30.9.02
O dia em que o morro descer Isso era ironia, mas o que aconteceu hoje não foi.
Bomba estourando numa faculdade. Ônibus virado pegando fogo na Linha
Vermelha. Escolas e o comércio de Niterói, São Gonçalo, Zona Norte e
Zona Sul do Rio fechando em cascata, ainda na parte da manhã, graças a
telefonemas anônimos. O meme se espalha com a força das mentiras
fermentadas pelo medo.
Existe uma crença tão assustadora quanto uma quimera de Lovecraft
entre a classe média, que assume ares apocalípticos ao tentar descrever
o que ocorrerá no dia em que o morro descer, naquele dia mítico
em que as empregadas cansarão de seus quartinhos apertados, em que
aquela entidade conhecida como o povo não se satisfará
mais com cachaça e futebol e invadirá as coberturas da Vieira Souto,
decapitando as Marias Antonietas que nunca se viram ameaçadas na nossa
História por revoluções, guerras de secessão ou milícias revoltosas.
Despido de qualquer conotação política, hoje foi o que chegou
mais próximo do que se pintava como o dia em que o morro ia descer. E
tudo por conta de boatos, apenas? E tudo uma manipulação política, com
fins de desestabilização, como disse a governadora? Ou teria sido tudo
uma retaliação do bando de Beira-Mar contra a remoção de Bangu I? Fato é
que ninguém quis pagar para ver se as ameaças eram pra valer, a
insegurança e o medo foram maiores. E ainda ouvi dizer que hoje tinha
sido "só um aviso", quarta-feira é que o bicho ia pegar.
Eu só imagino o que deve estar pensando o Nando, que
veio de Floripa só para o festival de cinema. O Rio é coisa de cinema?
Só se for Godfellas, Um Dia de Cão, Sob o Domínio do Medo e
Cidade de Deus. anotado em
21:06
Pitacos:
Usagi Yojimbo é um coelho samurai, com histórias
baseadas no herói japonês Musashi, e agora sua editora está disponibilizando histórias em quadrinhos coloridas on-line --
imperdível. anotado em 12:27
Pitacos:
Passo umas semanas fora, e quando volto o abismo parece
estar ali na esquina: Garotinho no segundo turno, dólar escalando o Everest,
prédio caindo no centro da cidade. Imagino encontrar gente arrancando os
cabelos pela ruas, mas a quantidade de cidadãos que encontro no sábado
de manhã na praia, bebericando ou batendo papo nos bares da orla mostra
que o clima de tranquilidade é
geral. anotado em 12:19
Pitacos:
Ram manda avisar: da relação entre a contra-cultura e a indústria da informática,
particularmente na criação da Apple:
This connection between computing and anti-authoritarianism was
successful in part because it played on an assumption held by many
people involved in early personal computing: that the invention of the
personal computer owed as much to the counterculture's desire to oppose
centralized authority and technology, as it did to the invention of the
microprocessor. anotado em
12:10
Pitacos:
29.9.02
A cidade começou numa praça central, onde se
localizava o mercado, principal ponto de encontro das gentes onde
as interações -- sociais, econômicas, políticas -- se davam,
estendendo-se progressivamente em direção ao mar, através de uma
larga avenida que desemboca no porto, outrora tomada por
meios de transporte primitivos (carroças, cavalos, carruagens), hoje
apenas logradouro de pedestres, com considerável importância
turística. Este trecho se refere a Barcelona ou
Antuérpia? anotado em 20:11
Pitacos:
Funciona assim: se você viaja no verão, fica cheio de
turistas e não dá para ver os monumentos, porque estão cobertos com
tapumes e andaimes para reformas e limpeza, obras impraticáveis em
outras épocas do ano. Se você viaja no inverno, tua roupa não aguenta o
frio e tudo fecha uma hora mais cedo. Pode
escolher. anotado em 20:05
Pitacos:
Hipótese Existem 3 tipos de coisas: as que se
perdem, as que não funcionam e as inúteis.
Corolários O que a gente não perde, ou não funciona, ou é
inútil . O que funciona, ou se perde ou não serve para nada. O que
serve para alguma coisa, ou se perde ou não vai
funcionar... anotado em 20:03
Pitacos:
Achava que teria que viajar muito mais para ver um moai
ao vivo. anotado em 01:17
Pitacos:
O que Roman Polanski e Jacques Chirac têm em
comum? anotado em 01:16
Pitacos:
Moebius, fazendo charge
política? Parecia piada, mas fiquei completamente capturado desde
que vi o livro -- Un an
dans La Vie (Um ano n'A Vida). O convite viera no começo de
2001, e a partir de abril Jean
Giraud iniciara o compromisso de, uma vez por semana, retratar sob a
tinta de seu pincel os principais acontecimentos do mundo, na
perspectiva editorial de um jornal cristão francês, ao longo de um ano.
O resultado é desigual, mas nos momentos em que os fatos, as
circunstâncias e o talento convergem, o que se vê são extraordinários
exemplos de excelência da lógica do visual -- dois deles: na
morte de George Harrison, é o artista que se auto-retrata, com uma
expressão tristonha, enchendo o segundo quarto da capa do álbum branco
dos Beatles com tinta preta (o primeiro quarto de luto, obviamente, foi
para John Lennon), enquanto um submarino amarelo passa na janela; na
estréia de Loft Story -- o Big Brother televisivo francês
-- uma anônimo sorri estupidamente quando se olha num espelho cujo cabo
é o de uma pistola. Tem também Anthony
Quinn dançando no céu, o caubói G.W. Bush sentando no globo (quando
da recusa da assinatura do tratado de Kioto), o crescimento de
Berlusconi na Itália e, inevitável, talibãs cortando o cabelo à moda de
Hitler. anotado em 01:16
Pitacos:
Maria Bethânia cantando dor de cotovelo do Lupicínio
Rodrigues Aracy de Almeida cantando Noel Rosa Elza Soares cantando
Ataulfo Alves Nara Leão cantando Chico Buarque Beth Carvalho
cantando Jorge Aragão Cássia Eller cantando Cazuza Maria Alcina
cantando Jorge Ben Elis Regina cantando praticamente todo
mundo Nana Caymmi cantando letra de Aldir Blanc Ângela Roro
cantando todas elas... anotado em 01:10
Pitacos:
Cavaleiros medievais jogavam ludo. (Para se distrair,
entre uma justa e outra?). anotado em
01:09
Pitacos:
A trilha sonora incidental das minhas férias continua
assombrosamente desapropriada. Depois de escutar Maria Bethânia cantando
uma dor-de-cotovelo (Lupicínio Rodrigues?) no meio do museu do erotismo,
no ano passado, não sei se o pior foi ver uma sala de instrumentos de
tortura dentro de um castelo medieval enquanto tocava Pata Pata, de Miriam
Makeba, no radinho portátil da funcionária, ou ouvir os Contos dos
Bosques de Viena em frente às fardas de oficiais belgas da I Guerra
Mundial. Dose, viu.
A quem interessar possa Os instrumentos de tortura foram
doados pelo filho do carrasco da
cidade, titular deste cargo até o ano da graça de 1880, ocupavam uma
sala dentro deste castelo
restaurado. anotado em 01:09
Pitacos:
20.9.02
Polanski chupando Spiegelman? Achei que Roman
Polanski estava chupando descaradamente Maus, do Art Spiegelman, na primeira parte de The
Pianist, por causa do contexto de perseguição a judeus durante a II
Guerra na Polônia. O nome do personagem principal é Wladyslaw
(Wladek) Szpilman, e o nome do pai de Spiegelman -- personagem
principal de Maus -- é Wladek, também. Depois que o filme segue seu
caminho próprio, a má impressão se desfaz, ainda que me aborreça o fato
do Polanski estar sistematicamente limitando-se a adaptar
livros alheios, ao invés de recriá-los, ou fazer em seus próprios
roteiros, como nos brilhantes Repulsion, Cul-de-Sac, O
Inquilino, Bebê de Rosemary, A Dança dos Vampiros,
Chinatown. Seria um filme a mais para a coleção de denúncias
contra o nazismo, não fossem sutis toques dispersos ao longo dos
diálogos (críticas aos judeus norte-americanos, críticas à atitude quase
passiva dos judeus em relação aos alemães) que fazem a diferença final.
O pianista do título é uma evidente metáfora da sobrevivência do
espírito humano através da arte, mesmo nas condições subumanas
proporcionadas por uma guerra, que, por mais impressionante que pareça,
"aconteceu há pouco mais de 50 anos". A sessão terminou com uma chuva de
palmas. anotado em 22:06
Pitacos:
Estréia segunda-feira o primeiro longa animado do Corto
Maltese, personagem inesquecível de Hugo Pratt,
já com página
oficial e tudo para ir sacando os personagens, sinopse, imagens...
isso, obviamente, para os que ainda não conhecem o personagem, que desde
sempre me foi cantado como um dos mais interessantes dos quadrinhos, o
que só fui comprovar vários anos depois, junto com minha burrada por não
tê-lo lido antes. Corto Maltese é um dos maiores viajantes da ficção em
Hq, junto com o Tintin
e o Pato Donald de Carl Barks. Será que vai
passar no Brasil? anotado em 21:58
Pitacos:
Se alguém que matar-me de desespero, que me mate em
Cachoeiro... (Colaboração do meu chapinha Bruno
Garschagen. Essa esclareço eu: a Cachoeira em questão é a do
Itapemirim, no Espírito
Santo.) anotado em 20:41
Pitacos:
Se quer matar-me de rir, que me mate em
Birigüi... (Colaboração do leitor Rodolfo
Padovan, que explica: "Birigüi é aquela cidade onde o Fokker da TAM
fez a aterrisagem forçada, matando a vaca." Agora sim,
Rodolfo!)
Ah, gostei do blog dele, de onde roubei esse excerto do Poema de
sete faces, do Drummond, que eu também curto:
Eu não devia te dizer mas essa lua mas esse conhaque
botam a gente comovido como o
diabo anotado em 20:37
Pitacos:
Laissez nous danser !
anotado em 20:23
Pitacos:
É uma meia verdade... Ou melhor, está mais para um sessenta
e quatro avos de verdade, mas vá lá...: eu já fiz um pedacinho do caminho de Santiago.
anotado em 20:05
Pitacos:
O fonógrafo de Edson, o telefone de Graham Bell, o
cinematógrafo dos irmãos Luimére, o laboratório de Lavoisier, o
astrolábio de Arsenius, a máquina de calcular de Pascal, o computador
Cray-2 e mais um monte de brinquedinhos interessantes num só lugar.
anotado em 20:00
Pitacos:
Se Jean Paul Belmondo é o Paulo César Pereio francês (cf. Tiago Teixeira)... ... Wolinski é o Jaguar
francês. ... Jano é o Angeli francês. ... Vuillemin é o Adão
Iturrusgarai francês. anotado em 19:51
Pitacos:
Foucault, Van Gogh, Rodin... blog culto é outra
coisa, hein? Ou, nas imortais palavras do formador de opinião e crítica
especializada João Marcelo, "alta cultura é alta cultura, o resto é o
bonde do Tigrão". anotado em 19:48
Pitacos:
14.9.02
Profético? Há mais de um ano, andei me queixando que os gays estavam avançando -- o termo
usado foi tomada de Constantinopla -- sobre Copacabana com a
promessa da abertura de uma boate exclusivamente de lésbicas naquele
bairro. A promessa se concretizou e o night club abriu, há alguns
meses, na mesma quadra da Les Boy, então dividida com a Bunker
94, Mariuzzin, dois botecos pé-sujaços e um hotel (!).
O Mariuzzin virou La Girl e o pé-sujo mais próximo está com
aquela porta de metal sanfonado completamente fechada, com uma pichação
em cima avisando para bom entendedor que aí vem mais. Daqui a pouco, não
é preciso ser muito inteligente para perceber, o quarteirão inteiro será
só de lugares gays. A pergunta que fica é a seguinte: como é que no
discurso reivindicatório gay tanto se fala em celebrar a
diversidade -- palavras usadas, por exemplo, no discurso
politicamente correto da Hillary Swank quando recebeu o oscar por Boys Don't Cry
-- em valorizar o diferente, em compreender o outro quando
o que se promove, na prática, é a uniformização do
meio? anotado em 07:56
Pitacos:
Rodin era o cinzel mais duro da escultura. Ninguém me
convence do contrário. Como se O beijo ou Amor Fugit fossem pouco, olha só Je suis
belle anotado em 07:51
Pitacos:
Olha, os impressionistas botavam para quebrar, mas Van
Gogh, pô, Van Gogh comia Cézanne, Manet e Degas
no lanche. Com farinha. Ali não é só "tintas sobre uma tela", não
é, Jackson Pollock?, ali é um homem exorcisando a própria loucura
-- e perdendo! anotado em 07:50
Pitacos:
O Affonso Romano de Sant'anna fica um chato quando
reclama compulsivamente das artes plásticas contemporâneas, mas quando
se vê que o Pêndulo de Foucault original -- aquele mesmo com o
qual, diante do Napoleão e da turma toda, ele -- ele Foucault, claro --
disse, à moda de Galileu, "aí, é o seguinte: assistam a Terra girar" --
foi substituído por uma instalação medonha, imensa, feita de umas
esferas infláveis transparentes parecidas e um enorme tubo branco
retorcido, quase sente vontade de dar razão a
ele... anotado em 07:49
Pitacos:
9.9.02
Bom, é o seguinte: viajando hoje de noite, volto só no fim
do mês. As coisas ficarão meio paradas por aqui nesse meio tempo.
anotado em 15:12
Pitacos:
Aconteceu na cidade: em amplo bar de happy hour no
centro, frequentado principalmente por advogados (dada sua proximidade
do fórum), uma gata espetacular, daquelas que meros mortais costumam
chamar vulgarmente de modelos, domina a pista de dança, sem dar bola
para ninguém. Um amigo meu comenta que, para conquistá-la, ali, só um
jogador de futebol ou coisa do gênero. Meia hora depois entra Romário,
com um séquito de 20 pessoas. Não deu 15 minutos e os dois estavam
ficando num canto da pista. Eu nunca vi o Romário fora de um
campo de futebol -- mas já vi o Edmundo, o animal, e ele só bebia
água mineral. Sem gás. anotado em 15:10
Pitacos:
A maior teoria da conspiração da
Terra. anotado em 15:10
Pitacos:
Se você tomar LSD pode acontecer ficar assim... anotado em
15:05
Pitacos:
8.9.02
Da série: só eu acho graça nessas coisas? Gisele
Bündchen, na capa da Elle desse mês: "Quero um homem engraçado e mais alto
do que eu" anotado em 17:46
Pitacos:
Se alguém quer matar-me de velhice, que me mate em
Recife
(variação de tema em cima duma sutil contribuição enviada pelo
leitor Renato, sem rima mas com graça:
Se alguém quer matar-me de velhice, que me mate em
Miami) anotado em 17:41
Pitacos:
Ainda elas! Neo Zeitgeist narra o que aconteceu quando as nossas musas se encontraram casualmente no aeroporto
de Cumbica. Agora, a mais engraçada que me contaram esses dias é que
a Clarah é filha de um daqueles caras da dupla Tangos e Tragédias. Nem me dei ao trabalho de
conferir, mas se for verdade mesmo, acho que explica muita
coisa... anotado em 17:39
Pitacos:
Malandragem dá um tempo Outra do João
Saldanha, que ganhou o apelido João Sem Medo pela fama de
topar qualquer parada, "em briga de homem vale tudo": seu carro tinha
levado uma fechada de um caminhão. O motorista, um portuga casca-grossa,
daqueles de vestir camisa do Vasco e calçar tamanco em crônica do
Veríssimo, já desce da boléia com um porrete dessa idade na mão.
Magrinho, pequeno, Saldanha mandou:
- O que que há, patrício? Um homenzarrão que nem você não vai
precisar de um porrete desses para bater num magricela que nem eu.
O galego vacilou, João era bom de bico:
- Joga esse troço fora e vem dentro!
O português ponderou, mediu Saldanha com o olho e acabou largando o
porrete. Já ia virando o primeiro tabefe quando João gingou, num drible
de corpo apanhou o porrete e quase moeu o motorista de tanta paulada.
(Essa também veio do livro do
João Máximo). anotado em 17:30
Pitacos:
6.9.02
Já está rolando o volume dois da League of Extraordinary Gentlemen, extraordinária (tem
dia que os adjetivos não saem) mini-série onde personagens literários da Era Vitoriana formam numa
força-tarefa para resolver problemas internacionais, a mando da coroa
britânica. O primeiro volume é de arrasar, particularmente os três
primeiros capítulos, onde vê-se a reunião dos demais integrantes,
encabeçada por Wilhelmina Murray, no Egito, em Paris e na própria
Inglaterra, tudo -- personagens, diálogos, cenários -- delirantemente
reinterpretados por Kevin O'Neill e Alan Moore no estilo
steam punk, em cenas inesquecíveis, como a aparição do Nautillus
em página inteira (no primeiro capítulo). Ninguém consegue fazer
história em quadrinhos tão fluente e bem ritmada hoje como Alan Moore, o
que talvez explique a corrida para verter seus roteiros para o cinema,
primeiro com From Hell, agora
com a League. Espero que seja publicada em português, novamente pela Pandora
Books. anotado em 16:45
Pitacos:
Optei por chamar xadrez de jogo para evitar uma
discussão sobre ser ou não esporte, já que seu caráter eminentemente
intelectual tende a afastá-lo da atividade física geralmente relacionada
com esporte. João Máximo narra uma educativa história acerca
dessa questão, em seu perfil de João Saldanha. Em 1971, João Saldanha já tinha sido defenestrado da seleção
brasileira e estava até aqui com a linha cada vez mais dura do
governo militar. Henrique da Costa Mecking, o Mequinho, era um jovem
enxadrista em franca ascenção, bancado e protegido pelo presidente
Médici e pelo então ministro da Educação Jarbas Passarinho, a quem
agradecia a cada vitória, e estava cotadíssimo para receber o Golfinho
de Ouro, prêmio do MIS dado à esportistas em destaque, mas que em 1970
tivera sido usado com fins políticos. Seria vítima da vendetta do
João Sem Medo. Quando os conselheiros de esporte se reuniram,
o nome de Mequinho veio rapidamente à baila, apenas para ser contestado
por Saldanha, que sacou o lance das cartas marcadas: - Só que xadrez
não é esporte! A hipótese era sagaz: João acessorara Antonio Huaiss,
Otto Maria Carpeaux e mais uma dúzia de sumidades nos verbetes de
esportes da futura enciclopédia Mirador, onde o xadrez havia sido
definido como "atividade lúdica", não esporte. Seguiu-se a troca de
argumentos: - Xadrez aparece na página de esportes do jornal. -
Ora, o anúncio das pastilhas Valda também... - Xadrez é uma
competição, logo é esporte! - Se fosse assim, concurso de miss e
festival da canção também seriam esporte, porque há competição. - É,
mas nenhum dos dois têm uma confederação para regulamentar... - Se o
negócio é uma confederação, e os bispos têm a deles, então tem vaga para
São Jorge na coluna do turfe... O prêmio Golfinho de Ouro 1971 foi
para Buck, técnico de remo. anotado
em 16:42
Pitacos:
Um
site em preto e branco, porque na roça a internet ainda é
assim. anotado em 11:14
Pitacos:
Só falta a Fernanda Essa nota acabou até tendo alguma repercussão. Carol Vigna-Marú
leu e mandou avisar: http://www.odeioclarah.blogspot.com/.
Dica: o blog da Carolina é muito bom para quem gosta de
animação. anotado em 11:13
Pitacos:
5.9.02
- Esse lugar está vazio? - Está. E esse aqui também
vai ficar se você sentar aí. A primeira vez que vi essa piada foi sob forma de cartum, mais um rascunho
rápido do que idéia bem acabada, desenhada pelo Flávio, que hoje faz o Rumor, num
cantinho da revista Bandalha (na década de 90 o Flávio tentou
auto-publicar seus quadrinhos com Dasdô [92], Cerol [93],
Gentileza [94] e Bandalha [99]), como uma espirituosa
série de tocos que depois rodou a internet via email, em modo
texto. E pensar que a tira foi censurada pelos próprios distribuidores no
E.U.A.! anotado em 18:00
Pitacos:
Nunca imaginei que fadinhas funcionariam em uma tira de
quadrinhos! anotado em 17:48
Pitacos:
Sempre me perguntei quando é que eu teria o descaramento de
copiar, inteirinho para cá, uma nota de outro blog. Não demorou muito. Não
deu para resistir. Ao menos eu avisei ao autor que ia fazer isso:
No Brasil quem tem uma bengala branca é rei. Você vê o filme do
Tarantino e já é moderno. Você ouve falar em Bukowski e já é escritor.
Você lê a coletânea do Mencken publicada pela Companhia das Letras e já
é reencarnação do Paulo Francis.
Tom Jobim estava completamente enganado. O Brasil é apenas
para principiantes.
Como se não fosse pouco, resolvi trazer logo outro, de carona, por um motivo especial. Quando
eu o li pela primeira vez, tive certeza que o cara sabia.
Francamente. Nessa idade.
Adquiri recentemente o hábito de consumir bebidas energéticas. Por
um único motivo: descobri que existe uma no sabor nêspera. Nêspera: que
palavra bonita. Gosto de fazer charme no supermercado perguntando se tem
nêspera. Se eu tiver uma filha, vai se chamar
Nêspera. anotado em 17:41
Pitacos:
Ontem de noite conheci Mario AV por intermédio do Hiro e bati papo
com a Cora
Rónai. Depois, juntaram-se à roda de chopp o Ota e o Martinez. Até o
Allan Sieber apareceu. Voltei para casa de carona com
o Haroldinho
(além de mim, tinha mais uns vinte dentro do carro...). Como se fosse
pouco, o placar do jogo foi Flamengo 5 x 2
Fluminense. anotado em 17:38
Pitacos:
Design não é nome de perfume Não sei se já
confessei por aqui que sou fanzoca declarado das criações de Elesbão e
Haroldinho, do humor incontido em cada invenção, da sua imensa
capacidade de rir de si mesmo em auto-paródias que conseguem subverter o que já não era
uma versão muito oficial, da pororoca de criatividade que transborda por
todos os lados em variações sobre um mesmo tema (como as famosas
formigas tipográficas do DDB), do desconcerto que aqueles logotipos alterados causam, culture jamming de
primeira, surpreendendo a percepção média do leitor em casa, de calça
arriada. Approposito, o título dessa nota é uma citação
deles. anotado em 17:35
Pitacos:
4.9.02
Valha-me Nossa Senhora dos Mouses Encardidos! Agora
os nerds são sexy!!! (dica do Haroldinho) anotado
em 14:26
Pitacos:
Eu tenho que escutar coisas assim: Que loira o quê.
Meu negócio é morena. Não gosto de misturar as
tintas. anotado em 14:24
Pitacos:
Se alguém quer matar-me de salmonela, que me mate em
Bruxelas... (enviado por um leitor que solicitou sigilo e
anonimato. Até que enfim alguém topou continuar a
brincadeira) anotado em 14:23
Pitacos:
Millôr explicou hoje a origem do nome do musical Oh!
Calcutá. O que aquele monte de gente pelada teria a ver com a cidade
na Índia? Nada, na verdade. Calcutá apenas é um homófono da
exaltação calipígia "Quel cul tu as!", referindo-se às formas da modelo
num quadro. Essa eu conhecia desde que assisti a uma montagem da peça,
num teatro que virou Igreja Universal, onde os esquetes humorísticos
foram nivelados à baixaria do teatro rebolado decadente. Mas os atores
continuavam nus. anotado em 14:22
Pitacos:
3.9.02
Motivos pelos quais eu adoro os guias Lonely
Planet: "Medieval Blois (pronounced 'blwah') was once the
seat..." anotado em 16:58
Pitacos:
Dois artigos instigantes: no primeiro, a estética do gueto e a supervalorização da cultura da
periferia são postos contra a parede; no segundo, a história de um grupo
de realizadores que pagou um real a cada espectador que se dispusesse a
ver uma sesssão de seus curta-metragens, e suas implicações
éticas. anotado em 14:21
Pitacos:
Meu xará lembra bem: In Praise of
Idleness, de Bertrand Russel, na íntegra.
anotado em 14:14
Pitacos:
Se alguém quer matar-me de desgosto, que me mate em
agosto... anotado em 14:11
Pitacos:
Bukowski
não tem nada a ver com isso Quando é que alguém vai fazer uma
homepage Eu odeio Fernanda Young? Quando é que alguém vai
fazer um blog Eu odeio Clarah Aberbuck? Quando é que a Clarah
vai se mancar que escreve mal? Quando é que vai surgir uma nova
geração de escritores que se destaque efetivamente por escrever de
maneira inovadora, e não por causa de tatuagens, cabelo vermelho e um
ego que ocupa até a contra-capa dos
livros? anotado em 14:08
Pitacos:
Se é que eu ainda não avisei: não, eu não
escrevo mais no Digestivo Cultural. Muito eventualmente, pode até ser
que algum texto meu apareça, mas os tempos de colunismo semanal já se
foram. Escrevi muita coisa legal por lá; para não cair nessa besteira de
selecionar o melhor, indico uma discussão a quatro mãos. Abra a página, pule o
texto descendo a barra de rolagem e vá direto ler a seção de
comentários. A gente poderia continuar com aquilo
infindavelmente... anotado em 14:06
Pitacos:
Escrevi durante por volta de um ano e meio, quase toda
semana, no Digestivo Cultural, onde minhas colunas ficavam
disponibilizadas em conteúdo aberto, como, aliás, todo o site.
Não fui remunerado pela produção daquele conteúdo, problema que ainda
hoje assola a maior parte dos repositórios de conteúdo da
internet. Steal This Essay é uma série de ensaios que discute
por que o conteúdo é um bem público, porque não adianta proteger
criptograficamente o meio digital, e, especialmente, como viabilizar
financeiramente a produção de conteúdo. Das quatro soluções propostas --
apoio governamental, financiamento via filantropia corporativa e
organizações não-lucrativas, venda de átomos associados aos bits
e micromecenato -- a última é discutida por Scott McCloud na sexta edição de I can't stop
thinking!. anotado em 14:05
Pitacos:
2.9.02
Os autos dos mais famosos julgamentos da
História. anotado em 11:52
Pitacos:
Mordi minha língua: a Lia conhece, ou, se nunca leu as histórias em
quadrinhos, ao menos fez uma boa pesquisa sobre a Maria Cebola e o
Ferdinando Buscapé. anotado em 11:41
Pitacos:
Um expressão que tem caído de uso: Maria Cebola. Será
que ninguém mais lembra do genial Al Capp?
Um criador de tipos humorísticos tão extraordinários a ponto de
ultrapassarem a mera condição de caracteres ficcionais, se transformarem
em símbolos linguísticos. Maria Cebola, por exemplo, era a filha
encalhada de Ezequias Cebola, que se vale dum criativo expediente para
conseguir casá-la: reúne todos os solteiros de Brejo Seco na linha de
partida, e dá dois tiros; no primeiro, correm os homens, "como se disso
dependesse suas vidas", no segundo, as mulheres, e aquele que fôsse pego
até o pôr-do-sol teria que se casar. Para dar mais credibilidade, Samuel
Casamenteiro seria o responsável pelos disparos. Violeta nunca
conseguira capturar Ferdinando Buscapé, até que a pressão dos leitores
pelo casamento fez com que ela finalmente o alcançasse. Nos E.U.A. o Sadie
Hawkins Day acabou batizando festas de colégio, numa tradição que sobrevive até hoje, em eventos onde a mulher sempre tira o homem para dançar,
além de Li'l Abner inspirar musicais, um
balé, e até mesmo um selo postal e letras de
rock. anotado em 08:23
Pitacos:
Se alguém quer matar-me de horror, que me mate em
Salvador... anotado em 08:21
Pitacos:
1.9.02
Isto aqui é um dos melhores últimos parágrafos da literatura
brasileira. Para ler com solenidade:
Com vocês, por mais incrível que pareça, Antônio Maria,
brasileiro, cansado, 43 anos, cardisplicente (isto é: homem que desdenha
do próprio coração). Profissão:
esperança. anotado em 23:41
Pitacos:
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