September 30, 2003

Ontem vimos “Bringing up Baby”(1939). No caso “baby” é o nome de um leopardo que veio do Brasil (?). Em Portugal, o filme se chamou “Duas Feras”, no Brasil, Levada da breca.

Tá, me diverti, ri, Cary Grant é um dos melhores atores de todos os tempos, etc etc etc, mas hoje lendo a coluna do Arnaldo Jabor também bateu uma certa melancolia:


Vendo filmes americanos dos anos 40, não sentimos falta de nada. Com suas geladeiras brancas e telefones pretos, tudo já funcionava como hoje. O “hoje” deles é apenas uma decorrência contínua daqueles anos. Mudaram as formas, o corte das roupas, mas eles, no passado, estavam à altura de sua época. A Depressão econômica tinha passado, como um grande trauma, e não aparecia como o nosso subdesenvolvimento endêmico. Para os americanos, o passado estava de acordo com sua época. Em 42, éramos carentes de alguma coisa que não percebíamos. Olhando nosso passado é que vemos como somos atrasados no presente. Nos filmes brasileiros antigos, parece que todos morreram sem conhecer seus melhores dias.

Na crônica, ele também fala sobre as imagens do carnaval de 1942 que Orson Welles fez, únicas imagens a cores do país nessa década, e diz que “que já faltava muito naquele passado” dos foliões retratados.

Outro dia vi o tão famoso “Orfeu Negro”, aquela apoteose francesa ao Rio de Janeiro, que ouvia minha mãe falar com tanto escárnio. Aquelas cantorias, bom, qualquer cantoria com músicas de Jobim e Vinícius vale a pena, atuações terríveis, paisagens maravilhosas, posso estar errada, mas acho que a casa de Orfeu fica no Morro Chapéu Mangueira, uma ou outra sacada brilhante. O filme é de 1959 e eu não tenho a lembrança de ter visto tantas imagens do carnaval carioca daquela época. De relance, aparece a Dona Neuma, até dei rewind no DVD, pra me certificar que era ela mesma. Precisou de um filme francês para eu assistir mais de 10 minutos ininterruptos do carnaval na praça 11 em 1959.

Mas estou nessa digressão gigante para dizer que tem coisas que parecem que vão se perdendo na cultura brasileira, e ninguém sabe onde essas coisas perdidas vão parar, e o pior, se alguém se lembra delas, se alguém registrou, se alguém pode contar, falar sobre isso. Bate uma angústia, não é querer ser saudosista, mas por que certas coisas teimam em “involuir”? Na vida da gente o mesmo processo, ficando na categoria das coisas que poderiam ter sido e nunca chegaram ao seu auge, não levaram a nada e só fez a gente andar pra trás.

Quando o W. entrevistou o Arto Lindsay (virei groupie, eu sei), ele disse que cada escola de samba no Rio tinha um ritmo de samba diferente, instrumentos arranjados/afinados de maneira diferente, parece que hoje só sobrou um tal de surdo virado da Mangueira, sabe se lá como isso se preservou, mas com o tempo tudo se uniformizou e a gente escuta hoje aquele samba rápido, mais marcha, do que samba-enredo. Ainda contagia, mas essa diferença entre as escolas se perdeu pra todo o sempre. Imagina, eu não sou conhecedora de samba, muito menos da história escolas de samba do Rio, mas mesmo assim, me dá um dor por isso não existir mais, por ter “involuído”.

E esse post continua, horas e horas, varando a noite e me tirando o sono…

***

Lilia lembra que oat meal é aveia, aquela da piada a véia quaker.

***


Deixe em paz meu coração

Que ele é um pote até aqui de mágoa

E qualquer desatenção, faça não

Pode ser a gota d'água

chico buarque

posted by NYCG at 05:21 PM

September 29, 2003

Minha cultura cinematográfica é pobrinha. Alguém poderia me explicar porque resolvi trabalhar com cinema? Conheço muitos poucos filmes americanos, os clássicos então… Alguém poderia me explicar o que estou fazendo neste país? Mas aos poucos vou me redimindo, é um trabalho árduo esse negócio de ver filmes.

Hoje tem aula daqueles filmes antiiigos, preto-e-branco, Cary Grant, Clark Gable. Frank Capra, ah sim, conheço, Howard Hawks (quem?), claro, íntimo meu. São tão assanhadinhos esses filmes pra época, como esse país encaretou. As mulheres tão bem vestidas, tão glamurosas, verdadeiras estrelas de cinema.

Se na década de 30 eles faziam esses filmes tão sexies, por que em 2003 os filmes não podem passar do NC-17, que é a última cotação antes de X-rated. O último filme de hollywood que foi cotado como NC-17 foi o inassistível “Showgirls”, mas esse nem conta, né?

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Ê Ô A noite chegou fazendo frio

Ontem foi o primeiro dia que usei um xalezinho em volta do pescoço. Faz frio. Mas continuo ainda usando sandália. Fashion police, pelamordedeus, vem me dar uns conselhos antes que seja tarde demais.

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Outro dia obriguei o S. a comprar um tal de Irish Oat meal, porque queria a lata para colocar minhas canetinhas.Olha que retrô. Achei que seria uma boa recordação dos EUA. Eu não tenho jeito, sou caso perdido. Já fico guardando recordações para o caso de um dia eu não morar mais aqui. Sentia a mesma coisa quando morava no Leblon. Depois de devorado o oat meal, não sei o nome disse em português, será farinha láctea, bom, trouxe a lata pra casa. Ficou grande, a lata engoliu as canetinhas, preciso pescá-las lá de dentro. Recordação fajuta. Preciso de outras, muitas outras.

Nesse meio tempo, o S. viciou neste oatmeal caro. Já não consegue mais comer a gororoba que vinha numa caixa e custava $1.99.

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Impressionante como algumas coisas all that it takes is ONE phone call.

posted by NYCG at 01:11 PM

September 28, 2003

Uma das coisas que americano a-do-ra é formar grupo de interesses comuns. Sempre achei meio exagerado, se duvidar tem grupo dos anões bêbados que gostam de jogar pôquer às sextas-feiras à tarde num bueiro na rua 125th. Mas aí eu encontrei... o grupo das continuístas de NY! São 2 horas de completo entendimento, consolo, ajuda, conselhos, uma verdadeira terapia. Todas falamos das nossas dores, dos nossos problemas e picuinhas no set, como utilizamos tal ou tal formulário, qual a melhor caneta, a melhor régua, o melhor fichário! Coisas da maior utilidade! Ainda saímos de lá fazendo amizades e as pessoas indicam umas às outras pra empregos vários. Agora com que cara eu vou ficar quando disser que panelinhas são abomináveis?!

posted by NYCG at 07:50 PM

September 26, 2003

Eu nunca vou entender a utilidade de fazer as mãos e pés. Não entra na minha cabeça manicure e pedicure. Não entendo a estética da coisa, não entendo porque alguém gastaria dinheiro e tempo com isso. A cutícula é feia, como é que é? Explica isso pra mim. É um conceito totalmente alienígina. Tá, eu não sou a pessoa mais vaidosa do mundo, mas também não sou mocoronga, até entendo de algumas futilidades. Mesmo assim, acho sem sentido, sem razão de ser.

***

Dizem que americanos são egoístas, self-centered, que não adotam outras culturas e outras generalizações. No domingo, presenciei uma situação corriqueira, mas que me fez pensar até onde isso é verdade. 25 pessoas da equipe e atores almoçavam num restaurante tailandês. Havia um garfo e os pauzinhos-chopsticks. 24 pessoas preferiram os chopsticks e os utilizavam com destreza inenarrável. Eu usei o garfo, não tenho paciência, sou desengonçada e nunca quis aprender a comer com chopsticks. Odeio sushi, acho que isso também contribui para a aversão aos pauzinhos.

Chineses e outros orientais já moram nos EUA há mais de 100 anos, mas mesmo assim me admirei com a naturalidade com que aquela pequena amostra de americanos adotou o costume dos chopsticks à mesa.

S. disse que são coisas de NY. Hum, talvez.

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O irmão do S. se preparava ontem pra fazer o pedido num restaurante quando de repente se sentiu tonto e desmaiou. Ficou desarcordado por 1 minuto e meio. Passou o resto do dia no hospital. Os médicos diagnosticaram que o desmaio foi causado por estafa. Sinistro.

posted by NYCG at 05:39 PM

September 25, 2003


Yo vide una garza mora
dándole combate al río
Así es como se enamora,
Tu corazón con el mío

Luna, luna, luna llena
menguante

tonada de luna llena, simon diaz


posted by NYCG at 07:44 PM

Então, isso aqui ficou renegado, eu sei. O filme acabou hoje. Era uma comédia, apesar de vários atritos entre membros da equipe, foi uma boa experiência. É um grupo relativamente pequeno que trabalha com cinema em NY, a maioria está em LA mesmo, então todo mundo meio que se conhece. Trabalhei com algumas pessoas neste filme que não conseguia me lembrar de jeito nenhum de que outro filme eles também trabalharam. Isso não costuma acontecer, tenho ótima memória, mas acontece que fica um filme atrás do outro e às vezes é só mais um...

***

Numa conversa puxa a outra, o Diretor de Fotografia me contou que aquele ator canadense que foi ao Brasil e conheceu Cleonice escreveu um ótimo script pra ser filmado no Brasil. Ele já tinha me contado, me chamou pra trabalhar nele, mas não levei fé. Atores, sabecomé, hehehehehe. Mas confio no DP, se ele disse que é bom, deve ser mesmo. Bom... vamos ver se acontece alguma coisa. Adoraria trabalhar num filme no Brasil. Cinema no Brasil sempre me pareceu uma coisa tão elitizada, da qual eu nunca teria acesso, mas tenho a impressão de que tudo está tomando novos ares. Será verdade ou apenas notícias de jornal?

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Estou me afastando do S., estamos juntos, mas me vejo me afastando, me afastando, como se tivesse perdido o caminho de casa.

posted by NYCG at 12:12 AM

September 21, 2003

O maquiador do filme em que estou trabalhando não é gay. O mundo vai acabar.

***

O maquiador é austríaco. Numa brincadeira, ele disse que sua autobiografia devia se chamar "Bulletproof Lederhose - the story of how I made it in NY". Tá, pode não ter graça agora, mas na hora eu gargalhei.

***


Os bóias-frias
quando tomam umas birita
espantando a tristeza,
sonham com bife a cavalo, batata-frita e a sobremesa
é goiabada cascão com muito queijo depois café
cigarro e um beijo de uma mulata chamada Leonor
Ou Dagmar

o rancho da goiabada (joão bosco e aldir blanc)

posted by NYCG at 08:04 PM

September 19, 2003

O show ontem foi bom. Eu gosto das doidices do Arto, não sei explicar muito porque, normalmente não tenho muita tolerância com essas experiências gringas na música brasileira. Talvez o Arto não seja assim tão gringo, bom, alguém que fala português tão perfeitamente já vira um não-gringo por extensão.

Como esse mundo dá voltas inexplicáveis, pude contar pessoalmente ao Arto a história de quando na Bahia, na sede do Ylê Ayê, alguém me perguntou se eu era amiga dele. Eu nem pensava em um dia visitar Nova York, nunca tinha nem me passado pela cabeça, muito menos conhecer Arto Lindsay. Ele ficou encantado, massagear ego de artista é a coisa mais fácil do mundo. E recontou em inglês a história para W., todo bobo.

***

Ontem peguei o script de um curta que vou começar a trabalhar de amanhã até quarta-feira. De grana, novamente fui salva pelo gongo. Eu devia sempre confiar no futuro, não estarei desamparada, não preciso me desesperar.

A produtora disse que tinha sonhado comigo no dia anterior. No sonho, eu dizia que tinha arrumado outro namorado e que não ia mais me casar.

Ela acordou estranhando o sonho, já que não somos assim amigas tão íntimas e eu não teria a liberdade de contar esse tipo coisa pra ela.

Não, não arranjei outro namorado, mas a produtora captou algum desencanto que anda insistentemente dentro de mim.

***

Existe disco mais lindo do que Bach Bachianas com música de Villa Lobos e Bach?

posted by NYCG at 03:07 PM

September 18, 2003

Como diria a Lilia, minha cabeça hoje não está pegando a Globo. Estou fora de sintonia. Este negócio de sair pro carnaval é ótimo, mas não tenho disciplina nenhuma e sempre exagero a dose. E com essa porção de coisas pra fazer. Ao invés de pegar o metrô, vou fazer meus errands a pé, venta muito lá fora, mas não chove.

Hoje é o show do Arto Lindsay. Estou feliz por encontrá-lo mais uma vez.

posted by NYCG at 04:06 PM

September 17, 2003

Eita, cheguei atrasada hoje na aula de novo. Estava tão entretida com a Lilia e seu sotaque maravilhoso de Fortaleza que esqueci da vida. Que energia boa esta mulher tem! Agora, vocês vão me dar licença que eu vou num bar ouvir forró.

posted by NYCG at 10:50 PM

September 16, 2003

A Mosquito

Dita slept with a good friend
of Rico's, Giggy Ben-Gal. He got on her nerves
when he called screwing intercourse. He disgusted her
by asking afterwards how good it had been
for her on a scale of nought to a hundred. He had an opinion
about everything. He started yammering on about the female orgasm
being less physical, more emotional. Then he discovered
a fat mosquito on her shoulder. He squashed it, brushed it off, rustled
the local paper and fell asleep
on his back. Arms spread out in a cross.
Leaving no room for her. His cock shrivelled too
and went to sleep with a mosquito on it: blood vengeance.

amos oz in the same sea

***

Não consegui me conectar tanto com a história de El Rey de La Habana. Prefiro os outros livros com o personagem Pedro Juan, que vem a ser o próprio autor ou seu alter ego, ou as duas coisas. Mas o livro do Amos Oz é incrível, escrito numa poesia-prosa, estou encantada.

***

Missed Messages

Entre ouvido no F-train:

Uma menina com cara de chinesa, observando sua imagem refletida na janela do metrô, pergunta à mãe também com cara de chinesa:

- Mom, do I look Chinese?

Ria, ria, ria, claramente se divertindo com a pergunta. Obteve um sorriso de volta como resposta.

- But I came from Hawaii.

posted by NYCG at 05:42 PM

September 15, 2003

Hoje vi "Lavoura Arcaica" no Lincoln Center. Achei bom, mas muito longo. Poderia tirar uns 40 minutos sem dó. Acho que o diretor se apaixonou por aquele universo teatral e literário e ficou com pena de cortar. Às vezes parecia que tinha texto demais, atuação demais, fotografia bonita demais. Não havia tempo para que minhas idéias se organizassem e já vinha mais uma enxurrada de beleza excessiva. Acabou perdendo o impacto e algumas horas, o interesse.

Mas como o Walter Carvalho é um mestre, né? Um mestre. Li que ele anda se aventurando na direção do longa sobre o Cazuza. Hum. Cinematographers não costumam ser bons diretores, mas quem sabe ele prove a História do contrário.

***

As aulas começaram hoje e eu já cheguei atrasada. Não contava que 'Lavoura Arcaica' fosse tão grande. Eu não queria me matricular este semestre, mas tive que fazê-lo para manter meu visto. Vou fazer um curso de Avid e outro teórico sobre filmes de comédia americanos de 1934 a 1944, um gênero conhecido como Screwball comedies. Mais um capítulo glorioso da Miseducation of NYCG in a theater near you.

***

Lembro de ter lido na biblioteca do CCBB livros como O Amante de Margueritte Duras, Werther de Goethe, Cartas a um Jovem Poeta de Rilke, entre outros. Eram livros curtos, não sei se conseguiria ler um livro muito grande aboletada naquelas cadeiras do CCBB. Mas como era bom a tranqüilidade daquelas tardes, quanta desocupação produtiva. Suspiros...

posted by NYCG at 10:32 PM

September 14, 2003

Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar

E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos
Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização

Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você

futuros amantes, chico buarque

posted by NYCG at 11:25 PM

Blame shifting

Os Estados Unidos responsabilizaram outros países pela falta de consenso na rodada de negociações neste domingo, dizendo que muitos participantes não estavam dispostos a fazer concessões.

no globo de hoje

São sempre os outros, sempre os outros. Tenho o mesmo problema dos EUA, ja-mais assumirei minha culpa. Concessões? Imagine.

posted by NYCG at 09:35 PM

September 13, 2003

O subdesenvolvimento é a incapacidade de acumular experiência.

Edmundo Desmoes

Esta frase está no livro "El rey de La Habana" de Pedro Juan Gutiérrez. Finalmente recebi um aviso da biblioteca de que o livro estava a minha disposição. Com este, completo a leitura de todos os livros do cara, estou fascinada. Se algum dia eu for a Cuba, vai ser em grande parte por causa dele.

Fui à biblioteca e de lambuja peguei o mais recente livro de Amos Oz "The Same River" também.

Eu posso reclamar daqui, falar os diabos, mas este acesso fácil aos livros me dá um novo grau de apreciação por este país. No Brasil, eu queria dar uns socos naquele pessoal da biblioteca do CCBB, apesar de passar tardes e tardes por lá copiando poesias num caderno e lendo livros inteiros.

posted by NYCG at 03:02 PM

September 12, 2003

Tenho curiosidade de saber o que o escritor israelense Amos Oz, um dos meus preferidos, tem para falar sobre esse carro desgovernado que se tornou Israel. Expulsar o Arafat, peralá, né...

posted by NYCG at 02:27 PM

September 11, 2003


Muchas veces uno intenta cambiar la vida. Tener más control, prever algo. Conocer las consecuencias de cada decisión. Pero no. Somos igual que esas hormigas locas que corren en el jardín y tropiezan unas con otras y pierden el rumbo una y otra vez.

Pedro Juan Gutiérrez
in Animal Tropical

posted by NYCG at 12:43 PM

September 10, 2003


wilson simonal: hahahahaha! vamos voltar a pilantragem!

galera: (clap clap clap) vambora!

w.s: deixa comigo, uma musiquinha para machucar os corações:

Nem vem que não tem

nem vem de garfo que hoje é dia de sopa

esquenta o ferro passa a minha roupa

eu nesse embalo vou botar pra quebrar

sacudin, sacundá, sacundingundigundá

(...)

nem vem

numa casa de caboclo

já disseram um é pouco dois é bom três é demais

nem vem

guarda seu lugar na fila

todo homem que vacila a mulher passa pra trás.


posted by NYCG at 06:02 PM

Como não estou muito boa para escrever sobre mim, tô embolada, escangalhada, esta história me fez gargalhar. Divirtam-se.

Um homem resolveu se empacotar dentro de uma caixa de madeira e foi enviado de avião de NY para Dallas. Ele disse que não tinha dinheiro para a passagem e estava com saudade da família. Ele só não morreu porque ficou dentro da área do avião que era pressurizada e tinha aquecimento. Só levou seu telefone celular dentro da caixa e chegou a Dallas 15 horas depois. O mensageiro que trouxe a "mercadoria" para a casa dos pais dele quando viu o homem saindo da caixa chamou a polícia.


Even his parents were shocked: "My husband asked him, 'Man, what are you doing in this crate?' He said he was coming home."

(...)

"I'm sitting there thinking, `Oh God, I don't know why I'm doing this,'" he said. "I'm sitting there thinking like any minute somebody will notice that there's somebody sitting inside this crate. ... No one did."

Bizarro, bizarro. Minha saudade do Brasil é muita e o dinheiro está curto, do jeito que estou magra de repente eu até caibo num fedex envelope.

posted by NYCG at 04:06 PM

September 08, 2003


I feel something very close to being free.

enviado por e-mail para D.

posted by NYCG at 04:40 PM

September 07, 2003

Não passo por um bom momento. Meus amigos mais queridos também não. Procuro alguma poesia no arquivo para confortar, mas nada encontro de positivo. Silencio e tento organizar o que me cerca, tudo fora do lugar, fora de órbita. Só me resta sair de casa, hoje faz sol e colocar um pé na frente do outro continuamente, devagarinho para não tropeçar. Caminhar, mesmo sem vontade, há de mudar o rumo desta prosa. Se tudo na vida é transitório, essa nhaca vai passar, essa dor vai passar, é o que tenho de confiança.

posted by NYCG at 06:25 PM

September 06, 2003

Ai que tragédia. M. mandou esse link de uma reportagem do Fantástico revelando a tal mulher do Vieira de Mello. Já vi a cara do Bial umas 10 vezes.

Não sabia que dava pra ver online essas coisas do Fantástico, sempre que tentei ver algo, dizia que era para assinantes. Bom, a musiquinha de fundo está um pouco demais e a camisa em gola V do Bial, faça-me o favor, mas foi interessante conhecer a misteriosa argentina.

***

Hum. M. também manda avisar que esse negócio de grafar "estória" está errado. Só admite-se história e História, como em História do Brasil. Mas há controvérsias. Na web tem alguns defensores de "estória", mas a maioria mete o sarrafo mesmo. Então, pronto, não há mais estórias neste blog a partir de hoje, agora é só história. Mais respeito, hein.

posted by NYCG at 04:28 PM

September 04, 2003

Tripalistas

O Nytimes errou. Olha o que escreveram na reportagem sobre o grammy latino:


Tropicalistas, a trio of Brazilian stars — Marisa Monte, Arnaldo Antunes and Carlinhos Brown — won the award for their collaborative album, "Tribalistas" (Capitol Music/EMI).


Tropicalistas?! In your dreams!

***

O Amor, o amor…

Li no Globo uma reportagem sobre artistas performáticos e mencionava o trabalho de Marina Abramovic. Claro que não tinha ouvido falar nela, sou terrível para artes plásticas, ainda mais essas coisas setentistas de artistas performáticos. Mas uma coisa me intrigou profundamente, pesquisei e encontrei a seguinte estória:

Marina e Ulay, seu companheiro e também artista plástico, trabalhavam há mais de uma década numa série chamada “Relações”. Aí tiveram uma idéia: atravessar a muralha da China, cada um partiria de um lado, com a intenção de se encontrarem no meio. Quando se encontrassem, haveria uma cerimônia de casamento. Demorou anos para encontrarem financiamento e conseguirem autorização do governo chinês. Quando finalmente deram sinal verde para aventura, Marina e Ulay eram sempre acompanhados de oficiais e não puderam andar próximos a muralha. A caminhada que duraria um ano, durou apenas três meses e na hora encontro, não houve casamento. Ao invés de se casarem, Marina e Ulay se separaram. O projeto, que tinha sido nomeado “The Lovers” e que seria o coroamento de dez anos de colaboração, terminou sendo o último em que trabalharam juntos.

Fiquei com esta estória na cabeça… É aquela coisa, o que fazer quando o tiro sai pela culatra. Você planeja uma coisa e acontece outra completamente diferente. Todos os dias, todas as horas temos que conviver com essa falta de planejamento cósmica. Não sei como sobrevivemos.

***
O Amor, o amor…II

Quando o Sergio Vieira de Mello morreu fiquei pensando, um senhor enxuto desses e não tem mulher. Não é possível. Quem seria? Aí li no Nomínimo que ele tinha uma namorada de 28 anos, minha idade aliás, e possivelmente também da mesma idade dos filhos dele. No artigo dizia que ele tinha morrido de graça e discorria cruelmente como tudo tinha sido em vão. Aí vi esta reação de um leitor, achei sensacional:

De: Claudiano Soares Filho
Para: Guilherme Fiuza

Ah, Guilherme!
Um cara que morre apaixonado por uma moça de 28 anos de idade, no auge da capacidade dele como ser humano, nunca morre acidentalmente assim, de graça. Morre por amor.

posted by NYCG at 10:12 PM

Nossa, quanta gente veio ver! Sejam bem-vindos. Nunca meu modesto bloguinho recebeu tantas visitas. É tudo culpa da Luciana!

Bom... é verdade que só aderi a contadores há menos de um ano e esse (aquele) blog já tem mais de 2. Talvez minha vida de solteira e desinibida do Grajaú tenha dado mais audiência, o que era a tônica deste blog no início. Bom... agora ferrou porque estou sem assunto! Encaretei tanto que agora o blog fala até em casamento. No fundo, pode ser que isso aqui tenha mudado de visual, mas não se preocupem, a gororoba vai continuar a mesma.

Quanto a comentários... ah, quem quiser que escreva um e-mail. Eu gosto de receber e-mails e sempre respondo. É que comentários para mim parecem que banalizam a coisa. Não que aqui esteja escrito qualquer palavra que vá mudar o mundo ou a vida de alguém, mas não gosto de comentários. Sou o fracasso de qualquer flash blog. E também rola aquele desespero de será que alguém vai comentar, e se ninguém comentar. Não dá, esse tipo de expectativa acaba comigo. Portanto, não se acanhem, se aprocheguem e escrevam e-mails, se a paciência permitir.

posted by NYCG at 05:10 PM

September 03, 2003


Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar e nem perder a hora

***

Encontrei essa letra de Ana Carolina e resolvi colocar aqui como wishful thinking para esse novo blog. Aliás, ando ouvindo Ana Carolina, mais pela voz, do que pelas músicas. Vem sempre o mesmo pensamento: a música estava indo tão bem e agora virou esse pop sem vergonha. Mas ouço mesmo assim, a voz da Ana Carolina dá muita energia. Estou precisando. Ora me sinto a queen of the black cocada, ora só fadiga, mau-humor e desesperança.

***

Recebi um cartão postal de Lucy. Estranhei a letra, não reconheci, e aí me dei conta de que é a primeira vez desde tempos imemoriais que vejo algo escrito a mão por Lucy. É incrível, mas já internetávamos em 95, 96. Ela como early adopter dessas novidades, já usava bbs ou mirc antes disso, ou sei lá o que era que se usava naquele prédio nos fundos do campus da Praia Vermelha. Claro que foi ela que me apresentou a bologs, por causa dela comecei a blogar, e ainda deu o nome disso aqui que depois abreviei. Obrigada, Lindinha. Saudades.

***

Neste post inaugural (aêeeeeee), tenho que agradecer a Patricia por ter feito o design! Arrasou. A foto do meu tênis foi tirada no início deste ano pelo meu amigo Boris no último dia de filmagem de um longa que já se arrastava há mais de um mês. Muito cansada, só queria colocar meus pés pro alto. Arrumei essa cadeira verde e sem eu perceber Boris: click. Achei na hora que não fosse sair, mas um mês depois ele me mandou a foto. Agora está aí em sua nova versão flash. Valeu!

posted by NYCG at 02:40 AM