencia a "boa relação que deve existir
entre o arquiteto e o engenheiro. Um, usando sua técnica em toda sua
plenitude; o outro, respeitando-a, mas livre para todas as suas
fantasias", é que esse modo de expressão que me é tão caro -- não me
refiro aqui às missivas, mas ao papo -- melhor se manifesta, como
na provocante discussão sobre o avanço técnico do Palácio dos Doges, em
Veneza, ou quando deixa fluir livremente a memória, em insuspeitado
conteúdo human na lembrança de uma dedicatória em um livro de sua estante, ou do
diálogo com os espanhóis que lhe solicitaram um projeto de mobiliário
urbano: - O senhor trabalha muito, não é? - É verdade. Devia
ter trepado mais e trabalhado
menos. anotado em 09:24
Pitacos:
28.10.02
Quando vi a figura do Dr.Megavolt brincando com eletricidade entre duas imensas espiras de Tesla no Burning Man, não
pude imaginar que o cara até contava sua história numa página da
internet! anotado em 16:55
Pitacos:
"Take Galactus and the Silver Surfer. On the one hand they
represent the father and the rebellious son, but to us they symbolized
all the terrible dread hovering over us in the 1960s, and the strange
mixture of idealism and power needed to stand up to the Establishment.
For kids with only an inkling of the Vietnam War and the resistance to
it, Galactus' tale seemed pregnant with hidden meaning. What was that
mind-blowing trip the Human Torch undertook to save Earth but a
consciousness-altering psychedelic experience?" O
resto está aqui. anotado em 16:35
Pitacos:
Do livro do Niemeyer e do Sussekind: "Um dia, fui
informado de que um colega nosso enfrentava dificuldades em Constantibe
e, ao encontra-lo, indaguei: Como vai a vida?, Tudo bem
disse-me. E as mulheres?, perguntei sorrindo. Duas,
respondeu ele, otimista, com dois dedos no
ar." anotado em 16:25
Pitacos:
27.10.02
Mais Drummond: Sou um poeta brasileiro, não dos
melhores, porém dos mais expostos à galhofa. O poeta é um ressentido.
Mas eu não serei o poeta de um mundo caduco. Também não cantarei o mundo
futuro. Meu verso é minha consolação e minha cachaça. Meus olhos têm
melancolias. Minha boca tem rusgas. De tudo quanto foi meu caprichoso
passo na vida, restará uma pedra que havia em meu caminho (famoso
verso seu). Tenho apenas duas mãos e o Sentimento do Mundo
(título de um de seus livros).
Carlos Drummond de Andrade foi homenageado em tema de
samba-enredo da Estação Primeira de Mangueira, efígie em nota de
50 cruzados e ganhou um depoimento detalhado e tocante
aqui. anotado em 23:05
Pitacos:
26.10.02
Algumas curiosidades para preparar a comemoração do
centenário de Carlos Drummond de Andrade:
- No começo da carreira jornalística em Minas Gerais, dentre os
vários pseudônimos com que assinava, havia este: Mickey. Em
homenagem ao ratinho de Walt Disney.
- No começo da década de 70, Henfil enterrava em seu cemitério dos
mortos-vivos toda personalidade que fosse abertamente favorável ao
regime militar. Depois, num surto de radicalismo, passou a enterrar
também qualquer um que não se posicionasse contra o regime, tipo:
Clarice Lispector. Quando decidiu enterrar o poeta mineiro, Ziraldo
protestou: "Endoidou!? Até o Drummond!?". O mineiro acabou poupado da
lápide com seu nome.
- A melhor paródia de um poema do Drummond é a turma de Casseta e Planeta: Mundo, mundo, vasto
munda Se eu me chamasse Raimunda Seria feia de cara mas boa de
rima anotado em 19:13
Pitacos:
Dedicatórias "Para o Carlinhos Oliveira perder no
primeiro botequim" (de Stanislaw Ponte Preta, no livro
Tia Zulmira e Eu. O botequim em questão foi o Zepelim)
"Querido Oscar, que negócio é esse de comprar livro meu? Com amizade
e admiração, Carlos" (de Drummond, no seu humor típico,
a Niemeyer)
"O papel é esta porcaria; a literatura não é muito
melhor" (Graciliano Ramos, na época do racionamento de insumos, na
II Guerra Mundial) anotado em
19:04
Pitacos:
25.10.02
Desde a ida ao Jardim Botânico não parei de pensar em como o
estilos arquitetônicos e decorativos art-nouveau e neo-classicismo se
integram bem à natureza; o primeiro, pela inspiração em formas e
texturas, em modo de homenagem/recriação; o segundo, pelo contraponto
entre a aparente confusão da exuberância natural e a rigidez dos padrões
clássicos de beleza. Não é de se estranhar que os jardins, onde
tenta-se, através de intervenção externa, organizar elementos daquele
(plantas, riachos, pedras) de acordo com as regras deste (simetria,
proporção, harmonia), tivessem ganho tanta importância nas moradias e
cidades ao longo da história. anotado
em 16:50
Pitacos:
Não contente em se chamar Cenoura Flamejante, ainda tem um enorme arsenal de
gadgets. anotado em 16:21
Pitacos:
Torcida politicamente uniformizada Acabo de
escutar na TV que uma rua de Curitiba será bloqueada para dar espaço às
“torcidas organizadas dos candidatos ao governo do Estado”. Precisa
dizer mais? Essa veio d'O Polzonoff anotado
em 16:12
Pitacos:
Jânio Quadros se elegeu presidente em 1960 com uma campanha
cujo símbolo era uma vassoura, na promessa de varrer a
corrupção neste país. Por mais que nossos olhos céticos de hoje se
recusem a admitir, não era palha dele: criou-se um sentimento de
expectativa real em todo o país em relação à onda de moralidade
alavancada (e surfada) por Jânio. Na peça "Os Órfãos de Jânio", escrita
por Millôr Fernandes em 1978, quatro personagens falam sobre como os
ocorridos da década de 60 interferiram em suas vidas; um deles é uma
funcionária pública fanática por Jânio, que transmite exatamente esse
sentimento quando conta que, logo depois da posse, o material de
escritório parou de sumir das repartições públicas. Não era exagero;
naquela época o acesso a bens de consumo era muito mais restrito, não
havia indústria e a prática comum entre certos funcionários da Pan
Air era o contrabando de relógios, isqueiros e coisas assim. Nas
primeiras semanas de Jânio em Brasília, como que por um passe de
mágica, essa prática simplesmente parou -- todo mundo temia que
acontecesse alguma coisa com quem fosse pego. Depois, aos poucos,
o ritmo se reestabeleceu. Na peça, a funcionária diz que, em outros
tempos, até ar condicionado estava sumindo. É de se perguntar se, quando
Jânio legislava proibindo briga de galos ou lança-perfumes, não estava
respondendo pessoal e diretamente ao péd d'ouvido desse tipo de eleitor.
Nesta eleição, pode-se dizer que uma maré sentimentalmental de igual
intensidade varreu o país, motivada pelo PT, alavancada pelo Duda Mendonça e
surfada pelo Lula,
criando espectativas talvez tão vigorosas quanto às de 22 anos atrás.
Resta saber o que vai acontecer quando as forças ocultas se
manifestarem. anotado em 16:09
Pitacos:
22.10.02
Eu fico muito contente em descobrir uma
notícia assim:
M.I.T. planeja disponibilizar o seu material didático
gratuitamente na rede.
O nome do projeto é OpenCourseWare@MIT, e inclui notas de
aula, resumos de curso e listas de leituras. Segundo o chairman
Steven Lermen, prover livre acesso à informação dos cursos "seguiria na
tradição do M.I.T. e das melhores escolas norte-americanas de livre
disseminação de materiais educacionais e inovações pedagógicas."
O presidente do M.I.T. Charles M. Vest adicionou, "vemos isso como a
matéria-prima que apoiará a educação globalmente, incluindo inovações no
próprio processo de ensino e aprendizado."
Estima-se que o custo,
ora em debate, de lançamento e manutenção de aproximadamente 2000
cadeiras em 10 anos de projeto OpenCourseWare seja de U$100
milhões.
Alguém aí ainda tem dúvida de que a informação deve ser livre?
Alguém duvida de que a informação precisa ser livre?
anotado em 14:26
Pitacos:
A grande manha é que a estrutura das lógicas do Sampaio -- lógica da identidade, lógica da
diferença, lógica clássica e lógica dialética -- é uma
perfeita lâmina de
Occam. anotado em 12:05
Pitacos:
É ruim, mas é meu Remexendo nos guardados,
encontro um fanzine de 1984 com entrevista de Monteiro Filho,
autor da primeira Hq de aventura seriada brasileira (e uma das
primeiras do mundo, já que Os Aventureiros da Atlântida foi
publicada em 1934) e ilustrador de suplementos jornalísticos.
Depois de longamente relembrar dos tempos de redação, Monteiro solta
essa:
Eu disse que venho de uma época em que o sujeito dizia: 'é ruim,
mas é meu'. Copiar era horrível.
-- Copiar não era escola, como hoje?
Tanto que o Jayme Silva, cenógrafo, era esculhambado por todo mundo
porque só copiava.
* * * No final da década de 70 a editora Vecchi
começou a publicar uma linha de quadrinhos de terror, inicialmente toda
composta de histórias estrangeiras traduzidas. Com o o.k. do
diretor, Ota, o
editor, começou a comprar páginas nacionais, primeiro de nomes já
consagrados (Flavio Colin, Julio Shimamoto, R.F. Lucchetti), depois, iniciantes
de talento. Menos de 3 anos depois a linha era composta de dois
almanaques bimensais de 160 páginas e duas revistas mensais finas -- e
totalmente nacional. É curioso, lendo as seções de cartas da época, ver
como a resistência incial dos leitores em relação aos desenhistas
brasileiros foi quebrada através da qualidade dos roteiros e
ilustrações.
Em qualquer entrevista que deu anos depois, Ota confessa que o
que permitiu o desenvolvimento daquela verdadeira fábrica de quadrinhos
(produziam-se 500 páginas por mês) foi o investimento em talentos
emergentes e o tempo de maturação -- nem todo desenhista nasce pronto
para publicar. Tivesse optado por ficar, confortavelmente, nos
estrangeiros, o desbrochar de nomes como Watson Portela, Mozart Couto, Cesar Lobo
demoraria muito mais tempo para acontecer, ou talvez nem aconteceria.
Aconteceu porque se optou por investir no que era ruim, mas era nosso. E
com o tempo, se tornou muito bom. E nosso.
* * * Não canso de lembrar do Monteiro Filho
e da linha de terror da Vecchi quando ouço certo tipo de
argumentação política que se resume em substituir o que é ruim, mas é
meu -- e com investimento e tempo, pode se tornar bom -- pelo
que pode ser bom, mas é tudo
igual. anotado em 11:59
Pitacos:
21.10.02
Stay Free! Magazine: mais munição contra as grandes
corporações & administração Bush; alguns artigos: as pataquadas do FBI no combate aos dissidentes; seis usos para um telefone celular; retrsopectiva histórica
da propaganda anti-propaganda (achei que faltou alguma
coisa da famosa série da Benetton, embora o tema não fosse exatamente
esse). anotado em 12:20
Pitacos:
Saudades da Esfera... anotado
em 12:14
Pitacos:
20.10.02
Odete Lara foi uma espécie de precursora, até por
causa da idade, de várias mulheres que marcaram a década de 60: Leila
Diniz, Regina Rozemburgo, Florinda Bulcão, e que serviram de
paradigma da geração seguinte. Assim, não é de se surpreender que uma
delas, Ana Maria Magalhães, tenha decidido transformar sua vida em filme. Há mil odetes em
Odete -- a atriz preferida do Glauber Rocha, a parceira de
Oduvaldo Vianna Filho, a cantora de Vinicius de Morais, a
aposentada que faz novelas na Globo, a estudante de budismo, a primeira
atriz a sair nua na capa de uma revista masculina, mas a que será
lembrada aqui é muito especial: a musa do Sig, o rato-mascote do Pasquim, que delirava
divertidamente em devaneios de paixão platônica por sua musa, em tiras
boladas por Ivan Lessa e desenhadas por
Jaguar. anotado em 20:45
Pitacos:
O céu que nos assusta Na segunda parte do volume
II da League of Extraordinary Gentlemen, Alan Moore
começa a mostrar a que veio, apesar da história ainda ter andado pouco.
O destaque evidente é a conversa íntima de Wilhelmina Murray e
Edward Hyde nas últimas páginas. Mr. Hyde comenta que o fato dela
ser a única pessoa a não demonstrar medo dele devia significar que ela
já tinha encontrado alguma encarnação do mal muito mais assutadora; Ms.
Murray apenas concorda, deixando os leitores a imaginar imaginando o que
não seria um téte-a-téte com Drácula. Voltando ao roteiro: as
primeiras naves espaciais começam a chegar de Marte, mas como ninguém,
na Inglaterra vitoriana, concebe a existência de vida em outro planeta,
fica difícil articular qualquer resposta. "I was just looking at the
sky... It just struck me that... well, that it won't ever be the same,
after this. It can't be. I always thought of it as something that
sheltered humanity, but now it frightens me, mr, Quartermain. It
frightens me." anotado em 20:42
Pitacos:
Às lágrimas Estava eu muito tranquilo fazendo a ronda dos blogs e preparando um link
para a letra do Hino de Júbilo ao Céu da Guanabara (já que não é bem
do meu feitio colocar aqui letra de música), quando, na mesma TelescÓpica, me
deparei com uma dessas coisas que resumem porque a gente continua
pondo tempo e energia nessas coisas:
Homenagem TelescÓpica Se alguém quer matar-me no
Grou*, que me mate na cara do gol.
*Grou é uma constelação do hemisfério austral, próxima ao Índio e à
Fênix.
A homenagem me foi tanto mais emocionante por não ser segredo para
ninguém que a série "Se alguém quer matar-me..." foi inspirada pelas
variações telescópicas em cima de "Não chore não..." (com a qual
colaborei), que atingiu memoráveis picos de hilariedade. Jean, Ale,
Leo, parabéns pelos 2 anos e que o nosso céu seja sempre muito
estrelado! anotado em 17:12
Pitacos:
Faixa sendo puxada por aeroplano na praia, manhão de sábado:
Vencemos! Eurico Não, Vasco
Sim anotado em 16:52
Pitacos:
18.10.02
Sorria! Verão de 66: recomendado por um amigo,
Timothy Leary vai ao encontro do professor Marshall McLuhan, em busca de
conselhos que lhe ajudassem na sua campanha em favor do ácido lisérgico,
ora em escrutínio na capa das principais revistas semanais (o LSD ainda
não era ilegal). Leary já tinha escrito artigos e feitos depoimentos
diante de comissões de inquérito. McLuhan saca de cara uma resposta: "A
chave para seu trabalho é a publicidade. Você está promovendo um
produto. (...) Associe o LSD a todas as coisas que o cérebro pode
produzir (...) Sempre que for fotografado, sorria. Para dissipar o medo,
você precisa usar a imagem pública. Acene para as pessoas para
tranquilizá-las. Irradie coragem. Nunca proteste ou apareça com raiva.
(...) Você deve ser conhecido pelo seu sorriso." De fato, é difícil
encontrar uma foto pública da época em que Leary não exiba um
fulgurante sorriso, o que mostra que ele aprendeu uma lição com McLuhan.
Ao que parece, Duda Mendonça
também. anotado em 16:17
Pitacos:
Beleza, então a boa do fim de semana vai ser o Lunário Perpétuo do Antonio
Nóbrega e depois pegar uma sessão de teatro de Pessoas invisíveis, a adaptação de Will Eisner para o teatro e mais o
que? O primeiro eu já vi quando passou no teatro da Uerj; ali do lado, no
Maracanã, estreiava Romário no Fluminense e deu para ouvir o urro da
torcida quando ele perdeu um gol. O segundo, eu li, em quadrinhos, pela
primeira vez, há exatos 10 anos.
Autenticidade tem preço? Antes que alguém grite: eu sou o
primeiro a reconhecer o papel dúbio de Antonio Nóbrega em relação à
cultura popular; se ele foi o responsável por recuperar, resgatar e
preservar um sem número de músicas, poesias e produtos da cultura
popular, também o foi por manter intocado de um estado de coisas que o
deseja imutável, por não querer corrompê-lo com a danada da influência
estrangeira, acabando por defender o que em última análise é alienação,
imobilismo, isolamento (sem a troca, que pode ser enriquecedora).
Desnecessário dizer que o mentor dessa mentalidade é Ariano
Suassuna com seu Movimento Armorial. Desnecessário dizer também que
o talento cênico -- músico, dançarino, cantor, capoeirista, ator,
clown -- de Nóbrega é plural, fazendo de cada apresentação sua,
uma aula. anotado em 15:20
Pitacos:
Protesto Quero informar que, a partir desta data,
este blog está em protesto contra a infame campanha de difamação dos belgas promovida pelo senhor
Salvador
McNamara. Não pudemos escutar calados os insultos dirigidos contra um povo que nos deu
Brueguel (o velho e os filhos), Memlim, Hyeronimus
Bosch, Victor Hugo e Magritte. Não podemos suportar
calados a torrente de ignomínias e afirmações cretinas contra o
cordial povo belga. No que depender de nós, continuaremos a defender o
país que deu ao mundo as batatas fritas, o chocolate Leonidas e a
cerveja trapista. E tenho
dito. anotado em 15:12
Pitacos:
Redundância Etiqueta colada no meu teclado: "Para
um uso cômodo e seguro, leia o Guia de Segurança e
Conforto." anotado em 15:07
Pitacos:
Haroldinho dixit e quem sou eu para discordar:
Tipografia de verdade é isso
aqui e estamos conversados. Adoro visual psicodélico. Segundo
ele, disparado, o melhor link que já coloquei nesse blog.
Participações especiais dos populares Lenny
Bruce, Edgar Allan Poe e Alfred E.
Newman em trabalhos de Wes Wilson, Rick Griffin,
Victor
Moscoso e outros bambas. anotado
em 15:06
Pitacos:
17.10.02
Tecnologia de exibição volumétrica tridimensional, ou
seja, holografia, e suas aplicações.
anotado em 11:58
Pitacos:
Da mega-série univitelinos: - José Dirceu e o
Silva, vizinho briguento do Pato Donald; - Thomas Pynchon (adolescente) e Ronaldo Nazário (contribuição
involuntária de um leitor
anônimo) anotado em 11:57
Pitacos:
16.10.02
Bip Bip "Coitote, Homem Coiote conforme às vezes é
chamado para distingui-lo do animal, a figura mitológica que viveu num
tempo mítico, num tempo onírico, e todas as coisas aconteceram então.
(...) Em termos do folclorista ele é um trapaceiro,e as histórias do
'faroeste' são as mais cheias de trapaceiros que existem. Está sempre
viajando, é estúpido, e é um tipo mau. Na verdade, ele é terrível, um
caso de polícia. Mas ele também faz coisas boas (...) Mas na maioria das
vezes ele está fazendo diabruras (...) O Coiote nunca morre, ele é morto
várias vezes, e logo volta à vida, e recomeça a viajar pelo
mundo." (Velhos Tempos, Gary Snyder, 1984, tradução de Eduardo Peninha
Bueno)
Quer dizer, não bastasse a surpresa em descobrir que o desenho
animado do Papa-Léguas e do Coiote era mitologicamente correto, ainda tive
que lidar com o fato descobrir mais um ser mítico correlato na cultura
nativa norte-americana do arquétipo do mensageiro, do deus das estradas
e das encruzilhadas, manifestado na mitologia grega como Hermes, e no
candomblé, Exu. anotado em 11:19
Pitacos:
Adoro o jeitão camp de móveis dos anos 50, mas
tenho que reconhecer que tanto a Pastil Chair
como a Coconut Chair, a Phantom
Chair ou esse tal de Panto Pop devem ser um bocado
desconfortáveis... anotado em 11:02
Pitacos:
"Napoleão foi derrotado pelos ingleses na batalha naval de
Naufragar." Quem não viu o primeiro episódio de Cidade dos Homens, ontem, perdeu essa e inúmeras
outras tiradas de primeira, a melhor delas quando o Acerola
explica a expansão napoleônica e os motivos da vinda da família real
para o Brasil como se fossem uma briga de traficantes, e a Europa, um
morro. A melhor coisa que saiu da Tv esse
ano. anotado em 10:58
Pitacos:
ying & yang Devo ser a única pessoa que tem na
mesma estante um livro do Oscar Niemeyer e outro do Olavo de
Carvalho, ambos autografados. Viajo naqueles desenhos que o Niemeyer
rabisca. anotado em 10:56
Pitacos:
15.10.02
Se levarmos em consideração apenas glória esportiva, poucos
nomes podem se ombrear ao de Pelé como atleta do século -- Mark Spitz,
Carl Lewis, Michael Jordan, pouquíssimos em esportes coletivos.
Mas se carisma e prestígio fora das quadras entrarem na conta,
Muhammad Ali parece-me cada dia mais capaz de se emparelhar ao
brasileiro. Henry Kissinger costuma contar que pararam a guerra
civil na Nigéria para ver Pelé jogar. Muhammad Ali quase parou um país
sozinho, quando negou-se a ir ao Vietnã. Teve o título mundial (o mesmo
que havia ganho com 22 anos, o mais jovem campeão na categoria) e a
licença para lutar cassados, vencendo um processo na Suprema Corte, o
que lhe permitiu reconquistar por outras 2 vezes o título de campeão,
contra todos os prognósticos. Sou o feliz possuidor do livro The
Muhammad Ali Reader, 1998, coletânea de textos produzidos ao longo
de 4 décadas por A.J. Liebling, Tom Wolfe, George Plimpton, Gay Talese,
Norman Mailer, Hunter S. Thompson, Joyce Carol Oates, entre outros. A
maior parte foi condensada por fins editoriais, o que significa que eles
escreveram mais, e mais de uma vez sobre Ali. Quantos livros assim sobre
Pelé existem? Quantos poemas, ensaios, filmes, reportagens
literárias Pelé inspirou? É mais fácil nos lembrarmos de um
documentário ou um poema de Paulo Mendes Campos sobre Garrincha do que
sobre Pelé (mas isso também é culpa do nosso país em não preservar-lhe
na memória o devido mérito, apesar de seu histórico de declarações
infelizes). Com sua arte, Pelé foi capaz de romper fronteiras
geográficas & ideológicas, teve o nome escrito em todos os
halls da fama existentes e ganhou uma exposição comemorativa em
seu aniversário de 60 anos. Ali ajudou toda uma nação a se olhar no espelho.
Ali é apenas um esboço da relevância do boxeador, em
seu período mais dramático: a década compreendida entre 64 e 74. O Ali
de Mann & Smith é muito mais calado, sério e introspectivo do
qualquer imagem pública sua. Como biografia, deixa pontas soltas demais.
Mais interessante será correr atrás das referências: Quando éramos reis, A
Luta ou King of the
world. anotado em 17:29
Pitacos:
PROV0S:
Provoque Alternativas anotado em 09:21
Pitacos:
DataRafa informa: recentes e detalhados estudos,
dificultados pela enorme monotonia da paisagem belga, identificaram que
a maior elevação daquele país é o morrinho artilheiro do campo de
futebol onde treina a seleção nacional. Já a segunda maior elevação é o
morrinho artilheiro do campo
reserva... anotado em 09:20
Pitacos:
Se alguém quer matar-me com fuzil, que me mate no
Estoril... (versão sampleada da sugestão original do Rodolfo
Padovan: Se alguém quer matar-me com fuzil, que me
mate no Rio... ) anotado em 09:19
Pitacos:
"Parece-me inconcebível que muita gente no mundo todo,
malgrado as diferenças de idade, cultura e dotes naturais, reage com
ímpeto especial, em certos casos até mesmo febril, aos artistas e poetas
que, além da reputação de produzirem arte de alta qualidade, têm algo de
extravagantemente Errado como indivíduos: um defeito espetacular de
caráter ou de comportamento cívico, uma desgraça ou vívio supostamente
românticos -- extremo egotismo, infidelidade conjugal, surdez, cegueira,
sede insaciável, tosse mortal, fraqueza por prostitutas, certa
parcialidade em favor do adultério ou do incesto em larga escala, queda
comprovada ou não pelo ópio ou pela sodomia etc. etc. Deus tenha piedade
dessas solitárias criaturas." (isso é o que se pode encontrar
abrindo-se ao acaso Seymour: uma introdução, de J.D.
Salinger, na tradução de Jorio
Dauster). anotado em 09:16
Pitacos:
14.10.02
Se alguém quer matar-me de beleza, que me mate em
Veneza...
(Eita! Até fiquei arrepiado com
essa!) anotado em 13:21
Pitacos:
O que realmente importa (notinha pinçada do Globo de hoje): Virou a maior farra o encontro
de duas passeatas, ontem, na Praia de Ipanema. Uma era da turma
pró-Lula, puxada por Benedita. Outra, de Hélio Paulo Ferraz, candidato a
presidente do Flamengo. Quando se cruzaram, os petistas, que puxavam
o jingle de Lula, pararam e todo mundo cantou junto o hino do
Flamengo. anotado em 13:19
Pitacos:
13.10.02
Quase tive um acesso de riso, visitando o Orquidário, ao lembrar da história de um amigo que,
toda vez que queria ficar com uma garota, levava-a para o Orquidário do
Jardim Botânico. Anos depois, foi morar num país onde, desgraça!, não
existiam orquídeas, não podendo haver, assim, orquidário. Depois de uns
8 meses sem dar notícia, chega um email para geral onde, depois de
rápidas notas sobre a nova vida, ele nos conta que tinha descoberto um
parque na cidade com uma ponte japonesa que era um achado... Em
tempo: é antiga a conotação sexual das orquídeas, que receberam esse nome do grego Teofrastos por achar suas
raízes parecidas com testículos
masculinos. anotado em 17:23
Pitacos:
Encontrar um Espaço Tom Jobim perto do Chafariz
Central, mais do que a justa recordação de um dos maiores amantes
daquele parque, me trouxe à memória toda uma lista de pessoas que se
inspiraram, copiaram ou se basearam na natureza para a composição de
suas obras, além do próprio Jobim, Rubem Braga, Victor Horta, Antoní
Gaudí, Claude Monet, enfim, gente cujo grande feito foi ter
conseguido reproduzir artisticamente formas que existiam ao seu
redor. anotado em 17:18
Pitacos:
Visitar o Jardim Botânico depois de muito tempo sem pôr os pés
lá é pedir para ser surpreendido da melhor maneira possível: descobrindo
que, ao contrário dos inúmeros documentários televisivos que teimam em
só enxergar as palmeiras imperiais e as vitórias-régias, tem muito mais para se ver ali (obra e graça de inúmeros
diretores, dentre os quais Frei Leandro, que, à sombra de uma
jaqueira, comandou a abertura do lago artificial, hoje batizado com seu
nome, e João Barbosa Rodrigues, que deu abrigo à esculturas e
adornos), desde o recente Jardim
Japonês a um sítio arqueológico completo, a Casa dos
Pilões, passando pelo Memorial de Mestre Valentim (onde estão as primeiras
esculturas em bronze fundidas no Brasil), o antigo Portal
da Real Academia de Belas Artes ou o Chafariz Central, tudo preservado -- a palavra-chave
aqui é patrimônio -- e bem sinalizado por placas
art-noveau de ferro fundido, lembrando caules. Tudo em meio à
exuberância de alas reproduzindo a região amazônica ou uma restinga. Einstein, em visita ao jardim, após ouvir uma preleção
sobre as propriedades do jequitibá, abraçou e beijou aquele
vegetal. anotado em 17:17
Pitacos:
Aspas para o Nando: [...] o mercado é uma moça
fresca que tem um pai militar: um piscar de olhos errado e você estará
em Buenos Aires. anotado em 17:01
Pitacos:
Rápida pesquisa eleitoral blogueira: Bernardo vota no Serra Zamorim vota no Lula Gus Erlichman vota no Serra Cris Dias vai de Lula Nando escolheu o Serra Flavia
Durante vota e fez até um blog a favor do
Lula
Hiro não declara o voto; a Telescópica rachou, com Jean indo de Serra
enquanto Ale e Leo vão de Lula, e o Nemo Nox paga para não
votar. DataRafa indica ainda dois blogs declaradamente
contra a candidatura petista: ::: Anti-Lula ::: Página/18 anotado
em 16:58
Pitacos:
11.10.02
Se alguém quer matar-me a qualquer hora, que me mate
agora... (Mais uma colaboração do leitor Rodolfo
Padovan. Não disse que ele estava virando
freguês?) anotado em 17:05
Pitacos:
A imagem que a Patricia escolheu para encimar seu blog é do Shag, artista esmerado
na estética Tiki, de quem o Hiro também gosta. Embora eu já conhecesse o coisas
como o Tiki Room, ou os moais da Ilha de Páscoa, só fui saber que eles
pertenciam à mesma família esse ano, e que o tal do Tiki até já atingiu
status de cult e pop, apesar do acento irrecuperavelmente
kitsh. Agora, "notável bola dentro" foi o termo que usei para
descrever a sacada de um surfista, para quem as
carrancas são o autêntico tiki brasileiro: olhos arregalados, dentes
expostos, imagens assustadoras. Tudo a
ver. anotado em 17:03
Pitacos:
Todas as ligações perigosas de George W.
Bush. anotado em 16:58
Pitacos:
Sutil e simpático Daniel Sansão elogiou e eu faço coro: é raro ver hoje
em dia algum tipo de propaganda em via pública que não emporcalhe,
quanto mais adorne a paisagem da cidade -- tema de meu interesse
permanente. Como conjugar uma solução equilibrada que una as facilidades
habitacionais do meio público (transporte, água e gás encanados, esgoto,
pequeno comércio) às indispensáveis personagens naturais
(parques, praças, árvores, jardins)? O mobiliário urbano, em
particular, parece de alguma forma traduzir a essência de cada cidade,
através de seus bancos de praça, orelhões, placas sinalizadoras; minha
preocupação rendeu um daqueles textos que eu vou passar a vida
revisando. A versão atual é
essa. anotado em 16:56
Pitacos:
10.10.02
Se alguém quer matar-me de calor, que me mate no
Equador... (Colaboração do leitor Rodolfo
Padovan, que já está virando
freguês.) anotado em 17:51
Pitacos:
O diploma, enfim! Essa discussão toda sobre ter
diploma ou não que voltou à tona com a eleição presidencial me lembra
muito a história do Art Spiegelman, que nunca se formou no curso
de artes da S.U.N.Y. Binghampton (Harpur College), entre outros
motivos porque já se iniciara profissionalmente, nunca conseguira
concluir as cadeiras necessárias e tivera um colapso nervoso que acabou
por conduzi-lo de ambulância ao hospital psiquiátrico mais próximo
(L.S.D. demais). Trinta anos depois, já capista oficial da New
Yorker e ganhador do Pulitzer por MAUS, Spiegelman foi
convidado pela mesma S.U.N.Y. para receber um PhD honoris causa.
O discurso de agradecimento começava com a constatação de que, enfim,
ele conseguira concluir o curso e ganhar o diploma, já que nunca
participara de uma cerimônia de formatura como aquela. Tal como um
estudante, Spiegelman contou que precisara virar a noite encerrando um
trabalho para conseguir o canudo -- no caso, o próprio
discurso... anotado em 08:50
Pitacos:
O Mundo Perfeito faz jus ao nome e inicia uma republicação de tiras do Fradim, quadrinho responsável em grande parte pelo
nome do Henfil, atualizadas toda semana. Obrigatório,
sobretudo para quem não conhece o livro da Geração
Editorial. anotado em 08:45
Pitacos:
Ela era daquelas pessoas que, quando quer apagar uma linha
inteira, não aperta uma vez o [Backspace] e fica segurando;
aperta várias vezes o botão, apagando caracter a caracter, até o começo
do parágrafo. anotado em 08:39
Pitacos:
9.10.02
Depois de se mudar para um provedor na
Eslovênia, e retirar do ar a entrevista com aquele VJ, o Cocadaboa teve que mudar
seu logo por conta de um processo. Fazer humor pode se tornar uma
atividade extremamente sem graça, às
vezes. anotado em 09:10
Pitacos:
MauVal anda arretado. No sábado:
o primeiro mundo é uma gracinha mas tudo já está sedimentado e
resolvido. quando eles despencam aqui, no meio da "mulambalização" ampla
e irrestrita, dão de cara com uma realidade absolutamente
tentadora.
Na segunda-feira (sobre a eleição para o governo do estado do
RJ):
vai se acostumando... mais quatro anos de populismo
rasteiro. mais quatro anos com a bandidagem ditando as
regras. mais quatro anos em que templos evangélicos ocuparão o espaço
de teatros e cinemas.
a gente
merece!!! anotado em 08:24
Pitacos:
Os personagens ficcionais mais ricos do mundo, segundo
a Forbes anotado em 08:20
Pitacos:
Barba, cabelo e bigode (aparadas pelo Samurai do
Fotoxope. Se ligue nos
comentários) anotado em 08:19
Pitacos:
Domingão eleitoral de sol a pino, mais de 30 graus na
segunda e ontem, a onda de calor: o inverno ainda nem terminou e o verão
já começou nesse país. anotado em 08:18
Pitacos:
7.10.02
Dominique, ou melhor, Patrícia, volta a escrever depois de passar por uma,
como esses jornalistas moderninhos gostam, repaginação no visual.
Parecia impossível, mas ela volta ainda mais bonita, íntima, pessoal e
interessante do que antes, e o que me deixa perplexo: sem perder a
privacidade. Como ela consegue?! Patrícia é titular cativa aqui Na Cara do Gol
também por ter sido uma das 3 primeiras a anunciar o nascimento desse
blog; junto com o Nando e o Jean, meus 3 reis magos. A eles, e ao Hiro, Rafa Azevedo, Haroldinho e a todos que cantaram a boa nova,
meu sincero obrigado que não tinha ido
antes. anotado em 16:31
Pitacos:
Para quem lê jornal de lupa: uma notinha hoje dando conta da
futura estréia, na Fundição Progresso, de uma peça baseada em Invisible People, de Will Eisner, mini-série em
3 partes publicada pela primeira vez há exatos 10 anos. Também foi na
Fundição Progresso onde consegui um autógrafo de Will Eisner, após uma
apresentação da Intrépida Trupe. Oito anos depois, encontrei Eisner de
novo, e contei-lhe do primeiro autógrafo; ele assoviou assustado,
encrispou a testa, alisou a careca e arrematou: -- Você não
parece 8 anos mais velho! Sugeri-lhe que dali por diante
passássemos a nos encontrar a cada 8
anos... anotado em 16:28
Pitacos:
Etnias Quando te oferecem o audio-guia em espanhol
porque não existe um em português, partem do princípio que a origem
latina das línguas as fará suficientemente semelhantes para que quem
fale português entenda corretamente o espanhol -- ignorando diferenças
sutis porém relevantes para descozer o discurso -- mas, seguindo o mesmo
princípio, vá sugerir-lhes que quem fala flamenco compreende bem o
holandês, e preste atenção na cara feia que
fazem... anotado em 16:05
Pitacos:
Irritado com a incapacidade do grande público em entender
roteiros dois dedos mais profundos que a tábua rasa, só de sarro, pus à venda explicações do final difícil de um filme,
ano passado. Conhecesse o Metaphilm, onde levam um pouco adiante essa molecagem,
não ficaria a fazer graçolas com o subtexto alheio. Se bem que, viagens
à parte, sou da escola em que é possível sintetizar quase todo filme, e
bem, com meras 4
palavras. anotado em 16:03
Pitacos:
4.10.02
Se alguém quer matar-me bebum, que me mate em
Cancun... (colaboração da super-mega-leitora Ana
Veras) anotado em 11:38
Pitacos:
Meu amigo André Diniz, criador da Nona Arte, conta em entrevista porque merece o apelido de
homem-editora. anotado em 10:36
Pitacos:
Quem vai gostar de saber essa é o Mario AV: os 3
computadores disponíveis para envio
de cartões virtuais no Museu Van Gogh eram todos os novos iMacs. Interessante notar, aliás, como Van
Gogh descobriu a cor, através da comparação entre seus sombrios primeiros trabalhos, na Holanda, e a fase
francesa. anotado em 10:35
Pitacos:
O que esses políticos estão precisando é de Simancoltm. anotado
em 10:33
Pitacos:
Poliglota No caso de ser teletransportado para um
lugar qualquer do mundo, agora ninguém mais tem a desculpa de não saber
como se escreve o nome em japonês ou em código de barra. Se o teletransporte for no tempo,
convém saber também em hieróglifos egípcios ou caracteres
maias. De todos esses, o único que o computador não faz para você
é o maia, por causa dos muitos modos como um nome pode ser escrito, e
porque certas consoantes como R, F ou D não existem em maia (assinar meu
nome seria um grande problema lá!). Depois de quebrar a cabeça
aprendendo a escrever em maia, pode-se relaxar jogando o
popular jogo
maia bul. anotado em 10:32
Pitacos:
3.10.02
Por essas e por outras é que eu digo, o Sampaio é que tem razão, será sua lógica
quinquinária hiperdialética o que nos redimirá. A lógica da
diferença. anotado em 16:35
Pitacos:
Não é toda hora que se encontra um
blog bom de se ler, quanto mais dois. Em 168 horas
descobri Danilo
Amarar, que de New York narrou o retorno de Oscar de la Hoya aos
ringues. anotado em 16:30
Pitacos:
Se alguém quer matar-me amanhã, que me mate em
Teerã... anotado em 16:28
Pitacos:
Na verdade dizem que ACM pretende adquirir Caetano como
criado. Espero que criado mudo! d'Os Suspiros de
Salvador MacNamara anotado em 16:27
Pitacos:
Apropriado O nome da plataforma que vai ocupar a
posição e as funções da P-36, a maior semi-submersível submersa
do mundo, é FPSO* Brasil. Quem gosta dessas coisas é o Paulo Salles,
para quem "blogs não são bem para ler, são para 'fazer a ronda' (prender
em flagrante os criminosos, revistar os de feições ameaçadoras, mandar
circular os que estão parados há tempo demais onde não deveriam)" *
FPSO = Floating, Production, Storage and
Offloading anotado em 16:26
Pitacos:
Vem cá, aquele zepelim que tinham posto no céu, não era para
aumentar a segurança da população,
hein? anotado em 15:11
Pitacos:
2.10.02
O tempo passa rápido, mas sempre há um jeito de se ler 168 horas.
anotado em 14:26
Pitacos:
Se alguém quer matar-me de gripe, que me mate em
Sergipe... anotado em 08:38
Pitacos:
Soldados rasos franceses, nas trincheiras da I Guerra
Mundial, produziam pequenos mementos -- aviõzinhos, cruzes, tudo
o que desse para fazer com restos de balas, sobressalentes de armas e o
que se prestasse àquele tipo de artesanato, para enviar aos familiares
como amuletos durante o tempo em que estiveram no campo de batalha.
Vêem-se alguns desses aqui.
Pescadores canadenses, nas longas temporadas de caça a baleias
empreendidas nos mares do norte, no começo do século XX, passavam as
horas vagas esculpindo ou desenhando imagens em dentes de cachalote,
geralmente com motivos eróticos (a tripulação era completamente
masculina), os quais eram negociados como relíquias quando do
desembarque. Esses podem ser vistos aqui. anotado
em 08:38
Pitacos:
Didjeridoo é uma espécie de berimbau australiano: um
instrumento musical popular com sonoridade irritante que todo mundo quer
mostrar como se toca mas poucos realmente sabem manejar. A
probabilidade de se encontrar um australiano -- ou neozelandês, ou seja
lá de onde for -- tocando um didjeridoo, enquanto acompanha
batucando no chão com um toquinho (olhaí: é parecido com o berimbau até
nisso de reunir melodia e percussão num instrumento só) numa rua de uma
cidade turística qualquer do mundo hoje apenas é menor do que a de
encontrar um quarteto de peruanos munidos de flautas de pan tocando
El Condor Pasa. Agora, em termos de instrumento musical chato,
nenhum barra aquele que os belgas chamam de cornemuse, e os
ingleses de bagpipe, a indescritível gaita de
foles. anotado em 08:37
Pitacos:
1.10.02
Se alguém quer matar-me do pulmão, que me mate em
Milão...
(De um outro leitor anônimo, militante da Smokers for
a Free Society - Latin American
Branch.) anotado
em 17:08
Pitacos:
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