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novembro 29, 2002
Como podemos consentir em não ser tudo ? • Eu me encontrava frequentemente com Camus. Uma noite, após termos jantado no Chez Lipp e bebido no bar do Pont-Royal até que este fechasse, ele comprou uma garrafa de champagne que nós esvaziamos no Louisiane, conversando até as 3 horas da manhã. E apesar d'eu ser mulher -e ele, sendo um tanto feudal, não fazia se mim uma igual- ele me contava coisas íntimas, me deixava ler passagens das suas anotações, me falava dos seus problemas privados. Ele voltava sempre sobre um assunto que o preocupava: um dia ele teria que escrever a verdade ! O fato é que havia um abismo mais profundo entre ele e sua obra do que na maioria das pessoas. Quando nós saíamos juntos, bebendo, falando, rindo até tarde da noite, ele era engraçado, cínico, um pouco canalha; ele tinha suas emoções, ele cedia aos seus impulsos; ele podia se sentar na neve que acumulada num meio-fio ás 2 da manhã e meditar pateticamente sobre o amor: devemos escolher, ou dura ou queima, o drama é que não dá para durar e queimar. • Aaaahhhh... dio mio, não dá para não gostar de Simone. • Sylvia Plath F. Dostoevsky • E tem mais, mas estes são alguns favoritos que estão na ponta da língua. • Modéstia a parte, eu reli A Garçonniere e achei sensaciona. Estou orgulhosa deste continho porque eu atingi o objetivo: homenagear Nelson escrevendo (quase) como ele.
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novembro 28, 2002
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Mesmo com o coração batendo por outra cidade, ver como São Paulo era bonita me dá um orgulho danado. • Aliás, acho que vou fazer uma seleção das ruas que mais gosto e vou lá tirar fotos de como elas estão hoje. E repito o ritual de 10 em 10 anos, até o final da minha vida. Bom não ? • Projeto para uma vida inteira... Gostei. Adorei !!
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novembro 27, 2002
As voltas com Simone. Como eu senti saudades dela. • Interessante como mesmo consciente da violência que nos cerca, quando alguém nos conta alguma coisa como um morro invandindo outro, tiros no meio da noite, e ainda pior, quando um lado pára de atirar, presumindo que alguém morreu, tudo isso parece um filme ou que esta acontecendo em algum outro país que não este aqui. Fiquei pensando nisso, dormi e não lembro o que sonhei.
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Sombra Da Maldade - Cidade Negra Eu sei que ela nunca mais Eu sei, eu sei, eu sei, eu sei Permita que o amor Saia
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Viajar, ir para qualquer outro lugar é sempre um ato praticado por mim sem qualquer dificuldade. Aprontar as malas e ir. Retornar para casa, o mesmo quarto, as mesmas paredes, a mesma energia nos objetos, mesma luz e não importa o quanto eu mude a disposição dos móveis, sempre conta a mesma história. A volta me dá tristeza, angústia e muita estranheza. A energia que trago não reconhece aquela que ficou ali. O lugar que supostamente deveria me acolher e recolher é onde eu me sinto mais sozinha e vazia. • Eu perdi o meu olhar. • A não magra, a mulher que é mais cheinha, me passa uma sensação acolhedora, uma calor quase materno. Sinto que a generosidade das suas formas inspira muito e preenche as expectativas mais amplamente do que a mulher magra. A magra é toda rígida, dura, parece mesmo fria e seca, pouco humana, inatingível. A crueldade da magreza é aflitiva.
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novembro 26, 2002
Auprès d'eux, j'avais leur âge, sans rien perdre cependant d'une maturité si cher payée que je n'étais pas loin de la prendre por de la sagesse; ainsi conciliais-je, dans une fugace illusion, les contradictoires privilèges de la jeunesse et de la vieillesse: il me semblait savoir beaucoup et pouvoir presque tout.
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E eu não aprendo a ficar com minha boca fechada. Contar qualquer coisa futura ainda incerta para as pessoas quase certamente fará com que tudo dê errado. *&^%#@! Hoje eu sairia cortando gargantas !
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Hohohohoho.
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novembro 25, 2002
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Ás vezes tenho a impressão de que um livro esta falando comigo. A primeira vez que isso aconteceu foi com o Entrevista com o Vampiro, de Anne Rice. Eu sabia que ela estava me dando dicas atráves do personagem. Depois voltou a acontecer com The Last Temptation of Christ, de Niklos Kazantzakis. Foi uma conversa longa e muitíssimo boa. E agora voltou a acontecer com A Writer's Diary, do Dostoevsky. Cada novo capítulo me conta algo do que esta acontecendo ao meu redor ou comigo, pessoalmente. Ontem foi estranhíssimo: ele me falou exatamente o que eu precisava ouvir. Sobre liberdade, dinheiro, igualdade, nobreza e irmandade. Para quem quiser ler, página 881, 4-The russian solution to the problem. E pensar que as palavras dele (estas em particular) estiveram vagando por ai desde fevereiro de 1877... • Eu amo este homem. • Cortei o cabelo...
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ESPELHO - Sylvia Plath Sou prata e exato. Eu não prejulgo. Agora sou um lago. Uma mulher se inclina para mim,
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novembro 24, 2002
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Depois de duas ligações de NY, horas de conversa, dúvidas, perguntas sem respostas, a certeza de que preciso de um plano para me sentir mais forte, me sinto muito-muito melhor. Talvez tude de certo, talvez não. Mas agora eu tenho certeza do que quero fazer.
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Menino do Rio - Caetano Veloso Menino do rio,
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novembro 22, 2002
Estou tentando segurar a onda. Escrever mesmo quando tudo que quero é sair e andar quilómetros e beber e me perder de tudo e de mim principalmente. Não tenho vontade de escrever aqui. O copy/paste esta reinando. Quero escrever para o que interessa. Quero escrever para me orgulhar. Aqui tudo vem e vai muito rápido e mesmo quando é quase bom, perde o valor. Eu que sou minha pior inimiga aperto o publish com descaso. É apenas meu diário, o jornal que mantenho. E se me lembro bem todas as vezes nestes, hum, quase 20 anos é que quanto mais eu escrevo sobre mim menos eu escrevo para mim. E escrever sobre mim é uma armadilha: tento me convencer que como pessoa já sou uma figuraça, uma quase-lenda-viva e isso basta, e me ofendo horrores com o email da menininha que me escreve com simpatia e me dá boas vinda ao mundo do blog. Caralho, escrevo nesta merda há mais de 18 meses tá sabendo. E ai, por que me irritei ? Porque sou uma babaca. É meu ego reclamando, o ego, o ego maldito querendo um afago. Mas não é este afago que vai me satisfazer. O afago de receber uns 30 emails por dia, de pessoas que querem saber tudo sobre a minha vida, de pessoas que me dizem que escrevo "lindo poemas", de pessoas que acham minha vida muito louca... e por ai vai. Eu quero primeiro me orgulhar, me surpreender, depois as poucas, pouquíssimas pessoas que interessam. E daí conquistar o mundo. Eu quero destruir árvores, quero que elas virem papel por minha causa. Estou exausta. Foi uma semana intensa e complicada. Minha cabeça parece que vai explodir. Não de dor, mas de tantas coisas correndo de um lado para outro. Eu quero apenas paz. E humildade. E poder fazer o que interessa.
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You can take the dancing girl out of the business, but you can't take the dancing business out of the girl.
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novembro 21, 2002
• Sonho: estou presa com outras duas pesssoas e sabemos que o culpado disso é o cara que esta na cela ao lado. Então arquitetamos um plano diabólico para atrair o cara para a nossa cela e na calada da noite vamos matá-lo. Primeiro eu o encho de porrada, chute na cara, na bunda, na barriga e ai percebo que o sujeito é meio gordinho e oriental. Inconsciente ele se transformou em outra pessoa, essa com cara de bandido do carandiru mesmo (perceba aqui o preconceito) e jogamos o cara num canto, eu meto-lhe um travesseiro na cabeça e aponto uma espingarda KWS 1236, mas o outro cara decide atirar e o faz, na nuca. O canalha não morre, o sangue manchou todo chão, mas o barulho não foi grande. Tomo a arma e atiro de novo, mais alto, no meio da cabeça. Ai sim, sangue pela boca, morto. E como vamos nos livrar do corpo ? Jogamos no poço do elevador. • Não estou me sentindo muito bem.
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... be a balanced witness, reporting on the decay and growth with equal emphasis. In the weeks to come, please be the latter. Fazia tempo que não recebia um conselho tão bom.
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Snapshots from Rio - IV • Meu olho vai de mal a pior. Se não melhorar, mais um médico para visitar. • Aquele lance de filosofia esta sendo legal. Mais dor de cabeça do que outra coisa. Mas enfim, bem como eu gosto. A sentença favorita de hoje foi: deus nos deu o livre-arbitrio e se eu decidir fazer o mal deus não pode me parar, o que implica que deus tem limitações no seu poder. Claro que não para por ai, tem mais e mais completamente explicado, claro. E essa "tese" pode ser derrubada, claro.
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novembro 20, 2002
Que foto liiiindaaaaaaaa.
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novembro 19, 2002
Caraca, vendo minha página num cybercafe da augusta as fotos ficam tão escuras. Será o monitor daqui tá mal calibrado ou elas estão escuras assim mesmo ? * Urru. Andy Warhol. Blow Job e My Hustler. Achei que os ingressos iam desaparecer como na mostra... nope. * Todo homem que vacila a mulher passa prá trás... * Nada contra, pouco a favor. Acho pc bem desconfortável. * Uma cerveja me chama. * update: acordei com o olho direito inchado. como ano passado, acho que é conjuntivite. e sim. os atalhooooosssssss...
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Snapshots from Rio - III • O dia anda muito curto, mesmo quando eu o estico até as 3/4 da manhã. • Fiquei ouvindo uma pessoa descrever sua paixão e no final percebi que é bem parecido com o sentimento de quando escrevo ou faço algo que adoro, meu peito incha e sinto que posso fazer qualquer coisa neste mundo. Que não existe barreira alguma que eu não possa cruzar. • A cada desafio que eu aceito e por fim, ultrapasso sinto que sou mesmo capaz de tudo. O que por um lado é sensacional. E por outro dá um medo danado... • Africa ? Ano que vem ? Aaahhhh... bom de se pensar...
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novembro 18, 2002
O corretor de imóveis do outro lado fez a pergunta cruel e minha mãe respondeu sem pensar um segundo:
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novembro 17, 2002
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novembro 16, 2002
• Jabor veio dizer o que eu diria, se soubesse como. Sobre aquele assunto tão batido que já encheu o saco...
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Snapshots from Rio - II
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Woman's role in creation should be parallel to her role in life. I don't mean the good earth. I mean the bad earth too, the demon, the instincts, the storms of nature. Tragedies, conflicts, mysteries are personal. Man fabricated a detachment which became fatal. Woman must not fabricate. She must descend into the real womb and expose its secrets and its labyrinths. She must describe it as the city of Fez, with its Arabian Nights gentleness, tranquillity and mystery. She must describe the voracious moods, the desires, the worlds contained in each cell of it. For the womb has dreams. It is not as simple as the good earth. I believe at times that man created art out of fear of exploring woman. I believe woman stuttered about herself out of fear of what she had to say. She covered herself with taboos and veils. Man invented a woman to suit his needs. He disposed of her by identifying her with nature and then paraded his contemptuous domination of nature. But woman is not nature only. - Anais Nin • mon dieu, c'est ça qu'il faut faire, ne avoir honte de rien dire. de rien exposée, de rien faire. oui, je peut faire des choses, mais il y a quelque chose dedans moi qu'arrete tout mon penser et me fait tellement du mal. pourquoi je ne peut pas admets qui je suis la femme, je suis une femme et il faut écrire comme telle ? c'est de ma mére qui devient tout cette horreur d'être une femme et l'être bien et heureuse ? j'ai tout un monde a raconter, j'ai des histoires a écrire, mais divisé comme je suis maintenant entre la femme et le mec en moi, comme ça je peut rien dire, je ne trouve pas ma voix. quel connerie j'ai fait avec moi même...
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novembro 15, 2002
Olha só que textinho legal sobre o Rio...
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novembro 14, 2002
Amor de Mãe, escrito numa faixa dentro de um coração. A tatuagem que eu faria, no braço, com certeza. Porque minha mãe é uma santa e eu a amo mais que tudo nesta vida e só ela sabe me levar aonde eu quero ir. E não me entende, mas mesmo assim não reclama, tá sempre ali, dando uma força, fazendo uma piadinha ou dando um puxão de orelha tão de leve que nem me atrapalha. Minha mãe é tudo. E é só minha. • Centrão, que lindo, que lindo. Praça da Sé, por que a catedral tava fechada ? E um sebo ali atrás onde comprei o Paris tel qu'on l'aime, edição de 47, que foi de Nelson de O. Ribeiro em 50 e tem ilustrações geniais como a dai de baixo, a segunda. Comprei também A Cabra Vadia, de Nelson, que é tão velha a edição que foi feita em linotipo. Igreja de São Gonçalo. Teto bom, mas a foto ficou feia. Estou sempre me esgueirando para tirar uma foto e não ser pêga, daí algumas não saem bem. E terminando na clássica Estação da Luz. Foi o lugar mais bizarro que fui nos últimos 10 dias. Hotel Queluz. Diária de 8 reais. Escadaria ensebada, paredes sujas. Já morreu alguém aqui ? Desce a Casper Libero, dobra a esquerda ou a direita na estação. Uma calçada espremida entre lojas, biroscas e puteiros e o muro de concreto do metrô. Você entra em outro mundo. Mas não tenha medo. E se o olhar de alguém cruzar com o teu, não desvia não, sustente. E a estação. Em obras, ainda. E gente que vem e vai com sacolas grandes, pesadas. E o trem. Vai para Franscisco Morato. Eu desco na próxima estação. De volta no meu mundo. Estou salva. Ou não. • E faz tempo que quero escrever sobre minha família, mas não sei como. Helena que era uma mulher lindíssima, mas devassa (o que quer dizer que era uma prostituta); Waldemar que era muito bem de vida, casado e feliz e se enforcou no chuveiro, sem deixar nem ao menos um bilhete; o Louco que ninguém diz o nome que sumiu e vivia na rua e deixava recadinhos debaixo do vaso de flores do túmulo dos pais dizendo que estava bem e Elza que abandonou as filhas e o marido e se mandou para Santos com um cafetão e sabe-se lá o que se passou durante os 2 meses que esteve por lá (minha mente prefere imaginar as coisas mais terríveis). E teve a Gilda, mas Gilda merece um post só dela. • Sylvia. Francis. • O teatro de Nelson é bom também. • O site ficou fora do ar durante horas... • O ingles jamaicano é qualquer coisa heim ? Sotaque que me deixa meio doida... • Tem uma foto dele na contracapa do livro. Cara, me lembra tanto meu pai...
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Snapshots from Rio - I ••• Caramba, tá tento jogo no Palmeiras, dá para ouvir os gritos daqui. • Ah, eu comecei a ler e imprimi tudo. Bom seria se alguém ai topasse fazer um grupo de discussão, seriamos todos super-descolados-autodidatas em filosofia. Ou quase. • E como faz tempo que não linko blog (argh, detesto esse nome), ai vai um bonzão: notas gonzo. • E link bom se espalha mais rápido que DST. Hhahahahahhahaha. • Tropecei. Como descrever cenas de sacanagem explícita ? Que difícil cara, que complicado... Não sei se é puro pudor (acho que não, o buraco é mais prá baixo), mas não consigo fazer isso com naturalidade. Vou seguir o sábio conselho recebido: escrever todos grandes absurdos e barbaridades cabeludas e ver se me liberto disso. De um extremo ao outro, talvez eu acho um ponto bom no meio... • update: que LINDO ver uma foto minha no blog (argh coff coff) do Dave ! E azul ainda, minha cor favorita.
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novembro 13, 2002
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novembro 12, 2002
Já disse que a trilha sonora do Cidade de Deus é ótima. Não tem uma única música que eu não goste. Mas a minha favorita é a 14, Batucada, um remix do DJ Camilo Rocha e DJ Yah. Pouco obsessiva que sou, it plays over and over again. E pós Rio, evoca lembranças... Aliás, tem outra música que vai ficar na memória: Já Sei Namorar. • Eu me divirto, literalmente, com as interpretações (sobre quem eu sou, sobre como me sinto, sobre como me pareço) das pessoa que me lêem. Cara, seria bom ler apenas e não interpretar a partir de quem somos, não ? Será que é possível isso ? O bom são os que interpretam BEM. Que acertam na mosca. Ouch. Ou não interpretam at all. Tem o divino dom de olhar e sacar, ler e entender. • Nos olhos e na alma dos outros eu queria ver uma tela branquinha, para poder nela fazer a minha expressão, deixar ali a minha marca, como eu a quero deixar, não como querem que eu a deixe. Difícil achar alguém disposto a ser a tela branca. E enquanto não acho, vou marcando por cima do que ali já existe. Mas aprendi que nelas não adianta usar as cores fortes, o vermelho no negro, mas vale usar as cores que já estão ali, mas faze-las com força, como quando escrevemos quando estamos com raiva, marcando todas páginas de um caderno, fazendo o carbono da primeira. Afinal, não são as cores que vão ser lembradas, mas a força com que você as exprimiu. • Metáforas. • Dopamina. • Meu lado animal é mais feliz do que o racional. Por isso eu sou tão mais eu mesma quando bebo. • - eu gostei do texto.
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Já Sei Namorar - Tribalistas (?) Já sei namorar
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Uma deliciosa viagem no tempo, dica do Elesbão. • Fui assistir Madame Satã. E prefiro não comentar. • • Sentada numa mesinha dentro do Cine Unibanco escrevendo sobre a distância entre as pessoas, mais precisamente sobre como ocupamos primeiro todos lugares vagos para só sentar ao lado de um estranho quando não há outra opção , um cara meio esquisito pergunta através de sinais se podia sentar ali, na minha mesa. Claro. Para toda regra existe uma excessão. • Estou novamente cometento erros graves de portugues. Afe. • Boca do Inferno. Esse seria meu título. Enfim, coisa estranha aconteceu: o boca veio do pedaço de inferno e eu achei que era título de algo da Patricia Melo, mas não é. Fiquei feliz, achando que tinha pela primeira vez achado um bom título. Durou pouco. É de outra autora. Okay. Mas existe um lugar, em Portugal se não me engano, com este nome, próximo a praia, e tinha umas imagens. Fiquei meio assim porque o lugar era igualzinho a um sonho muito impressionante que eu tive anos atrás. E na página veio ainda o subtítulo O Mar Enrola na Areia. Boladíssima, não quero pensar muito no assunto, mas sim, fiquei impressionada. Com as coincidências. • Frases que parecem bobas, óbvias, me deixam assim, pasma. O texto rebuscado sempre me deixa fria, mas as frases simples, banais até, uau, me viram do avesso. Acho que é porque elas evocam as imagens mais básicas na minha mente e minha imaginação que sempre trabalhou com pouco, de deleita. • Por enquanto, tudo se passa depois que a noite cai. Foi inconsciente, eu juro.
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novembro 11, 2002
Corcovado - Antônio Carlos Jobim/english lyrics: Gene Lees Um cantinho, um violão Quero a vida sempre assim Quiet nights of quiet stars This is where I want to be
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E fui cheia de preconceito, com medo de ser assaltada, de levarem minha máquina, de levarem minha mochila com meu iBook dentro, com medo dos mulatinhos que tinha visto na tv. Cheguei lá e o medo todo evaporou. A tarde estava linda, de sol, abafada, hoje é meu aniversário e eu vi, lá no longe no alto, o Redentor. Braço estendidos. É isso ai, abri meus braços também, que venha o que vier. O sentimento que tive que é que tinha ido para outro país. As pessoas me davam sorrisinhos simpáticos, talvez por causa do meu sotaque. É isso, pensei, eles sabem que não sou daqui. Como quando eu estou fora. Tem sempre o sotaque para denunciar. - Você lembra, foi este elevado que caiu uns anos atrás. A gente ficou com medo de passar aqui, mas olha ai, passou. O tempo cura tudo mesmo, né ? O tempo cura tudo sim. Eu me lembro sentada no banco de trás do táxi do meu pai, um fusca, tinhamos ido comprar uma offset Romayor e aquela foi minha primeira vez no Rio e lembro bem de quando passamos pelo elevado Freyssinet. Eu tinha 6 anos e olhei para aquele pedaço de cidade da mesma forma que o fiz 27 anos mais tarde. O Rio de Janeiro é um mosaico rico, detalhado e intenso. Não há nada que fira as vistas. Até mesmo o feio e o bizarro ficam bem, fazem o conjunto todo ser harmonioso. O coração desta paulistana dói quando eu lembro do conjunto de concreto armado amontoado que é São Paulo. E estou aqui, estou em outro país e estou amando cada esquina. Olhe bem, olhe as pessoas, olhe o mar ali na frente, essa gente caminhando no fim da tarde, aquele menininho de shortinho vermelho que persegue a onda, o caminhão percorrendo a areia esvaziando os latões cor de abóbora. O Rio é real, palpável, esta acontecendo naquele momento, não deixou para amanhã ou depois. Dá a sensação de sangue que pulsa nas veias. Faz a gente se sentir vivo. E minha vontade era andar, andar, andar dia e noite, até entender a geografia e conhecer cada rua desta cidade. Quero subir e descer os morros, quero me fartar com as cores das nuvens no céu que parecem que foram pintadas a mão, quero sentir aquele gelinho na boca do estômago ao olhar as ondas quebrando violentamente lá de cima do Arpoador, as nuvens abraçando o Dois Irmãos, os bondinhos no Pão de Açucar subindo e descendo, os meninos jogando futebol na praia de Botafogo, o cachorro que esta passando pela grade do cemitério dos Ingleses, o homem que esta sentado na porta de uma Igreja Evangélica na rua do Livramente, a igreja vazia, toda branquinha com cadeiras azuis, e mais, os Arcos da Lapa, cinzentos, a chuva que cai, que não perdôa, os sobrados da rua da Alfandega, as capivaras que vivem amigavelmente com os gatos no Campo de Sant'Anna e o pavão branco, ali, majestoso, e os mendigos dormindo nos degraus e uma preta-velha, toda de branco sentada no chão, segurando um quadrinho de Oxum, de quem dizem sou filha, tirando um cochilo no meio da Nossa Senhora de Copacabana, com todo calor do dia. E a qualquer momento você olha para cima e vê o Redentor, os braços abertos. Abre teus braços e descobre tudo. Abre teus braços. E eu estou de férias e penso é por isso que estou amando esta cidade, porque estou de férias, venha para cá e você vai ver que toda beleza vai sumir na proporção exata em que os problemas começarem a aparecer. Mas não me convenço. Estou de férias há 8 meses e com muito custo e muita dedicação eu luto para ver a poesia na cidade em que vivo. Quero amar São Paulo, sempre quis, mas descubro que é ao Rio que quero me entregar. De corpo e alma. Quero as noites quentes, quero sentir o calor saindo do asfalto e subindo pelas minhas pernas, quero ver as meninas de vida fácil andando pela avenida fingindo uma falsa despreocupação, quero encontrar os mulatinhos que vi na tv, quero estar cercada de água, o mar, a lagoa, quero poder ouvir a cadência bonita que eles usam para falar todo dia. O Rio de Janeiro é um convite. O Redentor de braços abertos me diz: vem e se entrega.
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novembro 10, 2002
![]() Milos, thanks.
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Eu vim, mas já sei que vou voltar. • Pelo menos o tempo bom veio comigo. • Em São Paulo estou geograficamente mal colocada. • • Não tirei tantas fotos quanto imaginei. Mas separei as que gostei mais e elas já estão aqui. • Sonho: tenho uma passarinho lindo que canta que é uma beleza, mas um gato de rua consegue entrar na gaiola e mata o pobrezinho antes que eu consiga fazer alguma coisa. Dou porrada no gato, mas não o mato. Alguém em seguida me oferece dois pássaros, branquinhos, que cantam como o antigo. • E eu trouxe comigo um pedacinho azul e dourado. Quem tem olhos e consegue enxergar, verá.
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novembro 08, 2002
Caralho ! E hoje, claro, sai um dia de sol lindo. Depois de 3 dias bizarros de chuva e clima paulista. Deve ser para me dizer adeus. Ou lembrar o que não me espera. Enfim. Vamos.
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novembro 06, 2002
E não pára de chover, desde ontem. Hahahaha. Pensam que eu desisto com tão pouco ? Não. Só mesmo se nevar. * Não sei se é impressão minha ou a cidade esta toda com cheiro de mar. * O amor deixa muito a desejar. Veio bem a calhar e eu escrevi um texto até que bom sobre isso ontem, depois de ler a coluna do Jabor. Infelizmente só vou postar quando estiver em SP. * Pinóia ! * Tem um outro certo perfume que me persegue. Hm. Minha memória olfativa é ótima. * O gosto do cheiro.
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novembro 05, 2002
A chuva começou de madrugada e ficou assim, indo e vindo o dia inteiro. Mas foi um dia sensacional, caminhando no Centro com uma excelente compania (que anda mais rápido do que eu) e sabia tudo e todos os caminhos. Genial. * E eu não sabia, mas feliz Dia do Designer. * Que coisa mais frívola, mas adoro estes atalhos do MT que só aparecem no PC. * Adorei, não nego, volto quando quiser.
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novembro 04, 2002
Vizinho muito estranho ouvindo as piores versões disco do mundo. O outro que avisa, sem eu ter que sair da cama (se comunicam pelas janelas, o que é quase poético) que lá fora está um pedaço de inferno. A mãe ou empregada que dá uma dura nas crianças logo cedinho. Tudo lindo, lindo e depois do meu filtro(s), surreal. * Esta cidade é sim Babilônia. E se você entrou na chuva, mergulhe. * E telefone que faz falta. Na verdade a única coisa que esta fazendo falta. * E não estou tirando todas as fotos que imaginei. Hm. Meu olhar não acostumou com o espaço ou com o horizonte ? * E como é estranho descobrir que se é algo mais do que se gostaria de ser. * [você não precisa fazer tudo, nem fazer tudo acontecer] * et oui, c'était quelque chose très proche de Clichy. il faut pas oblier. jjpp.
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novembro 01, 2002
O tempo ainda esta assim-assim, mas o final de tarde foi ótimo: o sol saiu entre as nuvens escuras e a vista do Arpoador foi de tirar o fôlego. O Rio é lindo, não estou com vontade nenhuma de ir embora. Acho que não vou. * E eu, que não bebia cerveja, estou virando uma bebinha. Muito gostoso ficar sentada com o pé na areia e beber um golinho, olhar os adolescentes jogando futebol, outro golinho. Cervejinha rulez, babe. * As pessoas são excepcionalmente bem educadas. Paulista é mesmo grosseirão, e pior, não te olha nos olhos quando fala. Aqui, que diferença. Os motoristas de taxis são particularemente falantes e bem humorados. * E eu vou pedir, um solzinho por favor, assim posso dar uma bronzeada. * E fotos, hoje dei uma chutada no balde, carreguei o cartão. Mas deixei o olhar apurado no meio do caminho.
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bruno cris caio cesar danilo elesbão fabio haroldinho jean lia magiozal marcelo mario av miguel nando ruy tati val |
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out/2002 |
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