October 27, 2004

Ah, a matéria da qual falei, sobre as strippers brasileiras em Londres vai sair nesse sábado ,30 de outobro , no jornal O Globo.

Nem acreditei hoje quando recebi uma text message do R.!(no Brasil o povo chama text message de "torpedo", não é?). Foi só falar no celerado.... Ele parece que adivinha quando decido que vou esqueçê-lo. Veio passar só essa semana na cidade, o lindinho. Vou deixar para esqueçê-lo semana que vem...

A impressão que dá em certos momentos fazendo esse trabalho é que voçê vai perdendo um pouco da sensibilidade, da doçura e da espontaneidade. A gente vai ficando meio cínica. Isso me preocupa um pouco.

escrito por Maya | 01:55 AM

October 26, 2004

Penélope Charmosa

Não consigo tirar R. da cabeça. Mesmo. Não o vejo há 3 meses nem dele tenho notícias. Como sempre, ele viaja e não mantem contato, e parte sem grandes dramas como quem vai ali, só tomar uma cerveja na esquina.

Os pretendentes(terrível esse termo, mas encontrei outro não) estão na marcação cerrada. Eu, feito uma Penélope iludida esperando um indiferente e incerto Ulisses, rejeito e administro o assédio.

escrito por Maya | 01:00 AM

Muito trabalho, poucas horas de sono e menos horas ainda de diversão. Retrato simples e resumido do meu último final de semana.

Poderia ter sido diferente mas na vida a gente até tenta, mas ser senhor total do nosso destino é pretensão sujeita a muita frustação. Pelos meus planos descansaria na sexta-feira, trabalharia pouco( das 5 ás 9 da noite) e ganharia muito no sábado num dos melhores shifts do mês, e no domingo estaria bem e descansada para encarar um curto e em geral calmo turno das 7 ás 10 da noite numa sonolenta vila ao oeste de Londres. Por razões alheias à minha vontade, tudo aconteceu diferente. Não preguei o olho na sexta devido à uma insônia estúpida, tive de trabalhar no sábado da 1 da tarde ás 2 da manhã e domingo encarei,muito cansada e sem paciência, um turno curto mas que parecia interminável.

Rumo eu então,de trem, para uma cidade pequena fora de Londres num domingão à noite- cansada,
e irritada pela poucas horas dormidas. Mal sabia eu o que me aguardava. Esse lugar, a cerca de 2 horas de carro de Londres, abriga um dos pri
incipais quartéis generais do exército britânico mas a clientela desse strip pub sempre foi eclética:os habitantes locais quando nada têm de melhor a fazer ou os os "army boys"(os jovens soldados) em folga. Nada, nos dias normais, muito digno de nota.Chegando lá descubro que tenho de encarar pela frente um pub cheio de soldados bêbados, muito bêbados. Eram parte do pelotão que chegara no dia anterior do Iraque, depois de 7 meses sem beber uma gota de álcool nem ver nem um tornozelo feminino. Pense! Todos muito jovens Para entretê-los,2 strippers, uma loura inglesa e eu. No começo ainda me estressei, depois tomei umas duas taças de vinho branco, relaxei e até que me diverti com a meninada. Tony Blair que me agradeça pelos serviços prestados .

escrito por Maya | 12:37 AM

October 22, 2004

Extra, Extra

Quentíssima essa. Para os interessados em um relato mais ilustrativo, abrangente, alegre, interessante sobre o que é ser uma stripper brasileira em Londres , aguardem. Vai rolar uma matéria sobre o assunto no caderno Ela( ou seja lá como se chama o suplemento feminino desse jornal) do O Globo. Pois então, o correspondente do jornal carioca aqui em Londres tanto fez que conseguiu reunir umas 5 meninas brasileiras que estão a fazer striptease na cidade do Big Ben para que elas contassem suas histórias. Teve sessão de fotos hoje num estúdio de pole dancing - das fotos preferi não participar- , depois todo mundo foi para o pub em frente e as garotas falaram sobre o trabalho num clima de bate-papo. Vamos ver qual vai ser o resultado final.


A façanha de convencer e juntar o grupo foi de uma jovem brasileira que estuda jornalismo aqui em Londres e que produziu a matéria, a Thaís, figura gracinha, inteligente,ativa e que conhece algumas meninas desse mundo. Maior futuro tem a garota.

escrito por Maya | 10:16 PM

October 17, 2004

Primeiro domingo de folga desde que cheguei de férias. O tempo não estava essas coisas todas, não, chuvoso e friorento, mas mesmo assim encarei a rua, que ficar de molho não é comigo. Aula de balé no começo da tarde na Danceworks (que saudades de fazer aulas mais regularmente). O Renato Paroni, aliás, é brasileiro e um dos mais conceituados professores de balé daqui. Depois dei um pulinho em Camden Town, que apesar do tempo encoberto tava aquele horror de gente, como sempre. Não gosto muito daquela área aos domingos, acho tudo muito anos 70, sei lá, coisa que já foi um dia bem contracultura e hoje é só cena. Mas enfim, estava há tempos querendo comprar umas botas novas, daquelas de vão até a coxa e sabia que lá encontraria o que queira a um preço razoável.Às vezes acabo gastando mais com as roupas, maquiagem e sapatos de trabalho do que com o meu guarda roupa normal.

escrito por Maya | 10:46 PM

October 14, 2004

Terminei ontem de ler o livro de José Murilo de Carvalho, Cidadania no Brasil - O Longo Caminho Sempre que vou no Brasil volto querendo entender mais o meu país e quando vi bati a vista no livro- que fala sobre a história dos direitos civis, políticos e sociais no nosso país e de como a noção de cidadania está para a nossa gente- achei que seria uma leitura útil. E ollha, o cara dá conta do que se propôs com uma concisão e coerência danada. Um olhar breve mas contudente sobre a história do Brasil. De arrepiar a parte em que ele fala da ditadura militar e posterior redemocratização. Tapa na cara quando, ao falar da situação atual, ele divide os cidadãos brasileiros em 3 tipos: os de 1ª classe(os 8% acima da lei), os de 2ª classe(a classe média modesta para quem os códigos civil e penal são aplicados de forma incerta e parcial) e os de 3ª classe, os excluídos,("Para eles só se aplica o Código Penal", na definição dele). Um longo caminho até a cidadania desse nosso povo, com certeza.

escrito por Maya | 12:14 AM

October 13, 2004

E agora tem uma porção de gente perguntando como , quando e onde comecei nessa vida. Escrevi já um pouco sobre isso nos primeiros posts, ainda quando a casa do naked era o blogger ,mais precisamente nos arquivos de julho de 2002.
Mesmo assim vou dar uma resumida :
Minha primeira tentativa foi no final de 98, num clube chic e grande de lap-dancing que estava abrindo perto de Oxford Circus. Vi uma nota, no studio onde fazia aula de dança ,chamando para fazer audição para o show de abertura( eles queriam ter além das strippers tradicionais um show de bailarinas profissionais no estilo dos grandes cabares de Paris como o Lido e o Molin Rouge) que tinha de ser topless. Fui lá mas era muito baixinha para esse tipo de show mas quando vi que podia fazer audição para stripper também, resolvi tentar e passei. Mas não trabalhei lá mais do que 2 noites, saí de lá achando que não dava de jeito nenhum para aquilo.
Até que, em janeiro de 1999, descobri sobre os strippubs, lugares simples e bem mais fáceis de trabalhar, onde,na época, não havia danças privadas. Não conhecia ninguém que fazia e acabei descobrindo sobre esse lugares num anúncio na Loot, que é o jornal de classificados daqui. Há 5 anos atrás a cena de striptease em Londres era um pouco diferente da atual, e não havia tantas meninas assim fazendo: hoje me dia não se encontram anùncios em jornal sobre os pubs de strip só sobre os clubes, pois o mercado já está um tanto saturado.
Atualmente continuo a trabalhar em pubs onde rola striptease só que ao invés dos lugares que fazia no início, no centro de Londres, agora vou para aqueles fora da cidade, que ainda mantêm a atmosfera relaxada e na boa que os lugares mais centrais perderam.
Como já falei, as coisas mudaram bastante desde que comecei e tudo está mais difícil. Há mais meninas e as comissôes que pagamos às agências e aos pubs não param de aumentar, ou seja, náo se fatura mais como se costumava.
As garotas que estão no business há algum tempo reclamam bastante; eu, que nunca fiz fortunas não tenho tanta saudade dos tempos aúreos- que nunca foram assim tão dourados para mim. Pago minhas contas, moro bem e confortavelmente. Estou feliz com o que ganho.
É isso aí, em futuros posts vou dá uma idéia sobre como são as meninas que entram nesse trabalho.

escrito por Maya | 10:12 PM

October 06, 2004

Fazia anos que não acordava,por acordar, às 5 da manhã. Só se tivesse que pegar um vôo cedinho. Incrível como cheguei hoje antes do professor na aula de auto-prática de astanga yoga. Como cada um faz a sequência de posturas no seu próprio ritmo e tempo, com o professor só orientando, o horário é flexível e pode-se chegar a qualquer tempo, entre as 6.30 e 9.30 da manhã. Meu costume era chegar lá pelas 8 e ficar até o final da sessão. Há tempos que queria experimentar madrugar mas nunca que conseguia deixar minha quente caminha antes das 7. Como é fantástico sair cedinho pelas ruas ainda quase desertas, naquele friozinho fresco. Quer dizer, é bom porque não é obrigação pois agora me lembro do tempo em que trabalhei num hotel no inverno de 98 servindo o café da manhã e saía a essa mesma hora, achando um terror. Como são as coisas.

escrito por Maya | 02:24 PM

October 01, 2004

Essa semana não tem sido lá grande coisa, não. Em aspecto nenhum. Mas como diz um grande amigo meu, figura engraçadíssima: "Tenho fé que vai melhorar!".

Adoro exames e provas. Quanto mais difíceis, melhor. Pelo desafio que envolvem,pela preparação antecipada e meticulosa que exigem e pela necessidade de concentração. Adoro estar tão absorvida e empenhada em estudar algo que todo o resto perde a importância. E não é pelo resultado em si mas pela próprio processo de aprender a dominar um assunto ou uma técnica, o que só é possível se a gente se dedica totalmente à tarefa. Explico: estou inscrita para fazer o exame de tradução do Institute of Linguists que acontece em janeiro e para o qual estou fazendo um curso de preparação desde o começo do ano. É uma exame dificílimo e só agora, depois das férias, é que comecei a encarar com seriedade. O mais interessante é que talvez tenha de voltar de vez para o Brasil antes do dia da prova mas como ainda não decidi se irei ou não, não me resta nada a fazer senão estudar.

Tem lugar onde trabalho que me deixa cansada, insegura, estressada ou sem tanto dinheiro assim no bolso no final da noite para compensar. Ja pensei diferente, achava que qualquer tostão a mais contava, mas hoje em dia prefiro trabalhar onde meu estilo funciona mais- não é em todo lugar que faço dinheiro- e onde há mais respeito pelas meninas - detesto injustiça e exploração por parte dos donos dos strip pub ou clubes e das agências. Sei que tem menina que acha que tem de se submeter para faturar mais ou mesmo para faturar alguma coisa. Mas não acho isso certo não. Devo estar ficando velha e cansada dessa luta.

escrito por Maya | 01:10 AM