December 24, 2004

FELIZ NATAL

escrito por Maya | 03:55 PM

Véspera de Natal. Para quem fica por aqui nessa cidade significa véspera de 2 dias ou 3 (já contando com hoje) de puro ócio, de puro tédio. A cidade pára, fecha inteira, é aquele ar de tristeza total. Nada a fazer senão ficar enfurnada dentro de casa a se empanturar e assistir tv. Como sou do contra e nem televisão tenho em casa, vou estudar, ler, meditar e organizar minha amada bagunça.

Marquei de tomar um drinque mais tarde com uma amiga mas já sei que vai ser díficil de encontrar um lugar aberto hoje depois das 5 da tarde aqui na normalmente super agitada Shoreditch. Pelo jeito a gente vai acabar mesmo é no El Paso, sempre o último bar da área a fechar.

Andei me sentindo perigosamente desiludida e desesperançada no começo dessa semana. Não me foi dado quase nenhum trabalho nesse período que é considerado o mais lucrativo do ano.Sabe quando voçê se sente um lixo, desprezada e injustiçada, sozinha e abandonada?! (Que drama!). Adoeci de novo e não tinha ânimo nem energia para as minhas práticas de yoga e pole. Ainda bem que a nuvem negra da depressão se dissipou , o resfriado cedeu e voltei a respirar mais aliviada; foi só uma curta fase de baixo-astral. Vai ser bom ter pela frente dias preguiçosos e parados. Reclamo, reclamo do marasmo que é o periodo natalino aqui mas um pouco de tranquilidade e silêncio não há de fazer mal a ninguém.

escrito por Maya | 03:54 PM

December 19, 2004

A montagem londrina do musical sucesso absoluto da Broadway , The Producers,do Mel Brooks que estreou mês passado no West End é o hit teatral do momento, o espetáculo mais comentado por todos e mais elogiado pela mídia, que está inclusive endeusando o Nathan Lane, que faz o papel principal. Por conta desse auê todo, claro que os ingressos estão esgotados pelos próximos 2 meses ou mais.
Quando Mike, amigo e antigo admirador meu, que mora em Dubai e veio passar 5 dias na cidade, me convida para ir ao teatro e me pergunta o que quero ver, cometo o pecado de dizer: The Producers. Se bem que minha resposta foi mais a expressão sincera da minha vontade no momento do que um capricho infantil e acrescentei os dois outros espetáculos que gostaria de ver. Mas ele foi muito gracinha e se deu ao trabalho de tentar comprar os ingressos para o show e deu sorte: ficou na fila de espera pelas desistências e conseguiu!
O senão da noite foi que pouco antes de começar a apresentação, deu um piripaque nas costas da estrela principal e quem entrou em cena, com um atraso de uns 15 minutos ,foi o seu substituto. Quando o contratempo foi anunciado pouco antes da cortina subir, a platéia demonstrou a maior decepção; os jornais no dia seguinte noticiaram que teve gente que, alegando que só tinha ido para ver o "maravilhoso" , pediu o dinheiro de volta! Aliás, segundo a impressa (eu não os vi) quem estava na platéia nesse dia era o principe Charles com a Camila.
Bom, mas o outro ator deu conta do recado e o musical é realmente muito bom, hilário do comeco ao fim. Uma mistura de sátira inteligente e humor ingênuo e pastelão. E olha que não sou muito fã nem de musicais nem de comédias.


Enviei no começo das semana os documentos exigidos e o cd com a música que dançarei. É que decidi participar mesmo da competição do pole dancing, que acontecerá no começo de fevereiro do ano que vem. Fiquei na maior dúvida na escolha da música e acabei optando por um ritmo que não é exatamente a minha especialidade pois meu estilo é mais para as melodias mais lentas e rasgadas. Resolvi tentar algo mais pra cima e vou de música eletrónica brasileira cabeça: meus rodopios no pole serão ao ao som de Contraditorio?, faixa que dá nome ao cd do Dj Dolores.

escrito por Maya | 08:14 PM

December 12, 2004

Quinta-feira passada quando saio para trabalhar vejo que chegou um pacote com os dois últimos livros que comprei on-line pela amazon.com, o que deixou animada e contente. Como estava carregando muita coisa- mochila pesada com todo o babado necessário para dar a pinta de stripper pelos lugares afora- decidi só pegar a encomenda quando voltasse para casa mais tarde. Pra quê, que quando retorno das minhas andanças fora da cidade, nada do embrulho... Não acreditei na capacidade da galera de simplesmente afanar algo endereçado claramente à outra pessoa. Fiquei irada e desapontada, contando do meu infortúnio a todos os vizinhos que encontrei pela frente, quem sabe um deles era o larápio e se compadecia. Sem muita esperança, mesmo assim escrevi uma nota e deixei no hall de entrada, pedindo com muito cortesia, que quem, por engano , tivesse pegado os meus pertences, que me devolvesse. Que alegre que ela ficou, quando deu de cara na manhã seguinte quando descia para ir na aula de inglês, com seus desejados livrinhos: The Little Book of BUDDHISM, livrinho de bolso com citações do Dalai Lama, e The Heart of Yoga, do T.K.V. Desikachar, livro-chave para todo estudante de yoga sério. Não exatamente leitura para qualquer pessoa, muito menos alguém capaz de surupiar o que não lhe pertence, heim!( e aliás segundo meu melhor amigo quando soube do meu suposto prejuízo e que torce o nariz para minhas leituras espirituais, os livros perdidos muito menos seriam de interesse da maioria da pessoas honestas e sensatas desse mundo).Enfim, só sei que, para MIM acredito que eles têm muito a ensinar e estou feliz de os ter recuperado tão rápido e fácil. Happy End .

Falando em livros, acabei de ler ontem o The Dharma Bums, do Keroauc, que um On the Road mais místico mas sem a vibração e vitalidade do seu livro mais famoso. O estilo inebriante de prosa entusiasmada está ali mas infelizmente o resultado é vago ao contar a busca da verdade pelo budismo que o personagem principal faz nas suas viagens loucas pela linda paisagem americana.

No sábado finalmente fui assistir a peça One Flew Over the Cuckoo's Nest(Um Estranho no Ninho, no Brasil), com o Christian Slater e com umas das grandes atrizes do teatro britãnico atual, a Frances Barber. Bela montagem. E não, o Slater não supera o Jack Nicholson no famoso filme de 1975, que praticamente definiu o estilo pirado do famoso ator, mas está muito bem no papel, numa atuação consistente , eficiente e que dá espaço para o resto do elenco acontecer. Acho até que foi ao mesmo tempo audácia e humildade da parte dele encarar esse papel, ele que já foi tão criticado por ser um mero imitador dos maneirismos do Jack Nicholson. Audácia que rendeu frutos e a montagem é um sucesso de crítica e público.

escrito por Maya | 10:05 PM

December 07, 2004

Que para derrubar a "poderosa" aqui uma gripe simples não consegue! Dor de cabeça e corpo doído por uma semana- lembrou os sintomas da dengue- não foram o bastante para me confinar em casa durante a moléstia e cumpri meus compromissos de trabalho e com os amigos. A única restrição foi que não pude fazer exercícios físicos mais vigorosos (astanga yoga, aula de balé e treino no pole, todos fora de questão). Lembro que adorava ficar de cama quando era criança, só para ganhar tanta atenção da mãezinha, normalmente muito ocupada com outras coisas. Ninguém para me mimar por perto hoje em dia além de mil coisas a fazer e mil contas a pagar, para não mencionar o tédio: que ficar de cama, que nada!

Tinha comprado à séculos ingresso para ver uma companhia de dança de Taiwan, a Cloud Gate Dance Theatre of Taiwan, no Barbican Theatre, que mostrava o seu último trabalho, Bamboo Dreams. Na última visita dessa companhia em Londres, com o espetáculo Moon Water, me emocionei tanto que cheguei a chorar com a mistura acertada de balé, dança moderna e tai-chi, com fortes toques da tradição budista como conteúdo e não podia deixar de ver o nova coreografia deles. Apesar de belo, essa nova coreografia não chega, infelizmente, aos pés da anterior: o coreógrafo, talentossímo sem dúvida, optou por uma proposta mais plástica, mais técnica e mais puxada para a tradição do balé clássico e da dança moderna ocidental. Enche os olhos mas já não emociona tanto.

Como é que nunca tinha visto esse filme antes! Um amigo me emprestou semana passada o DVD do musical Cabaret(1972), dirigido pelo finado e fantástico coreografo americano Bob Fosse e assisti duas vezes nesses últimos dias. Nunca ninguém tinha me contado o quanto esse filme é simplesmente delicioso: as músicas, as coreografias, os diálogos, o clima, a Liza Minneli abalando no que deve ter sido o seu melhor papel no cinema . Cabaré decadente na Alemanha antes da ascenção do Nazismo, com a Liza Minnelli se jogando numa vida de prazeres, amor e arte. Você sai cantarolando as canções e totalmente no clima de que Life is a Cabaret. Bárbaro.

escrito por Maya | 11:36 PM

December 03, 2004

De cama com uma virose fortíssima mas como nesse serviço a gente não tem sick pay, não cancelei meu trabalhol de hoje á noite não. Reunirei toda a força e coragem para, mais tarde, me levantar e enfrentar o frio da rua e a fumaça dos pubs. O que não se faz para se ganhar o pão de cada dia nessa cidade.

Terça-feira passada, estava no Tesco a fazer umas compras quando o telefone toca;era a Bethanie, uma das organizadoras do concurso de pole-dancing, me comunicando que estava entre as finalistas do evento que vai acontecer daqui a cerca de dois meses. Fiquei boba- não esperava nunca- e até um pouco orgulhosa de mim mesma. Passada a surpresa, caio na real e ao invés de alegre estou é preocupada. Como é que fui me envolver nisso? Tenho um trabalho apenas razoável no pole e para não passar muita vergonha vou ter que treinar pra caramba. A única vantagem que vejo é que se não desistir e resolver enfrentar o desafio ao menos ganharei um incentivo para melhorar meu desempenho. Preciso enviar a música e meus documentos em uma semana confirmando minha participação; até lá pensarei com carinho no assunto.

escrito por Maya | 02:53 PM