December 31, 2004"Somebody asked me that once, a young guy in Spain. He said, 'What has life taught you? I said, wait a minute, think of it this way: "What can you teach life?" Mr. Shorter talked further about what he called "the human revolutionary process" and then said, "For me to be aware of something that has great value, I change my life." I tried rephrasing the question: Is there music that embodies a value that you would change your life for? "See, to me, the sound of music is neutral," he shot back. "What I do is arrange the dialogue, the musical dialogue, in a way that has not been spoken to me before". wayne shorter no nytimes uma semana atrás
posted by NYCG at 09:50 PM
December 29, 2004A semana anterior ao ano-novo é boa pra fazer retrospectivas clichês. Tentei me lembrar do que foi de marcante que aconteceu este ano, que livros li, que filmes vi, quais gostei, o que me apaixonou, o que me desapaixonou. Num primeiro momento, me deu um branco, como se o ano não tivesse passado, como se nada tivesse acontecido. Quais foram mesmo os livros que eu li este ano? Mas o que foi mesmo que eu fiz? Hmm, talvez a retrospectiva ficasse assim: frio em NY, Recife, Olinda, JP, frio em NY, curta, B., filme ruim, filme bom, o verão passou e eu estava distraída, mudança de casa, filme ruim e longo, o outono passou e eu fotografei, brigas surreais, Londres, velhos amigos, frio em NY. 12 mil fotografias and counting. Poderia ter passado sem as brigas surreais, mas acho que aprendi duas ou três coisas em 2004. Amizade, fazer o bem, esperar pelo melhor.
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December 28, 2004December 24, 2004December 22, 2004que fofo! Um gringo amigo meu que acabou de voltar do Rio disse que foi ao Jobi e fez um brinde em minha homenagem. *Pisc *** Fui ao médico aqui para exames de rotina. O médico fez uma bateria de perguntas que pareciam ser de praxe, dentre elas, perguntou se eu fazia parte de alguma gangue, ou se já troquei sexo por dinheiro, assim mesmo nestes termos. Só em Nova York. Aí concluiu, depois de me receitar umas vitaminas, que eu viveria até 95 anos, porque não fumo e uso cinto de segurança no carro. *Pisc
posted by NYCG at 07:44 PM
December 18, 2004As coisas não andam bem, até pra mim, que no fundo fundo sou otimista, acho que um milagre, alguma luz no fim do túnel, uma mão amiga vai me tirar deste atoleiro. Não vejo uma resposta clara e definitiva, mas muitas possibilidades. É uma pequena tragédia particular no meio de tanta injustiça no mundo, mas é minha tragedinha, tenho o direito de achar que não mereço e até de sentir pena de mim mesma. Por que minha procura por estabilidade, segurança e harmonia só me leva pra lugares desconhecidos onde tenho de lutar, lutar, lutar? Quando eu penso que fixei moradia, cuidei do meu jardinzinho, acertei minha vidinha, ponderei, agi com calma e sabedoria, pronto, vem a danada da roda viva e me leva pra outro lugar. É um constante começar e recomençar que me deixa sem bases. E sem bases a gente não é nada na vida. Estou cansada. Engraçado é que no meio da angústia sempre tem alguma coisa para fazer a gente rir. Na sexta à noite, fui num bar encontrar uns conhecidos que não vejo há tempos. Tudo muito normal e chique no bar, até que alguém sugeriu que fôssemos a um outro bar na esquina dançar salsa. Eu não estava dando nada pelo bar, já que a maioria dos lugares por aqui já se descaracterizou. Mas não, o bar era original! Num lugar apertadinho, uma banda com 8 caras tocavam uma salsa muito boa e os locais antigos do bairro davam show na pista de dança. Logo veio o povo pedindo pra dançar comigo. Eu tenho cara de dançarina, jeito de dançarina, mas não sei dançar droga nenhuma. Foi muito divertido. A energia, as pessoas, a música, sempre a música. Cheguei em casa às 5 e meia da manhã, após ter fechado mais 3 outros bares. Que noite, coisas de Nova York. ***
Roda mundo, roda-gigante
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December 16, 2004Errei completamente na minha previsão de quem iria ganhar o Turner Prize. O escolhido foi um artista que fez um vídeo sobre o Texas. Foi o único que eu não passei nem 5 minutos assistindo, achei chaaaato. Pelo visto, foi um julgamento apressado. Ando procurando um foto específica da exposição do Robert Frank que vi no Tate. Não a encontro na web. Não tenho $ para comprar o livro. É uma foto de um daqueles businessmen dos anos 50 da City londrina encoberta em neblina, onde praticamente só se vê um chapéu e a palavra "right" escrita no chão. Brilhante. Vi "Closer". Gostei muito, bem melhor do que eu imaginava. Às vezes, passa-se tanto tempo sem assistir a cinemão, que a gente até se surpreende ao constatar que a Julia Roberts e o Jude Law são excelentes atores, e que realmente existe um motivo para os milhões de dólares que eles acumulam nas suas contas bancárias. A frase do poster é umas das mais bem sacadas dos últimos tempos: "If you believe in love at first sight, you never stop looking". Vi "La mala educación". Não gostei, que pena. De todos os filmes do Almodóvar, apenas "Kika" e este me desagradaram.
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December 14, 2004December 12, 2004December 10, 2004
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December 06, 2004December 04, 2004Meus últimos dias em Londres seguiram o mesmo padrão. Dormir, arte, dormir. Eu sou uma péssima viajante. Estar num lugar que eu nunca estive antes me cansa demais e todas as novidades são absorvidas ao mesmo tempo, overdose de informação, resultado: sono, muito sono. Eu procuro reservar minhas atividades num mínimo de "atrações" e passo a maior parte do tempo em casa lendo, sintetizando a vida da cidade ao meu redor e dormindo muito. Programão, né mesmo? O encontro com J. foi difícil, não se pode passar 5 anos sem ver uma pessoa querida, mas nos esforçamos muito pra que não fosse nada. Agora já o encontro praticamente casado, com dois filhos pequenos. Fomos jantar em Shoreditch num restaurante vietnamês (?), comida razoável, sei não, acho que se come melhor em NY, J. chamou o garçon de "dopey". Ri muito com isso fazendo associações diversas. Não sei porque a palavra "dopey" me faz gargalhar. Eu sou silly that way. Também morro de rir quando dizem aqui "doofus". Existe palavra melhor que "doofus"? Tá, existe. Tongolina, tongolina é hilário. O dia seguinte eu passei atordoada (novidade), flutuando sonâmbula, mas é praticamente impossível se perder no metrô de Londres. Tem aviso em tudo quanto é lugar: não vá por aqui, venha por aqui, agora suba, agora desça. Fui ao Tate Modern, prédio muito interessante, vi uma exposição do fotógrafo Robert Frank. Me expandiu muito a idéia de fotografia e o que fazer com ela. Vi alguma video-arte boa, a maioria não. Fiquei sem paciência para "artistas famosos". Picasso, Rothko, Matisse. Parece tudo já visto, olhar originais de quadros famosos às vezes acrescenta tão pouco. À noite, fomos jantar num restaurante italiano meio chique. Depois assistimos ao "Poderoso Chefão 2". Dei umas cochiladas básicas, só vindo a acordar mesmo quando Al Pacino e Diane Keaton discutem a respeito do filho que perderam, mas que na verdade foi um aborto. Cacete, filmaço. No dia seguinte, queria continuar dormindo (novidade), mas me forcei a sair. Fui ao Barbican Centre, lugar estranhíssimo. Me vi no meio de uma formatura com alunos de beca e o escambau. Alguém me guiou até o lugar onde tinha uma exposição de alunos de escolas de arte de Londres. Muita bobagem, mas tinha umas video-artes low-fi muito engraçadas. Morri de rir com uma que era um cara passando óleo de bronzear e cantando uma música do Elton John. O vídeo se chamava "Elton John is a ****". À noite, fomos num restaurante tailandês. Voltamos e assistimos Raging Bull. Não cochilei nem por 30 segundos. Com certeza um dos melhores filmes que já vi. Comparar Raging Bull com qualquer filme feito hoje em dia só nos leva a constatar a mediocriodade de nossos tempos. Triste. Passei meu último dia em Londres com B. Almoçamos num restaurante brasileiro. Achei meio caro, custou 9 pounds, que vem a ser 18 dólares, que vem a ser 54 reais. Por uma comida boa, mas caseira, sem firulas. Tá, essas comparações são idiotas, mas refletem uma realidade tão profunda, mas tão profunda, que não cabe explicação racional para tamanha discrepância, o buraco é bem mais embaixo. Dali, ele me levou pra conhecer o teto do British Museum. Sem paciência pra ver as coisas que os ingleses saquearam de outros países. O teto estava de bom tamanho. Aí fomos pro Tate Britain e vimos os finalistas do Turner Prize o maior prêmio de arte concedido na Inglaterra. O ganhador leva 25 mil libras, os outros finalistas 5 mil cada um. Minha escolha vai pro Shonibare. Não achei nenhum link bom sobre o cara, que faz arte utilizando tecidos de padrões africanos, mas que na verdade são feitos na Holanda. É uma crítica social forte, mas sem ficar dando tapas na cara do público. À noite fomos no Guanabara, que eu achei que era um barzinho, e dei de cara com uma boate. Conheci a Taís e seu namorado. Foi ótimo. Rimos muito. Muitas piadas sobre americanos, tadinhos, são alvos muito fáceis. Cheguei em casa. Não consegui dormir, ligadíssima, preocupada, pensando no futuro. O táxi chegou pontualmente 15 minutos adiantados. Tivemos uma excelente conversa sobre o estado de coisas e ele me mandou o seguinte recado: you'd be better off living in London. A viagem de avião foi tranqüila. Já era meu aniversário. Cheguei em NY no meio da tarde. Achei que fosse aproveitar o meu dia de 30 horas, mas estava muito cansada. Dormi a maior parte do tempo. Minha mãe ligou e me disse: "Juízo", desta vez eu ouvi com atenção. Favor me mandar parabéns, se você não mandou ainda e conseguiu ler todo este testemunho de fé. Afinal, são 30 anos de vida.
posted by NYCG at 11:47 AM
December 01, 2004sophie calle (possivelmente minha artista preferida), 3 passagens:
The Other The Love letter
posted by NYCG at 09:09 AM
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